The Answer to Forever
Lágrimas compulsórias
Por Francisco Carbone
Assistido presencialmente durante o Festival Goitacá de Cinema 2026
O último filme internacional da competição do Festival Goitacá de Cinema recebeu um grande grupo de jovens alunos em sua sessão. Foi interessante acompanhar o filme através desse grupo de estudantes, que responderam ao filme de maneira imediata. Tratava-se de “The Answer to Forever”, um drama familiar asiático de caráter popular, cuja assimilação se dá por qualquer espectador; talvez isso justifique ter sido ele o escolhido para essa interseção do festival com o ensino. Todos se afetaram pela história da pequena criança adotada por um casal amoroso, que por conta de uma aparente crise de claustrofobia, precisa passar um tempo com a avó que acabou de conhecer. A partir do encontro entre esses dois mundos de idades muito afastadas, vamos acompanhar a relação entre elas.
Dirigido por Zheng Yunchang, “The Answer to Forever” é um drama delicado de emoções contidas, e talvez justamente por isso o público responda com tanto envolvimento. No momento onde a febre dos ‘doramas’ já alcançou o Brasil e o séquito de fãs desse tipo de material audiovisual só se expande, não é de se estranhar uma trama miúda alcançar efervescência emocional indiscriminada. A simplicidade de situações é clara pelo roteiro, que não tenta elaborar algo de paladar denso como iguaria; tudo que o filme propõe já foi testado e aprovado antecipadamente, e o conforto geral se aplaca com a pureza dos sentimentos em tela. Avó e neta se descobrem juntas e passam a dividir da mesma vontade de ficar juntas, apesar das limitações que essa diferença de idade impõe.
Na fonte dos elementos apresentados, a empatia é o que se sobressai em “The Answer to Forever” quando esses dois destinos se aproximam em estágios opostos. É o excesso de vida de uma que contrabalança com os derradeiros momentos de outra, ainda que a energia delas esteja em caminhos opostos: Jiaying é uma criança melancólica, enquanto sua avó é uma figura que explode em energia. Intercalando essas duas presenças, o filme de Yunchang fornece a quem o assiste exatamente o que se imagina. As doses esperadas de diversão, singeleza e emoção vem certeiras, e a sessão em Goitacá foi visivelmente catártica para o espectador, pelo que foi ouvido durante e após.
Existe no entanto essa sugestão forte para marcação conhecida do drama, que inclui a trilha sonora, a beleza simples dos sentimentos entre as personagens e a própria natureza dos eventos. Todas as setas estão colocadas na intenção de produzir exatamente o que se imagina, e quando isso é tão perceptível (ainda que sutil; contraditório, não?), acredito que a naturalidade que é tão procurada pelo filme, desaparece. Nessa toada contraditória, “The Answer to Forever” segue até o final, sendo que em determinado momento, todo o fôlego parece não existir mais; a montagem estica as ações além da conta e, de chinês, o filme começa a ganhar ares de novelas indianas, em seu excesso de câmera lenta.
Ao lembrar do filme (e mesmo durante a sessão), a sensação no entanto é de que estamos diante de uma obra mais tocante do que ela na verdade é. Vejam só, existe uma vovozinha adorável, uma netinha fofa toda vida, a vizinha amiga cheia de humor, um viveiro de pombos onde as personagens demonstram todo o afeto do mundo, tem doença para atormentar e uma relação verdadeiramente carinhosa sendo desenvolvida. Tudo isso é tão evidente na nossa frente, que, pelo menos comigo, “The Answer to Forever” se revelou estéril, em eterna tentativa de tocar, que em determinado momento, começo a encarar com indiferença e uma vontade enorme somente de que cessasse.
A experiência em torno de “The Answer to Forever” é toda multifacetada, apesar do que narro. Porque o elenco é bastante coerente e coeso, o filme não nos agride de maneira ordinária, existe uma verdadeira sensação de conforto no que é contado. O único problema é que tão explícita que são as tentativas de alcançar o que se quer, que mesmo de maneira limpa o filme soa gratuito – e falso, em algum grau. Logo, sair da sessão frustrado por não alcançar o que tocou tanta gente (e ao mesmo tempo se perguntar porque as pessoas se deixaram levar pelas sensações mais óbvias possíveis), é mais um sintoma de que, ainda que pretendido, os resultados do que está pronto não são satisfatórios.




