Tudo sobre a 10ª Mostra Ecofalante

Exibições de títulos inéditos e debates com temáticas que circulam o Ambiente

Por Ciro Araujo

Entre os dias 11 de agosto e 14 de setembro, de forma gratuita, acontece a 10ª Mostra Ecofalante de  Cinema (ASSISTA AQUI), mais importante evento audiovisual sul-americano dedicados à temas sócio-ambientais.  Este ano, a mostra disponibilizará seus títulos digitalmente via cadastro no site próprio e acesso no player digital do À La Carte. São mais de 101 filmes de 40 países, sendo 30 inéditos no Brasil. Além das exibições, haverão debates realizados sobre diferentes eixos com questões atuais, como o futuro da economia verde.

Para compreender todo esse número, a Mostra foi dividida em uma série de programas. O Panorama Internacional Contemporâneo, carro chefe, está subdividido em sete assuntos (ativismo, biodiversidade, cidades, economia, povos&lugares, tecnologia, trabalho). Dos títulos, estreiam “O Capital No Século XXI“, codirigido pelo economista Thomas Piketty, autor do best seller homônimo, o filme “A Campanha Contra o Clima“, que revela a campanha patrocinada secretamente pelas maiores petroleiras do planeta.

Chico Rei Entre Nós
Cena do documentário “Chico Rei Entre Nós”, de Joyce Prado – Leia a crítica aqui

Também na programação, o longa sobre o referendo grego de 2015, “Jogo do Poder”. Filme mais recente de Costa-Gavras, diretor já vencedor de Oscar de Melhor Filme Estrangeiro pelo longa “Z”, é uma dramatização sobre o referendo grego ocorrido em 2015 e a dívida pública com a União Européia.

Quem quer algo mais fresco, pode procurar no Panorama pelo angolano Fradique e seu primeiro longa, “Ar Condicionado”. Com uma estética de realismo mágico, a obra gira entorno do centro antigo de Luanda e ar condicionados que caem do céu.

Já na Competição Latino-Americana (dividida em longas e curtas), reúne uma coleção de trabalhos interessantíssimos sobre libertação e resistência, como “Chico Rei Entre Nós”, que inicia a carreia da realizadora Joyce Prado, o curioso documentário “Meu Querido Supermercado” e o experimentalismo da brasiliense Ana Vaz, em “Apiyemiyekî?”.

Meu Querido Supermercado
Cena do documentário “Meu Querido Supermercado”, de Tali Yankelevich – Leia a crítica aqui

Na programação especial filmes anteriores que também possuem diálogo com a Mostra. O já consolidado “Branco Sai, Preto Fica” de Adirley Queirós, quase uma espécie de bíblia para falar sobre urbano, resistência, segregação e violência. “Meu Corpo É Político” e seu documentário enfrentando o diálogo sobre o que é o corpo, senão uma ferramenta para a expressão? Completam a programação outros diretores como Affonso Uchoa, Maria Augusta Ramos, João Moreira Salles, Katia Lund, Gabriel Mascaro e mais.

O especial do ano gira entorno do uso indiscreto de energia nuclear no mundo. “35 Anos de Chernobyl, 10 Anos de Fukushima” seleciona realizações que transitam entre os dois desastres, suas correlações no espaço de trinta e cinco anos e como afetam o mundo de forma política, econômica e cultural. Já os filmes do Concurso Curta Ecofalante contam com curtas-metragens feitos por estudantes ligados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: são formas criativas de novas caras produzirem a linguagem cinematográfica.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA DOS FILMES

Halito Azul
Cena do filme “Hálito Azul”, de Rodrigo Areias – Leia a crítica aqui

PANORAMA INTERNACIONAL CONTEMPORÂNEO

ATIVISMO

“Arica” – Lars Edman, William Johansson Kalén (“Arica”, Suécia/Chile/Bélgica/Noruega/Reino Unido, 97min, 2020)

“Ativistas Animais” – Denis Henry Hennelly, Casey Suchan (“The Animal People”, EUA, 97min, 2019)

“Dope is Death: A Outra Luta dos Panteras Negras” – Mia Donovan (“Dope is Death”, EUA, 79min, 2020)

“Softie” – Sam Soko (“Softie”, Quênia, 96min, 2020)

BIODIVERSIDADE

“As Borboletas de Arabuko” – John Davies (“The Flying Gold of Arabuko”, Reino Unido, 10min, 2020)

“Baleias Enredadas” – David Abel (“Entangled”, EUA, 75min, 2020)

“Era Uma Vez Um Lago” – Daniel Asadi Faezi (“Where We Used To Swim”, Alemanha, 8min, 2019)

“O Salmão Vermelho” – Dmitriy Shpilenok, Vladislav Grishin (“Sockeye Salmon, Red Fish”, Rússia, 51min, 2020)

“O Tempo das Florestas” – François-Xavier Drouet (“Le temps des forêts”, França, 104min, 2018)

“Res Creata” – Alessandro Cattaneo (“Res Creata”, Itália, 80min, 2019)

“Solo Fértil” – Josh Tickell, Rebecca Harrel Tickell (“Kiss the Ground”, EUA, 85min, 2020)

CIDADES

“A Nossa Terra, O Nosso Altar” – André Guiomar (“A Nossa Terra, O Nosso Altar”, Portugal, 77min, 2020)

“Ao Leste de Finfinnee” – Daniel Kötter (“Rift Finfinnee”,  Etiópia/Alemanha, 79min, 2020)

“Ar Condicionado” – Fradique (“Ar Condicionado”, Angola, 72min, 2020)

“Formas Concretas de Resistência” – Nick Jordan (“Concrete Forms of Resistance”, Reino Unido, Líbano, 25min, 2019)

“Injustiça Climática” – Judith Helfand (“Cooked: Survival by Zip Code”, EUA, 82min, 2018)

“Um Lugar Como Nenhum Outro” – Lulu Wei (“There’s No Place Like This Place, Anyplace”, Canadá, 75min, 2020)

ECONOMIA

“A Nova Corporação” – Joel Bakan, Jennifer Abbott (“The New Corporation: The Unfortunately Necessary Sequel”, Canadá, 106min, 2020)

“Jogo do Poder” – Costa-Gavras (“Adults in the Room”, França/Grécia, 124min, 2019)

“O Capital no Século XXI” – Justin Pemberton, Thomas Piketty (“Capital in the Twenty-First Century”, França/Nova Zelândia, 103min, 2019)

“Oeconomia” – Carmen Losmann (“Oeconomia”, Alemanha, 89min, 2020)

POVOS & LUGARES

“Até o Anoitecer” – Maja Novaković (“A sad se spusta vece”, Servia/Bósnia e Herzegovina, 28min, 2019)

Hálito Azul” – Rodrigo Areias (“Hálito Azul”, Portugal/Finlândia, França, 78min, 2018)

“Morning Star” – Nantenaina Lova (“Aza Kivy”, Madagascar/Reunião, 77min, 2020)

“Omelia Contadina” – Alice Rohrwacher, JR (“Omelia Contadina”, Itália/França, 10min, 2019)

“Pesca Roubada” – Gosia Juszczak (“Stolen Fish”, Reino Unido/Polônia/Espanha, 30min, 2020)

“Sapelo” – Nick Brandestini (“Sapelo”, Suíça, 91min, 2020)

TECNOLOGIA

“A Campanha Contra o Clima” – Mads Ellesøe (“The Campaign Against the Climate”, Dinamarca/Finlândia/Noruega/Suíça/Bélgica, 58min, 2020)
“Coded Bias” – Shalini Kantayya (“Coded Bias”, EUA/Reino Unido/China, 84min, 2019)

“Feels Good Man” – Arthur Jones (“Feels Good Man”, EUA, 92min, 2019) *OBS: Por razões contratuais, este filme é pago (R$ 5,90). O valor dos ingressos será revertido em doações para projetos que ajudam pessoas em situação de rua.

“Influence” – Richard Poplak, Diana Neille (“Influence”, África do Sul/Canadá, 105min, 2020)

“O Debatedor” – Harry Sptizer, Joshua Davis (“The Debater”, EUA, 26min, 2020)

TRABALHO

“Cuidadoras a Caminho” – Ismail Fahmi Lubis (“Help is on the Way”, Indonésia, 90min, 2020)

“Filipiñana” – Rafael Manuel (“Filipiñana”, Filipinas/Reino Unido, 24min, 2020)

“Mulheres de Farda” – Deirdre Fishel (“Women in Blue”, EUA, 82min, 2020)

“Noite Adentro” – Loira Limbal (“Through the Night”, EUA, 72min, 2020)

“O Novo Evangelho” – Milo Rau (“Das Neue Evangelium”, Alemanha/Suíça/Itália, 107min, 2020)

“O Último Turno” – Jindřich Andrš (“A New Shift”, Chéquia, 90min, 2020)

A Bolsa ou a Vida
Cena do filme “A Bolsa ou a Vida”, de Silvio Tendler

SESSÃO ESPECIAL: PRÉ-ESTREIA

“A Bolsa ou a Vida” – Silvio Tendler (Brasil, 102min, 2021)

SESSÃO ESPECIAL: RESÍDUOS SÓLIDOS

“A História do Plástico” – Deia Schlosberg (“The Story of Plastic”, EUA, 95min, 2019)

O índio cor de rosa contra a fera invisível – a peleja de Noel Nutels
Cena do filme “O Índio Cor de Rosa Contra a Fera Invisível: A Peleja de Noel Nutels”, de Tiago Carvalho – Leia a crítica aqui

COMPETIÇÃO LATINO AMERICANA

LONGAS-METRAGENS

“499” – Rodrigo Reyes (“499”, México/EUA, 88min, 2020)

Chico Rei Entre Nós” – Joyce Prado (“Chico Rei Entre Nós”, Brasil, 94min, 2020)

Edna” – Eryk Rocha (“Edna”, Brasil, 64min, 2021)

Era Uma Vez na Venezuela” – Anabel Rodríguez (“Once Upon a Time in Venezuela”, Venezuela/Reino Unido/Áustria/Brasil, 99min, 2020)

Luz nos Trópicos” – Paula Gaitán (“Luz nos Trópicos”, Brasil, 260min, 2020)

Mata” – Fábio Nascimento e Ingrid Fadnes (“Mata”, Brasil, 79min, 2020)

Meu Querido Supermercado” – Tali Yankelevich (“Meu Querido Supermercado”, Brasil/Noruega, 80min, 2020)

Nũhũ Yãg Mũ Yõg Hãm: Essa Terra É Nossa!” – Isael Maxakali, Sueli Maxakali, Carolina Canguçu, Roberto Romero (“Nũhũ Yãg Mũ Yõg Hãm: Essa Terra É Nossa!”, Brasil, 70min, 2020)

O Índio Cor de Rosa Contra a Fera Invisível: A Peleja de Noel Nutels” – Tiago Carvalho (“O Índio Cor de Rosa Contra a Fera Invisível: A Peleja de Noel Nutels”, Brasil, 71min, 2020)

Pajeú” – Pedro Diogenes (“Pajeú”, Brasil, 74min, 2020)

“Piedra Sola” – Alejandro Telémaco Tarraf (“Piedra Sola”, Argentina, 72min, 2020)

