Alma no Olho

Revista da Semana | 07 de outubro de 2021

Estreias e Dicas desta quinta-feira no Vertentes do Cinema

Por Redação

Para! Chega! Não se aguenta mais! É assim que o editor deste site chega ao fim de um dia de trabalho (que se estende até a madrugada). Parece até redundante dizer que toda a produção atual é pautada pela pressa, que gera a frustração do não fim completado e que desemboca em uma exaustão culpada em querer um pouco mais. Mais um dose, como o vício. No início, desafiar os limites soava uma “aventura”, mas depois mergulhamos em um túnel cumprido demais e sem nenhum vislumbre de luz. Sim, tudo isso é um novo mundo. Um novo formato. Uma nova dinâmica. Que pincelou doses homeopáticas para em pouquíssimo tempo potencializar a chuva e a explosão de um vulcão. É, estamos em erupção. O ditado popular “tudo que é demais, enjoa” pode e deve ser usado como uma luva aqui. Nós estamos cansados, esgotados, exaustos, porque tentamos, em vão, entender todo esse sadismo temporal de “inventar moda demais”. Vivemos um paradoxo. Uma metáfora invertida. O ficar em casa perdeu o conceito de tédio. De ócio criativo. De se deixar levar pelos pensamentos. Não é porque “termos tempo” que temos que “gastar todo o tempo”.

Nós do Vertentes do Cinema sofremos o mal hipster do momento: um burnout latente que chega a criar blecautes. Uma sensação que faz que percamos toda motivação. Será que tudo é importante? Às vezes (confessamos), esperamos que um “cometa tecnológico” destrua toda a internet do Planeta Terra. Sim, só às vezes. Mais nos últimos minutos da madrugada em que não “aguentamos mais”. No momento, festivais de cinema atravessam uns nos outros. Cada um perde assim sua identidade e principalmente os rituais. Sim, tudo é perdido pela banalização. Pelo discurso de democratização. De expansão das possibilidades. Peraí um momento, mas o dia só tem 24 horas e por estudos recentes o mundo moderno perdeu 5 horas do próprio dia. Olhamos agora a janela de nosso bunker e reparamos que as luzes dos apartamentos vizinhos permanecem acesas até bem tarde. E como faz para pensar, processar e articular textos (ensaios e críticas) em menos de uma hora? Que culpa é essa de que estamos perdendo tempo? Que ansiedade é essa que aumenta em nosso peito a ponto de nos travar?

Não. Para o trem que queremos descer. Não queremos compactuar com essa insanidade. Com essa vida líquida, casual, vazia e sem sentido. Não desejamos isso a nosso futuro. Ah tá, isso é progresso, alguns dirão. Então, está decidido. Não aceitamos. Pediremos agora o desprogresso. O editorial da semana da Revista do Vertentes do Cinema é um desabafo. Um pedido cúmplice de socorro. Um suplício a todos e todas para que parem. Chega! Não aguentamos mais. Não queremos mais brincar. Não desceremos mais para o play. É como se todo propósito de viver não existisse mais. É por isso que o Setembro Amarelo deveria ser o ano inteiro, junto com o Outubro Rosa. A partir de agora, nosso site buscará uma alternativa saudável. Um guia possível. Um estímulo à reflexão. Outro paradoxo. Sim, sabemos. Tudo porque não podemos parar. Não agora. Mas sonhamos. Não custa nada.


SESSÃO CURTAS

TUDO SOBRE A MOSTRA VERTENTES DA MEMÓRIA NA RECINE 2021

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Recine 2021 Mostra Vertentes da Memoria


TUDO SOBRE O FESTIVAL OLHAR DE CINEMA 2021

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Mirador


BALANÇO GERAL DA MOSTRA CINEBH 2021

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CineBH 2021


ACOMPANHE NOSSA COBERTURA DA RECINE 2021

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Recine 2021


EM CASA

Dau Natasha

DAU. NATASHA

(DAU. Natasha, 2020, Rússia. Ucrânia, Alemanha, 138 minutos, de Ilya KhrzhanovskiyJekaterina Oertel) CRÍTICA AQUI

Natasha trabalha na cantina de um instituto de pesquisa soviético secreto. Ela bebe muito, gosta de falar de amor e cede a investidas de um cientista estrangeiro. A segurança do Estado, através do diretor do instituto, intervém. O principal financiador do Projeto DAU foi Serguei Adoniev, engenheiro que ficou bilionário na transição da URSS para a Rússia capitalista nos anos 90 e passou a dedicar-se a iniciativas socioculturais. Adoniev naturalizou-se búlgaro, mas perdeu a cidadania em 2018 por problemas anteriores com os norte-americanos, ainda nos anos 90, aparentemente ligados a comércio internacional e tráfico de cocaína: em 2008, uma foto em cerimônia na sua empresa de telecomunicações flagrou Putin junto ao filantropo. Disponível na plataforma digital RESERVA IMOVISION.

