Berlinale 70

Saiba tudo sobre os 19 filmes brasileiros no Festival de Berlim 2020

A presença brasileira em terras berlinenses

Por Redação

Em sua primeira cobertura in loco do Festival de Berlim, no ano de 2014, o Vertentes do Cinema pode experimentar a participação brasileira na competição oficial com “Praia de Futuro”, Karim Ainouz. O gostinho nacionalista não se limitou apenas nessa mostra. Na Panorama, também podemos assistir a “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”, de Daniel Ribeiro. Sim, e não parou por aí. Outros filmes também massagearam nosso ego: “O Homem das Multidões”, de Marcelo Gomes e Cao Guimarães. Em 2015, tivemos “Ausência”, de Chico Teixeira; “Sangue Azul”, de Lírio Teixeira; “Que Horas Ela Volta?”, de Anna Muylaert. Em 2016, “Antes o tempo não acabava”, de Sérgio Andrade e Fábio Baldo; Anna Muylaert mais um ano com “Mãe só há uma”; “Curumim”, de Marcos Prado.

Em 2017, Marcelo Gomes figurou na mostra competitiva com “Joaquim”; seguida da Panorama com “Como Nossos Pais”, de Laís Bodanzky; “Pendular”, de Júlia Murat (vencendo o prêmio Fipresci); “Vazante”, de Daniela Thomas; e na Perspectiva Documentário, “No Intenso Agora”, de João Moreira Salles. Em 2018, “Las herederas”, de Marcelo Martinessi, uma co-produção brasileira na mostra competitiva oficial. Já na Panorama, “Tinta bruta”, de Marcio Reolon e Filipe Matzembacher; “Ex Pajé”, de Luiz Bolognesi, “Bixa Travesty”, de Claudia Priscilla e Kiko Goifman; “O Processo”, de Maria Augusta Ramos. No ano passado, a seleção brasileira contou com o filme “proibido” “Marighella”, de Wagner Moura, como fora de competição, e “Breve historia del planeta verde”, uma coprodução; “Greta”, de Armando Praça; “Estou Me Guardando Para Quando O Carnaval Chegar”, de Marcelo Gomes.

Sim, a lista é extensa e podemos nos vangloriar se pensarmos que “Tropa de Elite”, de José Padilha, ganhou o Urso de Ouro em 2008, “Central do Brasil”, de Walter Salles, venceu dez anos antes em 1998. Nosso site fez toda essa apresentação apenas para embasar a força do cinema brasileiro, que em 2020, edição dos setentas anos, bateu seu recorde com dezenove filmes. Muito graças ao esforço hercúleo do novo curador, para filmes brasileiros, Eduardo Valente (ouça a entrevista que fizemos com ele Aqui), substituto do jornalista e crítico de cinema José Carlos Avellar.

O Festival de Berlim 2020 acontece de 20 de fevereiro e 01 de março. E nosso site estará direto do frio pelo vertenteiro Fabricio Duque. Confira a cobertura completa aqui no site e nas redes sociais. Schauen wir uns also die komplette Liste der brasilianischen Film in Berlin an! (Vamos então conhecer a lista completa dos filmes brasileiros em terras berlinenses!)

MOSTRA COMPETITIVA

Todos os mortos

Ambientado em São Paulo entre 1899 e 1900, TODOS OS MORTOS foi escrito e dirigido por Caetano Gotardo (“O Que Se Move”) e Marco Dutra (“As Boas Maneiras”), com produção de Sara Silveira e Maria Ionescu, da Dezenove Som e Imagens, e de Clément Duboin e Florence Cohen, da Good Fortune Films. O longa-metragem conta a história de duas famílias, uma branca, os Soares, e outra negra, os Nascimento, que se passa onze anos após o fim do período escravista – passado recente que ainda mantém os decadentes Soares presos à ideia de superioridade e posse. A história é conduzida pelas mulheres das famílias, interpretadas por Mawusi Tulani (dos espetáculos Bom Retiro 948 metros e Cartas de Despejo), Clarissa Kiste (do longa Trabalhar Cansa e atualmente no elenco da novela Amor de Mãe), Carolina Bianchi (das peças Lobo e Mata-me de Prazer) e Thaia Perez (dos filmes Aquarius e O Homem Cordial). O jovem Agyei Augusto (do musical Escola do Rock) é um dos protagonistas do filme, que também tem participações especiais da cantora Alaíde Costa, da atriz portuguesa Leonor Silveira (conhecida por seu trabalho com o diretor Manoel de Oliveira) e de Thomás Aquino (Bacurau). A trilha sonora é composta por Salloma Salomão, músico, historiador e educador com profunda pesquisa no cruzamento entre a música brasileira e as tradições da cultura e da música africanas. