Balanço Geral e Vencedores do Festival Olhar de Cinema 2026
Olhar de Cinema 2026 vencedores
Foto: Walter Thoms

Balanço Geral e Vencedores do Festival Olhar de Cinema 2026

O longa “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha”, de Janaína Marques, vence Melhor Filme e “Reparação”, de Marcus Curvelo, ganha o Prêmio da Crítica

Por Francisco Carbone

Ficar dois anos sem vir ao Olhar de Cinema, eu sabia, tinha me provocado imensa perda de encontros. Com a cidade, com o evento, com os filmes, mas principalmente com a experiência fora do comum que é atiçada pela curadoria específica desse festival. O esforço de todos foi grande para que eu estivesse aqui, colecionando maratonas, emendando festivais e atravessando mais de 1.000 quilômetros para me colocar à disposição do evento: nada foi em vão. Encerrado, a vontade é a de que esse hiato que aconteceu não retorne, principalmente com a impressão excepcional que essa edição deixou, em mim e em todos os colegas.

Treze textos escritos (por enquanto!), sete entrevistas feitas, dois episódios de podcast dedicados ao Olhar, e seis dias de uma correria frenética entre hotel, coletivas, material gravado, material digitado, sobe um vídeo, envia um texto, almoço, van, amigos, trocas inesquecíveis, lágrimas – algumas, registradas – o cansaço físico batendo e o emocional fervilhando de ideias e sonhos e vontades. Existe sim um orgulho de que tudo tenha dado certo, que eu tenha escrito sobre filmes da competição principal, das sessões paralelas, de curta, de clássico, e que tudo poderia ter sido ainda maior e melhor, sempre pode ser. Porque, perfeccionista como sou, sempre algo poderia estar ainda mais conectado e azeitado.

Da premiação, os júris não poderiam ter feito escolhas melhores: todos os grandes filmes vistos saíram da seleção com prêmios, entre os júris principais ou os paralelos. O grande vencedor, Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha, é uma preciosidade que necessita de uma revisão, pois trata-se não apenas de uma produção cheia de vida e imaginação, como possui um plot que, ao descoberto, ressignifica as imagens e carrega para si uma simbologia disruptiva ao termos todos os detalhes à mão. O prêmio de interpretação duplo para suas protagonistas, Verônica Cavalcanti e Luciana Souza, foi a coroação de uma trajetória de arte imensa por atrizes em seu auge.

O segundo maior vencedor foi Olhe Para Mim, que carregou para Rafhael Barbosa o troféu de melhor direção, além de direção de arte e som. Foram justas as láureas dadas a outro filme onde as simbologias fazem ainda mais jus ao que um enredo clássico permite. É do jogo de construção entre autores e espectadores que nasce a beleza de um olhar carinhoso para os encontros, entre os seres concretos e os imateriais, que formam os acertos do título.

A Noite e os Dias de Miguel Burnier levou para casa os troféus de fotografia, para seu diretor João Dumans, e montagem, para Affonso Uchôa (que também venceu o Prêmio Abraccine de curta metragem, pelo seu Disciplina), uma prova de que o cinema de fluxo está em alta, e anda em condições paralelas ao narrativo, até influenciando-o. Foi uma das experiências imersivas do festival, acompanhar esse grupo vivendo à margem do poder estatal, que pretende dizimá-los, se possível. O curioso foi perceber que o filme de encerramento, “Salvação”, trata do mesmo tema, de algumas muitas formas.

Olhar de Cinema 2026

Pedro Diógenes levou o prêmio de melhor roteiro por Adulto/Homem, uma ousadia de sua parte ao olhar para 19 atores por 1 hora durante um plano sequência que parece mergulhar na alma de cada ator em cena. O autor, experiente, prepara um díptico feminino a essa ideia, ainda enlevado pelo trabalho que intérpretes podem representar ao material humano de um filme, e imensamente de seus filmes.

Reparação, um dos mais tocantes filmes da seleção, levou o prêmio do Júri Abraccine e uma menção honrosa do júri oficial. O diretor Marcus Curvelo, que realizou uma poesia de despedida aos pais e à sua relação com eles, estava bastante emocionado no palco, e agradeceu aos mesmo por ter se tornado a pessoa que é.