Vil, Ma

VIL, MÁ

(2020, Brasil, 86 minutos, de Gustavo Vinagre) CRÍTICA AQUI

Wilma Azevedo é uma escritora de contos eróticos e dominatrix de 74 anos. Mas ela é também Edivina Ribeiro, jornalista, mãe de 3 filhos, religiosa e esposa dedicada. Qual delas criou a outra? Seleção oficial na Berlinale e no Queer Lisboa. “Vil, Má” constrói um visual barroco de quartos de motel cotidianos. E quanto mais ouvimos, mais o filme se torna humano. O que a “Mestre” conta a seu “servo” diretor evoca a problematização social dos preconceitos machistas de “outras épocas”, como a “objetivação do corpo”. Mas tudo também pode ser apenas um texto e/ou um roteiro, talvez por ter sido sido escrito há “trinta anos”. Talvez porque quem “conta aumenta um ponto”, que dependendo do querer pode mudar completamente intenções e direcionamentos. Disponível na plataforma digital MUBI.

Joker

CORINGA

(Joker, 2019, Estados Unidos, 121 minutos, de Todd Phillips) CRÍTICA AQUI

Arthur Fleck faz bicos como palhaço em portas de loja e ações em hospitais e mora com sua mãe em um apartamento modesto em uma Gotham em crise. Faz acompanhamento com uma assistente social para tratar um distúrbio que provoca crises de riso agudas nas mais diversas situações. Ao ficar desempregado e cansado das constantes humilhações por qual passa, ele assume sua condição de pária da sociedade e passa a tomar atitudes por conta própria, sem se preocupar com julgamentos. Disponível na plataforma digital TELECINE.

Force Majeure

FORÇA MAIOR

(Force Majeure, 2014, Suécia, 118 minutos, de Ruben Östlund) CRÍTICA AQUI

Uma família sueca passa as férias nos Alpes para esquiar. Eles ouvem um estrondo, que poderia ser um alerta de avalanche. Mas o pai não acredita na possibilidade de perigo. Enquanto comem, são surpreendidos pela avalanche. O pai reage com covardia, o que fará com que ele seja perseguido pelos seus erros até o fim de sua vida. A narrativa opta pela estrutura realista, com planos sequências e ou cortes “expandidos”, reflexivos, existencialistas, de câmera estática (ora subjetiva), inferindo em muito o cinema do sueco Roy Andersson, porém sem o elemento característico do surrealismo e sim com a personificação dos detalhes cotidianos, como engrenagens de uma estação de esqui. Disponível na plataforma digital NOW.

Груз 200

CARGO 200

(Груз 200, 2007, Rússia, 89 minutos, de Aleksei Balabanov) CRÍTICA AQUI

Uma jovem é feita refém por um policial que enlouqueceu. A lista de traços e signos expostas no filme é cruel, não importa se Balabanov pensou ou não dessa maneira: mas é o que se depreende dos personagens e situações de “Cargo 200”, que espantou espectadores e exibidores, chocou críticos à esquerda e à direita – e levou o prêmio de melhor filme em 2007 da associação de historiadores e críticos de cinema, de Moscou. Está tudo ali: o enredo é uma extrema interseção de frivolidades e sadismos, de metafísica e violência, religião e ateísmo. Ou ainda: uma interseção de Dostoievski e Faulkner, dois autores da predileção do diretor. Disponível na plataforma digital MUBI.

Lamento

LAMENTO

(2019, Brasil, 110 minutos, de Diego Lopes e Claudio Bitencourt) CRÍTICA AQUI

Sem perspectiva de uma vida melhor e no seu limite emocional, Elder enfrenta o período mais difícil de sua vida e as sérias consequências de suas decisões. Que sobrevive no limite de seus lutos não superados. Vivendo pesar, violência e mágoa diante de infortúnios. Por mais que “Lamento” esqueça às vezes do público (sua maestria – de desconstrução criativa não pautada no julgamento do que a audiência quer), ainda assim, sua narrativa refugia-se em gatilhos comuns e reviravoltas facilitadoras, potencializando em tela a característica mais incômoda e autodestrutiva do cinema brasileiro: a obrigação de ter que ser explícito. De mitigar toda e qualquer sutileza e/ou sugestão. Disponível na plataforma digital NOW.

