Tudo Sobre o 15º Fest Aruanda 2020

Festival do Audiovisual Brasileiro realiza edição híbrida no Cinépolis (Manaíra Shopping de João Pessoa) e pela primeira vez online de 10 a 17 de dezembro 

Por Fabricio Duque

O Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro integra a lista de eventos readaptáveis por conta da pandemia do Coronavírus. Mas a resistência, a força de seus realizadores e o amor pela sétima arte tupiniquim não impediu que a “Festa de Debutantes” acontecesse em um 2020, com uma “valsa” de filmes e encontros (começados muito antes em seu canal do Youtube). Em seus quinze anos, o festival já se consolidou em não só difundir nosso cinema, mas também por apresentar pérolas. E não só por isso. A sincronicidade da data de abertura coincide com o aniversário deste editor geral que vos fala.

A realidade imposta pela Covid-19, com os cinemas fechados ou ainda com muitas restrições, levou os eventos audiovisuais para a internet e esses foram os fatores que também levaram o diretor executivo do Fest Aruanda, Lúcio Vilar, a repensar procedimentos para a edição comemorativa dos 15 anos e dos 60 anos do filme que dá nome ao evento (“Aruanda”, 1960). Por fim, prevaleceu a “sensatez e a prudência”, como ele enfatiza para a decisão final de realização em formato híbrido (presencial e online).

Assim, serão duas sessões presenciais, respeitando todos os protocolos sanitários já seguidos pela rede Cinépolis, no Brasil, com metade da lotação da sala, uso de máscaras, etc. Sessão de abertura (dia 10 de dez) e de encerramento (dia 16 de dez) com exibições respectivas dos longas documentais ‘Os Quatro Paralamas’, de Roberto Berliner e ‘Me Chama Que Eu Vou’, de Joana Mariani.

As demais sessões a partir do dia 11 até 16 de dezembro serão totalmente on line, através de uma plataforma elaborada pela empresa Nuvem, de Curitiba-PR. A linha curatorial do festival, assinada pelo jornalista Amilton Pinheiro (paraibano radicado em São Paulo), “transita, esse ano, por temas que estão na ordem do dia, no Brasil, como as questões indígenas, pautas identitárias, raciais, intolerância, ditadura militar e suas implicações nos anos 70 e o país, hoje, em turbulência com ameaças à sua jovem democracia”, apontou Vilar.

Como sempre, a programação está distribuída entre curtas e longas das mostras Competitiva Nacional e Sob o Céu Nordestino, somando 42 filmes que poderão ser acessados a partir do site www.festaruanda.com.br para todo o Brasil e o mundo.

Assista aos filmes na plataforma digital Aruanda Play, clicando AQUI!

Durante o Festival as manhãs sempre serão dedicadas com os debates dos filmes exibidos na noite anterior com os representantes de cada filme e com mediação do curador e diretor artístico do Fest Aruanda, Amilton Pinheiro. Curta metragens, sempre às 9 horas (Diálogos Audiovisuais Aruanda-Cagepa I)

Os longas também terão debates com os representantes de cada filme e com mediação do jornalista e crítico de cinema Marcus Mello (Diálogos Audiovisuais Aruanda-Cagepa II).

A critica de cinema e moderadora de debates do Fest Aruanda, Maria do Rosário Caetano vai estar em 4 mesas discutindo diversos assuntos: Cinema Negro e o racismo no Brasil; A permanência de Aruanda – 60 anos depois, Fronteiras e bifurcações do cinema não ficção na contemporaneidade: Entre narrativas e novas linguagens e uma última mesa com as homenageadas Helena Solberg e Vania Perazzo.

