
Análise Sensorial e Vencedores do Prêmio Grande Otelo 2026
Confira tudo o que aconteceu na maior premiação do cinema brasileiro, que aconteceu ontem dia 04/08 no Teatro Municipal do Rio de Janeiro
Por Fabricio Duque
Em toda e qualquer análise sobre um festival e/ou uma premiação de cinema, nosso site tenta sempre, em primeiro plano, fugir do óbvio, sendo apenas um comentarista literal do que se viu na transmissão pela televisão. Esse óbvio já está bem documentado e já marcado literalmente como definitivo. Não, o que sempre busquei no Vertentes do Cinema foi o sensorial da ambiência, a metafísica do tempo suspenso, aquele gesto único e/ou aquela frase dita, perdida no casual. Sim, eu precisava intensificar isso para também adentrar na atmosfera oferecida do Troféu Grande Otelo, que é apregoada pela Presidente da Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais, Renata Magalhães, pelo Vice Paulo Mendonça e pelas diretoras Ariadne Mazzetti, Bárbara Paz, Gloria Pires e o diretor Jefferson De, e muito pela Direção Artística de Batman Zavareze e roteiro de Bebeto Abranches, estes que imprimem etérea nostalgia cinéfila, história do cinema brasileiro e uma linha condutora de sua narrativa, esta que falarei mais adiante neste texto. O Prêmio da Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais é popularmente chamado de Oscar brasileiro, que algumas más línguas preferem dizer “um Troféu Imprensa mais arrumadinho”. Esta minha análise comporta-se mais livre e sem a obrigação de uma jornalística etiqueta social polite, até porque tudo o que aconteceu pode ser assistido na íntegra no vídeo disponível no Youtube da Academia.
Assim, a mudança geográfica encontrou as escadarias e a arte centenária de um dos teatros mais icônicos e tradicionais do Rio de Janeiro. Um palco clássico que agora serve de cenário para homenagear o cinema brasileiro, e neste ano em especial o documentário, com duas categorias a mais na lista de premiação. Sim, a festa do ex-grande premio do cinema brasileiro busca trazer a diversidade, mas a edição de 25 anos levantou a polêmica das obras audiovisuais, de um majoritário cinema advindas do território sudestino, serem muito mais presentes que as de outras regiões do país.
O discurso de Kleber Mendonça Filho ao receber o troféu máximo de Melhor Longa-Metragem com “O Agente Secreto”, que está sendo o último “compromisso” de divulgação do filme, e que dividiu o premio com “Manas”, da diretora também pernambucana Marianna Brennand Fortes, que se passa em Manaus, estimulou uma discussão importante e relevante e altamente necessária. Se nas palavras de Mariana, o tom foi de agradecimento, “Axé Manas, e dedico este filme a todas as manas do mundo”.
Já as palavras de Kleber foram de crítica social: “Boa noite! Uma noite muito longa. Estamos aqui ainda. Ainda estamos aqui. Agradecer a toda equipe de “O Agente Secreto”, que no total foram 1300 pessoas. Isso aqui (o Troféu Grande Otelo), que faz voltar para casa e começar a escrever – que já começo nesta semana, é um estímulo. É uma maneira de dizer vai indo. Tá tudo certo. Queria falar uma coisa que é muito importante. A Academia (Brasileira de Cinema) é tudo sobre o cinema brasileiro, mas acho muito importante que a Academia chegue em produtoras e estados bem distantes do Sudeste. É extremamente importante, porque esta é uma festa de todos nós que somos brasileiros, e há um ar forte sudestino que a gente precisa dissipar um pouco na Academia Brasileira de Cinema. Quero dedicar este prêmio à grande mídia brasileira (eu sei, é complicado dizer isso), e que escreva como um bom roteiro o que está acontecendo. Não precisa nem enfeitar, basta dizer o que está acontecendo. Sem esconder nada. E nem preparar uma outra realidade. Fala o que está acontecendo e a sociedade, todos nós, vamos estar em um lugar melhor. Wagner Moura mandou um beijo para todos vocês. Grande ator, grande homem”.
