Os Vencedores e o Balanço do Festival É Tudo Verdade 2020

O documentário “Libelu – Abaixo a Ditadura” vence como melhor filme na cerimônia de premiação que aconteceu neste domingo (4)

Por Fabricio Duque

A existência de um ser é pautada em uma realidade compartilhada socialmente. Se os filmes ficcionais são retratos encenados de vidas humanas, os documentários buscam a verdade fidedigna do que se vê acima de todas as coisas. Contudo, o próprio indivíduo costuma burlar padrões e recriar formas possíveis, amalgamando estéticas, narrativas e hibridismos na narrativa da história que se deseja contar. E quando o mundo é surpreendido e assolado por uma letal crise pandêmica, que o limita da própria liberdade do ir e vir, por medo e/ou solidariedade, então essa “reinvenção” (palavra que ganhou força no processo de adaptação da quarentena).

Nesse turbilhão de emoções dramáticas, festivais de cinema precisaram se reconfigurar e ressignificar tradições. Com os cinemas fechados, a solução mais pertinente e possível foi o online. O É Tudo Verdade aceitou o desafio (pelo martelo batido de Amir Labaki) de realizar, de 23 de setembro a 4 de outubro, a mostra de documentários mais famosa do Brasil (e de força internacional, visto que tem poder de escolha ao Oscar) totalmente por streaming na plataforma Looke, e com as coletivas de imprensa, um show à parte, no canal do Youtube do próprio festival.

“É sempre uma enorme honra para o É Tudo Verdade contar com o patrocínio de empresas deste porte, com o apoio de instituições culturais de excelência internacionalmente reconhecida e com o suporte de diversos níveis de entes públicos”, afirma Labaki. “Neste ano, todas já haviam se superado em prol da celebração da efeméride de nossos 25 anos. Diante da calamidade inédita em muitas gerações da crise epidemiológica nacional pelo coronavírus, não tenho palavras para expressar nossa gratidão pelo empenho redobrado de todos em circunstâncias tão inóspitas”.

“A viabilização do festival, neste quadro dramático, expressa sobretudo o compromisso irrefreável com a cultura brasileira, neste momento crítico, de nossos patrocinadores, apoiadores e realizadores”, prossegue o diretor do É Tudo Verdade. “Em nome da equipe do festival, agradeço de coração a cada um de seus dirigentes e a todos os membros de suas equipes. Espero que o É Tudo Verdade, em suas duas fases, esteja à altura de tanto empenho em prol do audiovisual brasileiro e internacional e de nossos espectadores, em casa e logo mais nas salas”.

O Vertentes do Cinema realizou a cobertura completa dos longas-metragens (para ler a crítica, é só clicar no nome do filme) pelos vertenteiros Fabricio Duque, Victor Faverin e Vitor Velloso. A Sessão de Abertura exibiu “A Cordilheira dos Sonhos“, do chileno Patricio Guzmán, e o filme de encerramento escolhido foi “Desperado“, de Eric Fiedler e Andreas Frege, sobre o realizador alemão Win Wenders. Nas mostras paralelas, “Utopia Distopia” e “Santiago das Américas“.

Comandada por Amir Labaki, diretor e criador do festival, a Cerimônia de Premiação teve início às 18h do domingo, dia 4 de outubro, pela plataforma do festival, com transmissão simultânea na  página do YouTube do É Tudo Verdade. A cerimônia, transmitida ao vivo, tem participação dos jurados que compõem a comissão deste ano: julgando a Competição Brasileira estão a diretora, roteirista, editora e astróloga, Cristiana Grumbach; o cineasta e curador Francisco Cesar Filho e o escritor e jornalista Ignácio de Loyola Brandão.

O Júri da Mostra Competitiva Brasileira para o veredito (perpétuo final) assistiu aos filmes: “Meu Querido Supermercado“; “Atravessa a Vida“, “Os Quatro Paralamas“; “A Ponte de Bambu“; “Não Nasci para Deixar meus Olhos Perderem Tempo“; “Boa Noite“; “Libelu – Abaixo a Ditadura“; “Jair Rodrigues – Deixa que Digam“; “Fico te Devendo uma Carta sobre o Brasil“; e “Segredos do Putumayo“.

O Júri da Competição Internacional, composto pela diretora-emérita da International Documentary Association, Betsy McLane; pelo presidente e diretor-executivo do Hot Docs Canadian Festival, Chris McDonald, e pelo cineasta brasileiro Jorge Bodanzky, assistiu aos filmes: “Ficção Privada“; “Colectiv“; “Forman vs. Forman“; “1982“; “Golpe 53“; “O Rolo Proibido“; “Cidade dos Sonhos“; “O Espião“; “Pão Amargo“; “Silêncio de Rádio“; “O Rei Nu“; e “Influência“.

