A Nuvem Rosa

Revista da Semana | 04 de fevereiro de 2021

Estreias e Dicas desta quinta-feira

Por Redação

Nosso site, talvez, finalmente, entendeu o porquê de sentir incômodo ao assistir a um novo filme. Durante meses, pensamos que a pandemia pudesse ter afetado inclusive a nossa cinefilia. Sentimentos controversos e desejos apáticos. O ato-passional cinematográfico tornou-se protocolar. Obras eram pensadas como mais uma. Algumas até com tormento. E olha que nós adoramos assistir a filmes ruins, porque as críticas acabam sendo bem mais divertidas e criativas. Mas nada. O desconforto virou obrigação. Um trabalho mecânico. A ansiedade do não entendimento gerou estágios de gangorras sentimentais. E uma pressão cerebral por pouco não desligou a vontade totalmente. E do nada, o insight veio como uma luz reveladora. A afetada não foi a cinefilia e sim a forma. O formato de assistir filmes em um computador (e até mesmo em televisões gigantes) pode e deve ser considerado uma crueldade de tortura psicológica.

Sim, obras cinematográficas precisam ser absorvidas e degustadas em um cinema. O estágio presente de irritação, ora descontentamento, é na verdade saudade incondicional de uma tela grande. Do ritual de se sentar na cadeira, de brigar com o “próximo” para desligar o celular, fazer xiiiiiiiiiii e se desligar da realidade. Adentrar novos mundos. Esses onze meses de confinamento-quarentena-distanciamento social (ou espaço solidário, como diz Regina Miranda) fizeram que os seres perdessem não só a noção de realidade-ficção, mas também, infelizmente de humanidade.

Quando o Vertentes do Cinema realmente entendeu, parece que um peso-pressão saiu de suas costas. E do nada, como um passe de mágica, uma terapia-epifania, voltou à vida do mundo da Lua. Mesmo com tudo isso lutando contra, nosso site não parou nem um minuto. Produzindo, produzindo, produzindo para fornecer o que de melhor e pior acontece no universo da sétima arte. E assim, mais uma semana chega com a Revista do Vertentes, uma curadoria-editorial especial que guia os leitores-espectadores nas novidades do audiovisual. Vamos lá!

CURTA DA SEMANA

AS DIVERSAS FORMAS DO AMOR

HAIR LOVE

ASSISTA AQUI (2019, Estados Unidos, 7 minutos, de Matthew A. Cherry). Escrito, produzido e dirigido por Matthew A. Cherry, ex-jogador da NFL. É a história de um homem que tenta pentear o cabelo afro da filha pela primeira vez. O filme foi produzido após uma campanha do Kickstarter de 2017, também foi lançado como livro infantil em maio de 2019, com ilustrações de Vashti Harrison e venceu o Oscar por melhor Melhor Curta de Animação.

ARTE É CULTURA

JULIANA NA CINEMATECA

(2017, Brasil, 17 minutos, de Diego Quinderé e Estevão Meneguzzo). O documentário mostra a cinemateca do MAM no Rio de Janeiro, que conta com um acervo de 80 mil rolos de filmes. Ocupada com a restauração das obras, Juliana lida com a deterioração e os constantes dilemas presentes na preservação de filmes. ESTREIA 11/02, 00:01.


EM CASA

Vidas (in)visíveis – um arsenal de esperança

VIDAS (IN)VISÍVEIS – UM ARSENAL DE ESPERANÇA

(2020, Brasil, 63 minutos, de Erica BernardiniCRÍTICA AQUI). O documentário conta a origem do Arsenal desde a sua criação em Turim e retrata o trabalho realizado por missionários italianos, justamente no local que foi abrigo e ponto de referência de tantos imigrantes, e palco de sonhos, expectativas, angústias e conquistas de milhões de pessoas de diversas nacionalidades, principalmente italianos. Disponível na plataforma digital Belas Artes à la Carte. 

A Febre

A FEBRE

(2019, Brasil, 98 minutos, de Maya Werneck Da-RinCRÍTICA AQUI). Justino, um indígena Desana de 45 anos, é vigilante do porto de cargas de Manaus. Enquanto sua filha se prepara para estudar medicina em Brasília, ele é tomado por uma febre misteriosa que o leva de volta a sua aldeia, de onde partiu vinte anos atrás.Exibido na mostra competitiva do Festival do Rio 2019, “A Febre” é um chamamento da ancestralidade para guardar raízes, memórias e pequenas simplicidades do agir, impedindo o esquecimento de quem se é por imposição dominadora dos que desejam a transmutação comportamento-existencial, desses seres alienígenas de si mesmos. Disponível na plataforma digital Netflix. 

O Mistério de Frankenstein

O MISTÉRIO DE FRANKENSTEIN

(Frankenstein, 2020, Grécia, 90 minutos, de Costas Zapas, CRÍTICA AQUI). Uma trupe de teatro chega à cidade interpretando Frankenstein. Uma jovem repórter acredita que o romance não é uma ficção, mas a verdadeira história de um grupo de alquimistas, fundado pelo jovem médico Victor Frankenstein. Suas investigações a levam a um universo de monstros e finalmente a uma revelação sobre o segredo de um amor eterno que desafia até a morte. Disponível na plataforma digital Cinema Virtual.

