
Tudo Sobre o Festival de Cinema de Vitória 2026
Capital do Espírito Santo apresenta 33 anos de um dos eventos audiovisuais mais importantes da Região Sudeste, de 18 e 25 de julho, trazendo 100 títulos gratuitos ao público
Por Francisco Carbone
Essa é a segunda vez que vou a um festival pela primeira vez esse ano. Após a adorável experiência na CineOP mês passado, o Festival de Cinema de Vitória me recebe. finalmente. Não era por falta de vontade de ambas as partes, mas sempre algum empecilho contribuía para a não-concretização; agora, em menos de 24h aqui, já quero que o evento faça parte do meu calendário obrigatório. Primeiro porque Lucia Caus, a diretora do festival, é uma das figuras mais carismáticas e carinhosas da nossa indústria, e segundo porque o evento já de cara deixa claro o que mais me fascina em determinadas mostras: o carinho que é dispensado a cada detalhe. Incluindo nós mesmos, profissionais de imprensa que fazemos parte de uma grande família.
O Festival de Vitória não é simples nem pequeno – são 33 anos movimentando uma cidade e acreditando no cinema brasileiro enquanto força movimentadora da cultura, do debate e do pensamento coletivo. Suas marcas registradas de curadoria são uma prova exata da seriedade e do comprometimento envolvidos, e a edição desse ano tem pontos altos em todas as sessões que se propôs; é um recorte impressionante do que está acontecendo esse ano no país, e em quais discussões se pretende criar raízes. O mergulho na seleção não tem como ser outra coisa que não intenso, e profundo.
São cerca de 100 títulos à disposição de maneira gratuita para o espectador, com 7 longas e 80 curtas em competição, partindo para uma curadoria ousada, com títulos inéditos misturados com outros já testados (e aprovados) antes, com sabor de risco. Essa é a marca de um festival que eu já acompanhava de longe e agora terei o prazer de estar bem próximo, para observar essa vontade de ousadia que permite que realizações tão cheias de camadas sejam colocadas à disposição da validação de crítica, júri e público.
Esse ano, os dois homenageados não poderiam fazer mais sentido em um grande festival. Na seara nacional, Camila Morgado é o nome a ser celebrado, em sua carreira de cinema de mais de 20 anos já, e alguns imensos sucessos na carreira. Afinal, a estreia de Morgado foi com o marcante “Olga”, filme de Jayme Monjardim adaptado da obra de Fernando Morais e que foi um dos maiores sucessos da primeira década do século. Do lado capixaba, Rodrigo Aragão pega o troféu de destaque. Diretor seminal para o horror no cinema brasileiro, é dele “Mar Negro”, “Mata Negra“, “Prédio Vazio“, entre muitos outros trabalhos dentro do gênero como profissional de efeitos práticos e maquiagem; uma das figuras icônicas de uma fatia cada vez mais relevante do mercado. Ou seja, dois nomes imensos que merecem cada reconhecimento.
Entre os longas metragens, os destaques antecipados ficam por conta do belo “A Fabulosa Máquina do Tempo“, de Eliza Capai e um dos mais premiados filmes de 2026; “Virtuosas”, intrigante proposta de Cíntia Domitt Bittar para oxigenar o cinema de gênero; “As Florestas da Noite“, filme-poema paulistano de Priscyla Bettim e Renato Coelho que desbrava a noite da maior metrópole do país. São filmes nada comportados em uma seleção que aposta no risco, deixando o público em estado permanente de incerteza – e fascínio.
Entre os curtas metragens, muitas alegrias também nos esperam, como os já premiados “Fronteriza” de Nay Mendl e Rosa Caldeira; o delicado e divertido “A Tragédia da Lobo-Guará” de Kimberly Palermo; o esfuziante “Samba Infinito“, com a qual Leonardo Martinelli continua sua ascendente trajetória no cinema brasileiro; “Mercado Central“, onde Tássia Dhur revela um pedaço potente de seu Maranhão; “Tião Personal Dancer”, em que Aristótelis Tothi revela um novo olhar para a cena queer. São 15 curtas na mostra competitiva nacional, que formam um mosaico promissor para o futuro da cinematografia brasileira.
Além das mostras tradicionais, o Festival de Vitória conta com outras 8 sessões de curtas metragens dedicados a temas específicos, que vão desde a construção da negritude, às políticas LGBTQIAPN+, o olhar de autoria feminino, o cinema de gênero, e assim contemplam recortes outros do cinema brasileiro que, muitas vezes, são pouco valorizados dentro das estruturas de festivais. Cada um conta com curadorias particulares que olham para esses movimentos com interesse e com tato aguçado.
