
Tudo Sobre o Festival CineOP 2026
A 21ª edição da Mostra de Cinema de Ouro Preto traz 135 filmes em 6 dias de programação intensa com o Cinema Patrimônio: Preservação, História e Educação
Por Francisco Carbone
135 filmes. Serão 135 filmes! Isso se chama maratona. E quem conseguirá assisti-los todos? Prestes a embarcar na 21ª CineOP, os números impressionam antes mesmo dos títulos. Além dos mais de 100 títulos, serão 18 estados contemplados em pré-estreias temáticas e competitivas. O tema desse ano, “Como Elas Começaram? Memórias do Primeiro Filme”, e isso serve para prestar homenagem a Helena Solberg, que terá sua carreira revisitada em obras como “Carmen Miranda: Bananas is my Business”, “A Entrevista” e “Meio Dia” – os dois últimos farão parte da noite de abertura do evento. Ao mesmo tempo, esse tema revisitará muitas trajetórias e discussões, sendo palco de debates durante toda a edição.
Será a minha primeira vez em Ouro Preto, tanto no que concerne conhecer a cidade, como participar do único festival da Universo Produção que eu ainda não tinha estado presente. Existe, obviamente, uma excitação pelo novo e pelo lugar que o próprio Cine PE representa, que é essa manutenção da História do cinema, do resgate da memória e da preservação enquanto mote e interesse. É um festival que acredito ocupe um lugar diferenciado dentro do circuito por tratar-se de uma ideia de colocação diferente de grande parte do que é feito no país. Esse também é um recorte que tenho interesse em me aprofundar, e observar de maneira próxima.
Além disso, a CineOP hoje mostra que um espaço foi criado, ainda que tenha demorado 20 anos (desde a sua criação) para que tal debate público aconteça: a necessidade de observar e tratar da restauração, do resgate histórico e da vontade de debater o cânone. Nos últimos anos, um grande número de títulos vem mostrar a restauração como além de um trabalho que se encerra no minuto final do reparo, mas as estreias de tais filmes, as novas rodas de conversa que surgem daí, o interesse internacional ṕor esses resgates, e o lugar no circuito exibidor de tais obras, mostram um novo e propício cenário para a atividade.
A curadoria do evento fica a cargo de Cleber Eduardo e Juliana Gusman, entre os longas, e Camila Vieira e Rubens Fabrício Anzolin, para os curtas. Os olhares dos quatro definem uma régua alta para o cinema brasileiro de cada ano, além de pautar entre os clássicos, seus verdadeiros achados para debate. O festival contará com filmes esperados, como o premiado “Anistia 79“, de Anita Leandro (que estará no júri da mostra competitiva), um olhar para diversos ídolos da música – como “As Dores do Mundo – Hyldon”, de Emílio Domingos, e “Fernanda Abreu: Da Lata 30 Anos” de Paulo Severo – e uma competição de longas muito eclética em formatos, dispositivos, o que mostra o caráter múltiplo de nossa filmografia.
A temática do ano nos permite também observar os primeiros longas de diversas diretoras do cinema brasileiro, como Ana Carolina (“Mar de Rosas”), Lucia Murat (“Que Bom Te Ver Viva”), Vera de Figueiredo (“Feminino Plural”), Tata Amaral (“Um Céu de Estrelas”) e Viviane Ferreira (“Um Dia com Jerusa“).
Entre as obras preservadas, talvez a mais emblemática para a CineOP 2026 seja “O Ébrio”, de Gilda Abreu, restaurado em cópia 4K justamente em seu aniversário de 80 anos. O filme é uma das maiores bilheterias da história do cinema brasileiro e sua exibição e ressignificação coloca Abreu no devido lugar, o de pioneira no nosso cinema e representante feminina exemplar desses primeiros anos de nosso lugar no audiovisual. Junto ao filme, “Vento Norte” de Salomão Scliar é uma das obras seminais e que serão observadas no evento, além de “Jangada de Ir e Vir” e Marcus Vale e “A Luta do Povo”, de Renato Tapajós, filmes respectivamente de 1951, 1977 e 1980.
Outro momento que promete emocionar a CineOP 2026 é a pré-estreia de “Os Irmãos Segreto“, de Michele Manzolini e Federico Ferrone, uma co-produção Brasil e Itália, que recupera a trajetória dos irmãos italianos pioneiros no cinema brasileiro. A sessão contará com a presença de seus diretores, que estarão no evento para o debate posterior e apresentação desse documento a respeito do trio Pasquale, Alfonso e Gaetano que trouxeram para o Brasil do final do século 19 uma indústria de entretenimento completamente nova, e se tornaram os primeiros produtores cinematográficos do país.
O festival ainda contará com a pré estreia nacional da cópia restaurada de outro dos maiores sucessos de bilheteria de nosso cinema, e que reestreia exatamente dessa forma no circuito daqui a um mês: “Xica da Silva”, de Cacá Diegues, filme que nos revelou o mito Zezé Motta e que está pronto para ter seus polêmicos debates de representação de gênero e étnico colocados de novo em cima da mesa.
Durante os próximos dias 25 a 30 de junho, o Vertentes do Cinema trará essas e muitas outras discussões em textos para um novo olhar na direção de obras novas e restauradas do nosso cinema, na cidade histórica de Ouro Preto, para mais uma edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, dedicada à educação, resgate e preservação do nosso cinema e nossa memória.
CONFIRA A SEGUIR A LISTA DOS FILMES DAS MOSTRAS COMPETITIVAS – LONGAS E CURTAS-METRAGENS

LONGAS-METRAGENS
Apopcalipse Segundo Baby (Rafael Saar, RJ)
Irritante Prodígio (Luiza Lindner, SC/SP)
Notas Sobre um Desterro (Gustavo Castro, PR)
Proust Palimpsesto: Pastiches e Misturas (Carlos Adriano, SP)
Universo Circular: Jocy de Oliveira (Dácio Pinheiro, SP)
CURTAS-METRAGENS
Cinzenta: Inventários da Chaminé, de Natália Reis (MG)
Defloradas, de Luísa Reis (RJ)
Duwid Tuminkiz: Makunaima é Duwid?, de Gustavo Caboco Wapichana (PR/RR)
Entrevista com Fantasmas, de Lincoln Péricles (LK) (SP/RS)
Eunice Gutman Tem Histórias, de Lucas Vasconcellos (RJ)
Habitar o Tempo, de Cristiana Grumbach (RJ)
Helena! Cinema!, de Cavi Borges e Christian Caselli (RJ)
Kariri, Silêncio Estrondoso, de Yasmin Ariadne (CE)
Ouro de Tolo Remix, de Gabriel Afonso (MG)
Sem Título # 11: Um Analecto à Mula, de Carlos Adriano (SP)
Seu Camargo, de Felipe Locca e Vinicius Campos (SP)
Soldado sem Sono, de Rafael de Almeida (GO)
Terceira Montanha, de Tetsuya Maruyama (RJ/EUA/França)
Um Certo Cinema Brasileiro, de Fábio Rogério (SE)
Voltamos a Apresentar: O Popular Gil Gomes, de Ariel Serrão e Tainá Lima (SP)