“Sobradinho” – Marília Hughes e Cláudio Marques (“Sobradinho”, Brasil, 70min, 2020)

“Território Suape” – Cecilia da Fonte, Laercio Portella, Marcelo Pedroso (“Território Suape, Brasil, 70min, 2020)

Afeto
Cena do filme “Afeto”, de Gabriela Gaia Meirelles e Tainá Medina – Leia a crítica aqui

CURTA-METRAGEM

A Morte Branca do Feiticeiro Negro” – Rodrigo Ribeiro (“The White Death of the Black Wizard”, Brasil, 10min, 2020)

Afeto” – Gabriela Gaia Meirelles, Tainá Medina (“Affection”, Brasil, 15min, 2019)

“Aká” – Adolfo Fierro, Juan González (“Aká”, México, 28min, 2020)

“Apiyemiyekî?” – Ana Vaz (“Apiyemiyekî?”, Brasil, França, Portugal, 28min, 2019)

“Cascarita” – Jimena Barrera (“Cascarita”, México, 4min, 2020)

“Gilson” – Vitória Di Bonesso (“Gilson”, Brasil, 5min, 2020)

“Janelas Daqui” – Luciano Vidigal, Arthur Sherman (“Janelas Daqui”, Brasil, 15min, 2020)

“Kopacabana” – Marcos Bonisson, Khalil Charif (Brasil, 14min, 2019)

“Lagoa Negra” – Felipe Esparza (“Laguna Negra”, Peru, 34min, 2020)

“Mineiros” – Amanda Dias (“Mineiros”, Brasil, 23min, 2020)

“Mundo” – Ana Edwards (“Mundo”, Chile, 19min, 2020)

“O Submundo de Rogelio” – Álvaro Muñoz Sánchez (“El inframundo de Rogelio”, Colombia, 12min, 2019)

“Rio das Almas e Negras Memórias” – Taize Inácia, Thaynara Rezende (“Rio das Almas e Negras Memórias”, Brasil, 20min, 2019)

“Tapajós Ameaçado” – Thomaz Pedro (Brasil, 24min, 2021)

“Topawa” – Kamikia Kisedje, Simone Giovine (“Topawa”, Brasil, 7min, 2019)

“Twakana Yagan” – Rodrigo Tenuta, Ignacio Leonidas (“Twakana Yagan, Argentina, 15min, 2020)

“Yaõkwa – Imagem e Memória” – Rita Carelli, Vincent Carelli (“Yaõkwa – Imagem e Memória”

Meu corpo e politico
Cena do filme “Meu Corpo É Político”, de Alice Riff – Leia a crítica aqui

PROGRAMA ESPECIAL – TERRITÓRIOS URBANOS: SEGREGAÇÃO, VIOLÊNCIA E RESISTÊNCIA

“À Margem da Imagem” – Evaldo Mocarzel (“À Margem da Imagem”, Brasil, 72min, 2003)

A Vizinhança do Tigre” – Affonso Uchoa (“A Vizinhança do Tigre”, Brasil, 95min)

“Atos dos Homens” – Kiko Goifman (“Atos dos Homens”, Brasil, 78min, 2006)

“Auto de Resistência” – Natasha Neri, Lula Carvalho (“Auto de Resistência”, Brasil, 105min, 2018)

Branco Sai, Preto Fica” – Adirley Queirós (“Branco Sai, Preto Fica”, Brasil, 95min, 2014)

Corpo Delito” – Pedro Rocha (“Corpo Delito”, Brasil, 74min, 2017)

“Elevado 3.5” – João Sodré, Maíra Bühler, Paulo Pastorelo (“Elevado 3.5”, Brasil, 75min, 2007)

Era o Hotel Cambridge” – Eliane Caffé (“Era o Hotel Cambridge, Brasil, 120min, 2016)

Futuro Junho” – Maria Augusta Ramos (“Futuro Junho”, Brasil/Holanda, 100min, 2015)

Mataram Meu Irmão” – Cristiano Burlan (“Mataram Meu Irmão”, Brasil, 77min, 2013)

Meu Corpo É Político” – Alice Riff (“Meu Corpo É Político”, 71min, 2017)

“Notícias de Uma Guerra Particular” – João Moreira Salles, Katia Lund (“Notícias de Uma Guerra Particular”, Brasil, 57min, 2000)

O Caso do Homem Errado” – Camila de Moraes (“O Caso do Homem Errado”, 77min, 2017)

“O Prisioneiro da Grade de Ferro” – Paulo Sacramento (“O Prisioneiro da Grade de Ferro”, Brasil, 123min, 2003)

“O Rap do Pequeno Príncipe Contra as Almas Sebosas” – Marcelo Luna, Paulo Caldas (“O Rap do Pequeno Príncipe Contra as Almas Sebosas”, Brasil, 75min, 2000)

Um Lugar Ao Sol” – Gabriel Mascaro (Brasil, 71min, 2009)

Nuclear Forever
Cena do filme “Nuclear Forever”, de Carsten Rau

ESPECIAL ENERGIA NUCLEAR – 35 ANOS DE CHERNOBYL, 10 ANOS DE FUKUSHIMA

“Fukushima: Uma História Nuclear” – Matteo Gagliardi (“Fukushima: A Nuclear Story”, Itália, 84min, 2015)

“Nuclear Forever” – Carsten Rau (“Atomkraft Forever”, Alemanha, 94min, 2020)

“O Desastre de Chernobyl” – Thomas Johnson (“The Battle of Chernobyl”, França, 94min, 2006)

“O Rolo nº 11004” – Mirabelle Fréville (“La bobine 11004”, França, 19min, 2020)

“Stalking Chernobyl” – Iara Iee (“Stalking Chernobyl, Ucrânia/EUA/Bulgária/Eslováquia, 58min, 2020)

Ver a China
Cena do filme “Ver a China”, de Amanda Carvalho

CONCURSO CURTA ECOFALANTE

“Àprova” – Natasha Rodrigues (“Àprova”, Brasil, 16min, 2020)

“Beatmakers” – Luciana Santos, Sabrina Emanuelly (“Beatmakers”, Brasil, 22min, 2019)

“Casa dos Amigos” – Lena Bertanin, Pedro Oliveira (“Casa dos Amigos, Brasil, 9min, 2021)

“Efeito Zuvuya” – Gabriel Guizani (“Efeito Zuvuya”, Brasil, 13min, 2020)

“Letícia, Monte Bonito, 04” – Julia Regis (“Letícia, Monte Bonito, 04”, Brasil, 19min, 2020)

“Não Toque, É Drag!” – Gabriel Cabral (“Não Toque, É Drag!”, Brasil, 20min, 2020)

“Quarentena Pra Quem?” – Laís Maciel, Isabella Vilela (“Quarentena Pra Quem?”, Brasil, 22min, 2020)

“Remanescente” – João Victor Avila (“Remanescente”, Brasil, 25min, 2019)

“Ver a China” – Amanda Carvalho (“Ver a China”, Brasil, 30min, 2019)

“Vila dos Pescadores – Da Pesca ao Povo” – Cintia Neli da Silva Inacio, Geovanne Rafael V. da Silva (“Vila dos Pescadores – Da Pesca ao Povo”, Brasil, 15min, 2019)


SINOPSES DOS FILMES

The Story of Plastic

PANORAMA INTERNACIONAL CONTEMPORÂNEO

ATIVISMO

“ARICA” – Lars Edman e William Johansson Kalén (“Arica”, Suécia/Chile/Bélgica/Noruega/Reino Unido, 97min, 2020)

Uma mineradora sueca exporta 20 mil toneladas de lixo tóxico para a cidade chilena de Arica, no norte do deserto de Atacama. Milhares de pessoas adoecem, muitas morrem de câncer. O filme documenta um processo inédito de responsabilidade corporativa que começa depois de um cineasta sueco nascido no Chile expor o escândalo em um primeiro documentário. Filmado ao longo de 15 anos, a obra revela como as decisões tomadas décadas atrás na Europa continuam afetando as pessoas na América do Sul. **Selecionado para o IDFA-Amsterdã.

ATIVISTAS ANIMAIS– Denis Henry Hennelly e Casey Suchan (“The Animal People”, EUA, 97 min, 2019)

Filmado ao longo de 15 anos, conta a história da perseguição implacável do governo norte-americano a um grupo de ativistas que luta contra a crueldade animal. O filme retrata como os jovens foram alçados de ativistas radicais que se apoiam na primeira emenda à Constituição do país – a liberdade de expressão –, a terroristas domésticos. Produção executiva do ator vencedor do Oscar e ativista vegano Joaquin Phoenix. **Selecionado para o Suncine – Festival de Cinema e Meio Ambiente de Barcelona.

DOPE IS DEATH: A OUTRA LUTA DAS PANTERAS NEGRAS– Mia Donovan (“Dope is Death”, EUA, 79min, 2020)

A história de como o Dr. Mutulu Shakur (padrasto do rapper Tupac Shakur, assassinado em 1996), junto com seus companheiros dos Panteras Negras e os Jovens Lordes, combinaram saúde comunitária com política radical para criar o primeiro programa de desintoxicação por acupuntura nos Estados Unidos em 1973. Visionário, o projeto logo considerado perigoso demais pelo governo norte-americano.**Selecionado para os festivais IDFA-Amsterdã, HotDocs, CPH:DOX e Dokufest.

SOFTIE – Sam Soko (“Softie”, Quênia, 96min, 2020)

Softie, como é apelidado Boniface, é um jovem fotógrafo queniano famoso por retratar a violência política de seu país natal. Inconformado com o descaso e abandono que vê ao seu redor, decide concorrer às eleições regionais. Ao lutar por manter a sua campanha “limpa” e sua família segura, percebe que a política é o único caminho para se alcançar a justiça socioambiental, é também um jogo muito sujo e perigoso. **Vencedor do prêmio de melhor montagem no Festival de Sundance; selecionado para os festivais de HotDocs e CPH:DOX.

BIODIVERSIDADE

AS BORBOLETAS DE ARABUKO – John Davies (“The Flying Gold of Arabuko”, Reino Unido, 10min, 2020) 

Sobre o ofício de caçadores e criadores de borboletas no Quênia e como essa prática incomum acabou ajudando a preservar a maior e última floresta remanescente da África Oriental. Contado da perspectiva de um criador de borboletas e ex-caçador furtivo, o filme questiona se algo tão pequeno como uma borboleta poderia salvar um ecossistema inteiro. **Vencedor do prêmio de melhor curta-metragem no Independent Shorts Awards e de  menção especial do júri no Festival Innsbruck Nature.

“BALEIAS ENREDADAS” – David Abel (“Entangled”, EUA, 75min, 2020)

Sobre os esforços para proteger da extinção as baleias francas do Atlântico Norte, os impactos desses esforços na indústria da lagosta e como o Serviço Nacional de Pesca Marinha tem lutado para equilibrar os interesses rivais.

**Vencedor do Prêmio Jackson Wild Media (considerado como o “Oscar” do cinema de natureza), na categoria de melhor filme não-televisivo.

