Balanço, Cotações e Vencedores do Festival de Roterdã 2022

 

Balanço, Cotações e Vencedores do Festival de Roterdã 2022

Confira tudo o que aconteceu no ano que o filme “Eami” ganhou como Melhor Tigre de Ouro

Por Fabricio Duque

Em 2020, o mundo teve sua realidade atravessada por uma crise pandêmica. Não, não era uma experiência hollywoodiana. Pelo contrário. O coronavírus causou pânico pela quantidade de óbitos que só aumentavam. Esse medo confinou nossa humanidade, afastou sonhos e gerou o caos. A única opção foi a quarentena e, logicamente, atrasar a “vida lá de fora”. Filmes necessitaram de uma maior criatividade para serem realizados devido às limitações impostas. Festivais de Cinema precisaram mudar formatos, como foi o caso de Roterdã, que aconteceu majoritariamente online, tendo uma ou outra obra presencial.

Por isso que o mundo esperou tanto por 2022, porque as vacinas já tinham sido produzidas (com efeito comprovado), testes rápidos e quase nenhum risco de morte. Era o ano que as pessoas esperavam para retomar suas vidas, seus normais, suas viagens, seus cinemas e seus festivais. Mas há quem diga que o Universo gosta mesmo de “inventar mais treta”. A variante Ômicron reacordou o medo. O mundo parou novamente. Voos cancelados, festas de Natal no aeroporto e sintomas de COVID longa, que, segundo o estudo da revista científica Eurosurveillance, causa durante meses tosse, coriza, fadiga, letargia, dor de cabeça, espirros e dor muscular. Não teve jeito, o Festival de Cinema de Roterdã bateu o martelo e optou em lançar a edição de 2022 majoritariamente online.

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O Vertentes do Cinema, mesmo credenciado como imprensa, não teve acesso a todos os filmes exibidos no Festival Scope, plataforma digital voltada aos profissionais do audiovisual. Na verdade, apenas um da competição não foi liberado pelos produtores (o chinês “To Love Again”, de Gao Linyang, que o Prêmio Fipresci). Sim, o novo formato ainda sofre com o condicionamento de uma tradição que acredita que o “cinema é a única escolha de se estrear um filme”. Errado não está, mas os tempos mudaram. O Festival de Roterdã aconteceu de 26 de janeiro a 06 de fevereiro, ainda no meio do Festival de Sundance, que já se posicionou dizendo que o virtual é muito melhor que o presencial.

O Festival de Cinema de Roterdã é um dos cinco maiores festivais de filmes europeus, usando o tigre como seu mascote. O primeiro festival na Holanda foi organizado em junho de 1972 sob a liderança e inspiração de Hubert Bals, sempre em prol dos filmes alternativos, inovadores e não-comerciais. Em sua edição 51, o festival online pelo segundo ano consecutivo, abriu com os filmes: o longa “Please Baby Please”, de Amanda Kramer; e o curta  de animação “Stranger Than Rotterdam with Sara Driver”, de Lewie & Noah Kloster. E o encerramento exibiu “Dragon Inn”, de King Hu, de 1967 (assista ao filme completo aqui – legendado em português).

O Júri da mostra competitiva (buscando “o espírito inovador e aventureiro de cineastas promissores de todo o mundo”), com 14 filmes pelo Tiger Awards de Melhor Longa-Metragem, incluindo o filme paraguaio “Eami”, de Paz Encima, foi formado pelo holandês  de Amsterdã, Farid Tabarki, Fundador do Studio Zeitgeist, Pesquisador, palestrante internacional, escritor de “The end of the middle and world traveler”; por Gust Van den Berghe, escritor e diretor baseado em Bruxelas com experiência em teatro, ópera e dança.

Pela brasileira Tatiana Leite, graduada em Direito e Comunicação pela PUC-RJ, pós-graduada em Cinema pela UNESA e em História da Arte pela Sorbonne. Programadora de cinema no Festival de Cinema do Rio de 2000 a 2009, em 2010 tornou-se Assessora Internacional da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro. No final de 2012 criou a produtora Bubbles Project; pela atriz holandesa Thekla Reuten e por Zsuzsi Bankuti, organizador de festivais de cinema e diretor do programa de cinema.

Já na categoria de Melhor Curta-Metragem (Ammodo Tiger Short), com 16 filmes, incluindo dois brasileiros: “Cantos de um livro sagrado”, de Cesar Gananian, Cassiana Der Haroutionian; e “Soluções Urbanas”, de Arne Hector, Luciana Mazeto, Vinícius Lopes e Minze Tummescheit, o Júri foi formado por Nduka Mntambo, criador de imagens, trabalhando nos interstícios das práticas espaciais urbanas, cinema experimental e pedagogia; por Rieke Vos, curador e escritor baseado em Amsterdã que trabalha em um campo interdisciplinar de arte, cultura popular, arquitetura e vida urbana; e pelo holandês Tim Leyendekker, artista visual, cineasta e fotógrafo.

