O primeiro dia da Mostra Sesc de Cinema 2019

Por Fabricio Duque

A Mostra Sesc de Cinema buscou para seu terceiro ano uma reformulação quase total de suas edições anteriores. O objetivo principal proposto sempre foi indiscutivelmente o fomento ao audiovisual e permitir que produções de estados fora eixo Rio-São Paulo pudessem “soltar suas vozes” (como filmes nacionais que não conseguem permanecer na salas mais que duas semanas) e “difundir a cultura local”.

Um trabalho simbólico, coletivo na própria origem para “mostrar o brasil para o brasil de norte a sul”, “auras de tradições, cores, sotaques e inquietações” em uma “diversidade de temas” das cinco regiões politicas de forma diplomática. Foram 1200 inscrições de mais de 200 cidades. E contou com 32 curadores, que escolheram os filmes, sendo, esta, a maior participação de mulheres na direção: 18 obras cinematográficas.

O cenário escolhido foi o município histórico de Paraty, pertencente ao Rio de Janeiro, em distância de 258 km, e tempo de percurso mínimo de quatro horas, via BR-101. Por estar localizada quase ao nível do mar, o lugar foi projetado levando em conta o fluxo das marés. Como resultado, muitas de suas ruas são periodicamente inundadas pela maré. Em 5 de julho de 2019, a cidade colonial de Paraty foi declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

A programação do primeiro dia da Mostra Sesc começou na tarde do dia anterior. O transporte saiu do Aeroporto Galeão e possibilitou reencontrar colegas críticas, matar saudades e estreitar amizades. Todos ao chegar em Paraty foram recepcionados com chuva. A abertura oficial aconteceu no próprio credenciamento de imprensa com uma conversa informal com Marcos Rego, Gerente de Cultura do Departamento Nacional do Sesc, e com Marco Aurélio Fialho, analista de Cultura do Departamento Nacional do Sesc, este que disse: “A ideia é incentivar e divulgar, cada vez mais, a produção cinematográfica nacional que não chega ao circuito comercial, contribuindo, assim, para a promoção e o lançamento de artistas de todo o país”.

Nosso site conversou exclusivamente com Paloma de Mattos, Designer Gráfica responsável por criar toda a identidade visual da Mostra. “Na verdade, eu sempre tento fazer os projetos construindo junto com as pessoas-clientes. E eu queria envolvê-los o máximo possível na construção dessa identidade. Desde o início eu reuni os dois Fabio Belotte e Marco Fialho e começamos a fazer um exercício de Madmapping com post-it e palavras que faziam referência com coisas que representavam a Mostra e de lá saiu uma teia de palavras e através dessas palavras eu trouxe para o universo gráfico-tipográfico. Algumas dessas palavras foram: intensidade, força, voz, grito e muito sobre artistas à margem, de diversificação de identidade. A minha ideia foi pegar uma diversidade tipográfica (uma família tipográfica) que já tivesse em si essa variedade. Você pode ver que o M, S, D e o C são diferentes e com o movimento do cinema, representando o que está em constante. Alguma coisa que não está parada. Representar uma ruptura: um evento novo com uma ideia completamente nova. O preto-e-branco foi para simbolizar o underground, trazer uma coisa mais crua. E impactante visualmente. Que trouxesse desconforto e ao mesmo tempo um estranhamento inicial, mas que você tem uma curiosidade de saber o que é. De buscar mais à fundo. As tiras é para mostrar a desconstrução, sobrepor coisas uma em cima da outra para formar um todo. Trazer mais do urbano e da movimentação”.

A Cerimônia de Abertura aconteceu na Casa da Cultura, no Centro Histórico. O evento foi transmitido pelas redes sociais e apresentado pelo ator David Maurity. Seguida de Cristina Maseda, Secretária de Cultura, que disse: “Salve o Sesc! Vida longa ao Sesc!”.

Lucia Prado, Diretora do Departamento Nacional do Sesc destacou que “trabalha com a mesma garra e responsabilidade por 73 anos. O Sesc fomenta a produção e o acesso a essa produção”. Marcos Rego continuou “é uma instituição que acredita nas pessoas e que faz o país funcionar, porque a alma reivindica seu espaço pela arte. Cinema é alimento e cada um deve pleitear seu lugar na luz”.

Mas o grande momento da noite foi a homenagem à cineasta Adélia Sampaio (de “Amor Maldito” – leia crítica AQUI). Que recebeu um discurso proferido por Marco Fialho. Assista abaixo o vídeo na íntegra).

A cerimônia seguiu com uma “pequena indicação do potencial da III Mostra Sesc”. A exibição dos filmes (leia as críticas clicando no nome do filme): Aurora (SE); Chamando os ventos (PA), Catadora de gente (RS), Guará (GO) e Jéssika (RJ). O diretor Marcelo Rodrigues, de “Chamando os Ventos: Por Uma Cartografia” disse que queria passar um pouco desse devaneio que é assobiar para chamar o vento e nos levar a um reencontro com a dinâmica dos ventos”.

A noite encerrou-se com a Sonora Brasil, a poesia musicada do trio Líricas Transcendentes, composta de Cátia de França; Déa Trancoso; e Ceumar.

 

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