O Festival terá sessões especiais:

  • Homenagem in memorian ao cineasta Machado Bittencourt (clique aqui)
  • Homenagem in memorian a Willis Leal, com os filmes “Prazer em Conhecer“, de Susanna Lira e “Batom Vermelho Sangue”, de R.B. Lima (clique aqui)
  • Homenagem in memorian a Linduarte Noronha (clique aqui e aqui e aqui)
  • Homenagem Walfredo Rodrigues (clique aqui)

PROGRAMAÇÃO COMPLETA DO FEST ARUANDA 2020

10/12 – QUINTA-FEIRA – 19:00 – ABERTURA

ARUANDA, de Linduarte Noronha  (Doc., 1960, PB, 22 minutos). “Aruanda” é um marco do cinema brasileiro dos anos 1960. O filme, de Linduarte Noronha, rodado em solo paraibano, surpreendeu as platéias do Rio de Janeiro e São Paulo quando de suas primeiras exibições. A história da formação e da sobrevivência de uma comunidade de escravos libertos do sertão da Paraíba aparecia na tela com imagens, a um só tempo, líricas e rudes. Um narrador (o próprio Linduarte) explicava a saga daquela gente enquanto a fotografia de Rucker Vieira revelava um jeito novo de olhar e de filmar o Brasil. Glauber Rocha resumiu ao afirmar que o filme, junto com ‘Arraial do Cabo’, eram os legítimos representantes do “moderno documentário brasileiro”.

OS QUATRO PARALAMAS, de Roberto Berliner (Doc., 2020, RJ, 138 minutos, CRÍTICA AQUI). Desde o início no Circo Voador, nos anos 1980, se passaram mais quase 40 anos do surgimento da banda Os Paralamas do Sucesso. Herbert, Bi e João falam de amizade, de musicalidade e do que continua os unindo.


16/12 – QUARTA-FEIRA – 19:00 – ENCERRAMENTO

ZUZA HOMEM DE MELLO, de Jorge Bodanzky (Doc., 2015,SP, 16 minutos). Zuza Homem de Mello abre as portas de sua casa para compartilhar parte de sua história com a música. Apresentando a sua coleção de vinis e cds, Zuza relembra os primeiros anos vivendo em Nova York, quando conheceu nomes expressivos do Jazz. Passando por diferentes gêneros e estilos musicais, ele relembra as histórias de sua trajetória como jornalista musical.

ME CHAMA QUE EU VOU, de Joana Mariani (Doc., 2020,SP, 71 minutos, CRÍTICA AQUI). O documentário conta a trajetória dos 50 anos de carreira de Sidney Magal. Os momentos mais significativos da vida do cantor, dançarino, ator e dublador que se tornou um ícone da música popular brasileira. O homem por trás do ídolo, sob o ponto de vista dos próprios participantes da história.

Clique AQUI para acompanhar a programação dia-a-dia com sessões, diálogos e mesas!

OS FILMES DA MOSTRA COMPETITIVA DE LONGASChico Rei Entre Nós

CHICO REI ENTRE NÓS, de Joyce Prado (Doc., 2020, SP, 95 minutos, CRÍTICA AQUI). Chico Rei foi um rei congolês escravizado que libertou a si e aos seus súditos durante o Ciclo de Ouro em Minas Gerais. Sua história é o ponto de partida para explorar os diversos ecos da escravidão brasileira na vida das pessoas negras e da sociedade de hoje, entendendo seu movimento de autoafirmação e liberdade a partir de uma perspectiva coletiva.

CODINOME CLEMENTE, de Isa Albuquerque (Doc, 2019, RJ, 99 minutos). Entre conversas, memórias e reconstituições, Codinome Clemente registra os encontros da diretora Isa Albuquerque com Carlos Eugênio Paz, ex-militante da luta armada contra a ditadura militar nos anos 1960 e 70. Sob a alcunha de “Clemente”, Carlos Eugênio integrou a ALN (Aliança Libertadora Nacional), participou de inúmeras ações urbanas e, neste documentário, relembra toda a sua trajetória na clandestinidade. O filme inclui ainda depoimentos de antigos companheiros e imagens de arquivo que ajudam a resgatar um personagem controverso e um momento conturbado na história brasileira.

