Festival de Locarno 2021

Revista da Semana | 12 de agosto de 2021

Estreias e Dicas desta quinta-feira

Por Redação

Quanto mais o tempo passa, descobre-se que nós somos paradoxos. Seres conflituosos. E vulneráveis. E sem controle algum sobre nada. A gota d’água dessa revelação veio pelos efeitos colaterais da vacina contra o COVID. Ainda que tenham sido leves nesta segunda dose, a sensação de não dominar o próprio corpo intensifica a ideia de que somos mortais. De que dormir quarenta horas, entre acordadas para proteger o dolorido do braço, por exemplo. Nesses momentos, nos damos conta que estamos completamente à deriva e sem livre arbítrio algum. Adentramos em uma epifania. O que realmente importa? Nos perguntamos. Para que desafiar nossos próprios limites? Por que corremos tanto contra o tempo? Passar a noite em claro trabalhando ajuda em que? Nesses momentos, de febre física que atravessa o existencial, nos questionamos sobre nossos verdadeiros propósitos. E é aí que somos surpreendidos com a clareza da resposta. Tão simples que até soa errôneo. Parece até um clichê de auto-ajuda, mas devemos somente recuperar o ponto zero do caminho. Sim, clichê. É um sentimento estranho, de calma estranha, de tranquilidade estranha. O que nos motiva de verdade? Ih, dá muito trabalho questionar tudo isso, pensamos. Mas a contradição e paradoxo estão mesmo na tentativa de construção do Novo Minimalismo, não a filosofia Nutella do documentário da Netflix (ainda que ajude os iniciantes), mas o de abrir mão dos excessos com os estímulos de consumo. Qualquer um. Inclusive os imateriais da Cultura. Assistir tudo também é ser acumulador, outro programa hipster que “ganhou” popularidade entre famílias que pensam em se livrar das coisas. Mas o porquê de todo esse editorial? Porque a “verdade está lá fora”. Está no novo documentário de Susanna Lira, “A Mãe de Todas as Lutas”, no Canal Curta!. Está no Festival de Cinema de Locarno, com cobertura diária com força total. E está também nas quarenta horas dormidas, que “bagunçaram” a agenda e atrasaram críticas e matérias. Sentimos culpa? Muita. Por que? Ainda não sabemos explicar. Contudo, a Revista da Semana do Vertentes do Cinema segue resistente em 2021, trazendo dicas nos streaming, estreias nos cinemas, coberturas de festivais, curtas-metragens e muito mais. Bem-vindes!

Revista da Semana | 12 de agosto de 2021

CURTA DA SEMANA

60 Anos em 10 minutos

SESSÃO CINEMATECAS

60 ANOS EM 10 MINUTOS

(2020, Brasil, 10 minutos, de Cavi Borges e Christian Caselli) ASSISTA AQUI

Um documentário que passeia em dez minutos sobre os 60 anos da Cinemateca do Museu de Arte Modena do Rio de Janeiro. Com Hernani Heffner. CRÍTICA AQUI

Casal

PRÓXIMO CURTA

CASAL 

(2014, Brasil, 9 minutos, de Thales Banzai). Com Julia Ianina e Geraldo Rodrigues.

Um casal acorda em casa em um dia chuvoso. Durante toda a manhã eles evitam um ao outro em suas ações cotidianas, até o momento em que se sentam à mesa do café da manhã e refletem sobre a situação real em que se encontram. ESTREIA 19/08, 00:01.


EM CASA

A Mae de Todas as Lutas

A MÃE DE TODAS AS LUTAS

(2021, Brasil, 84 minutos, de Susanna Lira) CRÍTICA AQUI

Novo documentário de Susanna Lira que recorre à memória para vislumbrar um futuro de mudanças sob a ótica feminina. O filme acompanha a trajetória de Shirley Krenak e Maria Zelzuita, mulheres que estão no front da luta pela terra no Brasil. Shirley traz a missão de honrar as mulheres e a sabedoria das Guerreiras Krenak, da região de Minas Gerais. Maria Zelzuita é uma das sobreviventes do Massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, e suas trajetórias nos ligam ao conceito da violência e apropriação do corpo feminino. Disponível no CANAL CURTA!

24 City

24 CITY

(Er shi si cheng ji, 2008, China, 112 minutos, de Jia Zhangke) CRÍTICA AQUI

Em Chengdu, na China, uma fábrica estatal de armamento militar é demolida para dar lugar a um projeto onde serão construídos apartamentos de luxo. O documentário mistura relatos de  trabalhadores sobre suas vidas com personagens ficcionais. “24 City” constrói a narrativa instalando uma sutil incerteza no espectador acerca do estatuto de verdade da imagem: afinal, os operários são verdadeiros ou ficcionais? O cinema de Jia parece atravessar a imagem, desvendando o movimento do mundo, movido por uma dialética entre o yin e o yang, para usar uma metáfora chinesa. Disponível na plataforma digital RESERVA IMOVISION.