ERA UMA VEZ UM LAGO– Daniel Asadi Faezi (“Where We Used To Swim”, Alemanha, 8min, 2019)

O Lago Urmia, no norte do Irã, já foi o maior lago do Oriente Médio, mas sua má gestão trouxe uma seca devastadora que transformou boa parte dele em terra estéril e coberta de sal. Sob a forma de ensaio cinematográfico, o filme utiliza fragmentos de identidade e memória, partindo do presente para revisitar o passado e erguer um monumento ao quase extinto Lago Urmia.

*Vencedor de menção honrosa no Festival de Innsbruck.

O SALMÃO VERMELHO – Dmitriy Shpilenok e Vladislav Grishin (“Sockeye Salmon, Red Fish”, Rússia, 51min, 2020) – Dmitriy Shpilenok e Vladislav Grishin

O Santuário do Sul de Kamchatka é o paraíso do salmão vermelho, espécie selvagem que habita a península de Kamchatka, região no extremo oriente da Rússia. A reserva, que abriga uma população de ursos marrons e atrai milhares de turistas todo ano, é um raro exemplo de equilíbrio entre a flora e a fauna. O documentário, elogiado por sua fotografia primorosa, foi filmado ao longo de anos e testemunhou os esforços da comunidade para conscientizar a população local e frear a caça furtiva, que ameaçava o salmão vermelho e assim, toda a biodiversidade que ele ajuda a sustentar.

*Vencedor do grand prix do Festival Ekofilm.

O TEMPO DAS FLORESTAS – François-Xavier Drouet (“Le Temps des Forêts”, França, 104min, 2018) – 

Símbolo da natureza e da preservação, as florestas enfrentam uma fase de industrialização sem precedentes. A pesada mecanização, as monoculturas, os fertilizantes e os pesticidas se multiplicam no ritmo acelerado do modelo da agricultura intensiva. Ao mesmo tempo, a transmissão de conhecimento dos silvicultores se perde. Nessa jornada ao coração da indústria florestal e suas alternativas, o filme mostra como as escolhas de hoje definirão a paisagem de amanhã.

**Vencedor do prêmio SRG SSR na Semana da Crítica do Festival de Locarno e do Prêmio Independente no Festival de Trento

RES CREATA – Alessandro Cattaneo (“Res Creata – Humans and Other Animals”, Itália, 80min, 2019)

Sobre a relação milenar – ora conflituosa, ora harmoniosa – entre os seres humanos e os animais. Trata-se de uma relação onde a curiosidade, o amor e o deslumbramento muitas vezes se entrelaçam com a exploração, a objetificação e a necessidade. Ensaio visual ao mesmo tempo intimista e filosófico, o filme procura jogar luz sobre o que nos conecta e sugere que se conseguirmos mudar o modo como pensamos sobre os animais, o ecossistema inteiro se beneficiará.

**Selecionado para o Festival de Innsbruck, Cracóvia, Visions du Rèel e Hot Docs.

SOLO FÉRTILJosh Tickell e Rebecca Harrell Tickell (“Kiss The Ground”, EUA, 85min, 2020)

Narrado pelo ator e ativista ambiental Woody Harrelson, o filme aborda um grupo revolucionário de ativistas, cientistas, agricultores e políticos que se unem em um movimento global chamado “Agricultura Regenerativa”. Trata-se de uma técnica de plantio cujo objetivo é equilibrar o clima, reabastecer o vasto suprimento de água e alimentar o mundo.

**Vencedor do prêmio de melhor documentário no Festival Doc LA (Los Angeles); melhor documentário interativo no Festival Lonely Wolf (Londres).

CIDADES

A NOSSA TERRA, O NOSSO ALTAR – André Guiomar (“A Nossa Terra, o Nosso Altar”, Portugal, 77min, 2020)

Documentário intimista e observacional, o filme testemunha as últimas rotinas no cotidiano do bairro social do Aleixo (na cidade do Porto, Portugal), marcadas pela tensão de um fim anunciado. Entre a queda da primeira e da última torre, o processo de demolição arrasta-se durante anos, deixando as vidas dos moradores em suspenso, num misto de resignação e inconformidade.

**Vencedor do Prêmio ZIFF Youth Award no Festival de Documentários e Curtas-Metragens de Bilbao; Melhor Diretor Emergente na competição internacional do Festival Porto/Post/Doc.

 A LESTE DE FINFINNEE – Daniel Kötter (“Rift Finfinnee”, Alemanha/Etiópia, 2020, 79min) – 

Uma viagem pela periferia de Adis Abeba, capital da Etiópia. Em planos de paisagens e arquitectura rigorosamente enquadrados e com uma trilha sonora que entrelaça as conversas originais de forma complexa, o filme percorre o desfiladeiro do rio Akaki, analisando o fosso mais do que simbólico entre o urbano e rural. A obra toma a geografia concreta, a arquitetura e a vida cotidiana de trabalhadores agrícolas e da construção civil no leste de Adis Abeba (“Finfinnee”, em oromo) como ponto de partida para uma narrativa alegórica sobre a urbanização de uma sociedade africana à beira da guerra civil.

**Vencedor do Prêmio DEFA no Festival DOK Leipzig; selecionado para os festivais Doclisboa e Hot Docs.

AR CONDICIONADO – Fradique (“Ar Condicionado”, Angola, 72min, 2020)

Quando aparelhos de ar condicionado começam a cair misteriosamente dos apartamentos na cidade de Luanda, capital da Angola, um vigia e uma empregada doméstica têm a missão de recuperar o aparelho do chefe. O filme mistura realismo mágico e crítica social em uma narrativa sobre como vivemos em conjunto nas esperanças verticais, no coração de uma cidade que é passado-presente-futuro.

**Vencedor do prêmio de melhor filme no Festival de Innsbruck; selecionado para o Festival de Roterdã.

FORMAS CONCRETAS DE RESISTÊNCIA – Nick Jordan (“Concrete Forms of Resistance”, Reino Unido/Líbano, 25min, 2019)

“Trípoli teve sorte de ter esse projeto no coração da cidade, mas o projeto teve o azar de ser em Trípoli”. Com essa frase, o filme dita o tom melancólico de sua análise sobre a concepção e o uso do projeto arquitetônico do brasileiro Oscar Niemeyer (1907-2012) para a Feira Internacional Permanente que seria sediada na cidade de Trípoli, no Líbano. A guerra colocou um fim nesse grande projeto e tornou o espaço inviável – um estorvo no meio da cidade.

**Selecionado para o Festival de Sheffield e Festival de Curtas-Metragens de Londres.

INJUSTIÇA CLIMÁTICA– Judith Helfand (“Cooked: Survival by Zip Code”, EUA, 82min, 2018) 

Chicago sofreu a pior onda de calor da história dos Estados Unidos em 1995, quando 739 pessoas – a maioria idosos e negros – morreram no espaço de uma semana. Enquanto o filme vincula a devastação do desastre natural ao desastre do racismo estrutural, também investiga uma das indústrias de maior crescimento das últimas décadas: a indústria de preparação para emergências e desastres. O filme pergunta: como pode o estado estar disposto a se prevenir contra desastres naturais, mas reluta em reconhecer os desastres em câmera lenta que engendra?

**Selecionado para os festivais DOC NYC, SEFF – Seoul Eco e DC Environmental.

 UM LUGAR COMO NENHUM OUTRO – Lulu Wei (“There’s No Place Like This Place, Anyplace”, Canadá, 75min, 2020) 

Registro pessoal da transformação de um icônico quarteirão de Toronto através das histórias de membros de sua comunidade, da qual fazem parte a diretora e sua namorada. Enquanto todos revisitam a história do bairro – indissociável da trajetória de cada um dos moradores –, eles não deixam de lutar por moradia acessível em meio à maior crise imobiliária que o país jamais viu.

**Vencedor do prêmio do público no Festival Hot Docs.

ECONOMIA

A NOVA CORPORAÇÃO – Joel Bakan e Jennifer Abbott (“The New Corporation: The Unfortunately Necessary Sequel”, Canadá, 106min, 2020)

O filme revela como a aquisição corporativa da sociedade está sendo justificada pelo astuto “rebranding” das corporações como entidades com consciência social. De reuniões de elites corporativas em Davos, às mudanças climáticas e desigualdade em espiral; a ascensão de líderes de ultradireita à covid-19 e a injustiça racial, a obra analisa o poder devastador das corporações. Contrariar isso é uma onda de resistência em todo o mundo, à medida que as pessoas vão às ruas em busca da justiça e do futuro do planeta.

**Vencedor do prêmio de melhor documentário canadense no Festival de Vancouver; selecionado para os festivais de Toronto e Planet in Focos.

JOGO DO PODER – Costa-Gavras (“Adults in the Room”, França/Grécia, 124min, 2019)

Baseado nas memórias do ex-ministro de finanças grego Yanis Varoufakis, é uma abordagem sobre a “agenda oculta” da Europa revelando o que realmente acontece em seus corredores de poder. Focaliza as razões para a crise na Grécia ter acontecido, e como foi travada uma das mais espetaculares e controversas batalhas na história política. Mas a verdadeira história do que aconteceu é quase inteiramente desconhecida, principalmente porque grande parte dos verdadeiros negócios da União Europeia ocorre a portas fechadas.

**Selecionado para o Festival de Roterdã.

O CAPITAL NO SÉCULO XXI – Justin Pemberton e Thomas Piketty (“Capital in the Twenty-First Century”, França/Nova Zelândia, 103min, 2019) –

Adaptado do livro homônimo de Thomas Piketty, uma das obras mais importantes dos últimos anos. Intercalando referências à cultura pop com intervenções dos mais influentes especialistas de nossa época, o filme propõe uma viagem através da história moderna de nossas sociedades. O documentário contrapõe a riqueza e o poder de um lado e, do outro, o progresso social e as desigualdades. Uma reflexão necessária para compreender o mundo de hoje.

**Selecionado para o Festival de Hamburgo.

OECONOMIA – Carmen Losmann (“Oeconomia”, Alemanha, 89min, 2020)

Camada por camada, o filme revela como as regras do jogo capitalista contemporâneo pré-condicionam sistematicamente o crescimento, os déficits e as concentrações de riqueza. Com particular perspicácia e rigor, o filme articula os aspectos mais flagrantes da economia capitalista tornados invisíveis pela cobertura predominante da mídia.

**Selecionado para os festivais de Berlim, IDFA-Amsterdã, Sheffield e CPH:DOX.

POVOS & LUGARES

ATÉ O ANOITECERMaja Novaković (“Then Comes The Evening”, Sérvia, 28min, 2019)

A poesia amarga da vida cotidiana nas colinas isoladas do leste da Sérvia mostra o cuidado e a intimidade de duas mulheres idosas, tanto em suas relações mútuas quanto na relação com a natureza.

**Vencedor do prêmio de melhor curta-metragem no Festival de Innsbruck e no Festival de Documentários Full Frame (EUA); melhor filme no Festival de Lugano (Suíça); prêmio especial do júri no Festival Auteur de Belgrado e no Festival Cinema Vérité do Irã; prêmio do público no Festival Entrevues de Belfort (França); prêmio da crítica internacional no Festival FeKK de Liubliana (Eslovênia).

