
Tudo Sobre os 30 Anos do Festival Cine-PE 2026
O Festival do Audiovisual que acontece em Recife, um dos mais tradicionais do Brasil, completa três décadas em grande estilo e com homenagem à atriz Cláudia Abreu e à produtora Gullane
Por Francisco Carbone
Esse não é exatamente mais um ano como outro qualquer para o Cine PE – Festival do Audiovisual. Um dos festivais mais tradicionais do país completa 30 anos em 2026, e a data histórica vai proporcionar um evento preparado (mais uma vez) com a competência e o carinho reforçados. A cargo de Sandra Bertini e Alfredo Bertini, o festival tem nesse ano especial uma carga de responsabilidade ao comemorar três décadas de atividade ininterrupta e a missão de ser o um dos mais antigos festivais do Nordeste. “O Cine PE sempre foi mais que um festival, e sim um espaço de encontro, formação de público, além da valorização do nosso cinema”, afirma Alfredo. A data coincide com o processo de reconhecimento do festival como Patrimônio Cultural Imaterial.
Em momento de celebração, o festival pensou em uma homenageada equivalente à data: Cláudia Abreu, uma das grandes atrizes de sua geração, ganhará a Calunga Dourada justamente ao completar 40 anos de carreira. Formada no Tablado, Cláudia é uma das mais premiadas atrizes do país, admirada por sua entrega apaixonada, talento sobrenatural e carisma inatacável. “Celebrar nossos 30 anos com ela no posto de grande homenageada é reconhecer uma artista que atravessa gerações com talento e consistência”, define Sandra.
A partir do dia 1º de junho até 07 de junho, o público presente confere uma das mais aguardadas seleções recentes do festival pernambucano, mais uma vez com curadoria de Edu Fernandes e Carissa Vieira. Durante uma semana, o espectador será confrontado com grande parte dos filmes mais esperados da temporada, incluindo o aclamado “A Fabulosa Máquina do Tempo“, filme que fez sua estreia no Brasil na competição do Festival É Tudo Verdade. Grande parte da seleção, incluindo o documentário de Eliza Capai, parte da fantasia (de gênero ou não) para costurar suas narrativas.
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Entre os convidados já confirmados, além de Abreu, teremos Taís Araújo, Caco Ciocler, Carolina Kasting e Marat Descartes. Taís e Marat representam o filme de abertura da competição, “Doutor Monstro”, um dos mais esperados filmes do festival, que conta uma terrível história real e é dirigido por Marcos Jorge, de “Estômago”. Ciocler virá como representante de “Resta Um”, thriller dirigido por Fernando Ceylão em sua estreia como cineasta. Kasting fará parte do júri da edição em grupo que ainda será totalmente anunciado.
Esse ano, o Cine PE – Festival do Audiovisual conta com uma caraterística curiosa entre os longas que se credenciaram para a competição. Conforme já adiantado, os títulos parecem contemplar o cinema de gênero de diferentes formas, desde um documentário de tendências fantásticas, até um suspense de eventos verídicos, um horror social, uma ficção científica distópica, e buscas por mistérios sem solução. É uma das mais instigantes seleções recentes do festival, com um punhado de filmes que nos suscitam curiosidade imediata.
Entre os curtas-metragistas, ao menos dois autores chamam atenção. O estreante Douglas Henrique carrega o seu “Os Arcos Dourados de Olinda“ para mais uma tentativa de conseguir amealhar um novo punhado de prêmios, depois do É Tudo Verdade e do Panorama Coisa de Cinema. Já Fábio Rogério, parceiro contumaz de Jean-Claude Bernardet e vencedor da competição 2025 da Mostra de Tiradentes, com “Um Minuto é uma Eternidade para quem está Sofrendo“, chega no Cine PE com “Um Certo Cinema Brasileiro”, um mapeamento do cinema erótico no país em tempos de ditadura.
Uma homenagem também à produtora Gullane, dos irmãos Caio e Fabiano, é aguardada para o último dia do evento, que celebra igualmente os mesmos 30 anos para a produtora, com a mesma idade do Cine PE. Responsável por filmes como “Carandiru”, “O Ano em que Meus Pais saíram de Férias”, “Bicho de Sete Cabeças”, “Viajo porque Preciso, Volto porque Te Amo”, entre outros, esse será um momento de celebração para o cinema brasileiro como um todo.
O Vertentes do Cinema cobrirá o festival, então não percam os textos desses títulos por aqui. Abaixo, a competição.

MOSTRA COMPETITIVA | LONGAS-METRAGENS
A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai (RJ)
Buenosaires, de Tuca Siqueira (PE)
Doutor Monstro, de Marcos Jorge (PR/SP)
Mapas, de Rafael Lobo (DF)
Onde Estamos Seguros, de Thais Scabio e Gilberto Caetano (SP)
Resta Um, de Fernando Ceylão (RJ)
MOSTRA COMPETITIVA | CURTAS-METRAGENS NACIONAIS
A Ascensão da Cigarra, de Ana Clara Ribeiro (RO)
Da Aldeia à Universidade, de Leandro de Alcântara e Túlio de Melo (TO)
João-de-Barro, de Daniel Jaber e Lu Damasceno (MG)
Mercado Central, de Tássia Dhur (MA)
O Véu, de Gabriel Motta (RS)
Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique (PE)
Punhal, de Clementino Júnior (RJ)
TV Entreaberta, de Mateus Compart (MG)
Um Certo Cinema Brasileiro, de Fábio Rogério (SE)
Via Sacra, de João Campos (DF)
MOSTRA COMPETITIVA | CURTAS-METRAGENS PERNAMBUCANOS
A Física dos Invisíveis, de Camilo Soares
Magritte, de Tom Nogueira
Medo Monstro, de Andrew Gledson e Eduardo Padrão
Os Ursos e Nós, de Maria Acselrad
Salam, de Bruna Tavares
Velha Roupa Colorida, de Pedro Fillipe