GLAUBER CLARO, de César Augusto Meneghetti (Doc., 2020, SP, 80 minutos, CRÍTICA AQUI). O documentário Glauber, Claro, explora os anos de exílio, na Itália, do cineasta Glauber Rocha, entre 1970 e 1976. Através de memórias de parentes, amigos e colaboradores, o longa retratra o drama vivido por Glauber na época, revisitando, também, seu último filme; Claro (1975), gravado em Roma.

LIBELU – ABAIXO A DITADURA, de Diógenes Muniz (Doc., 2020, SP, 95 minutos, CRÍTICA AQUI). Liberdade e Luta foi uma tendência estudantil universitária surgida em 1976. Impulsionado por uma organização clandestina internacionalista, o grupo ganhou fama ao retomar a palavra de ordem “abaixo a ditadura”. Seus integrantes eram famosos pela irreverência e abertura cultural. Entre os anos 1970 e 1980, Libelu se tornou adjetivo, sinônimo de radicalidade e, para adversários, inconsequência política. Passadas quatro décadas, onde estão e o que pensam os jovens trotskistas que foram às ruas contra os generais?

NHEENGATU – A LÍNGUA DA AMAZÔNIA, de José Barahona (Doc., 2020, Brasil/Portugal, 114 minutos). Ao longo de uma viagem no alto Rio Negro, na Amazônia profunda, o diretor busca uma língua imposta aos índios pelos antigos colonizadores. Através desta língua misturada, o Nheengatu, e dividindo a filmagem com a população local, o filme se constrói no encontro de dois mundos.

TENTEHAR – ARQUITETURA DO SENSÍVEL, de Paloma Rocha e Luís Abramo (Doc., 2020, DF, 89 minutos). Durante o processo da eleição presidencial no Brasil, o filme investiga as seguintes questões: Vivemos uma crise civilizatória e do ponto de vista político o que restará de nós com os direitos humanos reduzidos pela miséria e o abandono? diante dos desastres ambientais e genocídios: quem são os civilizados? quem são os selvagens?

TODAS AS MELODIAS, de Marco Abujamra (Doc., 2020, RJ, 80 minutos). “Todas as Melodias” é um percurso sensível pela vida e obra de um dos maiores artistas da música nacional, Luiz Melodia. Com registros desde os anos 70, o filme apresenta sua trajetória da juventude no morro do Estácio até a consagração como poeta.

OS FILMES DA MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS

À BEIRA DO PLANETA MAINHA SOPROU A GENTE, de Bruna Barros e Bruna Castro (Doc., 2020, BA, 14 minutos). Através de imagens de arquivo pessoal e reflexões sobre as ambivalências que às vezes se imprimem em relações cheias de amor, “à beira do planeta mainha soprou a gente” apresenta recortes de afeto entre duas sapatonas e suas mães.

A PONTUALIDADE DOS TUBARÕES, de Raysa Prado (Fic., 2020, 16 minutos). Atendendo ligações de pessoas diferentes todos os dias, João passa minuciosamente as horas dentro de seu apartamento. Em meio a sua rotina, tudo se altera pontualmente às cinco da tarde.

A PROFUNDIDADE DA AREIA, de Hugo Reis (Fic., 2019, ES, 16 minutos). Num tempo impreciso, uma caminhada contínua e uma ameaça constante. Vestígios na areia revelam memórias que eles parecem desconhecer, mas não totalmente.

CONSTRUÇÃO, de Leonardo da Rosa (Doc., 2020, RS, 16 minutos). Após ser despejada de sua casa Andréia volta anos depois para a comunidade da Getúlio Vargas com seus filhos Augusto, Gustavo e Bruno. Com a ajuda deles ela inicia a construção de sua casa própria.