HÁLITO AZUL – (“Hálito Azul”, Portugal, 2018, 78 min) – Rodrigo Areias

Esmagada contra o oceano pela encosta de um vulcão, a vila de pescadores da Ribeira Quente, na ilha de São Miguel, nos Açores, vive os últimos dias de uma atividade pesqueira tal como a conhecem. Todos lutam por dias normais, enquanto a vida continua, mesmo com os peixes ficando escassos.

**Vencedor do prêmio de melhor documentário no Festival de Ismailia (Egito).

MORNING STAR – Nantenaina Lova (“Aza Kivy”, Madagascar/Reunião, 77min, 2020)

Andaboy é uma praia sagrada no sudoeste de Madagascar. Os ancestrais dizem que a praia deve permanecer intocada, como canta um músico xamânico em transe. Por isso, os pescadores ficam profundamente preocupados quando a empresa australiana Base Toliara propõe a construção de um porto ali, deslocando seus 8.000 residentes. Os pescadores já estavam incomodados com as traineiras chinesas que estão dizimando os estoques de peixes, e agora temem uma invasão ainda maior; mas o nome que o pescador Edmond dá a sua canoa – Aza kivy (“Não vamos desistir”) – indica que eles não estão dispostos a abrir mão de seu modo de vida.

**Selecionado para o IDFA-Amsterdã

OMELIA CONTADINA – Alice Rohrwacher, JR (“Omelia Contadina”, Itália/França, 10min, 2019)

Em parceria com o artista francês JR, Alice Rohrwacher, uma das jovens diretoras italianas mais promissoras da atualidade (do filme Lazzaro Felice), filma uma ação cinematográfica com um grupo de camponeses do norte da Itália. No dia dos mortos, eles declamam textos proféticos de Pier Paolo Pasolini e Rachel Carson (do clássico da literatura ambientalista Primavera Silenciosa), numa cerimônia funerária. O defunto é a cultura milenar de milhões de pequenos agricultores que lutam todos os dias para nos manter vivos, produzindo comida e mais vida.

**Vencedor de melhor curta-metragem estrangeiro no Festival de Valladolid (Espanha) e selecionado para o Festival de Cinema de Veneza (Itália)

PESCA ROUBADA – Gosia Juszczak (“Stolen Fish”, Reino Unido/Polônia/Espanha, 30min, 2020)

Na Gâmbia, o menor país da África, a fonte básica de proteínas, o peixe, é cada vez mais escasso. Desde a chegada de empresas chinesas que transformam peixes em rações para animais exportados para a Europa, o setor pesqueiro tradicional do país e sua segurança alimentar estão ameaçados. Três gambianos, Abou, Mariama e Paul, compartilham suas histórias íntimas de sobrevivência, saudade e migração para a Europa.

**Selecionado para o Sheffield Doc Fest (Reino Unido)

SAPELO – Nick Brandestini (“Sapelo”, Suíça, 91min, 2020)

Na ilha de Sapelo, na costa do estado norte-americano da Geórgia, dois irmãos crescem com a mãe adotiva Cornelia, uma das últimas representantes da comunidade afro-americana Geechee. No princípio da adolescência, descobrem, no seio da floresta e nas margens do Atlântico, um espaço natural preservado e uma cultura única, ambos fadados ao desaparecimento.

**Vencedor de melhor longa-metragem no Festival Visions du Réel (Suíça) e vencedor de melhor documentário/melhor direção/prêmio especial do júri no Festival BendFilm (EUA)

TECNOLOGIA

A CAMPANHA CONTRA O CLIMA– Mads Ellesøe (“The Campaign Against the Climate”, Dinamarca/Finlândia/Noruega/Suíça/Bélgica, 58min, 2020)

Em 1988, o mundo se preparava para agir contra as mudanças climáticas. Mas então algo aconteceu. Algo que levou à crise climática para a qual o mundo despertou hoje. As maiores petroleiras do planeta foram das primeiras a detectar o aquecimento global, mas, em vez de agir, lançaram uma campanha que há 30 anos atrapalha o combate à emergência climática, semeando dúvida onde antes havia unanimidade – um modus operandi que vai encontrar, anos depois, o seu maior aliado na internet das redes sociais e algoritmos.

**Selecionado para os festivais IDFA-Amsterdã, CPH:DOX (Dinamarca) e Cinemambiente (Itália)

CODED BIAS – Shalini Kantayya (“Coded Bias”, EUA/Reino Unido/China, 84min, 2019)

Quando Joy Buolamwini, pesquisadora do MIT Media Lab, descobre que muitas tecnologias de reconhecimento facial não detectam com precisão rostos de pele negra ou classificam incorretamente os rostos de mulheres, ela investiga o caráter altamente tendencioso presente nos algoritmos. Acontece que a inteligência artificial não é neutra e as mulheres estão liderando a ofensiva para garantir que nossos direitos civis sejam protegidos.

**Vendedor de melhor documentário no Festival de Calgary (Canadá) e selecionado para os festivais de Sundance (EUA), SXSW (EUA), CPH:DOX (Dinamarca) e Hot Docs (Canadá)

FEELS GOOD MAN – Arthur Jones (“Feels Good Man”, EUA, 92min, 2019) *OBS: Por razões contratuais, este filme é pago (R$ 5,90). O valor dos ingressos será revertido em doações para projetos que ajudam pessoas em situação de rua.

Este documentário premiado em Sundance conta a história de como um meme – Pepe the Frog – escapou do controle de seu criador e involuntariamente se tornou um símbolo de ódio, racismo e intolerância. Por meio de uma série de imprevistos e conexões bizarras impulsionadas pela internet, Pepe acabou sendo cooptado pela extrema direita norte-americana. Como isso aconteceu exatamente é uma viagem selvagem ao coração da vida online dos dias de hoje e à “memeificação” de nossa cultura coletiva compartilhada, na qual os significados das imagens mudam a todo momento e não podem ser controlados nem mesmo por seus criadores.

**Vencedor de melhor documentário de diretor estreante pelo Festival de Sundance (EUA) e selecionado para os festivais SXSW (EUA), Hot Docs (Canadá), CPH:DOX (Dinamarca)

INFLUENCE– Richard Poplak, Diana Neille (“Influence”, África do Sul/Canadá, 105min, 2020)

Lord Timothy Bell, fundador da infame firma de relações públicas Bell Pottinger, ganhou destaque no mundo da publicidade ao prestar serviços para políticos que vão do polêmico ao abertamente amoral. Depois de décadas usando a mídia como uma arma para influenciar as eleições – e subverter a democracia – no Reino Unido, no Chile de Pinochet e além, um novo cliente contribui para a queda dramática de Bell. Oferecendo uma visão precisa sobre o quanto nossas percepções são moldadas por forças externas, os cineastas Diana Neille e Richard Poplak (ambos jornalistas premiados) elaboraram uma investigação perturbadora sobre a politização da comunicação moderna – fenômeno que se repete e multiplica na instrumentalização das redes sociais nos dias de hoje.

**Vencedor de Melhor Documentário sul-africano pelo Festival de Durban (África do Sul), selecionado para os festivais de Sundance (EUA), Moscou (Rússia) e Dokufest (Kosovo)

O DEBATEDOR – Harry Sptizer, Joshua Davis (“The Debater”, EUA, 26min, 2020)

Não há quem possa parar os avanços da inteligência artificial. As máquinas nos venceram no jogo de damas, xadrez, pôquer… Mas tudo isso são jogos. O que ocorre quando a IA se aventura no mundo real do discurso humano e age mais como nós? O Debatedor oferece um raro vislumbre dos bastidores da criação de uma nova e poderosa inteligência artificial. Ele conta a história do empenho de uma equipe da IBM em levar a IA a um território desconhecido e explora o que significa viver em um mundo onde a IA nos ajuda a tomar decisões, especialmente na era das notícias falsas e bolhas ideológicas.

**Selecionado para o festival DPH:DOX (Dinamarca)

TRABALHO

CUIDADORAS A CAMINHO – Ismail Fahmi Lubis (“Help is on the Way”, Indonésia, 90min, 2020)

Uma janela para um processo de treinamento raramente visto, Cuidadoras a Caminho revela os meandros de um centro de treinamento na Indonésia para trabalhadoras domésticas que buscam ser empregadas no exterior. A cada ano, milhares se inscrevem nesses centros para conseguir trabalho em Hong Kong, Singapura ou Taiwan, onde têm chances de conseguir uma remuneração que lhes permita prover para suas famílias, que ficam para trás. São muitas as razões para essa escolha – necessidade, imposição da família, desejo de emancipação. O documentário procura explorar algumas delas.

**Vencedor de melhor documentário pelo Festival da Indonésia e selecionado para o Festival de Taiwan

FILIPIÑANA – Rafael Manuel (“Filipiñana”, Filipinas/Reino Unido, 24min, 2020)

“Work is for people who don’t play golf” (“Trabalho é para pessoas que não jogam golfe”) – com este cartaz são recebidos os sócios de um sofisticado clube de golfe em algum lugar das Filipinas. Isabel é uma tee-girl que iniciou o trabalho no clube há pouco tempo. No entanto, ela rapidamente aprende as limitações impostas por sua função, na base da pirâmide social deste microcosmo que revela a estratificação rígida da sociedade filipina.

**Vencedor de melhor curta-metragem no Festival de Berlim (Alemanha), Lobo de Prata no Festival du Nouveau Cinéma de Montreal (Canadá) e melhor curta-metragem asiático em Festival Short Shorts de Tóquio (Japão)

MULHERES DE FARDA – Deirdre Fishel (“Women in Blue”, EUA, 82min, 2020)

Nos anos que antecederam o assassinato de George Floyd, quatro policiais femininas de Minneapolis acreditam que a equidade de gênero na força policial pode ajudar a mudar a cultura do policiamento em um departamento que logo se tornaria um emblema mundial da violência estatal.

**Selecionado para o Festival de Tribeca (EUA) e DOC NYC (EUA)

NOITE ADENTRO – Loira Limbal (“Through the Night”, EUA, 72min, 2020)

Os estadunidenses e imigrantes residentes nos Estados Unidos têm acumulado extensas jornadas em diferentes empregos para conseguir se sustentar. Esse novo contexto de trabalho ininterrupto resulta no inesperado fenômeno das creches que funcionam 24 horas por dia. Noite Adentro é um documentário de estilo verité que investiga os custos da nossa economia contemporânea através das experiências de duas mulheres – mães e trabalhadoras – e também da administradora da creche, cuja vida é indissociável da rotina do espaço que administra.

**Vencedor do Prêmio Especial do Júri pelo Festival de Sarasota (EUA), selecionado para o Festival de Tribeca (EUA), DOC NYC (EUA) e Hot Docs (Canadá)

O NOVO EVANGELHO – Milo Rau (“Das Neue Evangelium”, Alemanha/Suíça/Itália, 107min, 2020)

No passado, tanto Pier Paolo Pasolini como Mel Gibson filmaram a crucificação de Jesus na cidade de Matera, no sul da Itália. Em 2019, Matera se tornou o cenário para uma nova encenação da Paixão. Desta vez, Jesus foi interpretado pelo ativista político camaronês Yvan Sagnet, que defende os direitos dos trabalhadores ilegais explorados por um sistema agrícola liderado pela máfia. O Novo Evangelho é ao mesmo tempo uma gravação dos ensaios da peça e, fora do “palco”, uma documentação da luta de Sagnet e de seus compatriotas africanos por visibilidade e dignidade.

