Mel

Sempre a sociedade...

Por Fabricio Duque

Durante o Festival do Rio 2013

“Mel”, filme da diretora estreante, a atriz Valeria Golino, exibido na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes 2013, e no Festival do Rio, é um filme sobre moralidade social: a eutanásia como “profissão” técnica e sistemática. A “distorção da realidade” é visto pelo olho cru e distante da protagonista, que age sem culpa (“escolhendo a morte”) e com a crença de “ajudar sendo um deus” (pais católicos). Ela “oferece” covardia a quem não tem. O longa-metragem apresenta leveza como “A Vida dos Peixes”, pela fotografia (sépia saturada ao brilho) e pela câmera.

Constrói-se em “Mel” uma trama econômica, sem pressa, mas também sem lentidão, quase como um acompanhamento documental do dia-a-dia de um indivíduo e suas ações cotidianas. Trocando em miúdos, há equilíbrio narrativo que critica a sociedade atual e seus limites, conjugada com a música que une perfeitamente som (tipo “Air”) e imagem (elegante e simétrica). A “androgenia sexy” (e masculinizada) da personagem mitiga o julgamento por achar “ajuda porque são doentes terminais”. A naturalidade de sentir pena questiona a hipocrisia. Quem está com a razão? “A idiotice contemporânea não conhece limites”, diz-se entre quinquilharias, memórias, mudanças pragmáticas, “Hannibal” e Cate Blanchet.

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