TRÊS ESTRANHOS IDÊNTICOS

(Three Identical Strangers, 2018, Estados Unidos, 97 minutos, de Tim Wardle) CRÍTICA AQUI

Em 1980, em Nova York, três jovens que foram adotados se conhecem e descobrem que são trigêmeos separados no nascimento. Mas a busca para descobrir o porquê se torna um mistério bizarro e sinistro. ganhou o prêmio especial do júri de documentário em 2018, no Festival de Sundance: o assunto é cristalino; em 1980, no estado de Nova York, três jovens que foram adotados se conhecem e descobrem que são trigêmeos separados no nascimento. A narrativa sobe e desce, como uma montanha russa, mas…num documentário? Disponível na plataforma digital NETFLIX.

Alvorada

ALVORADA

(2021, Brasil, 80 minutos, de Lô Politi e Anna Muylaert) CRÍTICA AQUI

Na intimidade do Palácio da Alvorada, o cotidiano da presidente Dilma Rousseff, primeira e única mulher a governar o Brasil, durante o desenrolar dramático do impeachment que a tirou do poder. Rodado entre julho e setembro de 2016, o filme testemunha a tensão e a perplexidade que escalavam no círculo da presidente, em reuniões, telefonemas intermináveis e sussurros ouvidos da cozinha à guarda do palácio de Oscar Niemeyer. Ao mesmo tempo, revela uma personalidade surpreendente nas conversas informais em que Dilma fala de política, história, literatura – e de si própria. Disponível na plataforma digital TELECINE.

Ichimei

ICHIMEI

(2011, Japão, 128 minutos, de Takashi Miike) CRÍTICA AQUI

Procurando terminar sua vida com honra, o indigente samurai Hanshiro Tsugumo pede a um senhor feudal para cometer haraquiri no pátio do seu palácio. A transgressão em “Ichimei” é ser mais clássico do que o clássico: foi o primeiro filme em 3D a disputar a Palma de Ouro em Cannes, 2011. Foi filmado a cores: e o compositor e pop star Ryuichi Sakamoto fez a música. Ao mesmo tempo que vai fundo nos pilares melodramáticos do original de Kobayashi, o filme duplica sem parcimônias personagens e situações. É um jidaigeki da cabeça aos pés: réplica fantasiosa de um passado mítico, codificada segundo as leis do espetáculo moderno. Disponível na plataforma digital MUBI.

Yokogao

PERFIL DE UMA MULHER

(Yokogao, 2019, Japão, 111 minutos, de Koji FukadaCRÍTICA AQUI

Ichiko é enfermeira particular e há anos cuida da matriarca da família Oisho e os considera como sua própria família. É também confidente da jovem Motoko, a filha mais velha da família. A vida tranquila e rotineira de Ichiko começa a mudar quando a irmã mais nova de Motoko desaparece. Logo a mídia e as investigações da polícia revelam que o sequestrador é o sobrinho de Ichiko. Com distribuição da Zeta Filmes. Disponível na plataforma digital MUBI.

Ambiente Familiar

AMBIENTE FAMILIAR

(2018, Brasil, 93 minutos, de Torquato Joel) CRÍTICA AQUI

Alex, Fagner e Diógenes dividem um apartamento, ressignificando o conceito de família para, em conjunto se sustentarem. Porém, eles internamente ainda tentam lidar com seus dramas e traumas que remontam à infância e adolescência, quando ainda estavam inseridos em um conceito tradicional de família. A partir de suas lembranças, o filme disseca suas vidas, passeando entre seus sonhos e visitas ao passado. Disponível nas plataformas digitais BELAS ARTES À LA CARTE e AMAZON PRIME VIDEO.

Desvio

DESVIO

(2019, Brasil, 90 minutos, de Arthur Lins) CRÍTICA AQUI

Pedro recebe o direito de uma saída temporária da cadeia para visitar a sua família que mora em Patos, interior da Paraíba. Nesse curto tempo ele irá confrontar seus antigos fantasmas e planejar os novos rumos de sua vida, enquanto descobre em Pâmela, uma prima adolescente, a mesma chama que queimava em seu peito. Os primeiros planos nos mostram que a fotografia irá optar por contrastes mais altos e flertar com uma estética mais dramática, intensa. A questão é que o roteiro não acompanha os esforços da fotografia e como o casamento não deu certo, nada dá no fim das contas. Disponível na plataforma digital MUBI.

El Club

O CLUBE

(El Club, 2015, Chile, 97 minutos, de Paulo Larraín) CRÍTICA AQUI

Um grupo eclético de sacerdotes convive com Mónica (Antonia Zegers), uma freira, em uma casa na costa chilena. Quando não estão orando e expiando seus pecados, eles treinam seu cachorro para a próxima corrida. O que será que os levou até ali, praticamente no meio do nada, onde o vento sopra forte frequentemente? Quando um novo sacerdote muda-se para lá, um homem começa a lhe fazer fortes acusações. Sua voz aumenta mais e mais até que um tiro soa. O padre evita as acusações dizendo ser suicídio. Disponível na plataforma digital GLOBOPLAY.