Como já mencionado, o Festival de Cinema de Roterdã – IFFR começou no final do Festival de Sundance. Isso fez com a atenção da cobertura do Vertentes do Cinema fosse dividida, até porque a cereja do bolo deste é os encontros, os famosos Big Talks, como os com Mathieu Amalric e seu “Hold Me Tight”; com Joachim Trier, que exibiu “A Pior Pessoa do Mundo” na Limelight, mostra essa que selecionou “Drive My Car”, de Ryusuke Hamaguchi; “Happening”, de Audrey Diwan; “Memoria”, de Apichatpong Weerasethakul.

Na mostra Harbour, que foca no cinema contemporâneo, o festival selecionou uma “repescagem”. “Hit the Road”, de Panah Panahi; “Medea”, de Alexander Zeldovich; “Our Men”, de Rachel Lang; “The Hole”, de Michelangelo Frammartino; e o filme brasileiro “Medusa”, de Anita Rocha da Silveira, são alguns exemplos. No Cinema Regained, o ponto alto foi a exibição do documentário francês “Ida Lupino: Gentlemen & Miss Lupino”, de Julia Kuperberg e Clara Kuperberg. No Bright Future, seleção de primeiro-filmes de realizadores promissores, como “As in Heaven”, de Tea Lindeburg; “Brotherhood”, de Francesco Montagner; e o iraniano de terror “Zalava”, de Arsalan Amiri.

Foram vinte e duas obras assistidas. Está longe de ser uma boa média, mas o pouco tempo não ajudou muito. Dessa forma, ao longo dos meses de março e abril de 2022, as críticas serão lançadas, com a prioridade aos que estrearão. Contudo, a seguir será possível conferir o ranking das cotações de cada filme, que nesta edição não teve nenhum com 5 câmeras e nenhum com 1 câmera. Uma prévia, sem oito e oitenta, que ajuda a programar o espectador-leitor na escolha dos filmes. E logo depois, a lista completa dos vencedores do Festival de Cinema de Roterdã 2022. Vamos lá!

COTAÇÕES DOS FILMES EXIBIDOS NO FESTIVAL DE ROTERDÃ 2022 PELO VERTENTES DO CINEMA

Eami

4 CÂMERAS

  • Eami (2022, Paraguai, 83 minutos, de Paz Encina – competição)
  • Ida Lupino: Gentlemen & Miss Lupino (2021, França, 53 minutos, de Julia Kuperberg e Clara Kuperberg – competição)
  • Urban Solutions (2022, Alemanha, Brasil, 30 minutos, de Arne HectorLuciana MazetoVinícius Lopes e Minze Tummescheit – Competição Curtas-Metragens)
  • Zalava (2021, Irã, 93 minutos, de Arsalan Amiri – Bright Future)
  • Nazarbazi (2022, Irã, 19 minutos, de Maryam Tafakory – Competição Curtas-Metragens)

3 CÂMERAS

  • Paixões Recorrentes (2022, Brasil, 94 minutos, de Ana Carolina Teixeira Soares – Harbour)
  • The Cloud Messenger (2022, Índia, 148 minutos, de Rahat Mahajan – competição)
  • Malintzin 17 (2022, México, 64 minutos, de Mara Polgovsky, Eugenio Polgovsky – competição)
  • Mes Mes (2022, Holanda, 79 minutos, de Sam de Jong – competição)
  • The Plains (2022, Austrália, 180 minutos, de David Easteal – competição)
  • Proyecto Fantasma (2022, Chile, 97 minutos, de Roberto Doveris – competição)
  • Silver Bird and Rainbow Fish (2022, Estados Unidos, 104 minutos, de Lei Lei – competição)
  • Yamabuki (2022, Japão, 97 minutos, de Yamasaki Juichiro – competição)
  • The African Desperate (2022, Estados Unidos, 97 minutos, de Martine Syms)
  • Becoming Male in the Middle Ages (2022, Portugal, 22 minutos, de Pedro Neves Marques – Competição Curtas-Metragens)
  • Cantos de um livro sagrado (2021, Brasil, 25 minutos, de Cesar Gananian e Cassiana Der Haroutiounian – Competição Curtas-Metragens)
  • Disorder (2022, Estados Unidos, 28 minutos, de Mauro Andrizzi – Curtas-Metragens)
  • Neptune Frost (2021, Ruanda, 105 minutos, de Saul Williams e Anisia Uzeyman – Harbour)