A cerimônia de premiação de entrega dos Troféu Grande Otelo, nessa quarta, dia 04 de agosto, também foi diferente do ano passado por conta de sua duração mais enxuta, com menos apresentações musicais-artísticas. Mas mesmo assim, Batman e Bebeto, os BBs altamente sinérgicos, abriram o show com o “menino” Ney Matogrosso, cantando “O Tempo Não Para”, para assim homenagear o filme “Cazuza – O Tempo Não Para”, dirigido por Walter Carvalho, que é um fotógrafo acima de tudo, e que no palco estava, como apresentadora, junta de sua filha Silvia Buarque, Marieta Severo, que foi atriz no filme interpretando a mãe. Sim, o roteiro de Bebeto constrói uma fundida linha condutora, interligada e que conversa muito entre si e as referências. E Ney também é o personagem principal de “Homem Com H”, autobiografia dirigida por Esmir Filho. Pois é, foi assim mesmo, com arrepios a cada nova homenagem cinéfila aos filmes que passaram (e ganharam) o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, que mais uma vez digo, deu bola dentro trocando o nome para Grande Otelo. Nós também temos uma estatueta ainda melhor que dourada, de barro, da terra, raiz na essência.
Sim, e meio que aceitando que esta festa, é (e deve ser) utilizada para networking ou lobby a próximos trabalhos, os discursos realmente precisam ser demorados, porque são celebração máxima do trabalho. Não que isso defina tudo, mas que ajuda a melhor validar (e valorar) a obra, isso com certeza. Tá, entendemos também que esta não é uma premiação independente, envolve grandes produtoras, como Globo Filmes, Neon, Conspiração, e dessa forma, “O Agente Secreto”, “Homem com H” e “Manas” figurarem na lista com maior número de indicações e “Papagaios” (meu melhor filme do ano, e, que por conta disso, até agora não fiz a crítica – porque penso que quando lançar o texto terei definido na minha cabeça que não “precisarei” arquitetar e elucubrar mais análises e ideias) é um fato.
Homenageou-se também vida e obra de Luiz Carlos Barreto, o Barretão, no vídeo e nas palavras (“Que responsabilidade de todos nós em seguir sem Cacá Diegues e Barretão”, “e todas aqueles que fizeram do Cinema Novo uma indústria”, disse Eduardo Cavaliere, Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro. “Consolidamos o Rio como a capital do audiovisual brasileiro, por isso tenho alegria de informar que já sancionei o projeto de lei, em autoria da vereadora Joyce Trindade, que inclui oficialmente o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro (agora Prêmio Grande Otelo) no calendário oficial da cidade do Rio de Janeiro”, complementou. Isso quer dizer então que São Paulo não mais será palco de nenhuma outra edição.
Confira a seguir a lista completa dos vencedores, ou como o discurso de Gero Camilo, no Festival de Cinema de Gramado do ano passado, disse: “um melhor destaque”, do Prêmio Grande Otelo 2026.
CONFIRA A LISTA COMPLETA DOS 32 PREMIADOS AO TROFÉU GRANDE OTELO 2026

MELHOR LONGA-METRAGEM FICÇÃO
MANAS, de Marianna Brennand. Produção: Carolina Benevides e Marianna Brennand por Inquietude; Beto Gauss e Francesco Civita por Pródigo
O AGENTE SECRETO, de Kleber Mendonça Filho. Produção: Emilie Lesclaux por Cinemascópio Produções Cinematográficas
MELHOR DIREÇÃO
MARIANNA BRENNAND, por Manas
MELHOR PRIMEIRA DIREÇÃO DE LONGA-METRAGEM
RAFAELA CAMELO, por A Natureza das Coisas Invisíveis
MELHOR ATOR DE LONGA-METRAGEM