FILME_URGÊNCIA_CORTE 1, de Paulo Silver (Doc.,2020, AL, 13 minutos). Paulo decide desenvolver um filme em poucos dias para concorrer à um edital emergencial para a cultura.

LA TRAVESSIA, de Otávio Almeida (Doc., 2019, PI, 14 minutos). Um homem solitário empreende uma travessia por uma vasta represa na Sierra Maestra, lugar de origem da revolução cubana. Como em um conto, somos guiados em uma viagem por essa paisagem desbotada. Nessa travessia pouco a pouco traçamos a cartografia de um corpo que a cada movimento se dilui e se transforma em parte desse lugar.

MÃTÃNÃG – A ENCANTADA, de Shawara Maxakali e Charles Bicalho (Animação, 2019, MG, 14 minutos). A índia Mãtãnãg segue o espírito de seu marido, morto picado por uma cobra, até a aldeia dos mortos. Juntos eles superam os obstáculos que separam o mundo terreno do mundo espiritual. Uma vez na terra dos espíritos, as coisas são diferentes: outros modos regem o sobrenatural. Mas Mãtãnãg não está morta e sua alma deve retornar ao convívio dos vivos. De volta à sua aldeia, reunida a seus parentes, novas vicissitudes durante um ritual proporcionarão a oportunidade para que mais uma vez vivos e mortos se reencontrem. Falado em língua Maxakali e legendado, Mãtãnãg se baseia em uma história tradicional do povo Maxakali. As ilustrações para o filme foram realizadas em oficina na Aldeia Verde, no município de Ladainha, em Minas Gerais.

PIU PIU, de Alexandre Figuerôa (Doc., 2019, PE, 16 minutos). “Quando a cortina se abria, sob um universo colorido de plumas e paetês, ela surgia no palco, serpenteando movimentos lascivos, ao som de uma rumba ou de um merengue”. Piu Piu, como era conhecido o ator, cenógrafo e figurinista Elpídio Lima é considerado o mais antigo transformista do Recife. Nos anos 1950 e 1960, atuou na Companhia Barreto Junior, nos palcos dos teatros Almare e Marrocos. Foi um dos criadores da Companhia Tra-la-lá, de teatro rebolado e gostava de imitar as cantoras e atrizes Sarita Montiel e Carmem Miranda.

PRANTO, de Jaime Guimarães (Fic., 2019, PB, 13 minutos). Um homem enfrenta uma espiral de desespero e é atormentado por um mal aterrador.

RASGA MORTALHA, de Thiago Martins de Meljo (Animação, 2019, MA, 14 minutos). “Rasga Mortalha” parte da lenda da coruja “Suindara” — muito contada no folclore do Norte e Nordeste — para abordar as urgências sociopolíticas do país. Crê-se que o aparecimento de seu vulto branco, seguido do grito selvagem — que lembra o som de um pano sendo rasgado ao meio —, traz consigo o signo da morte. Como vetor metafórico para pensar, e também transcender, uma visão fatalista da história do Brasil, o artista se vale dessa tradição popular para cruzar séculos de acontecimentos públicos com memórias, referências e imaginações pessoais, criando uma narrativa carregada e cortante.

RECÔNCAVO, de Pedro Henrique Chaves (Fic., 2019, DF, 10 minutos). Como vivem os idosos no Brasil? Conceição cuida do marido doente e trabalha para sustentar a casa, essa não era a velhice que desejava.

REINADO IMAGINÁRIO, de Hipólito Lucena (Fic., 2020, PB, 9 minutos). Uma viagem no imaginário coletivo, em busca de respostas para a ideia de sustentação aos princípios da monarquia, vivo nos espaços imagéticos das cidades.

REDEMOINHO, de Tiago A. Neves (Ficção, 2020, PB, 13 minutos, CRÍTICA AQUI). Após um longo período de afastamento, Maria retorna à casa de sua mãe. Ela está decidida sair do remoinho que a fez voltar.

