Ficha Técnica

Direção: Rosane Svartman
Roteiro: Rosana Svartman, Juliana Lins
Elenco: Olívia Torres, Lucas Salles, Juliana Paiva, Daniel Passi, Vitor Thiré, Kayky Brito, Pedro Bial, Jorge Sá, Marcela Barroso, Marcelo Novaes, Gabriel, Letícia Spiller, Cláudia Ohana, Juliana Paes, Roberta Rodrigues, Heitor Martinez, Ernesto Piccolo
Fotografia: Dudu Miranda
Música: Bruno Levinson
Produção: Clélia Bessa
Distribuidora: Downtown Filmes
Duração: 88 minutos
País: Brasil
Ano: 2010
COTAÇÃO: MUITO BOM

A opinião

Os filmes nacionais, de temática jovem, crescem de forma competente e com qualidade, como exemplos “As melhores coisas do mundo” e “Antes que o mundo acabe”. O novo filme da Rosane Svartman, de “Como ser solteiro no Rio de Janeiro” e “Mais uma vez amor” faz parte desta nova safra. A diretora conserva o tema preferido: o amor e suas vertentes. Neste caso, ela escolhe o universo dos adolescentes a fim de abordar questões que são comuns nesta idade. O grande diferencial é a condução que a história é contada. Leve, natural e despretensiosa. É um filme sobre estes pré-jovens voltados a um público adulto. Priscila (Olívia Torres), de 16 anos, é uma adolescente romântica e preocupada com a perda da virgindade. Quando sua mãe (Claudia Ohana) anuncia que deixará a garota sozinha em casa por 20 dias, ela prepara-se para viver inúmeras experiências, incluindo a tão sonhada primeira vez. No entanto, a realidade se mostra bem diferente do que Priscila imaginava Ela vai se decepcionar e se surpreender com os amigos, as paqueras e com a primeira transa. “Sonhar que está se afogando. Na vida real é bem pior”, narra-se durante uma tomada de camera subaquática. O universo é positivamente construído pelos detalhes – que são humanizados, como uma caixa perdida da mãe.

Acrescentam-se diálogos sem clichês – sarcásticos, perspicazes, sagazes e naturais – e trilha sonora nostálgica (aludindo à época de “Solteiro no Rio de Janeiro”), entre as músicas, Simple Minds. Há o Pedro Bial como professor, Cláudia Ohana como a mãe, Marcelo Novaes como o pai, Letícia Spiller como a madrasta e Kayky Brito como o “objeto de consumo”. Todos os elementos estão presentes à história: o bate papo virtual, as cameras digitais, o jornal de fofoca da escola, o cinema, a praia, o diário, o estudo, o amigo gay, os amores, dissabores, anseios, inseguranças, mentiras ingênuas – que se aproveita para conseguir o que quer, medos, constrangimentos, ônibus, as festas (luz estroboscopica) – com pop rock e Casuarina, na Lapa – a vergonha e a vontade de perder a virgindade – com direito a pesquisas escolares. Eles dizem o que pensa. Uma maneira de se defenderem do que não entendem e ou do que querem fugir. “Fico vendo a vida do Rafa e ele nem sabe”, ela diz. “Será que dá para se afogar na gente, já que o corpo tem 70% de água?”, pergunta-se. A narrativa utiliza também animações interativas, desenhando e escrevendo, na tela de quem assiste, reiterações da própria história. Com luz nostálgica da praia e ambiente Los Hermanos de ser – tocando Mallu Magalhães, o longa passeia com calma, prendendo a atenção e deixando a sensação de se estar vivenciando uma experiência cinematográfica extremamente agradável.

“Desenrola, conta logo”, bordão que dá nome ao filme. Há cenas rápidas (videoclipes), pausadas, com camera super 8., imprimindo uma excelente montagem e edição. Mostram-se lembranças atemporais, como a camisa do Cachorro Grande e ou Laranja Mecânica. É independente voltado ao comercial, proposital e inteligente. O que se abordam são os mesmos problemas da idade. “Tem como você não entender se eu não falar nada?”, diz-se. A rosa, o cravo, ela vivendo o cinema dele e a decepção amorosa. “Reconquistar a garoa é uma guerra”, diz-se. Sofrem por amor e o violão, um grande companheiro para enxugar as lágrimas. “Deixa o depois pra depois”, diz aludindo a música do Rodrigo Amarante “Deixe o verão (pra mais tarde)”. A fotografia experimenta quando usa a imagem ter a textura de um aço brilhoso. Concluindo, vale muito a pena assistir. O espectador precisa esquecer como os produtores estão tentando vender o filme: “O filme do verão. Com paquera e azaração”. É muito mais do que isso. Há aprofundamento de roteiro e as interpretações possuem químicas e funcionam sem excessos e caricaturas. “Horizontal e colaborativo. Não sou adolescente há algum tempo. Foi um trabalho de formiguinha mostrar o filme”, disse a diretora Rosane ao apresentar seu filme à imprensa. Recomendo. Deve ser visto e revisto por todas as idades. Melhor Figurino (Marcia Tacsir) do Festival de Paulínia 2010.

A Diretora

Rosane Svartman é cineasta, roteirista e diretora de TV, nasceu em 1971, em Memphis, nos Estados Unidos. Veio para o Brasil ainda criança e formou-se em cinema pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Com seu primeiro longa-metragem, Como ser solteiro (1997), investiu na tradição da comédia carioca de costumes. O filme venceu os prêmios Especial do Júri e melhor ator (para Ernesto Piccolo) no Festival de Brasília. Dirigiu curta-metragens, videoclipes, além de vários programas e minisséries para TV. A série para o canal GNT, Quando éramos virgens (2006), posteriormente virou um livro pela editora Casa da Palavra. Atualmente divide suas atividades entre a TV e o cinema.

Filmografia

2011 – Tainá 3 – A origem (Em produção)
2010 – Desenrola
2005 – Mais uma vez amor
1997 – Como ser solteiro – Prêmios Especial do Júri e melhor ator (para Ernesto Piccolo) no Festival de Brasília.
1997 – Anjos urbanos (curta-metragem)
1997 – Mangueira, amor à primeira vista (Minissérie co-roteirizada com Lulu Telles, e dirigida por Marco Altberg)
1995 – Confissões de adolescente (serie de tv)
1994 – Drão (Roteiro do episódio do longa-metragem Veja esta canção, de Carlos Diegues)

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