Crítica: Homem-Aranha no Aranhaverso

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Adeus Stan Lee…

Por Vitor Velloso


Homem-Aranha é um dos casos mais bem sucedidos dos quadrinhos, tanto em questão de venda, quanto midiático. A ideia de compor um personagem que possui problemas ordinários e inseguranças que buscam conversar com o público que o lê, provou ser anacrônica à sociedade, recebendo adaptações à TV e Cinema ao longo dos anos, com seu auge no início dos anos 2000, quando Sam Raimi leva às telonas o icônico cabeça de teia com o ator Tobey Maguire, que não apenas moldou a geração que acompanha os super-heróis hoje em dia, como, introduziu uma imagem concreta do que o homem-aranha no cinema, era. Pouco tempo após o fim da trilogia, Hollywood, impõe-se a lançar uma nova roupagem do herói, agora na pele de Andrew Garfield, mal recebido pela grande maioria dos fãs, não apenas pelo estilo excessivamente descolado de Peter, mas também pela recente memória da primeira trilogia. Com o fracasso do segundo filme: “O espetacular homem-aranha: A ameaça de electro”, a Sony abandona parcialmente a franquia, cedendo à Marvel algum poder diante do personagem. Lançando assim essa nova fase com Tom Holland, que já havia o interpretado na franquia dos Vingadores. Com forte recepção na união dos heróis, “De Volta ao Lar”, recebeu uma boa recepção pelos fãs e pela crítica. Agora, após ser incomodada por tantos anos pela DC, na área de animação, a Marvel decide fazer uma resposta definitiva, adaptando o conceito do Aranhaverso ao Cinema. E devo dizer, abre os olhos em Warner, os caras vieram com tudo.

Dirigido por Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothman, “Homem-Aranha: No Aranhaverso” é a melhor adaptação do teiudo, de longe. Além de resgatar um espírito juvenil, bem irresponsável, ao herói, a proposta visual é a maior arma do novo projeto, sendo absolutamente bem sucedido em conciliar beleza, dinamismo e a ação. Uma roupagem completamente distinta do que já vimos, inflamando as cores e os movimentos aos nossos olhos, que promove momentos inegavelmente deslumbrantes. Assistir ao longa no cinema é uma das melhores experiências de 2018, pois, além da estonteante estética que é impressa, a diversão é potente. A incorporação de elementos contemporâneos vindos de um estilo mais despojado, de rua, uma linguagem que às vezes lembra clipe musical e uma contemplação panorâmica que sucede e precede uma intensidade rítmica, são características típicas das peças audiovisuais do século XXI, mas que ressalta uma breve nostalgia à geração de 90.

O humor é funcional, possui cenas genuinamente engraçadas, mas acaba mostrando fragilidades em pequenas situações, vezes pelo extremo esforço em ser engraçado, vezes por buscar compreender os limites entre nostalgia, humor e dramatização, e falhando. Porém, nenhum desses pequenos deslizes humorísticos comprometem o resultado final, que sempre mantém-se em alto nível. Parte destes vales narrativos, são fáceis de identificar, trechos onde a história precisa de uma pausa à um didatismo pouco pragmático, mas compreensível. A necessidade de construir à um novo público um complexo imaginário que relaciona cidade e vilões, fez com que pequenos hiatos surgissem durante a projeção. Ainda assim, toda a potência imagética leva a animação à outra lugar, não me lembro de ter visto isso em outro filme do sub gênero (super-herói). Cada personagem possui características específicas, não apenas na personalidade e comportamento, mas no próprio tratamento que há em seus designs e representações, cada um possui cores específicas, traços que deixam claro a origem de suas ideias, um personagem de desenho animado, aparece como tal, o “Homem-Aranha Noir” aparece em preto e branco, com um granulado específico. Curiosamente, esta mesma versão possui a voz da lenda, o ícone e um dos memes mais divertidos da internet, Nicolas Cage.

Acaba sendo um dos projetos mais inusitados do ano, com uma jovialidade intensa, que rejuvenesce o anseio por narrativas repletas de arquétipos de bem contra o mal. Os filmes de super-herói estão buscando se reinventar neste período, os números são astronômicos, mas o público, nitidamente, já mostram uma fatiga do assunto, possivelmente, pelos desenhos formulaicos que foram moldados com o passar dos anos. Tendo a Marvel como maior responsável por esta massiva repetição narrativa, ela busca uma nova vertente para gerar novas fortunas, não apenas consegue, mas também cria um marco do subgênero com a nova obra. Com introdução de elementos das HQs: onomatopeias, balões de diálogo e explicações temporais, porém, tudo de maneira extremamente orgânica com o fluxo da história, não há interrupção na imagem, como em Adam West, o “Boom” de uma explosão aparece no cogumelo da mesma, pequenas granulações em cores, a fim de emular as páginas de um gibi, são recursos comuns e as clássicas caixas de texto hiper expositivas. Tudo isso começa com uma piada ao público colecionador e admirador dos quadrinhos: “Approved by the Comics Code Authority”.

E devo dizer, há uma homenagem ao Stan Lee no fim do filme. O velhinho fará falta neste mundo, sua visão iluminada do universo dos gibis deixou um vale imenso na nova geração. Ao maior estilo brasileiro: Tmj Stan Lee!

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