
Balanço Geral e Vencedores do Festival de Cinema de Vitória 2026
O longa documental capixaba “A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywareté” ganha o Troféu Vitória de Melhor Filme dos júris oficial e popular; e o filme paulista “As Florestas da Noite” leva Melhor Direção, Roteiro e Interpretação
Por Francisco Carbone
O Festival de Cinema de Vitória 2026 chegou ao fim com surpresa entre os longas e a merecida consagração de vários curtas. Acima de tudo, esse foi o ano em que fui apresentado ao festival e me encantei com o tanto de carinho em forma de ação que Lucia Caus e sua equipe dispensaram aos seus convidados, sejam eles artistas, ou alguma outra forma de colaborador, como jornalistas e críticos de cinema. É um festival de 33 anos que ainda se preocupa com o próximo, com o bem estar máximo dos seus, e principalmente em entregar uma curadoria criativa e audaciosa.
Quanto às premiações, nada disso será culpa exatamente da organização, e cada ano terá uma qualidade expressa diversa. Creio que, esse ano, o júri dos curta-metragens tenha acertado bem mais do que o de longas, embora ainda belos curtas não tenham sido contemplados. “Tião Personal Dancer“, de Aristótelis Tothi, levou melhor filme e melhor direção, o grande prêmio do júri e o prêmio do público foi para “O Que Faço Com Isso Agora que Acabou?”, de Julia Uliana e Natália Dornelas, melhor roteiro para “A Tragédia da Lobo-Guará”, de Kimberly Palermo, e três prêmios para “Irmã“, de Anderson Bardot. Nenhum prêmio foi injusto, muito pelo contrário, mas faltaram prêmios para “Mercado Central“ de Tássia Dhur, “Floresta do Fim do Mundo”, de Denilson Baniwa e Felipe M. Bragança, e “Pequeno London“, de Victor di Marco e Márcio Picoli.
Já entre os longas, o grande vencedor foi “A Sagrada Caminhada de Tatatxi Iwereté“, de Ware Djukupe, que levou os troféus do júri oficial e popular e também o prêmio de contribuição artística. Na cola, “As Florestas da Noite“, de Pryscilla Betim e Renato Coelho, levou os prêmios de melhor direção, roteiro e interpretação, para Verònica Valenttino. A disputa de melhor filme não ter sido entre “A Fabulosa Máquina do Tempo“, de Eliza Capai, e “Entre o Sucesso e a Lama”, de Cristiano Burlan, foi criminosa; ambos terminaram com prêmios menores do que mereciam. A concentração de prêmios para o bem intencionado título vencedor esconde tudo o que o filme tem de mais complicado enquanto cinema, e deixa em primeiro plano sua temática.
Entre as mostras paralelas, a felicidade de ver obras do porte de “Grão”, de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa, “Dentro do Meu Peito Mora um Cão“, de Gabriel Afonso, “Vim e Irei como Uma Profecia”, de Fábio Rogério, e “Núbia”, de Bárbara Belo, saírem premiados é um sintoma de sensatez coletiva. Grandes filmes, que se prezam ao cinema de curta metragem porque se arriscam, não se tratam de ideias tradicionais soltas, mas de progressos de seus cineastas dentro do que vem apresentando. E do que a cena do cinema brasileiro também nos coloca como opções de mercado, abrindo os olhares não apenas do espectador regular, mas também de uma fortuna analítica.
O festival, como um todo, apresentou brilhantismo na condução de tudo o que advinha da organização. Atrasos moderados, absolutamente dentro do previsto e esperado, acolhimento afetuoso de verdade por parte de todos os que realizam o evento, promovem o melhor clima possível para quem apenas está desfrutando o prazer de assistir aos filmes, como de quem está no evento a trabalho. Maduro em seu posto, o Festival de Cinema de Vitória têm sua respeitabilidade inabalada pela seriedade do trabalho de todos, que parecem irmanados no propósito de promover todas as ferramentas para o excelente andamento de sua engrenagem – no que isso é também desenvolvido dentro do aspecto do trabalho.
