Fim de Festa

Editorial da Semana | 05 de março de 2020

Estreias e Dicas desta quinta-feira

Por Redação

Os vencedores do Festival de Berlim 2020 foram anunciados, finalmente – encerrando nossa cobertura in loco do evento. Aqui no Vertentes do Cinema muito material foi produzido e tudo está listado em nosso especial. No Brasil, são DOZE estreias na semana. Fica difícil para escolher? A gente te ajuda com as críticas de todas as produções que chegam no circuito.

ESTREIAS

Dois Irmãos

A mais recente produção da Disney-Pixar, “DOIS IRMÃOS: UMA JORNADA FANTÁSTICA”, exibido na Mostra Especial do Festival de Berlim 2020, automaticamente faz com que sejamos remetidos aos trabalhos ultra-realistas da artista plástica australiana Patricia Piccinini e sua exposição “Comciência”, que aconteceu no CCBB do Rio de Janeiro há alguns anos. A artista lida com nossa reação de estranhamento, ao mesmo tempo incômodo e sedutor, desencadeando uma repulsa visual diante de esquisitas criaturas fantásticas e imaginárias, deformadas e ou mutantes. E ao confrontar, consegue aflorar uma empatia ao humanizar estes seres, desestruturando a opinião já segmentada da “normalidade”. Leia a crítica completa AQUI!

Fim de Festa

FIM DE FESTA” é uma revolução transcendental ao potencializar nossas falhas e incompatibilidades. É um sistema retroalimentado de migalhas, orgulhos, violências e carências. Como humanos sendo essencialmente humanos, mas pretendendo a transmutação utópica da forma-filosofia de máquinas irracionais. Aqui é um filme de passional catarse ideológica, de luta anárquica e de crença urgente, quase praticamente um artefato de um poeta maldito, que flecha palavras para se impulsionar ao limite da emoção, com visceral escatologia verborrágica, com a entrega de felicidade amadora de um “carnaval em corpo todo e toda a alma”, em danças “bicha”. “O cuspe virou sangue e a gente ali tomando”, diz-se entre “lembranças do meio do caminho”. Leia a crítica completa AQUI!

Jexi

JEXI: UM CELULAR SEM FILTRO” adiciona a essa vida pregressa de Phil a angustiante ocupação profissional de conceber listas caça-cliques de um site parecido com o BuzzFeed. Uma ambientação rápida que foge do superficial, permitindo a Devine ser o “garoto bobo”, uma espécie de irmão mais velho de Freddie Prinze Jr. (e só quem brincava com o jogo da cobrinha vai se lembrar). De forma ligeira, o roteiro faz a devida comparação da dependência do aparelho celular com o vício em drogas e nos apresenta a personagem-título: uma espirituosa assistente virtual, que, claro, transformará a vida de Phil em um inferno. Leia a crítica completa AQUI!

O Melhor está por Vir

O MELHOR ESTÁ POR VIR” funciona como uma válvula para um universo cinematográfico que procura no cotidiano as histórias mais nobres. Essa fórmula para alguns pode parecer chata, mas para quem busca um cinema mais verborrágico pode ser um deleite. Ainda que muitas emoções soem baratas, a centralidade em torno dos dois atores principais e suas relações com o mundo triunfa. Leia a crítica completa AQUI!

Fotografação

É aí que o diretor decide trilhar outro caminho para FOTOGRAFAÇÃO”. Com uma pesquisa de arquivo muito bem feita nos acervos do Instituto Moreira Salles, Instituto Pierre Verger e Instituto de Estudos Brasileiros da USP e contando com um time de especialistas de peso, como Boris Kossoy, Maureen Bisilliat, Milton Guran, Matia Turazzi e Joaquim Marçal, Escorel se vê seduzido à contar a história da fotografia no país. Leia a crítica completa AQUI!

Meio Irmão

Há em “MEIO IRMÃO” uma construção imagética permeada por uma temática muito parecida com as produções da Filmes de Plástico, sopro de esperança de um audiovisual brasileiro passível de comungar com o grande público parte dos objetos urgentes que fazem os realizadores da nossa nação insistirem em acreditar na cultura. Tirando os momentos iniciais do longa-metragem, onde a cineasta insiste em abordar a protagonista Sandra (Natália Molina) por enquadramentos altos, a distribuição dos planos se pautam pela linearidade. Leia a crítica completa AQUI!

Seberg contra Todos

SEBERG CONTRA TODOS“, exibido fora da competição do Festival de Veneza 2019, tem o poder de atrair espectadores com diversos tipos de interesses, porém não consegue entregar um material de destaque para nenhum deles. Para os fãs da nouvelle vague, atraídos pelos primeiros segundos do trailer, é melhor tirar correndo o cavalo da chuva torrencial de boas propostas desperdiçadas pelo roteiro de Joe Shrapnel e Anna Waterhous, inspirado na biografia da atriz Jean Seberg. Leia a crítica completa AQUI!