2 CÂMERAS

  • A Criança (2022, Portugal, 109 minutos, de Marguerite de Hillerin, Félix Dutilloy-Liégeois – competição)
  • Excess Will Save Us (2022, Suécia, 100 minutos, de Morgane Dziurla-Petit – competição)
  • Kafka For Kids (2022, Israel, 111 minutos, de Roee Rosen – competição)
  • Le rêve et la radio (2022, Canadá, 135 minutos, de Renaud Després-Larose e Ana Tapia Rousiouk – competição)

LISTA COMPLETA DOS VENCEDORES DO FESTIVAL DE ROTERDÃ 2022

IFFR-Awards Roterda 2022

TIGRE DE OURO

  • EAMI (2022, Paraguai, 83 minutos, de Paz Encina)

Justificativa do Júri (Zsuzsi Bankuti, Gust Van den Berghe, Tatiana Leite, Thekla Reuten e Farid Tabarki): “Fomos unanimemente impactados pelo poderoso filme criado pelo diretor e pela equipe que consegue construir uma narrativa forte que não apenas se sustenta visual, política e também poeticamente, colocando as luzes sobre os massacres globais de tribos indígenas, por meio de o grito do paraguaio Ayoreo Totobiegosode. Este filme nos deu a oportunidade de sonhar e ao mesmo tempo a chance de acordar.”

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI

  • EXCESS WILL SAVE US (2022, Suécia, 100 minutos, de Morgane Dziurla-Petit)

Justificativa do Júri (Zsuzsi Bankuti, Gust Van den Berghe, Tatiana Leite, Thekla Reuten e Farid Tabarki): “Este é um verdadeiro filme de estreia, único em todos os sentidos, cheio de ideias e histórias malucas, provando que o cinema híbrido pode ser hilário e também atingir o público. É um filme muito generoso, fazendo a ponte entre vários mundos. Atores e não atores, o passado, o presente e o futuro. É uma aldeia v.s. o mundo com todas as suas questões atuais. A beleza está na complexidade de cada personagem, suas esperanças e sonhos, a situação de pequenos indivíduos lidando com problemas externos que parecem grandes demais para eles entenderem, e então sua fantasia entra em cena. É também o tipo de filme em que o cineasta e a realização do filme desempenha um papel enorme e está entrelaçada com um enredo roteirizado. O filme é engraçado, extremamente comovente e sempre original.”

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI

  • TO LOVE AGAIN (2022, China, 92 minutos, de Gao Linyang) – Sem exibição para a imprensa

Justificativa do Júri (Zsuzsi Bankuti, Gust Van den Berghe, Tatiana Leite, Thekla Reuten e Farid Tabarki): “Estamos todos muito conscientes de conflitos complexos em todo o mundo que têm raízes profundas e dolorosas na história e que feriram sociedades e pessoas. O júri comoveu-se com este retrato leve, por vezes bem-humorado, e com a perspectiva gentil de duas personagens que passaram a maior parte da sua vida. Uma ideia pequena, mas revolucionária, desse casal otimista, mas assustado, desperta mais emoção do que o esperado. A vontade de enterrar o passado e o presente harmoniosamente é forte, mas se mostra difícil. O cineasta anda em uma linha tênue e deixa espaço para o espectador decidir se o passado pode ser perdoado e se de fato, nos permitimos Amar de Novo.”

PRÊMIO BIG SCREEN COMPETITION

  • KUNG FU ZOHRA (2021, França, 100 minutos, de Mabrouk El Mechri) – Sem exibição para a imprensa

Justificativa do Júri (Louk Haffmans, Karen Kroese, Eva Langerak, Mylaine Roelofs e Alex Spaanderman): “Como membros sortudos do Big Screen Award deste ano, tivemos a experiência única de assistir a nove filmes em um cinema KINO quase vazio. Dado o nome deste prêmio, estamos convencidos de que só poderíamos fazer um julgamento justo quando eles fossem exibidos em uma tela grande. Em quatro dias, nos familiarizamos com uma surpreendente variedade de gêneros, perspectivas e tópicos. Também sentimos que a maioria dos filmes era, à sua maneira, urgente, porque nos mostrava algo sobre poder político, meio ambiente, assédio sexual ou identidades de gênero. Como júri, ficamos impressionados com um filme especificamente… Devido ao uso não convencional de diferentes gêneros cinematográficos e do humor como ferramenta para abordar o tema severo do filme, o espectador é posteriormente pego de surpresa, o que faz com que se sinta emocionalmente acionado. O filme supera as expectativas; formando um ato de equilíbrio, em que o diretor aborda temas polêmicos de forma acessível. Esperamos que os espectadores levantem pontos críticos sobre o formato escolhido para este filme, bem como o tema central.”