“O cinema brasileiro vive um momento de grande efervescência criativa e a seleção de 2026 do festival reflete exatamente isso. Diante de milhares de inscrições, com obras tão interessantes, nossas mostras traduzem a pluralidade de olhares das realizadoras e dos realizadores brasileiros. O resultado é uma programação gratuita e imperdível, repleta de longas, curtas e videoclipes com narrativas instigantes para emocionar o público”, afirma Lucia Caus. Ou seja, podemos sim esperar que o arrojo proveniente da nosso cinematografia hoje estará em peso representado nos próximos 8 dias.
Entre os dias 18 e 25 de julho, o cinema brasileiro tem endereço de debate e de exibição para ampliar nossa relação com um dos cenários mais proveitosos do que já produzimos. O Festival de Cinema de Vitória é mais um importante braço para a difusão do que nossa arte vem sendo capaz de produzir e promover.
CONFIRA A SEGUIR A LISTA COMPLETA DOS FILMES QUE COMPÕEM A EDIÇÃO 33 DO FESTIVAL DE CINEMA DE VITÓRIA 2026

30ª MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL DE CURTAS
A Pele do Ouro (Marcela Ulhoa, Yare Perdomo, DOC, RR, 14’)
A Tragédia da Lobo-Guará (Kimberly Palermo, ANI, RJ, 18’)
Ajude os Menor (Janderson Felipe, Lucas Litrento, FIC, AL, 15’)
Assalto (PH Martins, FIC, ES, 16’)
Espírito São – O Lugar de Toda Fé (Matheus Costa, Breno Chamon, DOC, ES, 14’)
Floresta do Fim do Mundo (Denilson Baniwa, Felipe M. Bragança, FIC, RJ, 25’)
Fronteriza (Nay Mendl, Rosa Caldeira, FIC, PR, 20’)
Irmã (Anderson Bardot, FIC, ES, 25’)
Mercado Central (Tássia Dhur, FIC, MA, 16’)
Morfeu e Caronte (Luiz Ulian, Jocimar Dias Jr., FIC, RJ 13’)
O Que Faço Com Isso Agora que Acabou? (Julia Uliana, Natália Dornelas, FIC, ES, 14’)
Pequeno London (Victor Di Marco, Márcio Picoli, FIC, RS, 15’)
Samba Infinito (Leonardo Martinelli, FIC, RJ, 15’)
Tião Personal Dancer (Aristótelis Tothi, FIC, GO, 23’)
Um Rio Não É (Yurie Yaginuma, Amanda Miranda, DOC, ES, 18’)
16ª MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL DE LONGAS
A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywarete (Wera Djekupe, DOC, ES, 75’)
A Fabulosa Máquina do Tempo (Eliza Capai, DOC, RJ, 72’)
As Florestas da Noite (Priscyla Bettim e Renato Coelho, FIC, SP, 76’)
Babaçu Love (Cícero Filho, FIC, PI, 125’)
Entre o Sucesso e a Lama (Cristiano Burlan, DOC, SP, 86’)
Malaika (André Morais, FIC, PB, 85’)
Virtuosas (Cíntia Domit Bittar, FIC, SC, 86’)

16ª MOSTRA QUATRO ESTAÇÕES
Boi de Salto (Tássia Araújo, FIC, PI, 15’)
Marimbã Está Acontecendo (Maryn Marynho, ANI, CE, 15’)
Noites Proibidas (Júlio Cesar, DOC, ES, 18’)
Picumã (Sladká Meduza, FIC, SP, 19’)
Ricardo (Gino Batidão, EXP, PE, 18’)
15ª MOSTRA FOCO CAPIXABA
Cinema, Poema e Gangrena (Gustavo Guilherme da Conceição, DOC, ES, 20’)
Liberdade de Morar (Penha Souza, DOC, ES, 21′)
Salve, Rainha (Estevão Ribeiro, Fábio Carvalho, FIC, ES, 18’)
Superfície (Carolina Campista, FIC, ES, 11’)
15ª MOSTRA CORSÁRIA
Depois Levanta Vôo ou Abisma-se (Marcus Neves, Aline Dias, GEXS, EXP, ES, 15’)
Diálogo Bulbul (Bruno Churuska, Gledson Augusto, Nicole Mendes, Yan Altino, Zimá Domingos, EXP, RJ, 7’)
Filme-Copacabana (Sofia Leão, DOC, RJ, 12’)