Como Hackear Seu Chefe

COMO HACKEAR SEU CHEFE

(2021, Brasil, 85 minutos, de Fabrício Bittar) CRÍTICA AQUI

Sem querer, Victor envia um e-mail comprometedor a seu chefe mala. Com a ajuda da crush do financeiro e seu amigo sem noção, ele tem poucas horas para salvar seu emprego e lidar com um hacker picareta, um site pornô e um mascote chamado Sorrisinho. O espectador percebe uma evolução minimamente consciente dessa forma de “Área de Trabalho” para as produções cinematográficas, mas carece de uma comicidade que dê conta de uma estrutura narrativa mais complexa que parece, ainda que programática. Disponível na plataforma digital NETFLIX.

VER MAIS

Em casa


HOMENAGEM A TARCISIO MEIRA

A Idade da terra

IDADE DA TERRA

(1980, Brasil, 160 minutos, de Glauber Rocha) CRÍTICA AQUI

Inspirado em um poema de Castro Alves, o filme faz um retrato da situação política, cultural e racional do Brasil no final dos anos 70. O filme mostra um Cristo pecador, um Cristo negro, um Cristo que seria um conquistador português e um Cristo guerreiro – os quatro “Cavaleiros do Apocalipse”. A obra assume um tom profético e religioso, e reconta o mito cristão por meio de símbolos e costumes da cultura brasileira. Disponível na plataforma digital NOW.


HOMENAGEM A PAULO JOSÉ

Todos os Paulos do Mundo

TODOS OS PAULOS DO MUNDO

(2017, Brasil, 88 minutos, de Gustavo Ribeiro e Rodrigo de Oliveira) CRÍTICA AQUI

Uma homenagem aos 60 anos de carreira do ator Paulo José, completados em 2017. Um compilado com diversas cenas marcantes da carreira de Paulo, narradas por depoimentos escritos por ele. Paulo José transgrediu a própria arte quando dá uma baforada de maconha e o “gostar de apanhar de uma mulher”. É um “príncipe branco”. E a “fantástica criação do imaginário”. “Eu nunca continuo o personagem, faço sempre o mesmo”, diz. Disponível nas plataformas digitais LOOKE e APPLE TV+ (locação R$ 4,90). 


Revista da Semana | 12 de agosto de 2021

NOS CINEMAS

(Nosso site precisa informar que este editorial apenas segue o protocolo de listar as críticas dos filmes que estrearam, mas nós seguimos nossa campanha de não estímulo às salas escuras #fiqueemcasa e #cinemasaindanão)

Cavalo

CAVALO

(2020, Brasil, 85 minutos, de Rafhael Barbosa e Werner Salles) CRÍTICA AQUI

Envolvidos num processo artístico, sete jovens dançarinos são provocados a um mergulho em suas ancestralidades. “Cavalo” possui a fluidez de transitar entre o documentário e o ensaio ficcional com uma organicidade louvável, pois reconhece em sua estrutura a necessidade de ampliar os horizontes da realidade para que haja uma compreensão mais dinâmica e concreta da temática que trabalha.

Ema

EMA

(2019, Chile, 107 minutos, de Pablo Larraín) CRÍTICA AQUI

Ema é uma dançarina magnética e impulsiva em um grupo de Reggaeton. Seu casamento tóxico com o coreógrafo Gastón acaba depois que ambos decidiram desistir do filho adotivo Polo. A missão de Ema é recuperar Polo, sem se importar com quem terá que enfrentar, seduzir ou destruir. “Ema” é sobre o ensinar a se movimentar expressiva e livremente por “artistas loucos e intensos”. Sim, a palavra que percorre todo esse texto é liberdade. A de se rebelar contra o autoritarismo, principalmente com a poesia metafísica de um separado, plural e integrado balé-orgia, que reinventa relações e o conceito de família.

Dois Mais Dois

DOIS + DOIS

(2021, Brasil, 105 minutos, de Marcelo Saback) CRÍTICA EM BREVE

Dois + Dois acompanha Diogo e Emília, um casal que está junto há 16 anos e que encontra-se em meio a uma fase monótona. Porém, tudo vira de cabeça pra baixo quando eles descobrem que Ricardo e Bettina, seus melhores amigos, possuem um casamento aberto e praticam a troca de casais. Agora, seus amigos tentam convencê-los de que é possível ser feliz levando esse estilo de vida.


UM BALANÇO PARTICULAR DO FESTIVAL CAVIDEO 24 ANOS

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Festival Cavideo 24 anos


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Festival de Gramado 2021


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Susanna Lira


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DICA DE CURSO 

Critica de Cinema de Horror

Revista da Semana | 12 de agosto de 2021

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