**Vencedor de melhor documentário nos Prêmios do Cinema Suíço e selecionado no festival IDFA-Amsterdã.

O ÚLTIMO TURNO – Jindřich Andrš (“A New Shift”, Chéquia, 90min, 2020)

Em O Último Turno, acompanhamos a árdua transição laboral de Tomas, um mineiro checo de meia idade que já protagonizou, em 2017, um curta que retratava o seu último dia em uma das últimas minas a fechar na República Checa. O início deste documentário multipremiado retoma esse fatídico dia e segue Tomas na sua empreitada em busca de uma nova profissão. Quando ele coloca como meta virar um programador de informática, graças a um dos programas nacionais de reinserção laboral, não podia imaginar onde encontraria os maiores desafios.

**Vencedor de melhor documentário tcheco pelo Festival de Jihlava (Chéquia), prêmio do público pelo Festival DOK Leipzig (Alemanha) e o Olho de Prata pelo Institute of Documentary Film (Chéquia).

SESSÃO ESPECIAL: PRÉ-ESTREIA

A BOLSA OU A VIDA – Silvio Tendler (Brasil, 102min, 2021)

No futuro pós-pandemia da covid-19, a centralidade será o cassino financeiro e acumulação de riqueza por uma elite ou uma vida de qualidade para todos, com menos desigualdade? O Estado mínimo se mostrou capaz de atender ao coletivo? Como garantir a vida sem direitos sociais e trabalhistas? Em qual modelo de sociedade queremos viver? O filme aborda o desmonte do conceito de bem-estar social e nos faz refletir sobre a incompatibilidade do neoliberalismo com um projeto humanista de sociedade. São entrevistados, entre outros, o escritor Ailton Krenak, o padre Júlio Lancelotti, o cineasta Ken Loach, e a drag queen e professora Rita von Hunty.

SESSÃO ESPECIAL: RESÍDUOS SÓLIDOS

A HISTÓRIA DO PLÁSTICO – Deia Schlosberg (“The Story of Plastic”, EUA/Índia/Bélgica/China/Indonésia/Filipinas, 95min, 2019)

O filme expõe a “verdade inconveniente” por trás da poluição do plástico, material onipresente em nossas vidas. A obra traça a rota do plástico que nos leva até a atual crise global de poluição e revela como a indústria de petróleo e gás manipulou com sucesso a narrativa em torno dela.

**Vencedor do prêmio do público no Festival de Mill Valley; prêmio especial do júri e prêmio do público no Festival de Napa Valley; John de Graaf Environmental Filmmaking no Festival Wild & Scenic; selecionado para os festivais DOC NYC, CPH:DOX, Sheffield Doc, Cinemambiente e SEFF – Seoul Eco Film Festival.

COMPETIÇÃO LATINO AMERICANA

LONGAS-METRAGEM

“499” – Rodrigo Reyes (“499”, México/EUA, 88min, 2020)

O ano de 2021 marca o aniversário de 500 anos da conquista espanhola do México. Através dos olhos de um conquistador fantasmagórico, o filme recria a jornada épica de Hernán Cortez da costa de Veracruz à capital asteca de Tenochtitlan, local da atual Cidade do México. Enquanto o personagem fictício anacrônico interage com vítimas reais das fracassadas guerras das drogas do México, o cineasta retrata a atual crise humanitária do país como parte de um projeto colonial brutal e inacabado, ainda em andamento, 499 anos depois.

**Vencedor do prêmio de melhor fotografia pelo Festival de Tribeca (EUA), prêmio especial do juri em Hot Docs (Canadá), selecionado para a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (Brasil), para o Festival Internacional de Documentário de Montréal (Canadá), pelo IDFA-Amsterdã (Holanda) e Festival Internacional do Novo Cinema Latino-Americano (Cuba)

CHICO REI ENTRE NÓS – Joyce Prado (“Chico Rei Entre Nós”, Brasil, 94min, 2020)

Chico Rei foi um rei congolês que se tornou escravo e libertou a si mesmo e a seus súditos durante o Ciclo de Ouro em Minas Gerais. Sua história é o ponto de partida para explorar os diversos ecos da escravidão brasileira na vida dos negros de hoje, entendendo seu movimento de autoafirmação e liberdade a partir de uma perspectiva coletiva.

**Vencedor do Prêmio do Público de melhor documentário brasileiro e menção honrosa do Júri pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (Brasil), selecionado para o Festival do Rio (Brasil), Festival de Vitória (Brasil) e para o Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul (Brasil)

EDNA – Eryk Rocha (“Edna”, Brasil, 64min, 2021)

À beira da rodovia Transbrasiliana, Edna vive em uma terra em ruínas, construída sobre massacres. Criada apenas pela mãe, ela experimenta, no seu corpo e nos corpos de seus descendentes, as marcas de uma guerra que nunca acabou: a guerra pela terra. Tecida a partir dos relatos e escritos de Edna no caderno que ela intitulou A História de Minha Vida, a narrativa híbrida transita, entre real e imaginário, por guerrilhas, desaparecimentos e desmatamentos, mas também pela força de mulheres, rios e matas que insistem em sobreviver.

**Selecionado para os festivais Visions du Réel (Suíça), É Tudo Verdade (Brasil) e premiado no Festival de Pesaro (Mostra Internacionzale del Nuovo Cinema di Pesaro, Itália) e selecionado para La Semana del Documental de Doc Montevideo (Uruguay)

ERA UMA VEZ NA VENEZUELA – Anabel Rodríguez (“Once Upon a Time in Venezuela”, Venezuela/Reino Unido/Áustria/Brasil, 99min, 2020)

Sob os relâmpagos silenciosos do Catatumbo existe uma cidade aquática chamada Congo Mirador, ao sul do Lago Maracaibo, o maior campo petrolífero da Venezuela. Lá, as pessoas se preparam para as eleições parlamentares. Para a líder chavista do povoado, Tamara, cada voto conta, e ela faz todo o possível para obtê-los. Para Natalie, timidamente oposta, a política é uma arma para tirá-la do emprego de professora. A pequena Yoaini observa sua comunidade ficar lamacenta com a sedimentação e sua infância ser dissolvida. Como pode uma vila de pescadores sobreviver à corrupção, poluição e devastação política?

**Selecionado para o Festival de Sundance (EUA), Hot Docs (Canadá) e TIFF (Canadá)

LUZ NOS TRÓPICOS – Paula Gaitán (“Luz nos Trópicos”, Brasil, 260min, 2020)

Em Luz nos Trópicos, a cineasta Paula Gaitán tece uma densa estrutura de histórias e linhas do tempo, enredada por cosmogonias indígenas, cadernos de viagem e literatura antropológica. O filme é um tributo à abundante vegetação das Américas e às populações nativas do continente. Um filme de navegação livre como um rio sinuoso.

**Selecionado para o Berlinale (Alemanha), Olhar de Cinema de Curitiba (Brasil), CineBH (Brasil), Mostra de Tiradentes (Brasil) e Doclisboa (Portugal)

MATA – Fábio Nascimento e Ingrid Fadnes (“Mata”, Brasil, 79min, 2020)

Diante do avanço das plantações de eucalipto, um agricultor e uma comunidade indígena se posicionam como resistência e revelam o impacto da monocultura no meio ambiente, em contraste com os modos de vida tradicionais. O inimigo também pode ser verde.

MEU QUERIDO SUPERMERCADO – Tali Yankelevich (“Meu Querido Supermercado”, Brasil/Noruega, 80min, 2020)

Enquanto executam atividades extremamente repetitivas, os funcionários de um supermercado encontram espaço para expressar suas dúvidas, afetos, medos e sonhos improváveis. Humor, drama, mistério, romance e física quântica convivem com caixas de leite, cortes de carne, códigos de barra e câmeras de segurança. No espaço confinado da loja, os funcionários não permitem que a rotina aprisione sua imaginação.

**Selecionado para o IDFA-Amsterdã, para o Festival de Guadalajara (México), É Tudo Verdade (Brasil), Visions du Réel (Suíça)

NŨHŨ YÃG MŨ YÕG HÃM: ESSA TERRA É NOSSA! – Isael Maxakali, Sueli Maxakali, Carolina Canguçu, Roberto Romero (“Nũhũ Yãg Mũ Yõg Hãm: Essa Terra É Nossa!”, Brasil, 70min, 2020)

Antigamente, os brancos não existiam e nós vivíamos caçando com os nossos espíritos yãmĩyxop. Mas os brancos vieram, derrubaram as matas, secaram os rios e espantaram os bichos para longe. Hoje, as nossas árvores compridas acabaram, os brancos nos cercaram e a nossa terra é pequenininha. Mas os nossos yãmĩyxop são muito fortes e nos ensinaram as histórias e os cantos dos antigos que andaram por aqui.

**Selecionado para Sheffield Doc Fest (Reino Unido), Forumdoc.BH (Brasil) e Mostra de Tiradentes (Brasil)

O ÍNDIO COR DE ROSA CONTRA A FERA INVISÍVEL: A PELEJA DE NOEL NUTELS – Tiago Carvalho (“O Índio Cor de Rosa Contra a Fera Invisível: A Peleja de Noel Nutels”, Brasil, 71min, 2020)

Entre as décadas de 1940 e 1970, o médico sanitarista Noel Nutels percorreu o Brasil tratando da saúde de indígenas, ribeirinhos e sertanejos, e filmou muitas de suas expedições em filmes de 16mm. Em 1968, foi convidado a falar sobre a questão indígena à CPI do índio, dias antes do AI5. Imagens inéditas de seu acervo e o único registro de sua voz se unem em O Índio Cor de Rosa Contra a Fera Invisível para denunciar o que ele chamou de massacre histórico contra as populações indígenas.

**Vencedor de melhor documentário iberoamericano no FIDBA (Argentina), menção honrosa do Juri no Olhar de Cinema de Curitiba (Brasil), Cine Eco Seia (Portugal) e Forumdoc.BH (Brasil)

PAJEÚ – Pedro Diogenes (“Pajeú”, Brasil, 74min, 2020)

Maristela está sendo atormentada por um sonho constante: uma criatura emergindo das águas do Riacho Pajeú. A estranheza e insistência do pesadelo começam a atrapalhar o sono e o cotidiano de Maristela, que, procurando uma solução para seu problema, inicia uma pesquisa sobre o Riacho, sua história e seu desaparecimento. Os pesadelos não param. Sonho e realidade se misturam. Pessoas próximas a Maristela começam a desaparecer, assim como o Pajeú desapareceu. A angústia dela aumenta, junto com o medo de também sumir.

**Selecionado para os festivais de FIDMarseille (França), Olhar de Cinema de Curitiba (Brasil), Forumdoc.BH (Brasil),  FICA (Brasil) e Mostra de Tiradentes.