SOBRE NOSSAS CABEÇAS, de Susan Kalik e Thiago Gomes (Fic., 2020, BA, 15 minutos). Cícero perdeu seu irmão para o ódio racial. Agora, seu cunhado quer salvá-lo do mesmo destino, levando-o a força para outro lugar.

VAI MELHORAR, de Pedro Fuiza (Fic. 2020, RN, 15 minutos). Nos bastidores de uma campanha política para prefeito a apresentadora Luísa sofre com a difícil convivência entre os colegas de trabalho. É a última semana antes do primeiro turno e Luísa, longe de sua cidade e sua família, descobre um escândalo que pode comprometer toda a eleição. Agora ela precisa decidir não só o seu destino, mas o de uma cidade inteira.

OS FILMES DA MOSTRA COMPETITIVA DE LONGAS SOB O OLHAR NORDESTINO

A JANGADA DE WELLES, de Firmino Holanda, Petrus Cariry (Doc., 2019, CE, 75 minutos, CRÍTICA AQUI). O jangadeiro Manuel Jacaré foi tragado pelo mar quando Orson Welles filmava It`s All True, em 1942. O fato evoca memórias da ditadura do Estado Novo, da Segunda Guerra, da luta de pescadores cearenses por direitos trabalhistas e por moradia no seu espaço tradicional – alvo de especulação imobiliária.

APONTA PRA FÉ – OU TODAS AS MÚSICAS DA MINHA VIDA, de Kalyne Almeida(Fic., 2020, PB, 71minutos). Martha é uma jovem estudante universitária que mora no Porto do Capim, comunidade situada no Varadouro, ao pé do Rio Sanhauá, no centro de João Pessoa – onde a cidade nasceu. Cuida da casa e da associação das mulheres. Casada com Tiago, ex-pescador e, agora, trabalhador da construção civil no bairro do Altiplano e que sonha em ter uma vida melhor. Pais da pequena Ester, a vida do casal toma novos rumos diante do impasse entre os moradores do Porto do Capim e a prefeitura da cidade, que busca retirar a comunidade daquele local. Guardando um segredo que o corrói e os angustiam, o casal vai aos poucos se afastando, embora exista amor e afeto entre os dois.

AS ÓRBITAS DA ÁGUA, de Frederico Machado (Ficção, 2020, MA,  71 minutos, CRÍTICA AQUI). Parte final da Trilogia Dantesca composta também pelos filmes O Exercício do Caos e O Signo das Tetas. Um casal de forasteiros chega a uma vila de pescadores afastada do mundo, trazendo dor a vida dos moradores e rememorando o passado da família, que estava esquecido nas águas.

CHICO REI ENTRE NÓS, de Joyce Prado (Doc., 2020, SP, 95 minutos, CRÍTICA AQUI). Um velho mito é o ponto de partida para explorar os ecos da escravidão brasileira na vida dos negros nos dias de hoje, entendendo seus desafios e indicando alguns de seus caminhos.

KING KONG EN ASUNCIÓN, de Camilo Cavalcante (Fic., 2020, PE,  90 minutos, CRÍTICA AQUI). Um velho matador de aluguel está escondido no interior da Bolívia, na região desértica do Salar de Uyuni. Acabou de cometer o seu último assassinato. Após meses isolado, ele viaja para o interior do Paraguay onde recebe uma boa recompensa e segue para Asunción com o objetivo de encontrar a sua única filha, a qual nunca conheceu.

Esta viagem por dentro de si mesmo, seguido apenas por sua fiel companheira, a morte, acaba despertando instintos primários no velho matador, que explode em fúria e desespero pelas ruas da capital paraguaia em busca de afeto, como o King Kong aturdido em New York.

