Os Vencedores do 15º Fest Aruanda 2020

Festival do Audiovisual Brasileiro de João Pessoa premia “Glauber, Claro”, o grande vencedor da noite, e retorna nostalgia do “Ponto dos Cem Réis”

Por Fabricio Duque

Em “Trajetória da Crítica de Cinema no Brasil”, organizado por Paulo Henrique Silva, da Abraccine, dividido por Estados, o crítico Fernando Trevas Falcone traçou o perfil da Paraíba com as “alfinetadas” de Geraldo Sobral sobre o público que “preferia as chinfrinadas de Hollywood”. No livro, Linduarte Noronha, um “cameraman e realizador”, é lembrado como um ferrenho defensor da sétima arte e um dos responsáveis por tentar implementar cineclubes, que “simbolizava o progresso de João Pessoa e a educação do público”. É também apresentado ao leitor a importância do crítico Wills Leal, do O Norte e o documentário “Sob o Céu Nordestino” (1928), de Walfredo Rodriguez (assista AQUI ao filme), o “avó do cinema feito na Parahyba”. Eis que nasce o curta-metragem “Aruanda” (assista AQUI), de Linduarte, com assistência de Wladimir Carvalho. Paulo Emílio, em São Paulo, apresentou a obra para mitigar o “intercâmbio frouxo e descontínuo dos ilhados em suas cidades, dialogando exclusivamente entre si”, dizendo que “era um documentário em estado bruto, mas que produz ecos profundos no espectador e cria expectativas”. Assim, entre a rua Duque de Caxias e a praça João Pessoa, no centro da cidade, nasce o cinema paraibano e sua crítica na região também chamada de Ponto dos Cem Réis.

Assim, o Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro, que completa quinze anos, debutou e aruandou por edição online e gratuita, uma novidade e reinvenção de resistência, provando mais uma vez a garra e luta da Paraíba em nunca desistir quando as dificuldades chegam. Lúcio Vilar, Amilton Pinheiro, Flavia Miranda, Marcus Mello, Suyene Correia, Susanna Lira, João Carlos Beltrão, Vania Perazzo, José Maria Lopes, Helena Solberg, Maria do Rosário Caetano, Andréia Barros, Maviael Ribeiro, Jãmarri Nogueira, e, todos da equipe guerreira, trouxeram a alma do verdadeiro amor pelo cinema brasileiro ao homenagear Linduarte Noronha, Wills Leal e Walfredo Rodriguez, nomeado com a mostra Sob o Olhar Nordestino. E não foi só isso. O festival deste ano estranho, incomum, distópico e trágico de 2020, importou em grande estilo as Lives (encontros sobre cinema, evocando, ou até mesmo invocando, a estrutura dos cineclubes). Em um desses encontros, pudemos visualizar o nome de Wladimir Carvalho como roteirista de “Aruanda”.


A CERIMÔNIA DE PREMIAÇÃO

 

Com R$ 47 mil em premiação, a 15ª edição do Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro divulgou os vencedores das mostras competitivas nessa quarta-feira (16). Em cerimônia presencial na sala MACRO XE, do Cinépolis Manaíra, os melhores curtas e longas, escolhidos pelo júri especializado e por júri popular, foram apresentados ao público.

Na Mostra Competitiva Nacional de longa-metragem, o grande vencedor da noite foi “Glauber, Claro“, de César Meneghetti, que ganhou melhor longa, melhor roteiro, melhor edição, melhor fotografia e melhor personagem masculino. O diretor destacou que a satisfação pessoal de participar do festival. “Gostaria de parabenizar pelos 15 anos de existência, e é importante que seja reconhecido este trabalho com os registros de vídeo e áudio”, disse.

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Na quinta-feira (17), online, aconteceu uma mesa com os diretores dos filmes de encerramento, com a moderação de Amilton Pinheiro (Curador e diretor artístico do Fest Aruanda). E às 12h reapresenta os filmes vencedores de Curta e Longa-Metragem das Mostras Sob o Céu Nordestino e Nacional. Não perca! Ainda dá tempo.  Nesta edição, o Fest Aruanda festejou os 15 anos de festival, os 60 anos do filme “Aruanda”, que dá nome ao evento, e ainda os 90 anos do seu realizador, Linduarte Noronha, se estivesse vivo.


