ARTHUR DUPONT

Por Fabricio Duque
O jovem francês de 28 anos veio ao Brasil pelo Festival Varilux de Cinema Francês, para que pudesse apresentar seus dois filmes em exibição: “Os Sabores do Palácio”, de Christian Vincent e “Além do Arco-Íris”, de Agnès Jaoui. No primeiro, vive um aprendiz da cozinha oficial do Presidente. No outro, encarna o personagem masculino do conto de fadas “A Cinderela”. O Vertentes do Cinema conversou com o ator “cinderelo” dia 02 de maio, no Hotel Sofitel de Copacabana. Arthur, que não fala nossa língua e com dificuldade do inglês, foi um dos últimos a ser entrevistado. Talvez por isso, a conversa fluiu informalmente, transformando-se em um bate-papo descontraído, com direito a intervalo para um banho de piscina. Ele representa o “futuro” do cinema francês, resgatando a naturalidade com que se interpreta os papéis, perceptível quando retira a roupa, mergulha na piscina e continua enrolado em uma toalha durante a entrevista. “Eu não escolho o filme. O filme me escolhe”, responde sobre a minha pergunta meio óbvia de como ele “encontra” as “oportunidades”. Se analisarmos a estrutura fílmica dos cineastas da França, perceberemos a tranquilidade de se abordar temas polêmicas, nudez e bissexualidade. Os três tons narrativos anteriores podem ser encontrados no filme “Chacun Sa Nuit”,  de Pascal Arnold e Jean-Marc Barr, 2006, responsável pela sua mudança da televisão ao cinema e que o possibilitou uma atenção mais específica. Então, a minha pergunta anterior não tem muito fundamento, já que um ator, principalmente se for francês, necessita vivenciar plenamente a mitigação total dos limites, vergonhas e puritanismos. O filme da dupla Pascal e Jean-Marr mostrou também um outro lado do ator: o de cantor. Arthur divide seu tempo entre a banda de rock pop blues francesa com as “investidas” mais constantes da arte de atuar. Talvez seja por isso que a cineasta, também cantora, Agnès Jaoui, o chamou para integrar o elenco de seu filme, “Além do Arco-Íris”. No IMDB, encontramos 32 trabalhos do ator, de 2001 até os dias atuais, porém a maioria foi realizada na televisão. Em 2007, ganha um papel no filme de  Eric Rohmer, “Os Amores de Astrée e Céladon”. “Na França temos agentes que marcam testes de elenco. Você precisa ter sorte para ser escolhido”, disse e continuou explicando como prepara seus personagens. “Eu gosto de cozinhar. Então em ‘Sabores do Palácio’ eu pegava vegetais, mas cortava os dedos. Então com a cozinheira real do filme (a preparadora), em dois cursos, comecei a aprender as técnicas de como cortar um vegetal. Tudo parece igual (risos), mas é diferente. Depois aprendi como fazer um massa. O início foi catastrófico (risos). Quase tudo ia ao chão (risos)”. Quando perguntado sobre se conhecia o cinema brasileiro, ele disse “Não de verdade. É uma vergonha, não é muito difícil ver esses filmes na França. No centro de Paris (Place de l’Hôtel-de-Ville; The Boulevard Saint-Michel), você pode encontrá-los. Eu poderia ter visto mais, mas… Eu vi ‘Cidade de Deus’, um filme forte com ótimos atores”. Merci, thank you, obrigado, eu disse finalizando o bate-papo. 

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