Homem-Aranha: Longe de Casa | Crítica

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Peterparkeando em liberdades assistidas

Por Fabricio Duque

Nas histórias em quadrinhos, mundos e universos são infinitamente possíveis. Quebra-se a barreira da realidade ao lindar com a projeção do ser sem limites e interferências de tempo e espaço. É a liberdade poética da construção que alimenta superpoderes como solução e antídoto à salvação da humanidade dos iminentes apocalipses.

Peter Parker, uma pessoa comum, torna-se o super-herói Homem-Aranha por mutação genética, permitindo que possa transcender a própria física quântica (voar e atirar teias). Após passar pela trilogia inicial de Sam Raimi, estrelado por Tobey Maguire; depois pela sequência Espectacular de dois filmes de Marc Webb com Andrew Garfield, a nova versão de “O Homem-Aranha”, iniciada com “De Volta ao Lar” com o ator Tom Holland, adentra no time de peso da saga “Os Vingadores”.

“Homem-Aranha: Longe de Casa”, vigésimo terceiro filme do Universo Marvel pega carona na onda do momento: “realidades múltiplas paralelas”, que já foi abordada na animação “Homem-Aranha: No Aranhaverso”, de Peter Ramsey, Bob Persichetti e Rodney Rothman. Sim, informação demais que pode permitir spoilers, entre “órbitas estáveis”, “Elementais” e “mitos reais”.

O longa-metragem em questão constrói uma adaptação ambiente para que assim seja possível estar mais próximo ao comportamento adolescente com suas dúvidas, anseios, impulsos, medos, planos imediatos para conquistar uma garota (“não faça nada”, rebate com verdadeiro deboche cúmplice) e uma timidez latente (como na montanha-russa) que impede a perspicácia da maturidade. Se no anterior, o público conhece a convocação de Homem-Aranha ao treinamento com o mentor “Homem de Ferro”, aqui, a história desenvolve em uma excursão estudantil pela Europa (sua Veneza “afundando” e o “não sei Boh”), e nosso protagonista sofre a pressão de ser o substituto de Tony Stark e deixa “Nick Fury no vácuo”. E tem seu próprio “ADA – Amigos do Aranha”.

“Homem-Aranha: Longe de Casa”, também dirigido por Jon Watts, busca a inocência “blip” (existências em realidades paralelas) como fio condutor, com o intuito de espelhar uma perspectiva de um jovem de dezesseis anos que descobre ter mais qualidades físicas (e o “arrepio” extra) que seus colegas da escola, tudo embalado pelas características marcantes deste gênero: as picardias musicais (a da vez é a trilha sonora de “O Guarda-Costas” – “I Will Always Love You”, eternizada na voz de Whitney Houston – para prestar uma homenagem póstuma aos “Vingadores”) e os constantes alívios cômicos espirituosos entre cenas mais sérias, que aqui ganham contornos pastiches mais infantilizados em recorrentes momentos “inapropriados”.

E assim, os perigos começam e as cenas de ação entram na narrativa para destruir “novos países” com “bruxas hidráulicas” e “atividades sísmicas”. Mas um novo super-herói aparece para salvar todos das “ameaças”: Mysterio (interpretado pelo ator Jake Gyllenhaal), um misto de “Homem de Ferro com Thor”. O final explica com riqueza de detalhes e sacação a grande manobra. E com isso, conseguimos embasar falhas técnicas do filme até então consideradas preguiçosas e toscas. “Há sarcasmo na Terra?”, pergunta-se entre “tecnologia de ilusão”.

“Homem-Aranha: Longe de Casa” “sequestra as férias de verão” do “atrapalhado menor de idade” Peter Parker (que “não pode beber”) com “situações estranhas”, que não consegue descansos românticos com MJ (a atriz Zendaya – e ou curtir o Carnaval de Praga e ou aproveitar os “enriquecedores upgrades culturais”) e precisa “jogar pela garota” com “espionagem adolescente”, uma versão “Macaco Negro” e tecnologia herdada para “remover obstáculos”. “O que você quer?”, pergunta-se. “Curtir meus amigos e beijar sem responsabilidades”, responde.

Esta é a nova era dos protetores. Sem os “Power Rangers”. São agora os “Vigilantes”, à moda de “1984”, de George Orwell, e ao som de Led Zeppelin. O vilão manipulador zomba de seus adversários: “um beberrão imaturo” e um “adolescente em puberdade”. O filme para explicar confunde, ainda mais nas cenas pós-créditos, principalmente na última final (sim, fique até o último segundo), visto que a própria estrutura criada é desconstruída com novos caminhos possíveis. Sim, já antecipo que é uma viagem que “viaja bastante na batatinha”.

“Homem-Aranha: Longe de Casa” quer a leveza da adolescência, que remete ao “Curtindo a Vida Adoidado”, de John Hughes, com a realidade lúdica mais suavizada dos “Vingadores” e de “Kick-ass” com um que cômico pastelão de “Guardiões da Galáxia”.

Pois é, é um caldeirão de referências e de hormônios em erupção, que encontra o hospedeiro perfeito: o ator Tom Holland, que entrega todo seu impulso, urgência e vulnerabilidade, em um controle absoluto da interpretação naturalista, coloquial, espontânea e pululada de emoções reais, tangíveis e em movimento constante. Seu mérito e maestria, principalmente por também ser o maestro dos outros atores, mantendo a cadência rítmica.

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