PRÊMIO ROBBY MÜLLER

  • Para o diretor Sayombhu Mukdeeprom

Justificativa do Júri (Andrea Müller-Schirmer, Jay Rabinowitz, Josje van Erkel, Richard van Oosterhout, Evgeny Gusyatinskiy, Gerwin Tamsma): “As imagens que Mukdeeprom cria sempre captam a fragilidade das coisas, uma tatilidade imanente, discreta mas profunda. De alguma forma, o resultado parece honrar essas coisas: seja um homem, uma planta, um raio de luz, uma dança, um sonho, um fluxo de tempo, a própria natureza. Quando ele filma um espaço vazio, fica claro que na verdade nunca esteve vazio. Podemos dizer que o olhar calmo e respeitoso de Sayombhu anima até as histórias mais surreais, revelando-as como reais, ou pelo menos potencialmente reais. Ele descobre o real, o natural e o sensual dentro do reino da pura ficção. E vice-versa: quando ele vira sua câmera para coisas indubitavelmente reais e não encenadas, suas imagens evocam sonhos e imaginações misteriosas.”

MELHOR CURTA-METRAGEM (AMMODO TIGER SHORT COMPETITION)

  • Becoming Male in the Middle Ages (2022, Portugal, 22 minutos, de Pedro Neves Marques)

Justificativa do Júri (Tim Leyendekker, Nduka Mntambo, Rieke Vos): “Um filme que se destaca por sua bela fotografia, seus personagens bem elaborados e diálogos notavelmente nítidos. Ele introduz uma conversa sobre gênero, sexo e a escolha da reprodução que é oportuna, controversa e instigante. Um filme que é uma excelente colisão entre o cinema narrativo clássico e as artes plásticas.”

  • Nazarbazi (2022, Irã, 19 minutos, de Maryam Tafakory)

Justificativa do Júri (Tim Leyendekker, Nduka Mntambo, Rieke Vos): “Um filme excepcionalmente habilidoso, pela forma como traduz uma pesquisa rigorosa em uma experiência dramatúrgica convincente. O cineasta conseguiu capturar um argumento em um pedaço de poesia – uma colagem perfeita trabalhada com inteligência de direção e uma fluidez aparentemente sem esforço no texto e na imagem. Um filme que interroga sedutoramente as respostas à censura e à repressão.”

  • Nosferasta: First Bite (2021, Estados Unidos, 33 minutos, de Bayley Sweitzer e Adam Khalil)

Justificativa do Júri (Tim Leyendekker, Nduka Mntambo, Rieke Vos): “Um filme que dobra nossa consciência discursiva e desafia nossa análise sobre a história colonial ocidental, de forma original, bem-humorada e inventiva. As intenções políticas deliberadas dos cineastas resultam em uma agilidade conceitual alegre, perturbadora, generosa e atraente. Um filme que é tanto uma acusação quanto uma comédia.”

PRÊMIO DO PÚBLICO (VRIENDENLOTERJ AUDIENCE AWARDS)

  • Freaks Out (2022, Itália, 141 minutos, de Gabriele Mainetti) – Sem exibição para a imprensa

O prémio, no valor de 10.000 euros, é atribuído ao filme que obteve a classificação média mais elevada na votação do público durante o festival.

PRÊMIO FIPRESCI 

  • TO LOVE AGAIN (2022, China, 92 minutos, de Gao Linyang) – Sem exibição para a imprensa

Justificativa do Júri (Andrea Crozzoli, Diego Faraone, Ronald Glasbergen, Ana Sturm, Mikhael Essam Zakarea, jornalistas de cinema internacionais da Fédération Internationale de la Presse Cinématographique): “To Love Again, filme de ficção de estreia de Gao Linyang, é uma observação terna e comovente de duas almas profundamente feridas, um retrato de uma geração assombrada pelos traumas do passado e uma deliciosa e agridoce fatia da vida do cotidiano de um idoso. casal na China contemporânea. Com direção madura e sensata, Linyang capta de forma realista a dor que alguns ainda sentem hoje devido aos infortúnios vividos no passado recente. Seu roteiro preciso media habilmente entre humor e tristeza, amor e perda, vida e morte, espera paciente por um vislumbre de esperança frágil, por uma chance de amar – e ser amado – novamente.”

PRÊMIO KNF

  • Punctured Sky (2022, Estados Unidos, 21 minutos, de Jon Rafman)

Justificativa do Júri (Fritz de Jong, Joyce Roodnat, Clementine van Wijngaarden, do the Kring van Nederlandse Filmjournalisten (Circle of Dutch Film Journalists): “Uma representação bem informada, precisa e divertida de um mundo gamificado. Punctured Sky nos convida a jogar junto com a divertida reconstrução de Jon Rafman de memórias percebidas da adolescência. O júri está muito satisfeito por ser unânime em sua decisão.”

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