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Tudo Sobre “Deus e o Diabo na Terra do Sol” no Rio de Janeiro

Deus e o Diabo na terra do so

Tudo Sobre a chegada de “Deus e o Diabo na Terra do Sol” no Rio de Janeiro

Longa-metragem de Glauber Rocha ganha restauração em 4K e tem pré-estreia especial em terras cariocas

Por Fabricio Duque

“Mais fortes são os poderes do povo”, o último diálogo de “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (leia aqui nossa crítica) ecoou com força no Festival de Cannes de 1964, filme indicado ao Grande Prêmio (Grand Prix, antes da criação do nome Palma de Ouro), junto inclusive com outro brasileiro, “Vidas Secas”, de Nelson Pereira dos Santos. Seu realizador baiano, Glauber Rocha, estava sentado na cerimônia de premiação ao lado do francês Jean-Luc Godard, que por sua vez acabou gerando outra obra conjunta: “Vento do Leste” e outro diálogo “É preciso estar atento e forte, não temos medo de temer a morte”. Mas essas são águas para outros carnavais. Voltando a esse festival icônico,  que também selecionou “Ganga Zumba”, de Carlos Digues, na mostra paralela Semana da Crítica, e que contou com o cineasta alemão Fritz Lang como presidente do júri, o longa-metragem brasileiro, entre os 25 filmes da competição oficial, alcançou o mar internacional ao projetar o sertão, mas quem levou as gotas douradas foi “Os Guarda-Chuvas do Amor”, de Jacques Demy.

Em 2022, cinquenta e oito anos depois, “Deus e Diabo na Terra do Sol” retorna ao mesmo Festival de Cannes, na Mostra Cannes Classics, em versão restaurada em 4K. E mais uma vez, o diálogo do início deste texto reverberou de forma catártica na sessão da sala Buñuel, repleta de brasileiros, ávidos pela chance de recuperar a nostalgia e pela oportunidade de reencontrar a potência político-social de uma obra que não se define como datada. No final da exibição, o que mais se ouvia era: “Como o filme é atual, que pena!”, este lamento dito de forma positiva à carga dramática que permanece e negativa, porque desde lá, nós não conseguimos mudar nosso tom narrativo de existências humanas e dignas. Parece mesmo que cada vez “Deus e Diabo na Terra do Sol” soa mais real do que se é.

O projeto da restauração (“ambicioso, porém desafiador”, nas palavras de Guilherme Lobão) surgiu em 2019 numa parceria de Lino Meireles (diretor do documentário “Candango – Memórias do Festival” – que aqui assume a função de produtor) com Paloma Rocha (a diretora), filha de Glauber Rocha, que mantém com unhas de ferro o acervo do pai. E para completar a trilogia, Luis Abramo (que dirigiu “Antena da Raça”), o diretor de fotografia. ““Deus e Diabo na Terra do Sol” é o filme mais conhecido do cinema brasileiro. Nos Estados Unidos, esse filme é “Cidadão Kane”, de Orson Welles, e na França, “Acossado”, de Godard. Para mim, esse é o filme que estabelece o Cinema Novo. Antes dele, o movimento era muito preso ao neorrealismo italiano. Assisti quando tinha vinte anos e consegui tirar essa mensagem libertária do filme. Foi aquela coisa de descobrir na arte que a gente precisa depender de si mesmo”, disse Lino Meireles.

Deus e o Diabo na terra do sol

E assim, após nadar pelo mundo e por cinematecas, como a brasileira, por exemplo, “Deus e Diabo na Terra do Sol” desemboca no Rio de Janeiro. A pré-estreia carioca acontecerá às 20:00 no Estação Net Botafogo, dia 07 de setembro, dia da Independência do Brasil, data mais que sugestiva e metafórica. O fogo e a figuração política quebraram o maniqueísmo polarizado de um forma tão viral, que os produtores do evento Fabricio Duque, Cavi Borges e Adriana Rattes foram obrigados a abrir uma nova data de exibição, no dia seguinte. Pois é, durante os quase treze anos do Vertentes do Cinema (sim, esta exibição também se configura como parte das comemorações de aniversário do site, neste mês de setembro, que antes apenas amarelo, mas agora também vermelho e colorido), nossos vertenteiros e vertenteiras falaram muito de Glauber Rocha (leia aqui nossa matéria especial “Uma Proposta de Brasil”) e sobre a importância desse social que sobrevive pela estética contextual do olhar.

A noite abre com o curta-metragem Carta para Glauber, de Gregory Baltz (@gregorybaltz), e com um bate-papo entre Cavi Borges (@caviborges_oficial), Adriana Rattes (@adrirattes) diretora do Grupo Estação, o crítico de cinema Fabricio Duque (@fabricioduque_critico), a equipe de restauração do filme: o produtor Lino Meireles (@olinomeireles), a diretora Paloma Rocha (@antena_da_raca), o diretor de fotografia Luis Abramo (@luis_abramo); o ator do filme Othon Bastos (@othonbastosoficial), e o assistente de direção do filme Walter Lima Junior (@walterlima.junior). Após a sessão, João Gurgel (@joao.gurgel.artista) e Marina Lutfi (@marina.lutfi), filhos de Sérgio Ricardo, farão um Pocket-show com as trilhas que o pai criou para o cinema.

INGRESSOS:
(Clique em Rio de Janeiro)

Deus e o Diabo na terra do sol

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