Tudo Sobre a Biblioteca Marialva Monteiro

Uma biblioteca especializada em livros, catálogos, revistas e álbuns de cinema no Rio de Janeiro

Por Redação

Sim. É extremamente complexo dissociar as imagens do cinema com as palavras ideias da literatura. E se as obras escritas forem sobre filmes, a tarefa torna-se impossível, visto que as duas artes são xifópagas. Podemos ler filmes e assistir livros.

O cineasta-produtor Cavi Borges sabe muito bem disso. Resolve assim inaugurar oficialmente no dia 04 de fevereiro deste início de ano, a primeira biblioteca dedicada ao cinema do Rio – Biblioteca de Cinema Marialva Monteiro – nas Casas Casadas no espaço anexo ao Centro Cultural Cavideo. Uma biblioteca especializada em livros, catálogos, revistas e álbuns de cinema emprestará tudo gratuitamente. O acervo já conta com dois mil livros, que foram doados por curadores, artistas, cineastas e colecionadores, que atenderam a um chamado nas redes sociais do cineasta e produtor cultural Cavi Borges, idealizador do projeto. O Vertentes do Cinema também entrou nessa e doa parte de seu acervo com catálogos exclusivos de festivais nacionais e internacionais de cinema e livros-estudos sobre a Sétima Arte, aumentando o arquivo.

A Biblioteca emprestará os livros gratuitamente por até uma semana para os interessados,  que também podem ler e consultar os livros no Local ( Espaço Cultural Cavideo), funcionará inicialmente de segunda à sexta das 10h às 18h em Laranjeiras, seguindo todas as medidas preventivas de combate à pandemia.

No dia da inauguração, será realizado o lançamento “O Cinema Carioca na Lente da História”,  livro elaborado pela Rio Filme, sobre ao cinemas antigos de rua da cidade do Rio de Janeiro, que será distribuído gratuitamente para quem doar outro livro de cinema para a Biblioteca, além de outros títulos. Além da distribuição de livros gratuitos para quem doar um livro, também acontecerá o lançamento do livro “O Cinema Independente Brasileiro Contemporâneo em 50 Filmes” de Marcelo Ikeda.

“Uma das coisas mais legais da Biblioteca é que há muitos catálogos de mostras de cinema, como as do CCBB e da Caixa Cultural. O do Woody Allen, por exemplo, é um livro gigante. Robert Altman, Bergman, Hitchcock, Walter Carvalho, Sokurov, são livros que não existem para vender. Ninguém terá acesso para comprar em uma livraria. Outro ponto interessante é a possibilidade de levar o livro do diretor e seus filmes. Pode-se levar o livro “Esculpir o Tempo”, de Andrei Tarkovski, e acompanhar vendo os filmes. Tudo de graça. Então, essa dobradinha é mais que especial. Um diferencial. O pulo do gato. É maravilhoso para estudantes de cinema e aos cinéfilos mais curiosos”, disse Cavi Borges, de “Cidade de Deus – 10 Anos Depois”, exibido em 60 festivais e hoje se encontra disponível na NETFLIX em 130 países.

Em menos de 30 dias, chegaram cerca de 2000 livros doados por profissionais do audiovisual como o diretor Cacá Diegues, Hernani Hefner – diretor da Cinemateca do MAM,  Isabel Diegues (editora Cobogó), Vik Birkbeck (curadora do Festival do Rio e videomaker), Carlos Alberto Mattos – crítico de cinema e pesquisador, Mario Abbade (crítico de cinema e cineasta), Denise Lopes (professora de cinema da PUC), Fabiano Canosa (conhecido programador e responsável pela Geração Paissandu), Ilda Santiago (uma das sócias do Estação Botafogo e diretora do Festival do Rio), Sandra Villela ( jornalista e assessora de imprensa), Bernadete Duarte – repórter do canal Brasil, entre muitos outros amigos e frequentadores da CAVIDEO.

O nome de Marialva Monteiro é ícone da cultura educacional de nosso país. Seu Cineduc dialoga, pensa, questiona, fomenta, reapresenta,  amplia e quebra os limites da cultura educativa com olhar plural do cinema. A homenageada nasceu em Salvador, BA. É graduada em Filosofia pela PUC-RJ e tem Mestrado em Filosofia da Educação pela Fundação Getúlio Vargas/RJ. É fundadora do CINEDUC – Cinema e Educação, entidade que trabalha há 50 anos com o uso da linguagem audiovisual no processo educativo. Escreveu o livro Cinema: uma janela mágica em colaboração com Bete Bullara, sobre linguagem cinematográfica destinado aos  jovens leitores. Agora na sua terceira edição pela Editora da UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais em outubro de 2015.

O Vertentes do Cinema, motivado pela curiosidade orgânica de amor incondicional pelo cinema, perguntou a Marialva Monteiro qual a importância de uma biblioteca e a conexão entre livros e filmes.

“Cada vez está mais difícil comprar livros. Estão bem caros.Uma biblioteca vai possibilitar a leitura de autores fundamentais para a nossa formação. Mais de 90% dos filmes feitos no mundo são adaptados de livros. Ler o livro e depois ver o filme  vai ajudar a entender o ponto de vista do cineasta sobre o livro. No cinema brasileiro são muitos os exemplos. Quase todos os filmes de Joaquim Pedro de Andrade são adaptados de livros, crônicas ou poemas. O escritor Antonio Callado dizia que não é importante a fidelidade ao livro, porque o filme é um ponto de vista do diretor. O cineasta Jorge Furtado diz que, para êle, a palavra é mais importante que a imagem. Em todos os filmes dele a palavra é muito importante, tanto curtas como longas.”, disse a homenageada. E complementou com nossas provocações de que “lendo assistimos melhor o filme” e “Ler é importante na formação do ser humano”.

“Sim. O ato de leitura faz pensar. O filme também é texto. Para responder melhor a esta pergunta tem que ler os ensinamentos do educador Paulo Freire. Lendo o homem conhece como se junta as melhores palavras para se defender da opressão. Creio que ficou um pouco grande. Tire o que quiser, desde que me mostre antes.”, finaliza.

 

ASSISTA

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *