
O que está acontecendo na Mostra CineOP 2026
Confira tudo sobre a abertura da Mostra de Cinema de Ouro Preto que chega a sua 21a edição
por Francisco Carbone
O primeiro dia da 21a. edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto é sempre o mais cansativo de todos. É uma viagem longa, que começa com acordar muito cedo e cruzar até o interior de Minas Gerais até encontrar essa cidade – linda, diga-se. É reencontrar amigos queridos, e se preparar para uma maratona que inclui preparar uma quantidade de textos que não tem prazo para terminar. Nada disso, no entanto, entra no terreno da reclamação, pelo contrário: é com muito prazer que conheço mais um festival, e começo os trabalhos que me dão tanto prazer de realizar.
E a noite de abertura de uma produção agigantada como as que são oferecidas pela Universo Produção geralmente incluem lágrimas de emoção, entre quem o faz e entre quem assiste também. Essa ano, a proposta de homenagear Helena Solberg não poderia ter sido mais acertada; uma das nossas mais importantes e pioneiras de seu ofício acaba de completar 88 anos em plena atividade. A diretora de “Vida de Menina” mantém acesa sua vontade de entregar novos trabalhos – inclusive, um novo filme acaba de ser rodado, já anunciado pela mesma – com a garra de quem vive há 60 anos de arte cinematográfica.
A cerimônia foi aberta pela performance de um grupo de jovens que mostraram o surgimento da luz após as trevas pregressas à Criação, com isso também servindo para metaforizar exatamente nossa ligação com o Cinema e com sua criação. Com o bom gosto habitual às aberturas da Universo Produção, esse ano não podemos cogitar falta de envolvimento emocional com o que foi exibido. As ideias eram de fácil assimilação, e o espectador conseguiu conversar com toda a estrutura do jogo cênico. O resultado foi emocionante e igualmente bonito, com a estética tendo um espaço que não era apenas uma base de apresentação.
A presença de Raquel Hallak no discurso inicial sempre é um momento onde não se pretende prender a emoção, porque já sabemos que festivais estão sempre em luta para manter sua estrutura e seus resultados. Pois não foi diferente, inclusive onde Hallak mais uma vez nem tenta esconder que esse é um momento liberado para essa sensação de dever cumprido, com a ideia de conexão entre espectador, imprensa, profissionais e direção irmanados na vontade de repetir os acertos e erradicar qualquer tipo de deslize.
A bela homenagem a Helena Solberg foi então o ápice da noite. Diretora de obras definitivas do nosso cinema como “A Entrevista”, “Meio Dia“ e “Carmen Miranda: Bananas is my Business”, Solberg prepara um filme novo com a mesma garra e o mesmo ímpeto de acertar. Na frente do microfone, reafirmou seu compromisso com a arte e com o cinema brasileiro, em particular. Ali, tivemos a certeza de que a CineOP 2026 estava apenas começando, e a ansiedade de querer ver mais dos 135 filmes desse ano. Não è toa, o conceito de maratona se aplica aqui – e dispostos a tentar sair daqui com o máximo de aprendizados sobre cultura, preservação, resgate e restauro que forem possíveis.