SWINGUEIRA, de Bruno Xavier, Roger Pires, Yargo Gurjão e Felipe de Paula (Doc., 2020, CE, 85 minutos). Nas periferias do Nordeste do Brasil, a swingueira movimenta a juventude. Quatro jovens disputam um campeonato de dança enquanto tentam sobreviver. A dança, a música e a arte se misturam com a falta de dinheiro, as condições precárias de moradia e os problemas da vida. Uma cultura quase invisível, mas cultivada por milhares de pessoas. Quem vai ser campeão? Quem vai sobreviver?

TODAS AS MELODIAS, de Marco Abujamra, Mariana Marinho e Viviane D`Ávilla (Doc., 2020, RJ, 80 min.). “Todas as Melodias” é um percurso sensível pela vida e obra de um dos maiores artistas da música nacional, Luiz Melodia. Com registros desde os anos 70, o filme apresenta sua trajetória da juventude no morro do Estácio até a consagração como poeta.

OS FILMES DA MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS SOB O OLHAR NORDESTINO

A PONTUALIDADE DOS TUBARÕES, de Raysa Prado (Fic., 2020, 16 minutos). Atendendo ligações de pessoas diferentes todos os dias, João passa minuciosamente as horas dentro de seu apartamento. Em meio a sua rotina, tudo se altera pontualmente às cinco da tarde.

CURA-ME, de Eduardo Varandas Araruna. (Fic., 2019, PB, 15 minutos). Adolescente busca psicóloga religiosa para terapia de cura de sua homossexualidade. Ambos chegam às últimas consequências para atingir o objetivo.

E AGORA, VOCÊ, de Edson Lemos Akatoy. (Fic., 2020, PB, 14 minutos). Uma distopia que nos lembra as consequências do aquecimento global. O protagonista, José, tenta sobreviver com as últimas lembranças de uma realidade em que ainda era possível fazer contato com outras pessoas – uma em particular.

MAKINARIA, de Igor Tadeu. (Animação, 2019, PB, 9 minutos). Nesta fábula moderna, seres humanos são produzidos em série por um grande sistema de máquinas de um castelo industrial controlado e guiado por dezenas de tentáculos robóticos. A cada ser produzido é dado terno, um corte de cabelo, uma gravata e um trabalho. Aprisionados em relógios que tem a forma de roda de hamster, cada homem é posto a correr assim que é ativado.

MARACASTELO CHEGOU, de  Angela Gaeta. (Doc., 2020, PB, 12 minutos). O documentário mostra a trajetória do coletivo de Maracatu Nação que nasceu no bairro Castelo Branco, em João Pessoa. Desde desafios de fazer maracatu na Paraíba, a relação com o Maracatu Nação Estrela Brilhante do Recife, do reconhecimento enquanto Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura, pelas vozes da Mestra Angela Gaeta e de Marcella Loureiro.

MARÍLIA E ARTHUR, de Astrée Cleyet-Merle. (Fic., 2020, Cabedelo/PB, 13 minutos). O que fazer quando é hora de partir? O que deixamos para trás e quem nós magoamos? Marília é uma jovem que consegue uma vaga em uma faculdade fora do país. Mas a dúvida de deixar tudo para trás, inclusive seu amor, a faz se questionar e, até, fugir da decisão.

NÃO MORO MAIS EM MIM, de Vitor Celso e Bruna Guido. (Fic., 2020, Campina Grande/PB, 15 minutos). Produzida no início de 2020 e centrada em discussões de gênero e sexualidade da Mulher Lésbica, a ficção Não Moro Mais em Mim acompanha a trajetória de uma estudante do ensino médio em Campina Grande [PB], que após ser expulsa do seu colégio por, supostamente, se relacionar com uma das suas colegas de sala, se inquieta com os pequenos traços de machismo à sua volta e reconhece novos direcionamentos para sua vida depois de se envolver com uma aluna do segundo período de Artes da universidade.

PRANTO, de Jaime Guimarães (Fic., 2019, PB, 13 minutos). Um homem enfrenta uma espiral de desespero e é atormentado por um mal aterrador.