OS PREMIADOS DO FEST ARUANDA 2020

(clique no link do filme e leia a crítica de nosso site)

Glauber, Claro

MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL LONGAS-METRAGENS

Melhor Filme + R$ 8 mil:Glauber, Claro” de César Meneghetti

Melhor Direção: José Barahona por “Nheengatu – A Língua da Amazônia

Melhor Roteiro: César Meneghetti por “Glauber, Claro

Melhor Personagem Feminino: Kátia Silvério por “Chico Rei Entre Nós“, de Joyce Prado

Melhor Personagem Masculino: Glauber Rocha por “Glauber, Claro

Melhor Fotografia: Eugenio Barcelloni por “Glauber, Claro

Melhor Desenho de Som: José Barahona e Damião Lopes, por “Nheengatu – A Língua da Amazônia

Melhor Edição: Willem Dias por “Glauber, Claro

Melhor Trilha Sonora: Sérgio Pererê por “Chico Rei Entre Nós

Melhor direção de arte: O júri não atribuiu prêmio de direção de arte

Melhor longa segundo o júri popular – “Codinome Clemente“, de Isa Albuquerque


MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL LONGAS-METRAGENS

A profundidade da areia

Melhor Curta + R$ 4 mil: “A Profundidade da Areia“, de Hugo Reis

Menção Honrosa:A Pontualidade dos Tubarões“, de Raysa Prado

Melhor Direção: Bruna Barros e Bruna Castro pelo filme “À Beira do Planeta Mainha Soprou a Gente”

Melhor Roteiro: Hugo Reis “A Profundidade da Areia

Melhor Desenho de Som: Hugo Reis, por “A Profundidade da Areia

Melhor Atriz: Zezita Matos por “Remoinho

Melhor Ator: André Morais por “Pranto”

Melhor Fotografia: Igor Pontini por “A Profundidade da Areia

Melhor Edição: Bruna Barros e Bruna Castro por “À Beira do Planeta Mainha Soprou a Gente”

Melhor Trilha Sonora: João Simas, Thierry Castelo, Jales Carvalho, Viviane Vazzi, Pedro e André Lucap por “Rasga Mortalha

Melhor Direção de Arte: Raul Luna por “Rasga Mortalha

Melhor Figurino: O Júri não atribuiu prêmio de Figurino

Melhor Curta segundo o júri popular: Recôncavo, de Pedro Henrique Chaves

Menções Honrosas

Elenco de “A Profundidade da Areia

Filme “Mãtãnãg – A Encantada”, de Shawara Maxakali e Charles Bicalho


MOSTRA SOB O CÉU NORDESTINO DE LONGAS-METRAGENS

Melhor Filme + R$ 5mil – “King Kong en Asunción“, de Camilo Cavalcante

Melhor direção – Camilo Cavalcante, por “King Kong en Asunción

Roteiro – Camilo Cavalcante, por “King Kong en Asunción

Atriz – Rejane Arruda, por “As Órbitas da Água

Ator – Antonio Saboia, por “As Órbitas da Água

Fotografia – Camilo Soares, por “King Kong en Asunción

Edição – Petrus Cariry e Firmino Holanda, por “A Jangada de Welles

Desenho de Som – João Martins e Juliana Gurgel, por “Swingueira

Trilha sonora – Shaman Herrera, por “King Kong en Asunción

Direção de Arte – Helder Nóbrega, por “Aponta pra Fé – Ou Todas as Músicas da Minha Vida

Figurino – Luján Riquelme, Lia González e Paulo Ricardo, por “King Kong en Asunción

Melhor longa Sob o Céu Nordestino segundo o júri popular: “King Kong en Asunción“, de Camilo Cavalcante


MOSTRA SOB O CÉU NORDESTINO DE CURTAS-METRAGENS

Melhor curta + R$ 3 mil – “Remoinho“, de Tiago A. Neves

Melhor direção – Tiago A. Neves , por “Remoinho

Roteiro – Eduardo Varandas Araruna, por “Cura-me”

Atriz – Ingrid Trigueiro, por “Cura-me”

Ator – André Morais, por “Pranto”

Fotografia – Tiago A. Neves, por “Reinado Imaginário”

Melhor edição – João Paulo Palitot, por “Makinaria”

Desenho de Som – Edson Lemos, por “Pranto”

Melhor trilha sonora – Paulo Ramon, por “A Pontualidade dos Tubarões

Melhor direção de arte – Ju Escorel, por “Pranto”

Figurino – JR Nessim, por “E Agora Você?”