PIEDRA SOLA – Alejandro Telémaco Tarraf (“Piedra Sola”, Argentina, 72min, 2020)

A 4000 metros acima do nível do mar, nas profundezas da Puna argentina, um pastor de lhamas procura a trilha de um puma invisível que está matando seu gado. Após sua busca, ele será conduzido a um encontro místico entre seus ancestrais e a forma mutável do puma.

**Selecionado para o Festival de Rotterdã (Holanda), MirandasDoc (Espanha), Doclisboa (Portugal) e Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (Brasil)

SOBRADINHO – Marília Hughes e Cláudio Marques (“Sobradinho”, Brasil, 70min, 2020)

Das 73 mil pessoas que foram forçadas a abandonar a região de Sobradinho, Dona Pequenita foi a única a retornar. Moradora solitária em uma cidade fantasma, ela recebe a visita de três assistentes sociais que foram responsáveis por convencer a população a sair, à época.

TERRITÓRIO SUAPE – Cecilia da Fonte, Laercio Portella, Marcelo Pedroso (“Território Suape, Brasil, 70min, 2020)

A chegada do complexo portuário e industrial de Suape trouxe oportunidades de negócio para as grandes construtoras e seus bairros planejados de “alto padrão”, em contraste com o impacto ambiental e a vida vivida na periferia e na área rural do Cabo de Santo Agostinho (PE), cidade de maior vulnerabilidade para o jovem negro no Brasil.

**Selecionado para o festival Forumdoc.BH (Brasil)

CURTA-METRAGEM

A MORTE BRANCA DO FEITICEIRO NEGRO – Rodrigo Ribeiro (“The White Death of the Black Wizard”, Brasil, 10min, 2020)

Memórias do passado escravista brasileiro transbordam em paisagens etéreas e ruídos angustiantes. Através de um poético ensaio visual, uma reflexão sobre silenciamento e invisibilização do povo preto em diáspora, numa jornada íntima e sensorial.

**Vencedor do Prêmio Revelação no Festival Internacional de Curtas de São Paulo (Brasil), selecionado para os festivais ZINEBI (Espanha), Festival Internacional de Documentário de Montréal (Canadá), Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (Brasil) e Forumdoc.BH (Brasil).

AFETO – Gabriela Gaia Meirelles, Tainá Medina (“Affection”, Brasil, 15min, 2019)

Em meio a uma das maiores crises políticas e representativas brasileiras, AFETO investiga o apagamento simbólico da mulher no espaço público através da arquitetura, de performances e imagens de arquivo.

**Menção Honrosa no festival de Vitória (Brasil) e selecionado para o festival Visions du Réel (Suíça)

AKÁ – Adolfo Fierro, Juan González (“Aká”, México, 28min, 2020)

Adolfo, um jovem rarámuri, nos conta, através de suas imagens, a necessidade de documentar tudo ao seu redor, percebendo como sua comunidade foi desaparecendo. Sem saber, ele se tornou o primeiro cinegrafista de sua cidade.

APIYEMIYEKÎ? – Ana Vaz (“Apiyemiyekî?”, Brasil, França, Portugal, 28min, 2019)

Um arquivo de desenhos feitos pelos Waimiri-Atroari durante a sua primeira experiência de alfabetização, Apiyemiyekî? compõe uma memória visual coletiva a partir do seu processo de aprendizagem, perspectiva e território, ao passo que documenta o encontro com o “homem civilizado”.

**Selecionado para o Festival de Rotterdã (Holanda), Berlinale (Alemanha), Indie Lisboa (Portugal) e Festival de Valdivia (Chile)

CASCARITA – Jimena Barrera (“Cascarita”, México, 4min, 2020)

Um brinquedo de corda fica constantemente sem energia quando quer brincar com seus amigos movidos a bateria. Ele terá que encontrar uma maneira de remediar sua falta de energia e ajudar seus amigos a pararem de depender do uso de baterias.

GILSON – Vitória Di Bonesso (“Gilson”, Brasil, 5min, 2020)

A desigualdade social e concentração de renda são vistos através da trajetória de um entregador de aplicativo de delivery que precisa trabalhar durante a pandemia da Covid-19.

**Selecionado para o Festival do Rio (Brasil) e Festival Internacional de Curtas de São Paulo (Brasil)

JANELAS DAQUI – Luciano Vidigal, Arthur Sherman (“Janelas Daqui”, Brasil, 15min, 2020)

Através de suas janelas, moradores relatam críticas, poesias e reflexões sobre a pandemia da Covid-19 na favela do Vidigal.

KOPACABANA – Marcos Bonisson, Khalil Charif (Brasil, 14min, 2019)

Filme experimental elaborado através de uma colagem de imagens atuais e de arquivo (em Super 8 e digital), ambientado em Copacabana, epicentro de experiências interculturais, sociais e sensoriais. Narrado pela fala significante do poeta Fausto Fawcett e sonorizado pelo músico Arnaldo Brandão.

**Selecionado para o Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro (Brasil) e Festival Internacional de Curtas de São Paulo (Brasil).

LAGOA NEGRA – Felipe Esparza (“Laguna Negra”, Peru, 34min, 2020)

Para seus fiéis habitantes, as montanhas do Peru são um espaço sagrado e cheio de mistérios. A natureza está no centro de tudo, da vegetação à lama cintilante, dos ventos cortantes à névoa silenciosa. No meio deles, um curandeiro avisa para não se deixarem distrair com coisas inúteis.

**Selecionado para o Festival de Rotterdã (Holanda)

MINEIROS – Amanda Dias (“Mineiros”, Brasil, 23min, 2020)

Minas é o principal estado minerador do país. A mineração está na raiz, na origem, na economia e no nome de Minas Gerais. O sangue dos mineiros está na mineração.

**Selecionado para a Mostra de Tiradentes (Brasil) e Forumdoc.BH (Brasil)

MUNDO – Ana Edwards (“Mundo”, Chile, 19min, 2020)

Mundo observa como a paisagem é remodelada por meio de noções evangélicas após a conversão de Matilde, uma senhora aimará idosa. O outrora reverenciado mundo natural foi rebaixado em seu status; agora, é considerado um lugar ameaçador dominado pelo diabo.

**Selecionado para o IDFA-Amsterdã

O SUBMUNDO DE ROGELIO – Álvaro Muñoz Sánchez (“El inframundo de Rogelio”, Colombia, 12min, 2019)

Mineiros indígenas desafiam o pacto que tirou centenas de vidas na mina El Vinagre: aquele que os primeiros donos fizeram com o diabo em troca de toneladas de enxofre que foram exportadas como insumos para explosivos durante a Segunda Guerra Mundial.

RIO DAS ALMAS E NEGRAS MEMÓRIAS – Taize Inácia, Thaynara Rezende (“Rio das Almas e Negras Memórias”, Brasil, 20min, 2019)

Baseado em histórias reais sobre memórias dos negros escravizados às margens do Rio das Almas, um musical preto que fabula sobre o processo mais violento por que nós, pessoas negras, já fomos acometidas. Através da força da dança e das manifestações culturais afro-brasileiras, uma retratação do trauma e das memórias furtadas da escravização.

TAPAJÓS AMEAÇADO – Thomaz Pedro (Brasil, 24min, 2021)

O filme acompanha 25 lideranças indígenas da região do baixo e médio Tapajós para apresentar as suas perspectivas em relação a uma série de megaprojetos que estão sendo planejados para a região, tais como ferrovias, hidrovias, agronegócio, mineração e outros.

TOPAWA – Kamikia Kisedje, Simone Giovine (“Topawa”, Brasil, 7min, 2019)

As redes de tucum, o primeiro contato com os brancos. As mulheres Parakanã tecem os fios da sua história.

**Vencedor do Prêmio do Júri de melhor curta-metragem no Forumdoc.BH (Brasil)

TWAKANA YAGAN – Rodrigo Tenuta, Ignacio Leonidas (“Twakana Yagan, Argentina, 15min, 2020)

Catalina Yagan, 89, lembra a música de seu avô Asenewensis. Seus filhos Victor e Roberto Vargas embarcam em uma viagem a cavalo a partir da reserva indígena que ocupam atualmente, cruzando as margens do canal Onashaga em busca de seu reflexo ancestral. Twakana significa ensino e, por meio desse relato, é proposta uma conexão com o canto ritual de Asenewensis. A língua yagán atravessa a natureza crua e o sentimento de um povo vivo.

YAÕKWA – IMAGEM E MEMÓRIA – Rita Carelli, Vincent Carelli (“Yaõkwa – Imagem e Memória”

O Vídeo nas Aldeias realizou com os índios Enawenê Nawê, durante quinze anos, extensos registros do Yaõkwa, seu mais longo ritual, em que os mestres de cerimônia puxam, durante sete meses, uma miríade de cantos a fim de manter o equilíbrio do mundo terreno com o mundo espiritual. Neste filme, outros quinze anos mais tarde, os Enawenê Nawê reencontram essas imagens e, com elas, parentes falecidos, costumes que caíram em desuso e preciosos cantos rituais.

**Selecionado para os festivais Forumdoc.BH (Brasil) e É Tudo Verdade (Brasil).

PROGRAMA ESPECIAL – TERRITÓRIOS URBANOS: SEGREGAÇÃO, VIOLÊNCIA E RESISTÊNCIA

À MARGEM DA IMAGEM – Evaldo Mocarzel (“À Margem da Imagem”, Brasil, 72min, 2003)

O filme dá voz a moradores de rua da cidade de São Paulo e àqueles que com eles convivem e trabalham cotidianamente em prol de lhes dar assistência. Essa população encontra-se nas ruas pelos mais diversos motivos e, nela, desenvolve uma cultura própria, além de diversas formas de resistir a essa dura realidade. O filme focaliza temas como exclusão social, desemprego, alcoolismo, loucura, religiosidade, espaços públicos contemporâneos, degradação urbana, cidadania, alteridade e o roubo da imagem dessas comunidades. Baseado em estudos da filósofa e pesquisadora Maria Cecília Loschiavo.

**Vencedor de Melhor Documentário pelo Festival de Gramado e Festival do Rio, Prêmio Especial do Juri no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

A VIZINHANÇA DO TIGRE – Affonso Uchoa (“A Vizinhança do Tigre”, Brasil, 95min)

Juninho, Menor, Neguinho, Adilson e Eldo são jovens moradores do bairro Nacional, periferia de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte. Divididos entre o trabalho e a diversão, o crime e a esperança, cada um deles terá de encontrar modos de superar as dificuldades e domar o tigre que carregam dentro das veias.

**Vencedor do Prêmio da Mostra Aurora e Prêmios do Júri da Crítica na Mostra de Tiradentes, Prêmio da Crítica no Olhar de Cinema pelo Festival Internacional de Curitiba, Melhor Filme no Festival de Documentários de Cachoeira e Melhor Direção no Festival Internacional do Filme Documentário e Experimental de Goiânia.

ATOS DOS HOMENS – Kiko Goifman (“Atos dos Homens”, Brasil, 78min, 2006)

Inicialmente, este seria um documentário sobre sobreviventes de chacinas no Rio de Janeiro. Porém, no curso da preparação das filmagens, um novo e hediondo massacre perpetrado por policiais tem lugar na Baixada Fluminense. A matança ocorrida nas cidades de Nova Iguaçu e Queimados faz com que a equipe do projeto acabe se voltando para o cotidiano dos moradores da região atingida, escancarando a profunda desigualdade social e a banalização da morte, modo corriqueiro de resolução de conflitos em algumas periferias urbanas do país.

