Tudo sobre o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro 2021

54o festival de brasília do cinema brasileiro

Tudo sobre o 54º Festival de Brasília

Festival mais tradicional do país ocorre em meio a debate sobre o futuro do cinema e o cinema do futuro

Por Ciro Araujo

Estará acontecendo entre os dias 7 a 14 de dezembro, o 54º Festival de Brasília, o mais longevo do país. Em formato totalmente remoto, o evento se realizará através de tanto o Canal Brasil – e, por consequência, o streaming da plataforma Globosat+ Canais ao Vivo – quanto pelo Canal InnSaei.TV (Para acessar, clique AQUI).

Serão 49 filmes, escolhidos sob a curadoria do cineasta Silvio Tendler e da professora Tânia Montoro. O eixo – e, tema – do festival será uma discussão sobre o futuro do cinema e o cinema do futuro, isto é, o que resta a ele nesse meio tempo pós-pandêmico? Como é o futuro para aqueles que preferem se refugiar longe dos shopping?

Alice dos Anjos
Cena do filme “Alice dos Anjos”, que concorre pela Mostra Nacional de Longa-metragens

Para o filme de abertura, o novo filme de Ana Maria Magalhães, “Já que Ninguém Me Tira para Dançar”, um uso de arquivo de remasterizações da atriz Leila Diniz. Na competição principal da casa, a que fez do Festival a sua fama como sinal de resistência, a Mostra Competitiva Nacional de Longa-metragens teve em sua seleção seis obras de estados diferentes do país. Bahia, Goiás, DF, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais são as regiões contempladas. “De Onde Viemos, Para Onde Vamos”, um documentário sobre o povo Iny, na Ilha do Bananal. “Alice dos Anjos”, uma releitura da clássica fábula misturando com Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire. “Saudade do Futuro”, estreia da diretora Anna Azevedo, uma ligação da cultura da saudade entre nações lusófonas.

Na seleção de curtas, são doze filmes que capturam desde o uso de novas (e polêmicas) tecnologias econômicas, como os NFTs, em “N.F. Trade” até o retrato da Ocupação 9 de Julho, em “Ocupagem”. O premiado recentemente pelo Cine Ceará, Chão de Fábrica também estará na competição.

Noctiluzes
Cena do filme “Noctiluzes”, de Jimi Figueiredo e Sérgio Sartório, da Mostra Brasília.

Já para a Mostra Brasília, que possui foco na região do Distrito Federal e entorno, o filme “Catadores de História” re-estréia na abertura da seleção. Trata-se do cotidiano do maior “lixão a céu aberto da América Latina”, pouco mais de dezoito quilômetros de distância do Palácio do Planalto. Na categoria de longas, quatro filmes representam Brasília: “Noctiluzes”, uma premissa parecida com Noite na Taverna, de Álvares de Azevedo; “Acaso”, uma road-trip na principal avenida da cidade, a W3; “Advento de Maria”, sobre a transição de uma menina transgênero no DF; “O Mestre da Cena”, sobre a vida e a obra de Gê Martu.

Os curtas escolhidos para a seleção local são oito, entre eles “Filhos da Periferia”, que também concorre na Mostra Nacional. “Tempo de Derruba”, retratando a ocupação e expulsão do CCBB e da Escola do Cerrado que aconteceu em plena pandemia pelo governo do Distrito Federal.

Para a Mostra Sessentinha, uma escolha quase óbvia para representar Brasília. Filmes que tenham a temática da década que foi período marcante para a cidade e que ainda é análise tão obsessiva para a população local. Entre os destaques, “O País de São Sarué”, que ganhou uma fama mítica pela censura imposta na época e a demora tardia para poder ser exibido no que era conhecido como um Festival de resistência. “W3 Sul: Memória Coletiva”, uma boa companhia para o longa-metragem “Acaso”, selecionado na Mostra Brasília. Questões e poéticas urbanas são quase uma centralidade para a cidade.

O País de São Sarué
Cena do filme “O País de São Sarué”, que compõe a Mostra Sessentinha. Filme original foi lançado anos depois da conclusão no festival.

Ainda pelo Festival de Brasília, a Mostra Memórias e Linguagens, correlacionando tanto o passado quanto o atual, e o chamado Festivalzinho, uma seleção de obras que possuem foco no infantil. Nela, encerrando, haverá uma exibição do indicado ao Oscar, O Menino e o Mundo, de Alê Abreu.

Ainda haverão as oficinas de praxe, com profissionais do mercado, e masterclass com cineastas já consolidados: Costa-Gravas, Ruy Guerra, Amos Gitai e Helena Solberg fazem o corpo selecionado, via Zoom. Debates e seminários também completam a necessidade de diálogo em um Festival tão tradicional como o de Brasília. Chris Marker, por exemplo, não será esquecido em seu centenário, contando com um painel em sua homenagem.


CONFIRA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA

á que ninguém me tira pra dançar

7 DE DEZEMBRO

MOSTRA NACIONAL

Filme de Abertura

Já que ninguém me tira pra dançar (2021, Ana Maria Magalhães)

Competição de curta-metragem

Terra Nova (2021, Diego Bauer)

Ocupagem (2021, Joel Pizzini)

MOSTRA BRASÍLIA

Filme de Abertura

Catadores de História (2016, Tânia Quaresma)

MOSTRA SESSENTINHA

O País de São Saruê (1971, Vladimir Carvalho)

Outros filmes ficarão até 12/12 disponíveis para exibição na plataforma InnSaei.TV

FESTIVALZINHO

Os filmes estarão disponíveis entre 7 de dezembro (a partir de 20h) e 14 de dezembro (até às 23h59).