MARIA LUIZA

(2019, Brasil, 80 minutos, de Marcelo Díaz, CRÍTICA AQUI). Maria Luiza da Silva é a primeira militar reconhecida como transexual na história das forças armadas brasileiras. Após 22 anos de trabalho como militar, foi aposentada por invalidez. O filme investiga as motivações para impedi-la de vestir a farda feminina e a sua trajetória de afirmação como mulher trans. “Maria Luiza” é um filme conceito, que vai além da simples “performance de gênero” (nas manifestações acadêmicas da filósofa feminista Judith Butler), tudo devido ao desenvolvimento de sua narrativa, que escolhe traduzir Maria Luiza da Silva pelos detalhes de seus objetos coletados (seus bibelôs) e pelas crenças mantidas (ainda católica praticante) e pelos gostos simples e idiossincráticos (aviação e a felicidade desmedida de tocar os pés na água do mar pela primeira vez). Estreia no Canal Brasil. 

F for fake

F FOR FAKE: VERDADES E MENTIRAS

(F For Fake, 1973, 89 minutos, de Orson Welles, CRÍTICA AQUI). Filme-ensaio entre o documentário e a ficção, um mergulho nos fundamentos da fraude visto através de dois célebres falsários. Como William Shakespeare, por exemplo, Orson cultivou um uso e abuso da “licença dramática” no que concerne à identidade autoral, trabalhando situações limítrofes onde narrativas e personagens parecem esvair-se diante dos nossos olhos de tão fluidas e bem construídas que são.

ASSISTA AO FILME


ACOMPANHE A COBERTURA DIÁRIA DO FESTIVAL DE ROTTERDAM 2021

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HELENA IGNEZ: O VAZIO É A LUZ, O ENSAIO

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OS VENCEDORES DA MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES 2021

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CINEMA BRASILEIRO NO FESTIVAL DE SUNDANCE 2021

A Nuvem Rosa

A NUVEM ROSA

(2021, Brasil, 105 minutos, de Iuli Gerbase, CRÍTICA AQUI). Uma nuvem rosa tóxica surge em diversos países, forçando todos a ficarem confinados. Giovana está presa em um apartamento com Yago, um cara que havia recém conhecido em uma festa. Enquanto esperam a nuvem passar, eles precisam viver como um casal. Ao longo dos anos, Yago vive sua própria utopia, enquanto Giovana sente-se cada vez mais aprisionada.

Inabitável

INABITÁVEL

(2020, Brasil, 20 minutos, de Matheus Farias e Enock CarvalhoCRITICA AQUI). Filme com direção da dupla pernambucana Matheus Farias e Enock Carvalho é o único curta-metragem brasileiro na competição. Narra-se a história de Marilene (Luciana Souza), que procura por sua filha desaparecida. Enquanto seu tempo se esgota, ela encontra uma esperança para o futuro na forma de um estranho objeto.


FILMES AGUARDADÍSSIMOS

Nomadland

NOMADLAND – SOBREVIVER NA AMÉRICA

(Nomadland, 2020, Estados Unidos, 107 minutos, de Chloé Zhao, CRÍTICA AQUI). Após o colapso econômico de uma colônia industrial na zona rural de Nevada (EUA), Fern (Frances McDormand) reúne suas coisas em uma van e parte rumo a uma viagem exploratória, fora da sociedade dominante, como uma nômade dos tempos modernos. Para cada minuto de tela, um novo ufanismo. É uma barbaridade de como a moral cristã dos norte-americanos acaba salvando os que “possuem a sorte de nascer nos EUA” e que por estarem na “terra da liberdade” podem lutar contra o sistema opressor.


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CINECLUBE RECINE #24


SELEÇÃO ESPECIAL CINEMATECA FRANCESA

IMAGENS DA CHINA

(Images de Chine, 1901-1904, França, 52 minutos, Silencioso, de Auguste François). Em Yunnan, no final da dinastia Qing, Auguste François, cônsul, fotógrafo e etnógrafo amador documenta, graças a uma câmera fornecida por Léon Gaumont, cenas da vida cotidiana nas ruas de Yunnanfu (atual Kunming), mas também eventos mais excepcionais : uma procissão, um banquete de pagode, um funeral, uma representação do teatro chinês. A La Cinémathèque française e o Departamento de Herança CNC, unidos em torno do projeto, apresentam uma montagem deste trabalho de salvaguarda em curso. Foi por volta da década de 1970 que Jean de Mallmann, sobrinho de François, toma a iniciativa de guardar estes preciosos documentos. Seguindo o conselho de Henri Langlois, ele pediu ao laboratório de Boyer que fizesse várias cópias de segurança de 16 e 35 mm da cópia de nitrato. Graças à associação Auguste François que, desde os anos 1990, pretende dar a conhecer Auguste François e trabalhar pela salvaguarda e divulgação da sua obra, e também à Béatrice de Pastre e ao CNC.

CINEMA RUSSO E SOVIÉTICO DE GRAÇA ATÉ JUNHO

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Revista da Semana | 04 de fevereiro de 2021

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