REINADO IMAGINÁRIO, de Hipólito Lucena (Fic., 2020, PB, 9 minutos). Uma viagem no imaginário coletivo, em busca de respostas para a ideia de sustentação aos princípios da monarquia, vivo nos espaços imagéticos das cidades.

REDEMOINHO, de Tiago A. Neves (Ficção, 2020, PB, 13 minutos, CRÍTICA AQUI). Após um longo período de afastamento, Maria retorna à casa de sua mãe. Ela está decidida sair do remoinho que a fez voltar.


Tudo Sobre o 15º Fest Aruanda 2020

O JÚRI OFICIAL

CACO CIOCLER

Depois de mais de dez anos embrenhado pelo teatro amador do clube A Hebraica de São Paulo estreia profissionalmente sendo indicado ao prêmio APETESP e laureado pelo prêmio MAMBEMBE pela peça PÍRAMO E TISBE, De Vladimir Capella. No ano seguinte foi a vez da televisão, em O REI DO GADO, de Benedito Ruy Barbosa, trabalho que lhe rendeu o prêmio de ator revelação pela Associação Paulista dos Críticos de Arte – APCA. No cinema, a estreia foi com BICHO DE SETE CABEÇAS, de Laís Bodanzky, sendo indicado ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro como melhor ator coadjuvante. A estreia como diretor foi no curta TROPICO DE CÂNCER, vencedor do prêmio de melhor filme pelo Festival do Minuto. Seu primeiro longa, ESSE VIVER NINGUÉM ME TIRA foi selecionado para as mostras competitivas do Festival de Cinema de Gramado e do Rio de Janeiro e venceu o Festival de Cinema Brasileiro de Los Angeles – LABRFF. Seu segundo longa, PARTIDA, um híbrido entre ficção e documentário, recebeu quatro prêmios no Festival de Cinema de Aruanda em 2019, incluindo o prêmio especial do Júri de melhor filme. Em 2020, foi eleito melhor documentário no Festival de cinema de Málaga, na Espanha. A estreia na direção em ficção foi em UNIDADE BÁSICA, série que protagoniza para o Universal Channel, dirigindo dois dos oito episódios da segunda temporada.

HELENA SOLBERG

Inicia sua carreira com o Cinema Novo. Seu primeiro filme, “A Entrevista” de 1966 foi selecionado para o Festival dei Popoli, na Itália e é hoje considerado o primeiro filme feminista brasileiro. Em seguida dirigiu o curta-metragem de ficção “Meio-Dia”, uma metáfora para evitar a censura na ditadura, inspirado na música de Caetano Veloso ”É proibido proibir” e no filme ”Les 400 Coups”, de François Truffaut. Os dois filmes despertaram interesse no seu trabalho, com convites para festivais de cinema na Europa e outros países. Radicada nos Estados Unidos a partir de 1970, ela dirigiu e produziu vários documentários de longa-metragem, quase sempre com ênfase na América Latina e no Brasil.

SUSANNA LIRA

Cineasta com pós-graduação em Filosofia, Direito Internacional, Direitos Humanos e Biopolítica Criminal. Atualmente é mestranda em Psicanálise. Entre seus filmes mais recentes estão: PRAZER EM CONHECER, TORRE DAS DONZELAS, MUSSUM, UM FILME DO CACILDIS, LEGÍTIMA DEFESA, INTOLERÂNCIA.DOC, CLARA ESTRELA, MEU CORPO É MAIS, MATARAM NOSSOS FILHOS, NÃO SAIA HOJE, LEVANTE!, APÁTRIDAS, DAMAS DO SAMBA, PORQUE TEMOS ESPERANÇA e POSITIVAS. Também dirigiu séries como: OUTROS TEMPOS para a HBO, ROTAS DO ÓDIO para a Universal Channel , NÓS, DOCUMENTARISTAS para o Canal Curta, NÓS, FASHIONISTAS para a fashion TV, TÁ LIGADO para o Canal Futura, MULHERES DE AÇO, EM BUSCA DO PAI, SUPERBONITA e MULHERES EM LUTA para o GNT. Nos últimos três anos foi homenageada com mostras retrospectivas de sua obra nos seguintes festivais: Festival Internacional do cinema independente de Mar Del Plata (Argentina), Festival Tenemos que Ver (Montevidéu- Uruguai) e FEMCINE ( Santiago, Chile).