**Selecionado para Berlinale (Alemanha), Festival de Guadalajara (México) e Bafici (Argentina)

AUTO DE RESISTÊNCIA – Natasha Neri, Lula Carvalho (“Auto de Resistência”, Brasil, 105min, 2018)

Um acompanhamento dos casos de homicídios cometidos pela Polícia Militar do Rio de Janeiro classificados como “autos de resistência”, isto é, legítima defesa. Durante a tramitação dessas ocorrências na justiça, fica evidente o padrão de imprudência da corporação em relação a elas: investigações esdrúxulas e perícias defeituosas, que levam 98% dos inquéritos a serem arquivados. O filme acompanha a trajetória de personagens que lidam com essas mortes em seu cotidiano, mostrando o tratamento dado pelo Estado a esses casos, desde o momento em que um indivíduo é morto, passando pela investigação da polícia, até as fases de arquivamento ou julgamento por um tribunal do júri.

**Vencedor de Melhor Filme Brasileiro pelo Festival É Tudo Verdade.

BRANCO SAI, PRETO FICA – Adirley Queirós (“Branco Sai, Preto Fica”, Brasil, 95min, 2014)

Tiros em um baile de black music na periferia de Brasília ferem dois homens, que ficam marcados para sempre. Um terceiro vem do futuro para investigar o acontecido e provar que a culpa é da sociedade repressiva.

**Vencedor de Melhor Filme/Melhor Ator/Melhor Direção de Arte/Prêmio da Crítica/Prêmio Saurê/Prêmio Exibição TV Brasil pelo Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, melhor filme pelo Fesitval do Uruguai, Melhor filme latino-americano no Festival de Mar de Plata (Argentina), Prêmio Especial do Júri e Prêmio da Crítica pelo Festival de Cartagena (Colômbia), Melhor Filme Internacional pelo Festival Pachamama (Brasil), Prêmio Olhares Brasil e Prêmio Especial do Júri pelo Festival Internacional de Curitiba, Melhor Filme e Prêmio do Público pelo Festival de Documentários de Cachoeria, Melhor Desenho de Som pelo Festival de Vitória e menção honrosa na Mostra Aurora e Prêmios do Júri e da Crítica pela Mostra de Tiradentes

CORPO DELITO – Pedro Rocha (“Corpo Delito”, Brasil, 74min, 2017)

Ivan, de 30 anos, acaba de sair da cadeia depois de oito anos preso. Ele agora está de volta à sua casa, de volta ao convívio com sua esposa e sua filha, que ele mal conhece. É uma chance de retomar a vida; porém, ele ainda não está livre, sua liberdade é condicional e, por isso, seus passos são controlados por uma tornozeleira eletrônica. Apenas o trajeto da casa ao trabalho é permitido, mas Ivan não se conforma e oscila constantemente entre o dever de ficar em casa e o desejo de ganhar a rua. Se ceder à tentação, porém, estará arriscando o benefício da progressão de sua pena.

**Selecionado pelos festivais Dok Leipzig (Alemanha), forumdoc.bh (Brasil) e Mostra de Tiradentes (Brasil)

ELEVADO 3.5 – João Sodré, Maíra Bühler, Paulo Pastorelo (“Elevado 3.5”, Brasil, 75min, 2007)

O mundo de pessoas que se cruzam ao longo dos 3,5 quilômetros do Elevado Presidente João Goulart (nomeado anteriormente Elevado Presidente Costa e Silva e popularmente conhecido como Minhocão) – uma via expressa construída na região central da cidade de São Paulo durante a ditadura militar (1964-1985). Do nível da rua ao último andar, o filme revela diferentes pontos de vista e mergulha nas histórias dos personagens.

**Vencedor do prêmio de Melhor Filme Brasileiro pelo Festival É Tudo Verdade, selecionado para os festivais de Bogotá (Colômbia), de Biarritz (França) e Festival de Cinema Latino-Americano de Trieste (Itália)

ERA O HOTEL CAMBRIDGE – Eliane Caffé (“Era o Hotel Cambridge, Brasil, 120min, 2016)

No limite entre o documentário e a ficção, o filme narra a trajetória de refugiados recém-chegados ao Brasil que, junto com trabalhadores sem-teto, ocupam um velho edifício abandonado no centro da cidade de São Paulo. Em meio à tensão diária da ameaça do despejo, revelam-se dramas, situações cômicas e diferentes visões de mundo.

**Vencedor do Prêmio do Público pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (Brasil), Melhor Montagem/Prêmio do Público/Prêmio da Crítica no Festival do Rio, Menção Honrosa do Prêmio Spanish Cooperation no Festival de San Sebastián, Melhor Filme/Melhor Atuação no Festival Pachamama, Melhor Filme/Melhor Atriz/Prêmio da Crítica no Fest Aruanda (Brasil), Melhor Longa-metragem Internacional e Melhor Longa-Metragem Latino-americano no Festival Internacional Cinemigrante (Argentina) e Menção Honrosa no Festival de Cinema e Fórum de Direitos Humanos (Suíça)

FUTURO JUNHO – Maria Augusta Ramos (“Futuro Junho”, Brasil/Holanda, 100min, 2015)

O filme apresenta o retrato de um momento chave da história do Brasil, focando o cotidiano de quatro personagens que vivem na maior cidade do país. As realidades de um economista e analista do mercado financeiro, de um metalúrgico da Volkswagen, de um motoboy e de um metroviário acabam reforçando diferentes aspectos do cenário socioeconômico brasileiro em um período de tensão social. Este documentário é construído a partir da observação do cotidiano dessas pessoas nas três semanas que antecedem a abertura dos jogos da Copa do Mundo da FIFA.

**Vencedor de Melhor Filme e Menção Honrosa da Crítica no Janela Internacional de Cinema do Recife (Brasil), Melhor Direção de Documentário no Festival do Rio (Brasil) e selecionado para o Festival de Documentários de Yamagata (Japão)

MATARAM MEU IRMÃO – Cristiano Burlan (“Mataram Meu Irmão”, Brasil, 77min, 2013)

Ao reconstituir os detalhes da morte de seu irmão aos 22 anos, o cineasta Cristiano Burlan lança-se em uma jornada pessoal que o leva a desvelar certos padrões no círculo da violência atuante nos bairros da periferia paulistana e, em particular, no Capão Redondo, onde ele morava com a família. Ao investigar as razões pelas quais o irmão acabou se envolvendo com drogas e roubo de carros, o diretor expõe partes de sua própria história familiar. Os depoimentos de parentes e amigos trazem à tona os destinos de diversos personagens, mapeando um histórico de dolorosas feridas emocionais.

**Vencedor de Melhor Filme Brasileiro e Prêmio da Crítica no É Tudo Verdade (Brasil), Melhor Documentário no Festival Sesc Melhores Filmes (Brasil), Prêmio Governador do Estado para Cultura na categoria Cinema (Brasil) e Menção Honrosa de Melhor Documentário no Cinesul (Brasil)

MEU CORPO É POLÍTICO – Alice Riff (“Meu Corpo É Político”, 71min, 2017)

O filme acompanha o cotidiano de quatro militantes LGBTQIA+ que vivem em periferias de São Paulo. Estão em foco sua intimidade e o contexto social urbano no qual estão inseridos. Questões contemporâneas prementes da população trans e seus campos de disputas políticas são mostrados sem tabus e trazendo o ponto de vista das personagens retratadas.

**Vencedor de Melhor Filme Brasileiro no Olhar de Cinema (Brasil), Prêmio de Melhor Filme no Lovers – Festival LGBTQI de Turim (Itália), selecionado para os festivais Visions du Réel (Suíça), Bafici (Argentina), Festival de Havana (Cuba)

NOTÍCIAS DE UMA GUERRA PARTICULAR – João Moreira Salles, Katia Lund (“Notícias de Uma Guerra Particular”, Brasil, 57min, 2000)

O filme apresenta a realidade da violência urbana na cidade do Rio de Janeiro no final da década de 1990, partindo do cotidiano no morro Dona Marta. Por meio de depoimentos de moradores, traficantes e policiais, um cenário de insegurança, corrupção e injustiças vai se revelando.

**Vencedor de Melhor Filme da Competição Brasileira e Menção Especial da Competição Internacional no É Tudo Verdade (Brasil) e Prêmio Margarida de Prata da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (Brasil) 

O CASO DO HOMEM ERRADO – Camila de Moraes (“O Caso do Homem Errado”, 77min, 2017)

O operário negro Júlio César de Melo Pinto foi executado em Porto Alegre pela Polícia Militar nos anos 1980. A história do jovem é contada através de depoimentos como o do fotógrafo que fez as imagens que tornaram o caso conhecido e o da viúva do operário, além de nomes respeitados da luta pelos direitos humanos e do movimento negro no Brasil.

**Vencedor de Melhor Documentário no LABRFF – Festival do Cinema Brasileiro de Los Angeles (EUA), Melhor Filme no Festival Cine Latino de Punta del Este (Uruguai) e selecionado para o Festival de Gramado

O PRISIONEIRO DA GRADE DE FERRO – Paulo Sacramento (“O Prisioneiro da Grade de Ferro”, Brasil, 123min, 2003)

O sistema carcerário brasileiro visto de dentro: um ano antes da desativação da Casa de Detenção do Carandiru (São Paulo), detentos aprendem a utilizar câmeras de vídeo e documentam o cotidiano do maior presídio da América Latina.

**Vencedor de Melhor Filme da Competição Internacional/Melhor Filme da Competição Brasileira/Prêmio ABD – Associação Brasileira de Documentaristas/Prêmio MinC no É Tudo Verdade (Brasil), Prêmio da Crítica para Documentário no Festival de Gramado (Brasil), Menção Especial da Mostra Future Film / Digital no Festival de Veneza (Itália), Prêmio Especial do Júri no Festival do Rio (Brasil), Melhor Direção de Documentário no Festival de Tribeca (EUA), Melhor Documentário no Festival de Málaga (Espanha), Melhor Documentário no Grande Prêmio TAM do Cinema Brasileiro (Brasil) e Prêmio de Melhor Diretor Estreante da APCA.

O RAP DO PEQUENO PRÍNCIPE CONTRA AS ALMAS SEBOSAS – Marcelo Luna, Paulo Caldas (“O Rap do Pequeno Príncipe Contra as Almas Sebosas”, Brasil, 75min, 2000)

Dois personagens reais formam o eixo deste documentário: Helinho, justiceiro, 21 anos, conhecido como “Pequeno Príncipe”, é acusado de matar 65 bandidos; Garnizé, músico, 26 anos, componente da banda Faces do Subúrbio, militante político e líder comunitário, usa a cultura para enfrentar a difícil sobrevivência na periferia. Os dois são filhos de uma guerra social silenciosa, que é travada diariamente nos subúrbios das grandes cidades brasileiras.