Os representantes dos prêmios paralelos participaram da cerimônia para anunciar os resultados das categorias: Prêmio EDT, Prêmio Canal Brasil e Prêmio Mistika, este último anunciado junto aos prêmios oficiais aos curtas-metragens.

A cerimônia homenageou o músico, jornalista e escritor Zuza Homem de Mello, que faleceu hoje, aos 87 anos, dormindo. “Queria ter 10% de sua energia e 5% de sua memória; transformou  paixão em desejo de menino”, disse Eduardo Saron, do Itaú Cultural. Amir Labaki complementa que “a cerimônia dedicada a sua memória”. “Era carinhoso, modesto e tinha alegria de viver”, disse. E a transmissão seguiu com os “novos ritmos da premiação online”. E com o Manifesto dos artistas. Assista aqui ao manifesto!

OS VENCEDORES

Foto: Diógenes Muniz, diretor premiado de “Libelu – Abaixo a Ditadura”

Os Vencedores e o Balanço do Festival É Tudo Verdade 2020

JÚRI OFICIAL

Prêmios classificatórios reconhecido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográfica de Los Angeles, que torna o vencedor elegível para consideração nas categorias de Documentário de Longa e de Curta-Metragem do Oscar® sem necessidade do período padrão de projeção, desde que o filme atenda ao regulamento da Academia.


MELHOR LONGA-METRAGEM DOCUMENTÁRIO DA COMPETIÇÃO BRASILEIRA

R$ 20.000 e Troféu É Tudo Verdade 2020

LIBELU – ABAIXO A DITADURA, de Diógenes Muniz (debate aqui)

MENÇÃO HONROSA 1

SEGREDOS DE PUTUMAYO, de Aurélio Michiles

MENÇÃO HONROSA 2

FICO TE DEVENDO UMA CARTA SOBRE O BRASIL, de Carol Benjamin (debate aqui)


MELHOR LONGA-METRAGEM DOCUMENTÁRIO DA COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

R$ 12.000 e Troféu É Tudo Verdade 2020

COLECTIV, de  Alexander Nanau


MELHOR CURTA-METRAGEM DOCUMENTÁRIO DA COMPETIÇÃO BRASILEIRA

R$ 6.000 e Troféu É Tudo Verdade 2020

FILHAS DE LAVADEIRAS, de Edileuza Penha de Souza (“Tá escuro, mas a gente canta.”)

MENÇÃO HONROSA

VER A CHINA, de Amanda Carvalho


MELHOR CURTA-METRAGEM DOCUMENTÁRIO DA COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

R$ 6.000 e Troféu É Tudo Verdade 2020

MEU PAÍS TÃO LINDO, de Grzegorz Paprzycki

MENÇÃO HONROSA

SAUDADE, de Denize Galiao


Os Vencedores e o Balanço do Festival É Tudo Verdade 2020

PREMIAÇÃO PARALELA

Foto: Edileuza Penha de Souza, premiada por “Filhas de Lavadeiras”

Os Vencedores e o Balanço do Festival É Tudo Verdade 2020

PRÊMIO AQUISIÇÃO DO CANAL BRASIL de Incentivo ao Curta-Metragem – para um dos curtas-metragens participantes da Competição Brasileira. Francisco Russo apresenta o filme e diz que a escolha se deu por unanimidade.

R$ 15.000 e Troféu Canal Brasil

FILHAS DE LAVADEIRAS, de Edileuza Penha de Souza


PRÊMIO MISTIKA  (para o Melhor Documentário da Competição Brasileira de Curtas-Metragens)

R$ 8.000 em serviços de pós-produção digital


PRÊMIO EDT (Associação de Profissionais de Edição Audiovisual) – para a melhor montagem de um curta e um longa-metragem. Fernanda Bastos apresenta os prêmios.

Curta-Metragem

Montagem de Adalberto Oliveira, por METRORÉQUIEM, de Adalberto Oliveira

Longa-Metragem

Montagem de André Finotti e Raimo Benedett, por PONTE DE BAMBU


TROFÉU VERTENTES DO CINEMA

Melhor Longa-Metragem Documentário Brasileiro

ATRAVESSA A VIDA, de João Jardim

Melhor Longa-Metragem Documentário Internacional

O ESPIÃO, de Maite Alberdi

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