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Verdade e Justiça

Ansiolítico e a fazenda feliz

Por Vitor Velloso

Verdade e Justiça

“Verdade e Justiça” de Tanel Toom é uma obra que possui parte da moral/julgamento cristão enquanto relação imediata à civil. É uma espécie de dualidade na Justiça, onde esses pesos e medidas, não são simetricamentes justos. As razões sociais e a fé se tornam uma base que atravessa o drama de determinados personagens, com base em uma dependência econômica nas relações de classe. 

A evidente questão do ritmo, pesa excessivamente no longa. A narrativa profundamente desinteressante e o tempo dilatado à prosa do interior da Estônia, tornam os 165 minutos de exibição uma eternidade. O prolixo se torna a infinitude de um tédio assombroso. E ainda que todo o drama seja convencional, há traços na narrativa que são menos burocráticos que outros, mas o fim que os aguarda é sempre o mesmo, um novo ciclo de vexames no ritmo. Todo o arco sempre estará resolvido em particularidades cristãs e o quão pecaminoso é uma atitude. É um julgamento longínquo que só caminha entre os clichês e a construção ordinária. 

A linguagem acompanha a fórmula, temos planos abertos para mostrar a beleza ocasional de um solo infeliz, o quadro idílico e cândido, fatalista, de uma centralização dos desdobramentos. É o velho testamento em consonância com a dogmatização das atitudes sociais. É a punição imediata, onde a deidade é colocada em papéis tronchos e sua verticalização é assumidamente duvidosa, pois as pessoas não cumprem seus devidos papéis de rebanho. O pastor é a figura que assumidamente se vê nos centros da violência e da disputa egóica. Não à toa, todos estão se curvando constantemente à virilidade tacanha, uma disputa sensível de quem é o “macho dominante”. Mas a briga de galos não passa de uma formalidade de imposição da verve da cristandade. 

E as punições são enviadas através da ideia vexaminosa da instituição familiar como alicerce máximo, porém frágil da imagem de um “homem”. Mas se a construção seguisse apenas essa proposta formulaica de representação histórica, os problemas seriam menores. Tudo fica a cargo de como “Verdade e Justiça” busca uma lentidão comum ao campo, sem necessariamente interiorizar parte de seus desdobramentos. Onde, novamente, a concisa vertente da internacionalização vai corrompendo as entranhas da obra, pois qualquer característica singular que o projeto almeja atingir, torna-se meio de produção do clichê e da intencionalidade sensitiva. Não que o filme tente arrancar lágrimas do espectador (apenas de constantes bocejos), mas sua alienação perante a própria narrativa é a síntese dos compilados pragmáticos industriais. 

O plano azimutal da carroça sendo carregada, como quem julga determinada ação. A luz que atravessa o cômodo, lembrando o épico cristão. A música que mimetiza parte do drama. É uma construção feita em cima dos arquétipos dessa moral dogmática, que sempre recorre à facilidade dos personagens instantâneos: O ogro, o bêbado, o “frágil”, a taverna. E é por onde caminha toda a produção, desde de seus primeiros movimentos narrativos, enxergamos as possibilidades e os caminhos que serão tomados. Não à toa, ao fim, o espectador assiste à projeção inicial. É a epopéia eterna de quase três horas, perfeita para mexer com o ego dos palpiteiros cinematográficos. 

Por fim, “Verdade e Justiça” não é uma agressão aos desavisados, mas acaba se tornando um tédio monumental que não consegue sair do lamaçal que vemos nos primeiros planos. É necessário uma dose de boa vontade e uma capacidade infinita de se debruçar em uma história que não possui graves acontecimentos, ou melhor, com um espaçamento astronômico entre eles. Conforme o tempo de projeção progride, cada um pensa em motivos diversos para não abandonar a sala de cinema. Possivelmente não haverá eloquentes xingamentos ao longa, mas dificilmente encontraremos alguém que não tenha entrado em refrega severa com Morfeu

Apenas de sonhos e devaneios é possível assistir o filme até seu fim, do contrário, todos estaremos como o beberrão trapaceiro, dormindo profundamente no centeio do nada para a terra do nunca. Que infelicidade eterna ter que assumir a tarefa inconcebível de vermos o clichê internalizado como uma moral cristã histórica. Já temos um forte candidato ao maior ansiolítico cinematográfico de 2020. “Verdade e Justiça” não secciona o sono absoluto do clichê recorrente.


O filme está disponível nas plataformas digitais NOW, Looke, Microsoft, Vivo Play, Google Play e Apple TV.

2 Nota do Crítico 5 1

Conteúdo Adicional

Pix Vertentes do Cinema

  • Essa crítica é característica do objeto que se propôs a fazer.
    Prolixa, com linguagem demasiada pomposa.
    Mesquinha e difícil de entender.

  • Assisti ao filme e li essa crítica. Quem conseguiu chegar ao final da crítica, não terá a menor dificuldade com o filme.

  • Tenho a impressão de que não assistimos ao mesmo filme. Só alguém despossuído de amor ao diferente escreveria tamanho absurdo sobre Verdade e Justiça. É um filme lindo. Em mim, desde o início, provocou inquietude pela iminência das tragédias que se pressagiava. Quem dormiu, perdeu.

  • Assisti ao filme e é realmente profundo, adorei, com uma mensagem linda. De nada adianta verdade e justiça se não houver amor…o filme não é entediante, pode ser para quem não tenha uma percepção mais aprofundada, para quem vê o que não está explicito. É um ótimo filme, muito bem produzido, por sinal.
    O filme nos mostra como o ser humano se deixa amargurar com as mazelas da vida e acaba se perdendo do verdadeiro propósito, que é o amor. Lindo filme!

  • Um filme exemplar, uma verdadeira obra de arte que revela a essência do ser humano. Pena que o crítico não teve capacidade e nem discernimento para perceber.

  • Incrível como a opinião do crítico não encontra eco na realidade. Chego a pensar que ele não viu o filme. A obra é interessante, com bela fotografia e atuações honestas, além de diálogos que nos fazem realmente pensar. Quem puder, não deixe de assistir.

  • Assisti i filme e estendi que, nossos sonhos e nossos valores devem andar lado à lado. Penso que a crítica acima é válida se, assistirmos o filme sem o som, ou seja, só as imagens.

  • É um filme lindo, cheio de verdade e justiça. Verdade porque nos mostra detalhes longos e lentos, assim como a rotina do dia a dia na nossa vida.
    Faz sentido sentir o tédio de viver num local sem Internet, algo que preenche todos os nossos dias actuais. Justiça pelas consequências das nossas decisões. Neste caso da falta de amor em prol dos objectivos materiais.

  • Penso que críticos vivem em outra dimensão. Nessa então, foi tão prolixo quanto o que diz ser o filme. Desisti de ler e vou assistir o filme.

  • O filme, é lindo e profundo. Acredito que tenha que assistir uma segunda vez, pois muitos detalhes me passaram desapercebidos. É compreensível o “tédio” que o crítico relatou sentir, pois o homem moderno perdeu sua capacidade de reflexão e contemplação, virtudes essas cada vez mais difíceis de encontrar, especialmente entre os pseudointelectuais.

  • Uma Crítica que renega a lentidão e o tédio do encadeamento dos fatos , mas que transforma o texto em lamentosa análise prolixa. O filme é mais belo que a Crítica, sem dúvida.

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