**Vencedor do Prêmio do Público no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro
Prêmio GNT de Renovação de Linguagem no É Tudo Verdade (Brasil), Prêmio Gran Coral de Segundo Melhor Documentário no Festival de Havana (Cuba), Prêmio de Melhor filme na Jornada de Cinema da Bahia (Brasil), Prêmio de Melhor Direção no Festival de Cuiabá (Brasil), La Biennale – Festival de Veneza (Itália) e Festival de Roterdã (Holanda)

UM LUGAR AO SOL – Gabriel Mascaro (Brasil, 71min, 2009)

Moradores ricos que vivem muito acima da realidade das ruas discutem uma vida na qual o privilégio cria um universo à parte.

**Vencedor do Prêmio de Melhor Documentário no FIDOCS (Chile) e Menção Especial do Júri no Bafici (Argentina) e selecionado para os festivais Visions du Réel (Suíça), CPH:DOX (Dinamarca), Festival de Havana (Cuba), Festival de Cartagena (Colômbia), Festival de Miami (EUA), Festival de Málaga (Espanha), Festival de Toulouse (França), Festival do Uruguai (Uruguai), Festival dos Três Continentes de Nantes (França), Festival de Bratislava (Eslováquia)
ESPECIAL ENERGIA NUCLEAR – 35 ANOS DE CHERNOBYL, 10 ANOS DE FUKUSHIMA

FUKUSHIMA: UMA HISTÓRIA NUCLEAR – Matteo Gagliardi (“Fukushima: A Nuclear Story”, Itália, 84min, 2015)

O jornalista italiano Pio d’Emilia, correspondente estrangeiro há mais de 30 anos no Japão, foi um dos primeiros jornalistas a chegar ao local do maior acidente nuclear ocorrido no país dos desastres de Hiroshima e Nagasaki. Foram anos de investigação para se chegar aos fatos e descobrir que o que salvou Tóquio e, provavelmente, grande parte do Japão, foi o mau funcionamento de uma válvula. Filmado ao longo de 4 anos e com a narração do ator norte-americano Willem Dafoe, Fukushima: Uma História Nuclear faz a pergunta: a energia nuclear – ainda – é viável?

**Vencedor de Melhor documentário de longa-metragem – Uranium Film Festival (Brasil), selecionado para o Thessaloniki Documentary Festival (Grécia) e Cinemambiente (Itália)

NUCLEAR FOREVER– Carsten Rau (“Atomkraft Forever”, Alemanha, 94min, 2020)

Em tempos de emergência climática, de onde deve vir a energia do futuro? A energia nuclear é uma opção, mas essa controversa fonte de energia é também um campo minado em termos políticos. Na ex-Alemanha Oriental, muitas usinas nucleares estão sendo desativadas como resultado da nova política de Merkel, que surgiu na sequência de Fukushima. Mas, tanto nas pequenas comunidades locais como no cenário político internacional, a energia nuclear continua sendo uma opção popular. Num esforço para contribuir para o debate, Nuclear Forever examina os argumentos a favor e contra a energia nuclear, não importa o quão controversos eles possam ser.

**Selecionado para os festivais DOK Leipzig (Alemanha), CPH:DOX (Dinamarca), Festival de Cinema Ambiental de Washington D.C. (EUA)

O DESASTRE DE CHERNOBYL – Thomas Johnson (“The Battle of Chernobyl”, França, 94min, 2006)

No dia 26 de abril de 1986, o quarto reator da usina nuclear de Chernobyl explodiu. Uma formidável reação em cadeia ameaçava causar uma segunda explosão ainda mais poderosa. Durante oito meses, 800.000 jovens soldados, mineiros, até civis, vindos de todas as Repúblicas da União Soviética foram enviados ao local para tentar “liquidar” a radioatividade, construindo o “sarcófago” que cobre a lava ainda radioativa. Este documentário televisivo premiado reconstrói uma batalha feroz contra um inimigo invisível, batalha cuja consequência mais surpreendente foi a derrocada da União Soviética.

**Vencedor de Melhor documentário no Festival Prix (Itália), Grande prêmio do júri e melhor montagem no Festival das Nações Unidas, Grand Prix para documentário nos prêmios Banff World Television (Canadá) e Menção Especial no Prix Europa

O ROLO Nº 11004 – Mirabelle Fréville (“La bobine 11004”, França, 19min, 2020)

Em 1946, oito meses após os bombardeios atômicos, uma equipe de filmagem do exército americano fez um documentário no Japão. Vários rolos foram filmados em Hiroshima e Nagasaki, mas, quando chegam aos Estados Unidos, as imagens são imediatamente classificadas como “segredo de defesa”. O Rolo nº 11004 explora os 19 minutos de um desses copiões e revela, quadro a quadro, a primeira censura da história nuclear.

**Selecionado para os festivais Visions du Réel (Suíça) 

STALKING CHERNOBYL – Iara Iee (“Stalking Chernobyl, Ucrânia/EUA/Bulgária/Eslováquia, 58min, 2020)

Stalking Chernobyl examina a cultura underground da Zona de Exclusão de Chernobyl. Três décadas após o desastre nuclear mais infame do mundo, a vida selvagem voltou na ausência de assentamentos humanos. Enquanto isso, aventureiros de caminhadas ilegais (conhecidos como stalkers), aficionados por esportes radicais, artistas e empresas de turismo começaram a explorar novamente a paisagem fantasmagórica pós-apocalíptica, a despeito do risco de contaminação.

**Vencedor de Melhor Filme de Aventura no Cannes World Film Festival (França) e
Melhor Filme – Festival Internacional de Arizona (EUA)

CONCURSO CURTA ECOFALANTE

ÀPROVA – Natasha Rodrigues (“Àprova”, Brasil, 16min, 2020)

A conquista da aprovação das cotas étnico-raciais na Unicamp ocorreu em 2017, devido à mobilização de centenas de pessoas de dentro e fora da instituição. Entre os vazios da Universidade e o brado tempestuoso da luta pelas cotas, o documentário-ensaio Àprova apresenta as vozes de quem viveu e ainda vive a Unicamp sob as forças do racismo e da discriminação.

**Selecionado para o Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo (Brasil) e Griot – Festival de Cinema Negro Contemporâneo (Brasil)

BEATMAKERS – Luciana Santos, Sabrina Emanuelly (“Beatmakers”, Brasil, 22min, 2019)

O documentário acompanha a rotina de quatro mulheres que vivem da música: Rafa Jazz, Iasmin Turbininha, Evehive e Sue. Entre apresentações e shows lotados, solitários processos de criação de beats e entrevistas, apresenta-se o que é a beatmaker, a profissional da cena do hip hop que é responsável pela criação rítmica e instrumental da música a partir de sons e outras músicas. Também discute os obstáculos enfrentados por elas nos diferentes estágios de suas carreiras, a relação profissional e pessoal e os aspectos sociais, políticos e econômicos da mulher beatmaker.

**Selecionado para o Festival de Cinema de Diversidade Sexual e de Gênero de Goiás (Brasil) e no Festival Imagem-Movimento (Brasil)

CASA DOS AMIGOS – Lena Bertanin, Pedro Oliveira (“Casa dos Amigos, Brasil, 9min, 2021)

Esse pequeno documentário apresenta a “Casa dos Amigos”, um projeto autossustentável gerido por ex-moradores de rua em Antônio Carlos – SC, na Grande Florianópolis. Encabeçada por Daniel Paz dos Santos desde 2017, a Casa hoje recebe 20 moradores, que se dividem para realizar diversas atividades como o plantio de orgânicos, a construção de móveis e a reciclagem.

EFEITO ZUVUYA – Gabriel Guizani (“Efeito Zuvuya”, Brasil, 13min, 2020)

Efeito Zuvuya é uma videoperformance experimental que tem como propósito questionar os efeitos da colonização em Abya Yala – continente que, depois de invadido pelos europeus, passou a ser chamado de “América” – através de uma performance em diferentes ambientes naturais e modificados. O curta representa as sensações presentes no processo histórico dos últimos séculos, denunciando a violência imposta aos povos originários, fazendo um paralelo com o sistema capitalista vigente e os seus efeitos degradantes no presente, gerando, assim, reflexão sobre o que teremos no futuro caso esse sistema de exploração exacerbada continue dominante no mundo.

LETÍCIA, MONTE BONITO, 04 – Julia Regis (“Letícia, Monte Bonito, 04”, Brasil, 19min, 2020)

No interior do Rio Grande do Sul, Laís conhece a intensa Letícia, com quem passa uma tarde letárgica de verão.

NÃO TOQUE, É DRAG! – Gabriel Cabral (“Não Toque, É Drag!”, Brasil, 20min, 2020)

“Não toque, é Drag” é um documentário de curta-metragem sobre a vida de três Drag Queens pernambucanas, onde é mostrada a realidade delas, seus trabalhos como artistas e suas vidas. O filme tenta desmistificar o estereótipo drag queen enraizado na sociedade. Esse projeto foi o trabalho de conclusão de curso de Gabriel Cabral.

QUARENTENA PRA QUEM? – Laís Maciel, Isabella Vilela (“Quarentena Pra Quem?”, Brasil, 22min, 2020)

Quando foi decretada a quarentena no estado de São Paulo em decorrência da covid-19, parte da população passou a ficar em casa, mas outros não tiveram essa opção. O documentário traz a visão de três trabalhadores que não pararam de trabalhar durante a pandemia.

REMANESCENTE – João Victor Avila (“Remanescente”, Brasil, 25min, 2019)

O município de Guapé, até a década de 1960, era uma próspera cidadezinha no Sul de Minas; em 1963, ela foi alagada pela construção da barragem de Furnas. Os anos se passaram e as memórias da antiga cidade foram deixadas de lado, caindo no esquecimento de parte da população. Remanescente tem a intenção de retomar as lembranças de sujeitos que viveram na antiga Guapé, com o objetivo de resgatar as histórias que foram levadas embora por uma promessa governamental de avanço e progresso que nunca chegou.

VER A CHINA – Amanda Carvalho (“Ver a China”, Brasil, 30min, 2019)

Uma realizadora estrangeira é convidada a visitar a China com a tarefa de produzir um filme documentário sobre a produção de chá na província de Fujian. Um ano depois, de volta ao Brasil, retoma suas imagens e aquilo que foi visto em território chinês.

**Menção honrosa para curta-metragem brasileiro – É Tudo Verdade (Brasil) e selecionado para o Curta Cinema – Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro (Brasil) e CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto (Brasil)

VILA DOS PESCADORES – DA PESCA AO POVO – Cintia Neli da Silva Inacio, Geovanne Rafael V. da Silva (“Vila dos Pescadores – Da Pesca ao Povo”, Brasil, 15min, 2019)

Realizado por moradores da Vila dos Pescadores, em Cubatão, durante oficinas audiovisuais do Instituto Querô pelo projeto Querô Comunidade, o documentário constrói, através de depoimentos, um pouco da história dos antigos moradores do bairro e sua relação direta com a pesca e o meio ambiente, trazendo o olhar positivo dos moradores sobre a Vila dos Pescadores.


SERVIÇO

10ª Mostra Ecofalante de Cinema

de 11 de agosto a 14 de setembro de 2021

online e gratuita

acesso aos filmes e demais atividades pelo endereço www.ecofalante.org.br

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