Comitê de Seleção de Curtas-Metragens da Mostra Competitiva Nacional
Amilton Pinheiro (Presidente do Comitê)
Marcus Mello
Suyene Correia

Júri Mostra Competitiva de Longas e Curtas Sob o Céu Nordestino
Danny Barbosa

TROFÉUS

TV UNIVERSITÁRIA

  • 1. Melhor Reportagem
  • 2. Melhor Documentário para TV
  • 3. Melhor Programa de TV
  • 4. Melhor Interprograma

CURTA-METRAGEM

  • 1. Troféu Aruanda/Abraccine de Melhor Curta-Metragem Nacional
  • 2. Troféu Aruanda/Energisa Melhor Curta Nacional
  • 3. Melhor Curta-metragem Nacional pelo Júri Popular
  • 4. Melhor direção
  • 5. Melhor Atriz
  • 6. Melhor Ator
  • 7. Melhor Fotografia
  • 8. Melhor Figurino
  • 9. Melhor Direção de Arte
  • 10. Melhor Trilha Sonora
  • 11. Melhor Edição
  • 12. Melhor Desenho de Som
  • 13. Melhor Roteiro

LONGA-METRAGEM

  • 1. Troféu Aruanda/Abraccine de Melhor Longa-Metragem Nacional
  • 2. Troféu Aruanda/Energisa Melhor Longa Nacional
  • 3. Melhor Longa Nacional pelo Júri Popular
  • 4. Melhor Personagem Feminino
  • 5. Melhor Personagem Masculino
  • 6. Melhor Direção
  • 7. Melhor Fotografia
  • 8. Melhor Direção de Arte
  • 9. Melhor Trilha Sonora
  • 10. Melhor Edição
  • 11. Melhor Desenho de Som
  • 12. Melhor Roteiro

SOB O CÉU NORDESTINO

  • 1. Melhor Longa Sob o Céu Nordestino pelo Júri Popular
  • 2. Troféu Aruanda/Cagepa Melhor Longa Sob o Céu Nordestino
  • 3. Melhor Direção (longa)
  • 4. Melhor Atriz (longa)
  • 5. Melhor Ator (longa)
  • 6. Melhor Fotografia (longa)
  • 7. Melhor Figurino (longa)
  • 8. Melhor Direção de Arte (longa)
  • 9. Melhor Trilha Sonora (longa)
  • 10. Melhor Edição (longa)
  • 11. Melhor Desenho de Som (longa)
  • 12. Melhor Roteiro (longa)
  • 13. Troféu Rodrigo Rocha/Cagepa de Melhor Curta Paraibano
  • 14. Melhor Curta Sob o Céu Nordestino pelo Júri Popular
  • 15. Melhor Direção (curta)
  • 16. Melhor Atriz (curta)
  • 17. Melhor Ator (curta)
  • 18. Melhor Fotografia (curta)
  • 19. Melhor Figurino (curta)
  • 20. Melhor Direção de Arte (curta)
  • 21. Melhor Trilha Sonora (curta)
  • 22. Melhor Edição (curta)
  • 23. Melhor Desenho de Som (curta)
  • 24. Melhor Roteiro (curta)

TROFÉU ARUANDA

  • 1. Melhor Produção Audiovisual de TCC
  • 2. Melhor Videoclipe

Tudo Sobre o 15º Fest Aruanda 2020

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