60 Anos em 10 Minutos

Um filme que preserva a memória

Por Fabricio Duque

Semana Vertentes Online

Memória. O dicionário define como “a faculdade de conservar e lembrar estados de consciência passados e tudo quanto se ache associado aos mesmos”. É também um “nome”, uma “reputação”. E a palavra preservação, “uma série de ações cujo objetivo é garantir a integridade e a perenidade de algo; defesa, salvaguarda, conservação”. Sim, então, para existir é preciso manter vivo  e eternizado o espírito da verdade documental.

E com o intuito de paixão incondicional e salvar a História do esquecimento, a Cinemateca do Museu de Arte Moderna surge como um refúgio. Uma possibilidade real de apresentar obras cinematográficas comentadas no mundo e do Brasil. Assim, pensado como uma série documental, o curta-metragem “60 Anos em 10 Minutos” invoca a memória e a preservação nas palavras do mestre conservador Hernani Heffner. Dirigido por Cavi Borges e Christian Caselli, este que também assume a função de editor, o filme é um passeio histórico pelos sessenta anos da Cinemateca.

“60 Anos em 10 Minutos” é um documento aula para cinéfilos de plantão e iniciantes. É um aperitivo. Em dez minutos, nós somos imersos na condução didática-afetiva de seu entrevistado, que nos conta curiosidades e um resumo do pensamento “filme cultural”, um movimento engajado, que agora pode ser descoberto e reencontrado nos tesouros guardados (“um acervo valioso e vastíssimo”) do palco que fez nosso cinema ser uma arte. De “Os Óculos de Vovô” de 2013 a “Macunaíma”. De alimento para uma geração, especialmente aos órfãos do Cine Paissandu.

Aqui, nós embarcamos em uma nostalgia. Em um portal do passado que está aberto na extensão espacial do MAM, no Aterro do Flamengo. Seus diretores captaram a essência, e, ainda que a narrativa seja mais clássica e convencional, o resultado não poderia ser melhor. Talvez pudesse se ao invés de um curta-metragem pudéssemos continuar o ouvir sobre um dos templos mais sagrados de toda a História do Cinema.

Hernani é um professor. Um perfeito condutor das palavras com conteúdo e sem ser maçante, visto que quebra o ritmo didático com coloquialismo espontâneo e sentimental. Um apaixonado que torna a experiência apaixonante. Pois é, “60 Anos em 10 Minutos” também aprofunda a ideia de necessidade obrigatória. Nós, o público, enquanto leitores e espectadores, temos que (um dever quase de chamado divino) proteger nossas memórias contra o apagamento.

E dessa forma, a Cinemateca do MAM-Rio é um dos melhores lugares para se estar. Para se reconectar com o que passou para nos mostrar o que somos agora. Para analisarmos os erros para não repetí-los. É sempre para. E não para nunca.

Tudo devido aos guerreiros peripatéticos da conservação que mantêm vivo, pulsante e latejante o amor expresso e contido em cada um dos rolos e em cada uma das fotografias presentes no acervo. O Vertentes do Cinema deve muito a Cinemateca e nós nunca conseguiremos agradecer tamanha abertura e crédito que nos foi ofertado.

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