JESUÍTA BARBOSA, como Ney Matogrosso por Homem com H
MELHOR ATRIZ DE LONGA-METRAGEM
DENISE WEINBERG, como Teresa por O Último Azul
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
DIRA PAES, como Aretha por Manas
MELHOR ATOR COADJUVANTE
RODRIGO SANTORO, como Cadu por O Último Azul
MELHOR LONGA-METRAGEM COMÉDIA
VELHOS BANDIDOS, de Claudio Torres. Produção: Claudio Torres, Renata Brandão e Juliana Capelini por Conspiração
MELHOR LONGA-METRAGEM IBERO-AMERICANO
BELÉN (Argentina) – Direção: Dolores Fonzi. Indicação: Academia de las Artes y Ciencias Cinematográficas de la Argentina
O RISO E A FACA (Portugal) – Direção: Pedro Pinho. Indicação: Academia Portuguesa de Cinema
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
FELIPE SHOLL, MARCELO GRABOWSKY, MARIANNA BRENNAND, CAROLINA BENEVIDES, ANTONIA PELLEGRINO e CAMILA AGUSTINI, por Manas
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
DANIEL REZENDE por O Filho de Mil Homens – adaptado da obra “O Filho de Mil Homens”, de Valter Hugo Mãe
MELHOR LONGA-METRAGEM INFANTIL
O DIÁRIO DE PILAR NA AMAZÔNIA, de Eduardo Vaisman e Rodrigo Van Der Put. Produção: Juliana Capelini e Renata Brandão por Conspiração
MELHOR ATOR SÉRIE DE FICÇÃO PARA TV ABERTA OU STREAMING
JOHNNY MASSARO, como Fernando por Máscaras de Oxigênio não Cairão Automaticamente
MELHOR ATRIZ SÉRIE DE FICÇÃO PARA TV ABERTA OU STREAMING
ALICE CARVALHO, como Dinorah por Cangaço Novo
MELHOR SÉRIE DE FICÇÃO PARA TV ABERTA OU STREAMING
MÁSCARAS DE OXIGÊNIO NÃO CAIRÃO AUTOMATICAMENTE – 1ª TEMPORADA – Produção: Morena Filmes – Thiago Pimentel, Mariza Leão e Tiago Rezende
MELHOR CURTA-METRAGEM FICÇÃO
AMARELA, direção: André Hayato Saito
MELHOR LONGA-METRAGEM ANIMAÇÃO
TAINÁ E OS GUARDIÕES DA AMAZÔNIA – EM BUSCA DA FLECHA AZUL, de Alê Camargo e Jordan Nugem. Produção: Virginia Limberger por Sincrocine Produções
MELHOR SÉRIE DE ANIMAÇÃO PARA TV ABERTA OU STREAMING
OSMAR, A PRIMEIRA FATIA DO PÃO DE FORMA – 3ª TEMPORADA – Produção: 44 Toons – Ale McHaddo, Guilherme Machado de Sá e Rafael Reinoso
MELHOR CURTA-METRAGEM ANIMAÇÃO
A TRAGÉDIA DO LOBO GUARÁ, direção: Kimberly Palermo
MELHOR LONGA-METRAGEM DOCUMENTÁRIO
APOCALIPSE NOS TRÓPICOS, de Petra Costa. Produção: Petra Costa por Busca Vida Filmes
MELHOR MONTAGEM DOCUMENTÁRIO
DAVID BARKER, TINA BAZ, NELS BANGERTER, JORDANA BERG, VICTOR MIACIRO e EDUARDO GRIPA por Apocalipse nos Trópicos
MELHOR SÉRIE DE DOCUMENTÁRIO PARA TV ABERTA OU STREAMING
CAÇADOR DE MARAJÁS – 1ª TEMPORADA – Produção: Boutique Filmes – Gustavo Mello e Waking Up Films – Marcelo Campanér – Charly Braun
MELHOR CURTA-METRAGEM DOCUMENTÁRIO
SEBASTIANA, direção: Pedro de Alencar
MELHOR FILME PELO JÚRI POPULAR
HOMEM COM H, de Esmir Filho. Produção: Marcio Fraccaroli, Andre Fraccaroli e Veronica Stumpf por Paris Entretenimento
MELHOR MONTAGEM DE FICÇÃO
ISABELA MONTEIRO DE CASTRO por Manas
MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA
EVGENIA ALEXANDROVA, AFC, por O Agente Secreto
MELHOR EFEITO VISUAL
ALEXANDRE BOIRON, LUUK MEIJER e DAVID VAN HEESWIJK por O Agente Secreto
MELHOR SOM
ANA LUIZA PENNA, MARTÍN GRIGNASCHI e ARMANDO TORRES JR, ABC, por Homem com H
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
THALES JUNQUEIRA, por O Agente Secreto
MELHOR MAQUIAGEM
MARTÍN MACÍAS TRUJILLO, por Homem com H
MELHOR FIGURINO
GABRIELLA MARRA, por Homem com H
MELHOR TRILHA SONORA
GUILHERME AMABIS, MARIANA AMABIS e RICA AMABIS, por Homem com H



