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Carta Para Glauber

Cartas a um jovem cineasta

Por Bernardo Castro

Durante o É Tudo Verdade 2022

Carta Para Glauber

O vídeo-ensaio é um formato documental bastante difundido entre os adeptos do cinema documental experimental por seu formato livre, que permite a execução de ideias de forma complexa e até mesmo abstrata. Em “O ensaio como forma”, Adorno discorre no que tange a validade do formato e a liberdade de espírito que ele evoca como traço característico do modelo. Diante disso, o cineasta Gregory Baltz concebe, em parceria com Catarina Dahl, o filme “Carta para Glauber”, um curta ensaístico epistolar, feito a partir da leitura de uma carta do ex-diretor Gustavo Dahl para o ícone do cinema brasileiro Glauber Rocha.

“Carta para Glauber” é uma ode ao legado de dois dos maiores expoentes do Cinema Novo brasileiro, que erigiu as bases da produção audiovisual autóctone do país. Durante todo o ensaio, são mostrados excertos das obras mais famosas de Glauber e de Gustavo, que, convenientemente ou não, são alguns dos maiores sucessos do movimento. Enquanto o espectador se encontra atônito ao apreciar as imagens, ouve-se a voz de Catarina lendo a epístola escrita por seu já falecido pai. Sucinto na elaboração, o curta entrega na eficiência com a qual ele consegue mexer com o emocional dos fãs de cinema, despertando neles um sentimento de nostalgia inefável.

De certa forma, escrever uma crítica sobre este curta configura como um exercício metalinguístico, pois o autor passa a primeira parte de sua mensagem expondo suas opiniões no tocante a “Deus e o Diabo na Terra do Sol” e a “Barravento”, analisando nuances do discurso de ambos os filmes. No segundo ato – se é que se pode classificar assim – é traçado um paralelo interessante entre o clássico glauberiano “Terra em Transe” e o discurso a respeito da ditadura militar. É válido lembrar que a carta foi escrita em meio à queda de Jango e a insurgência dos militares, nos momentos incipientes do período. É impressionante observar a genialidade com que Glauber, arauto da subversão, critica o regime ditatorial através de analogias e alegorias imagéticas, que representavam os tropos da sociedade da época.

Em “Carta para Glauber”, intercâmbio de experiências e as demonstrações de admiração remetem a “Cartas a um jovem poeta” de Rilke, onde o poeta se corresponde com um fã e aspirante a escritor. As fotos dos dois falecidos ao final corroboram com a tese. Uma linda mensagem de companheirismo, que perpassou por grandes momentos da história dessa nação através das telas e ainda ecoa nos corações de todos os amantes da sétima arte.

4 Nota do Crítico 5 1

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