Melhor curta Sob o Céu Nordestino segundo o Júri Popular – “Makinaria”, de Igor Tadeu


PRÊMIO JÚRI ABRACCINE

Codinome Clemente

O Júri da Abraccine, formando por Marcelo Milici, Suzana Uchôa Itiberê e Bertrand Lira, concede o prêmio ao curta-metragem A Profundidade da Areia, de Hugo Reis, do Espírito Santo, pela abordagem fantástica de um tema urgente, com significativo trabalho de som e ousadia narrativa.

O vencedor do prêmio de melhor longa-metragem é “Codinome Clemente“, de Isa Albuquerque, do Rio de Janeiro, pelo resgate de um personagem ímpar que abraçou a luta armada em um dos momentos mais tenebrosos da história recente do Brasil.

Melhor Longa: “Codinome Clemente“, de Isa Albuquerque

Melhor Curta: “A Profundidade da Areia“, de Hugo Reis

PRÊMIO LABORATÓRIO ARUANDA/ENERGISA DE PROJETOS – SUSANNA LIRA

Primeiro Lugar + R$ 2 mil – Anna Diniz – projeto: “Feminicídio na Paraíba”

Segundo Lugar – Maycon de Carvalho Sousa – projeto: “Fósseis”

Terceiro Lugar – Bruna Dias e Carine Fiúza – projeto: “Um Oceano Inteiro”


Prêmio Mistika – Serviços de produção em serviços de conformação,
correção de cor, finalização, aplicação de letreiros, masterização
de DCP e arquivos digitais – validade por 1 ano.

20 mil – Melhor Longa Nacional e Melhor Longa Sob a Mostra Nordestino

5 mil – Melhor Curta Nacional e Melhor Curta Sob a Mostra Nordestina


Mostra TV Universitária – júri formado pela produtora Lucia Caus, jornalista Ana Lúcia Medeiros e professor da UFPB Alberto Ricardo Pessoa.

Documentário – “Em Palcos Televisivos”, de Fabiano Diniz – TV UFPB

Reportagem – O júri considerou que os trabalhos não atingiram a pontuação necessária para a premiação.

Programa de TV – Entremeios, de Danielle Huebra – TV UFPB

Interprograma – Conheça a história do eclipse que colocou o Brasil no centro da ciência mundial, de Ruth Andrade – TVU Rio Grande do Norte.

Prêmios paraibanos

Video clipe – Terezinha, Banda Permeia/Lyric Vídeo – Ingsson Vasconcelos e Poet, Banda Sky Boon/Lyric Vídeo – Yuri da Costa.

Tcc – Urbano Sertão, João Victor Torres.


OS HOMENAGEADOS

Pela contribuição como diretor de fotografia ao audiovisual paraibano, João Carlos Beltrão foi o primeiro homenageado da noite. Ele lembrou que viu o festival nascer e que já recebeu um troféu anteriormente pelo trabalho de direção de fotografia no filme “Enraizados”, e agora como homenageado. “Quero agradecer a todos que confiaram em mim para entregar a câmera e luz para contar sua história”, comentou.

Helena Solberg, a segunda homenageada da noite foi agraciada pelo conjunto da obra como cineasta, produtora e roteirista. Ela lembrou que também integrou o júri do Festival e pode assistir uma série de filmes e discutir as mudanças que ocorrem na linguagem. “Acho que o festival traz oportunidade para discussão. Homenagem é também é momento para reflexão e não só sobre o passado, mas também sobre o futuro, sobre os filmes que queremos fazer”, alegou.

Vânia Perazzo, homenageada pelo conjunto da obra e pioneirismo no cinema paraibano, falou da importância da UFPB na formação de realizadores de audiovisual e apontou a participação feminina. “Desejo que mais mulheres encarem essa profissão que durante muito tempo foi exclusiva dos homens. Lutemos pelo nosso cinema, pois um país sem cinema é como uma casa sem espelho”, completou.

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