Entre os internacionais, a comoção era mesmo em torno do iraniano “Um Calendário Incompleto”, que correspondeu às expectativas e venceu a competição. Na mostra Novos Olhares, o vencedor foi também um filme internacional, “Como Todo Mortal”.

Voltar em um ano de número cabalístico, era a 15a. edição, foi especial por me apresentar novas propostas do festival já assimiladas e muito bem sucedidas, como o aplicativo para resgate de ingressos e as sessões no Museu Oscar Niemeyer, e deixou o gosto da evolução de um festival que, há pelo menos 10 anos, já é um dos maiores do país, e que tal rapidez para essa afirmação só foi possível pelo rigor e pela vontade de evolução que Antônio Gonçalves Jr. e seus parceiros, na construção de um festival, nunca deixam de pensar no impulso de firmar-se além do lugar onde já estão. Que a seleção desse ano tenha sido muito acima do esperado, só mostra como tudo vem dando certo. Espero estar aqui na edição 16 para continuar acompanhando essa constante vontade de evoluir.

CONFIRA A SEGUIR A LISTA COMPLETA DOS VENCEDORES DO OLHAR DO CINEMA – FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURITIBA 2026

Fiz Um Foguete Imaginando Que Você Vinha

COMPETITIVA BRASILEIRA – LONGAS-METRAGENS

Melhor Montagem: A Noite e os Dias de Miguel Burnier (para Affonso Uchôa)

Melhor Som: Olhe Para Mim (para Lucas Coelho)

Melhor Fotografia: A Noite e os Dias de Miguel Burnier (para João Dumans)

Melhor Direção de Arte: Olhe Para Mim (para Nina Magalhães)

Melhor Atuação: Veronica Cavalcanti e Luciana Souza (Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha)

Melhor Roteiro: Adulto/Homem (para Pedro Diógenes)

Melhor Direção: Rafhael Barbosa (Olhe Para Mim)

Menção Honrosa do Júri: Reparação (Marcus Curvelo)

Melhor Filme: Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha (Janaína Marques)

COMPETITIVA BRASILEIRA – CURTAS-METRAGENS

Prêmio Especial do Júri: Pinguim de Doce de Leite (Ana Vitória Miotto Tahan)

Prêmio Olhar de Melhor Filme: Pirexia (Nico da Costa)

Disciplina

COMPETITIVA INTERNACIONAL

Prêmio Especial do Júri de Melhor Filme (Longa-metragem): Bouchra (Orian Barki/Meriem Bennani)

Prêmio Olhar de Melhor Filme (Longa-metragem): Um Calendário Incompleto (Sanaz Sohrabi)

Prêmio Olhar de Melhor Filme (Curta-metragem): Dragão (Yashira Jordán)

OUTROS PRÊMIOS

Prêmio Canal Brasil de Curtas: O Segredo Sagrado (Everlane Moraes)

Prêmio Cardume de Curtas: Marimbã Está Acontecendo (Maryn Marynho)

Prêmio Itaú Cultural Play (Mirada Paranaense Sanepar – curta-metragem): Estrelas Terrestres (Rafael Neri M. Ferreira)

Prêmio AVEC-PR – Lu Rufalco (Mirada Paranaense Sanepar – curta-metragem): Tornar-se Ciborgue no Interior (Louisa Savignon)

Prêmio da Crítica Abraccine (Melhor Longa-Metragem Brasileiro): Reparação (Marcus Curvelo)

Prêmio da Crítica Abraccine (Melhor Curta-Metragem Brasileiro): Disciplina (Affonso Uchôa)

Prêmio do Público (Melhor Longa-Metragem): Se Pombos Virassem Ouro (Pepa Lubojacki)

Prêmio do Público (Melhor Curta-Metragem): Duwid Tuminkiz – Makunaima é Duwid? (Gustavo Caboco Wapichana)

Prêmio Novos Olhares: Como Todo Mortal (Maria Molina Peiró)