Ficha Técnica

Direção: Sherry Horman
Roteiro: Sherry Horman, baseado em livro de Waris Dirie
Elenco: Liya Kebede, Sally Hawkins, Craig Parkinson, Meera Syal, Anthony Mackie
Fotografia: Ken Kelsch
Música: Martin Todsharow
Direção de arte: Matthias Klemme, Petra Klimek e Petra Maria Wirth
Figurino: Gabriele Binder
Edição: Clara Fabry
Efeitos especiais: CA Scanline Production
Produção:Peter Herrmann
Estúdio:Majestic Filmproduktion, MTM West Television & Film, Dor Film Produktionsgesellschaft, Desert Flower Filmproductions, ARD Degeto Film, Bac Films, Backup Films, BSI International Invest, Torus, Mr. Brown Entertainment
Distribuidora: Imovision
Duração: 125 minutos
País: Reino Unido, Alemanha, Áustria
Ano: 2009
COTAÇÃO: BOM

Apresentação

No filme dirigido por Sherry Hormann – que nasceu nos EUA, estudou em Munique e vive em Berlim – a top model etíope Liya Kebede, que faz o papel de Waris Dirie, conversou com o público, na pré-estreia, no Espaço de Cinema, Rio de Janeiro.

“É um filme especial para todos nós. Eu tive um bom apoio para fazer o filme. Waris tem uma fundação para ajudar neste problema.
A atriz Salma Hayek e seu marido ajudam a divulgar a causa. O importante é trabalhar a mentalidade das pessoas, assim a mudança é melhor que a lei. Meu maior desafio: terminar o filme que durou 10 / 11 semanas”

A opinião

A Somália é uma nação litoral dentro do Leste da África, conhecida como chifre da África, cercada por Etiópia e Djibouti no norte e no oeste, Quênia em seu sudoeste. O país segue tradições rudimentares (supersticiosas), mesmo sem constar nos preceitos da religião seguida no local. Uma delas é acreditar que a figura da mulher não é bem quista, realizando rituais de remoção do clitóris (circuncisão), o resto é cortado e costurado. A vagina só poderá ser reaberta com uma faca ou tesoura utilizada pelo marido. Assim busca-se a pureza, a virgindade, e mitiga o estigma negativo feminino.

Baseado no best-seller Desert Flower, o filme é a autobiografia da modelo somali Waris Dirie (Liya Kebede), mutilada aos 3 anos e vendida para casar aos 13. A garota fugiu da Somália e foi para os Estados Unidos, onde se tornou uma modelo mundialmente conhecida, além de embaixadora da ONU no tema.

É um épico político abrandando o tema apresentado em detalhes e músicas esperançosas. Inicia-se com o close de uma flor, direto para apresentar que Waris significa Flor do Deserto e com o nascimento de uma cabra, com plano aberto para descrever o lugar e suas crianças que conservam a pureza e a simplicidade. O cotidiano da família de Waris, ainda pequena, é mostrado, com sua vida pobre e esquecida. São chamados nômades. Assim, ambienta o espectador e o introduz na história.

O longa não é linear. Intercala passado e presente, por lembranças. Há um salto de época, anos depois, em Londres, percebe-se o contraste de culturas. Ela acredita no acaso e na benevolência das pessoas. Continua ingênua e determinada a uma vida melhor. Encontra dificuldades. Encontra oportunidades por uma vendedora de loja, por uma dona de pensão. Encontra preconceito de todos. Vasculha o lixo para se alimentar. “Pare de olhar com cara de cachorrinho carente”, diálogo irônico agressivo e defensivo, demonstrando uma superioridade hipócrita dos ingleses.

Encontra um fotógrafo (olheiro) que a vê como um sucesso. E assim, Waris experimenta o novo e os conflitos passados. Encontra a limitação própria. “Uma mulher respeitável não faz isso”, diz sobre o ato sexual. Ela acredita que o normal é ter sido “cortada”.

“Não pode devolver o que tiraram, mas resolver para não doer mais”, diz o médico sobre a mutilação feita sem cuidados. Quando ela foge, encontra perigos e precisa se defender. “Fama só serve para passar pelo aeroporto sem aborrecimentos”, diz-se. A atriz Liya Kebede, protagonista, arrebata o equilíbrio entre o excesso e a omissão, fornecendo uma atuação hipnótica e com uma beleza física angelical.

O mundo da moda acontece, entre prisão por imigração ilegal, golpe de estado da Somália, ela absorve o humor inglês típico. A fotografia do mundo fashion, clean, limpa, elegante, simples, encanta e faz com que quem assiste não desgrude os olhos. Ingressa-se, com um filme da BBC, a um mundo político. Levanta a bandeira e luta pelos direitos de respeito à mulher. A principal cena, a da mutilação, é realizada sem música incidental, com realismo. Choca e emociona.

Waris discursa sobre o tema no encontro da Organização das Nações Unidas e torna-se Embaixadora Especial contra a atrocidade abordada. “O último camelo da fila anda tão rápido quanto o primeiro”, diz. O filme finaliza que a prática é proibida, mas mesmo assim mais de seis mil crianças são mutiladas diariamente.

É um filme que merece ser visto. É um problema que necessita ser abolido e divulgado. Quando se desejou abrandar o tema, fez-se demais. Assim a carga emocional igualou-se a uma novela. A atriz principal é excelente, além de vários atores conhecidos do cinema inglês.

A Diretora

Sherry Hormann (20 de abril de 1960, Kingston, Nova York, E.U.A.), diretora e roteirista, na Alemanha, onde viveu desde 1966. De 1979 a 1983, estudou na Universidade de Televisão e Cinema de Munique. Ela então trabalhou como continuista e Diretora Adjunto de televisão e diversas produções no cinema. Também é figurinista e professora. Casou-se com o diretor Dominik Graf ligado, com quem tem uma filha.

O que se disse…

“Imigrantes trazem consigo essa tradição para seus novos lares. Isto é muito preocupante”, disse Hormann. “Por isso esperamos que o filme ajude a aumentar o grau de conscientização sobre o tema.”

“O mundo sabe que essas mutilações são erradas, mas até agora não se fez muita coisa. Não entendo por que o mundo fica só olhando”, declarou Waris Dirie no Festival de Veneza. E advertiu: “Em algum lugar do mundo uma menina está sendo mutilada agora. A amanhã, o mesmo destino espera mais outra menina”.

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