8 DE DEZEMBRO

MOSTRA NACIONAL

Competição de longa-metragem

Alice dos Anjos (2021, Daniel Leite Almeida)

Competição de curta-metragem

Chão de Fábrica (2021, Nina Kopko)

MOSTRA BRASÍLIA

Competição de longa-metragem

O Mestre da Cena (2019, João Inácio)

Competição de curta-metragem

Tinhosa (2021, Rafael Cardim Bernardes)

Tempos de Derruba (2021, Gabriela Daldegan)

Filhos da Periferia (2021, Arthur Gonzaga)

SEMINÁRIOS E AMBIENTES DE MERCADO

CONNE – A expressão da diversidade audiovisual brasileira

O olhar feminino: estéticas, distopias e hibridações no cinema brasileiro feito por mulheres

Cinema industrial em um universo multifacetado

MASTERCLASS

O Desafio da Memória, com Costa-Gavras


9 DE DEZEMBRO

MOSTRA NACIONAL

Competição de longa-metragem

Lavra (2021, Lucas Bambozzi)

Competição de curta-metragem

Filhos da Periferia (2021, Arthur Gonzaga)

Deus Me Livre (2021, Carlos Henrique de Oliveira e Luis Ansorena)

Adão, Eva e o Fruto Proibido (2021, R.B. Lima)

MOSTRA BRASÍLIA

Competição de longa-metragem

Acaso (2021, Luis Jungmann Girafa)

Competição de curta-metragem

Cavalo Marinho (2021, Gustavo Serrate)

SEMINÁRIOS E AMBIENTES DE MERCADO

Centenário de Chris Marker, com Robert Grelier

Cinema na primeira pessoa: quebradas, indígenas e quilombolas

Games, VR e outras realidades

MASTERCLASS

Um artista completo, com Ruy Guerra


10 DE DEZEMBRO

MOSTRA NACIONAL

Competição de longa-metragem

Acaso (2021, Luis Jungmann Girafa)

Competição de curta-metragem

Como Respirar Fora D’Água (2021, Júlia Fávero e Victoria Negreiros)

Cantareira (2021, Rodrigo Ribeyro)

MOSTRA BRASÍLIA

Competição de longa-metragem

Noctiluzes (2021, Jimi Figueiredo e Sérgio Sartório)

Competição de curta-metragem

Ele tem Saudade (2021, João Campos)

Benevolentes (2021, Thiago Nunes)

SEMINÁRIOS E AMBIENTES DE MERCADO

A importância dos Cineclubes na Era Digital

Homenagem a Adrian Cowell – 50 anos de Cinema na Amazônia

O cinema no futuro próximo

MASTERCLASS

Arquiteto da Memória, com Amos Gitai

Ela e eu
Cena do filme “Ela e Eu” de Gustavo Rosa de Moura. O filme concorre pela Mostra Nacional de Longa-metragens

11 DE DEZEMBRO

MOSTRA NACIONAL

Competição de longa-metragem

Ela e Eu (2020, Gustavo Rosa de Moura)

Competição de curta-metragem

N.F. Trade (2021, Thiago Foresti)

Sayonara (2021, Chris Tex)

MOSTRA BRASÍLIA

Competição de longa-metragem

Advento de Maria (2020, Vinicius Machado)

Competição de curta-metragem

Vírus (2020, Larissa Mauro e Joy Ballard)

A Casa do Caminho (2021, Renan Montenegro)

FESTIVALZINHO

Aventuras com Tio Maneco (1971, Flavio Migliaccio)

SEMINÁRIOS E AMBIENTES DE MERCADO

Cinema Híbrido

Arte híbrida: quando o cinema encontra o teatro

Cinema, outras artes e linguagens

Os mercados e os festivais para o cinema brasileiro

MASTERCLASS

Meu primeiro filme: Uma conversa com Helena Solberg


12 DE DEZEMBRO

MOSTRA NACIONAL

Competição de longa-metragem

De Onde Viemos, Para Onde Vamos (2021, Rochane Torres)

Competição de curta-metragem

Era Uma Vez… Uma Princesa (2021, Lisiane Cohen)

Da Boca da Noite à Barra do Dia (2021, Tiago Delácio)

FESTIVALZINHO

O Menino e o Mundo (2013, Alê Abreu)

SEMINÁRIOS E AMBIENTES DE MERCADO

Cinema Andarilho

50 anos do filme O País de São Saruê (1971), de Vladimir Carvalho – 20 anos da restauração do filme pelo CPCB


13 DE DEZEMBRO

MOSTRA NACIONAL

Competição de longa-metragem

Saudade do Futuro (2021, Anna Azevedo)

Filme de Encerramento

Abdzé Wede´Õ – Vírus não tem cura? (2021, Divino Xavante)

SEMINÁRIOS E AMBIENTES DE MERCADO

Cinema e Conhecimento

As perspectivas do circuito de festivais no Brasil e no exterior

14 DE DEZEMBRO

CERIMÔNIA DE ENCERRAMENTO


SERVIÇO

54ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (FBCB)

de 7 a 14 de dezembro

online e gratuito

via plataforma InnSaei.TV e Canal Brasil (apenas longas da Mostra Nacional, diariamente, às 23h30)

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