Além disso, o Festival de Cinema de Vitória 2026 continuou nos embalando no ótimo momento do cinema brasileiro, e que também é uma bem-vinda temporada ao Cinema capixaba. Filmes como “Espírito São”, de Matheus Costa e Breno Chamon, “Assalto“, de PH Martins, e os premiados “Irmã“ e “O Que Faço Com Isso Agora que Acabou?” são demonstrações de grandiosidade narrativa e estética. Com a vindouras edições do festival demarquem ainda mais seu compromisso com o Espírito Santo, e com tal filmografia.
CONFIRA A SEGUIR A LISTA COMPLETA DOS VENCEDORES DO FESTIVAL DE CINEMA DE VITÓRIA 2026

30ª MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL DE CURTAS-METRAGENS
Troféu Vitória – Melhor Filme (Júri Técnico)
Tião Personal Dancer, de Aristótelis Tothi (FIC, GO, 23’)
Troféu Vitória – Melhor Filme (Júri Popular)
O Que Faço Com Isso Agora Que Acabou?, de Julia Uliana e Natália Dornelas (FIC, ES, 14’)
Troféu Vitória – Melhor Direção
Aristótelis Tothi, por Tião Personal Dancer (FIC, GO, 23’)
Troféu Vitória – Melhor Roteiro
Kimberly Palermo, por A Tragédia da Lobo-Guará, de Kimberly Palermo (ANI, RJ, 18’)
Troféu Vitória – Melhor Fotografia
Andie Freitas, por Irmã, de Anderson Bardot (FIC, ES, 25’)
Troféu Vitória – Melhor Contribuição Artística
Luiz Ulian e Jocimar Dias Jr., por Morfeu e Caronte, de Luiz Ulian e Jocimar Dias Jr. (FIC, RJ 13’)
Troféu Vitória – Melhor Interpretação
Arthur Batista Leão, por Irmã, de Anderson Bardot (FIC, ES, 25’)
Troféu Vitória – Prêmio Especial do Júri
O Que Faço Com Isso Agora Que Acabou? de Julia Uliana e Natália Dornelas (FIC, ES, 14’)
Menção Honrosa
Espírito São – O Lugar de Toda Fé, de Matheus Costa, Breno Chamon (DOC, ES, 14’)

16ª MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL DE LONGAS
Troféu Vitória – Melhor Filme (Júri Técnico e Júri Popular)
A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywareté, de Marcelo Guarani (DOC, ES, 75’)
Troféu Vitória – Melhor Direção
Priscyla Bettim e Renato Coelho, por As Florestas da Noite (FIC, SP, 76’)
Troféu Vitória – Melhor Roteiro
Priscyla Bettim, por As Florestas da Noite, de Priscyla Bettim e Renato Coelho (FIC, SP, 76’)
Troféu Vitória – Melhor Fotografia
Carol Quintanilha, por A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai (DOC, RJ, 72’)
Troféu Vitória – Melhor Contribuição Artística
A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywareté, de Marcelo Guarani (DOC, ES, 75’)
Troféu Vitória – Melhor Interpretação
Veronica Valenttino, por As Florestas da Noite, de Priscyla Bettim e Renato Coelho (FIC, SP, 76’)
Menção Honrosa
Entre o Sucesso e a Lama, de Cristiano Burlan (DOC, SP, 86’)
Malaika, de André Morais (FIC, PB, 85’)

16ª MOSTRA QUATRO ESTAÇÕES
Troféu Vitória – Melhor Filme (Júri Técnico)
Marimbã Está Acontecendo, de Maryn Marynho (ANI, CE, 13’)
Troféu Vitória – Melhor Filme (Júri Popular)
Noites Proibidas, de Júlio Cesar (DOC, ES, 18’)
Menção Honrosa