Trivakra (Sofia Angst, EXP, RJ, 10’)
Vim e Irei Como Uma Profecia (Fábio Rogério, DOC, SE, 15’)
13ª MOSTRA OUTROS OLHARES
A Hora Dourada (Juane Vaillant, FIC, ES, 19’)
Caldeirão (Bruno Fernandes, DOC, RN, 14’)
Confluência dos Olhos D’Água (Keila-Sankofa, DOC, AM, 13’)
Eloísa Joga (Yuri Rodrigues, Taís Melo, DOC, SP, 18’)
Grão (Gianluca Cozza, Leonardo da Rosa, FIC, RS, 24’)
Kika Não Foi Convidada (Juraci Júnior, FIC, RO, 15’)
Ludmilla (Vini Moreira, FIC, DF, 15’)
Memória de Pivete (Pedro Santi, FIC, SP, 16’)
Os Arcos Dourados de Olinda (Douglas Henrique, DOC, PE, 24’)
Pra Morrer Basta Estar Vivo (Francisco Xavier, FIC, ES, 16’)

11ª MOSTRA MULHERES NO CINEMA
Batata Frita na Chuva (Ninah Nogino, EXP, RJ, 10’)
Lactação (Fernanda Taddei, EXP, SP, 17’)
Maira Porongyta – O Aviso do Céu (Kujãesage Kaiabi, FIC, MT, 20’)
Nadar em Aquários (Mariana Corrêa, FIC, SP, 18’)
Núbia (Barbara Bello, EXP, MG, 12’)
11ª MOSTRA CINEMA E NEGRITUDE
Às Compras (Luiz Guilherme Assis, FIC, RJ, 14’)
Dentro do Meu Peito Mora um Cão (Gabriel Afonso, FIC, MG, 24’)
Encantos para Omo e Iyá (Antonio Balbino, FIC, DF, 15’)
Faça Uma Pose (Alek Lean, EXP, RJ, 5’)
O Pai da Rainha de Angola (Rodrigo França, FIC, SP, 12’)
10ª MOSTRA NACIONAL DE VIDEOCLIPES
A Posse é um Fato (Murilo Munìí, Mar Fagundes. Artista: Murilo Munìí; RS)
A Presa (Tommaso Bellone, Julio Camelo. Artista: Big River; ES)
Astro Rei (Gabriel Uchida, Talita Gusmão. Artista: Gabriê; RO)
Até (Victorhugo Amorim, Taciano Faccini, Gabrielle Nalli. Artista: Ronnie Silveira; ES)
Cana Queimada de Desejos (Ricardo Sékula, Sávio Sabiá. Artista: Sávio Sabiá; PE)
Cocô do Recado (Clara Campos, Bianca Bomfim. Artista: Christine Valença & Caetana; PE)
Distância (Daniel Bones. Artista: Laika no Espaço; ES)
Epopeia de uma Vida Feliz (Douglas Barros. Artista: Douglas Barros; SE)
Filtro (Rayan Casagrande, Vinicius Caus. Artista: Inseton; ES)
Fino Prazer (Tati Rabelo. Artista: Eloá Puri; ES)
Herança (Keila-Sankofa. Artista: Keila-Sankofa; AM)
Histórias Periféricas (Priscila Neres. Artista: Priscila Neres; SE)
Monalisa (Lucas Sá. Artista: Frimes; MA)
Paladar (André Castro Neto, Sthelô. Artista: Sthelô; BA)
Planeta Marte (João Vitor Linhares, Zéca Vieira. Artista: Cesar Soares ; RJ)
Quase Te Esqueci (Raquel Pinheiro. Artista: Julia Branco; MG)
Sozinho numa bike pra 2 (Carlo De Cásula. Artista: CASU; ES)
Telaviva (Rafael Sandim. Artista: Nobat; ES)
Tô Ligando Pra Nada (Enzo Rodrigues. Artista: Jessica Roberts; ES)
Vida Que Segue (João Wainer. Artista: Dexter; SP)
9ª MOSTRA NACIONAL DE CINEMA AMBIENTAL
Bijupirá (Eduardo Boccaletti, FIC, BA, 14′)
Concreto (Sheila Rodrigues, Andresa Amaral, ANI, MG, 7′)
Thayara (Mila Leão, DOC, PR, 13′)
Um Planeta no Sul do Mundo (Lucas Furtado, DOC, RS, 15′)
Umassuma – Lascas de Memórias (Andrei Miralha, Guaracy Britto Jr., ANI, PA, 7’)
Valor é Tempo (Lucas Barros de Souza, Mayara Perinni de Aguiar, Victor Costa de Almeida DOC, ES, 4′)
8ª MOSTRA DO OUTRO LADO – CINEMA FANTÁSTICO
Cordão de Prata (Getulio Ribeiro FIC, RJ, 23’)
Poronga (Rafael Rogante, FIC, RO, 16’)
Sob Olhos (Gabriel Nadippeh, FIC, ES, 15’)
Stregoneria (Gian Orsini, FIC, PB, 17’)
Ybi (Elisa Telles e Begê Muniz, FIC, AM, 16’)