Inaudito

“O universo é como uma plantinha que cresce, cresce, até alcançar o léu”. Em determinado momento no entanto, apesar das soluções poéticas serem de bom gosto e não tão óbvias (como a dos quadros, e as tintas que mesclam branco, vermelho e azul – que se traveste de mar) e da articulação de Gordin ser sempre interessante e chamativa, “INAUDITO” de 85 minutos parece dar sinais de repetição. Não cansaço nem queda de ritmo, mas fica a impressão de que cada novo depoimento dele e de cada nova sequência são uma nova ênfase em algo que já foi provado e verbalizado antes. Uma cena em particular deixa essa questão clara, quando Gordin e um rapaz negro tem uma espécie de gracioso duelo vocal numa escadaria, que se estende imensamente sem acrescentar nenhum novo detalhe considerável; apenas a cena não acaba. Aliás, talvez exatamente por isso, o filme pareça se encerrar por algumas vezes (inclusive nessa cena, que nunca é ruim, só extensa) e esse fim ainda demore sempre mais um pouco para chegar, nos levando a pensar que se talvez numa outra categoria de metragem não estivéssemos de frente de um filme excepcional. Leia a crítica completa AQUI!

Blitz FIlme

Neste último quesito o filme consegue ser consciente em trabalhar de maneira a elevar o destaque constante de Evandro Mesquita, assim como na época, para que haja uma compreensão maior dessa refrega que se instalou no grupo. Um desconforto causado majoritariamente pelo ego que a indústria maneja para que haja uma individualização dos talentos e uma exploração direta de uma imagem única, já que a segregação facilita o controle desse meio econômico.  Sem expor as mazelas desse sistema que já corrompeu algumas bandas ao longo da história, BLITZ – O FILME se prende ao básico, mantém uma estrutura padrão de documentários que narram a trajetória de um grupo ou personalidade, evita determinadas polêmicas, adentra demais em fofocas desnecessárias, mas é capaz de divertir em situações isoladas. Leia a crítica completa AQUI

Ainda Temos a Imensidão da Noite

Refletir sobre os fundamentos e motivações dos personagens de “AINDA TEMOS A IMENSIDÃO DA NOITE” é um exercício promissor no primeiro momento. Nutrirá simpatia por Karen aqueles que comungam do entendimento de que há quase uma condição de sobrevivência que nos leva a criar sonhos paralelos que fatalmente se chocarão com a dura e intensa realidade. Sua crise identitária, que faz com que ganhe força o sentimento de deslocamento, é o mesmo pelo qual passa o tipo de música que ela costuma tocar. Leia a crítica completa AQUI!

 

Vou Nadar ate voce

É compreendido que haja uma preocupação com a estética de VOU NADAR ATÉ VOCÊ, que antes tinha o título de Rio Santos, uma vez que a história gira todo em torno de personagens fotógrafos, mas acaba que esse cuidado de mostrar belas imagens atrapalha o ritmo do filme. Há uma poesia bonita no filme sim e quase que relacionada em sua totalidade às imagens e efeitos utilizados, como no uso do foco e de uma lente que proporciona imagens quase de pintura, mas a história em si acaba perdendo força. Leia a crítica completa AQUI!

Cem Quilos de Estrelas

Através de nossas relações, sofremos, mas é só nela que de fato existimos e, junto, nos alegramos e encontramos alguma redenção. 100 QUILOS DE ESTRELAS“. utiliza da mesma premissa metafórica espacial e de sensações, porém por outro caminho. Aqui, a liberdade e o prazer, pelo menos até os últimos momentos do filme, só é encontrada em espaços vazios e abertos. Leia a crítica completa AQUI!

CURTA-METRAGEM DA SEMANA

The Big Swallow

Não se deixe enganar pela aparente simplicidade, esse é um dos curtas-metragens mais impressionantes dos primeiros anos da arte cinematográfica. Um exercício de construção e montagem que surpreendente até hoje, passado mais de um século. Assista AQUI!

FESTIVAL DE BERLIM 2020 | COBERTURA COMPLETA

(confira no link da foto)

Berlinale 70

FESTIVAL DE BERLIM 2020 | OS VENCEDORES

(confira no link da foto)

There Is no Evil Berlinale

ARTIGO | OS FILMES NÃO REALIZADOS DE ALEJANDRO JODOROWSKI

(confira no link da foto)

Jodorowsky

Editorial da Semana | 05 de março de 2020

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