Picumã, de Sladká Meduza (FIC, SP, 19’)
15ª MOSTRA FOCO CAPIXABA
Troféu Vitória – Melhor Filme (Júri Técnico e Júri Popular)
Liberdade de Morar (Penha Souza, DOC, ES, 21′)
15ª MOSTRA CORSÁRIA
Troféu Vitória – Melhor Filme (Júri Técnico)
Filme-Copacabana, de Sofia Leão (DOC, RJ, 12’)
Troféu Vitória – Melhor Filme ( Júri Popular)
Depois Levanta Voo ou Abisma-se, de Marcus Neves, Aline Dias (GEXS, EXP, ES, 15’)
Menção Honrosa
Vim e Irei Como Uma Profecia, de Fábio Rogério (DOC, SE, 15’)
13ª MOSTRA OUTROS OLHARES
Troféu Vitória – Melhor Filme (Júri Técnico)
Grão, de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa (FIC, RS, 24’)
Troféu Vitória – Melhor Filme (Júri Popular)
Pra Morrer Basta Estar Vivo, de Francisco Xavier (FIC, ES, 16’)
Menção Honrosa
Kika Não Foi Convidada, de Juraci Júnior (FIC, RO, 15’)
11ª MOSTRA MULHERES NO CINEMA
Troféu Vitória – Melhor Filme (Júri Técnico)
Núbia, de Barbara Bello (EXP, MG, 12’)
Troféu Vitória – Melhor Filme ( Júri Popular)
Lactação, de Fernanda Taddei (EXP, SP, 17’)
11ª MOSTRA CINEMA E NEGRITUDE
Troféu Vitória – Melhor Filme (Júri Técnico)
O Pai da Rainha de Angola, de Rodrigo França (FIC, SP, 12’)
Troféu Vitória – Melhor Filme (Júri Popular)
Dentro do Meu Peito Mora um Cão, de Gabriel Afonso (FIC, MG, 24’)
Menção Honrosa
Dentro do Meu Peito Mora um Cão, de Gabriel Afonso (FIC, MG, 24’)
10ª MOSTRA NACIONAL DE VIDEOCLIPES
Troféu Vitória – Melhor Filme (Júri Técnico)
Monalisa, de Lucas Sá. Artista: Frimes; MA
Troféu Vitória – Melhor Filme (Júri Popular)
Filtro, de Rayan Casagrande e Vinicius Caus. Artista: Inseton; ES
Menção Honrosa
Até, de Victorhugo Amorim, Taciano Faccini e Gabrielle Nalli. Artista: Ronnie Silveira; ES
9ª MOSTRA NACIONAL DE CINEMA AMBIENTAL
Troféu Vitória – Melhor Filme (Júri Técnico e Júri Popular)
Bijupirá, de Eduardo Boccaletti (FIC, BA, 14′)
8ª MOSTRA DO OUTRO LADO – CINEMA FANTÁSTICO
Troféu Vitória – Melhor Filme (Júri Técnico)
Ybi, de Eliza Telles e Begê Muniz (FIC, AM, 16’)
Troféu Vitória – Melhor Filme (Júri Popular)
Cordão de Prata, de Getulio Ribeiro (FIC, RJ, 23’)
PRÊMIO CANAL BRASIL DE CURTAS
Irmã, de Anderson Bardot (FIC, ES, 25’)
PRÊMIO SESC GLÓRIA
A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywareté/ Tataxi Ogwata Porã Djawe, de Marcelo Guarani/ Wera Djekupe (DOC, ES, 75’)
PRÊMIO STONE MILK
Prêmio Stone Milk de Pós-Produção – Melhor Longa-Metragem (Júri Técnico)
A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywareté, de Marcelo Guarani (DOC, ES, 75’)
Prêmio Stone Milk de Pós-Produção – Melhor Curta-Metragem (Júri Técnico)
Tião Personal Dancer, de Aristótelis Tothi (FIC, GO, 23’)
Prêmio Stone Milk de Pós-Produção – Melhor Videoclipe (Júri Técnico)
Monalisa, de Lucas Sá. Artista: Frimes; MA
Prêmio Stone Milk de Consultoria de Projetos para Pós-Produção (Júri Popular)
O Que Faço Com Isso Agora Que Acabou?, de Julia Uliana e Natália Dornelas (FIC, ES, 14’)