O Paradoxo da Democracia

O PARADOXO DA DEMOCRACIA

(2019, Brasil, 73 minutos, de Belisário França) CRÍTICA AQUI

O documentário tenta um debate que vá além das crises nas democracias espalhadas pelo mundo, desde os Estados Unidos até o Egito, passando por Ucrânia e o próprio Brasil. Em comum, a insatisfação com a política tradicional que levou milhões de pessoas às ruas e em muitos casos deram lugares a governo pautados no autoritarismo. Se a “autoajuda coletiva se chama política”, como um dos especialistas diz, a nossa saída teria que vir através dela. Será que estamos também dispostos a dialogar com o “outro”? Será que algum dia estivemos? A construção dos sistemas políticos modernos e contemporâneos parece ter sua base mais sólida em uma fundação da diferença e, não em uma fundação da igualdade. Disponível na plataforma digital NOW.

VER MAIS

Em Casa

ALUGUE NO STREAMING

O Bom Doutor

O BOM DOUTOR

(Docteur ?, 2019, França, 89 minutos, de Tristan SéguélaCRÍTICA AQUI

Na véspera de Natal, Serge é o único médico em serviço. Acidentalmente, ele dá um mau jeito nas costas e fica impossibilitado de fazer as consultas de urgência. Sem nenhum colega disponível para substituí-lo, é obrigado a pedir ajuda a um entregador da Uber Eats, que terá de assumir o papel de médico. Esta será a noite de Natal mais longa das suas vidas. A filosofia do “perene” encontrou o terreno mais fértil para estruturar e relativizar algumas imagens e ideologias, claro, um reflexo da fragilidade europeia diante do rolo compressor internacional imperialista. Disponível para aluguel nas plataformas digitais NOW e BELAS ARTES À LA CARTE.


CABÍRIA FESTIVAL – MULHERES E AUDIOVISUAL 2021

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Cabiria Festival 2021

FILMES IMPERDÍVEIS

Limiar

LIMIAR

(2020, Brasil, 73 minutos, de Coraci Ruiz) CRÍTICA AQUI

“Limiar” é um documentário autobiográfico realizado por uma mãe que acompanha a transição de gênero de seu filho adolescente: entre 2016 e 2019 ela o entrevista abordando os conflitos, certezas e incertezas que o perpassam numa busca profunda por sua identidade. Ao mesmo tempo a mãe, revelada por meio de uma narração em primeira pessoa e por sua voz que conversa com o filho por detrás da câmera, passa ela também por um processo de transformação que a obriga a romper velhos paradigmas, enfrentar medos e desmantelar preconceitos.

Pela Janela

PELA JANELA

(2017, Brasil, Argentina, 87 minutos, de Caroline Leone) CRÍTICA AQUI

Rosália (Magali Biff) é uma dedicada operária de 65 anos que dedicou a vida ao trabalho em um fábrica de reatores da periferia de São Paulo. Certo dia acaba demitida e é consolada pelo irmão José (Cacá Amaral), com quem vive. Ele resolve levá-la em uma viagem de carro até Buenos Aires com o objetivo de distraí-la e no país vizinho Rosália vê pela primeira vez um mundo desconhecido e distante de sua vida cotidiana.

Vamos fazer um brinde

VAMOS FAZER UM BRINDE

(2011, Brasil, 70 minutos, Cavi Borges e Sabrina Rosa) CRÍTICA AQUI

Numa noite de reveillon amigos se reencontram para brindar suas histórias. Susana (Cíntia Rosa) curte a gravidez, mas está insegura com a relação. Dinho (Fabrício Santiago) protege sua melhor amiga, Heloísa (Roberta Rodrigues), ainda às turras com o namorado. Sara (Roberta Santiago) tenta curar as dores do rompimento com Laura (Keruse Bongiolo). Vera (Juliana Alves) está apaixonada e tenta se mostrar adulta paa sua mãe, dona Irene (Ana Miranda).

Voltei!

VOLTEI!

(2021, Brasil, 77 minutos, de Glenda Nicácio e Ary Rosa) CRÍTICA AQUI

Brasil, 2030. As irmãs Alayr e Sabrina estão ouvindo no radinho de pilha o julgamento que pode mudar os rumos de um país “sem energia”. Elas são surpreendidas por Fátima, a irmã que volta dos mortos para confraternizar nessa noite histórica. Há diversos méritos formais presentes em “Voltei!” sua quebra de narrativa para determinadas falas e/ou respostas, demarcando uma estrutura dramática com mais veemência, quase visceral. A maturidade do enquadramento, que não cede ao corte fácil, mas compreende os momentos de impacto para se postar em projeção, um repertório múltiplo de como criar uma representação sólida diante de uma realidade tão similar.


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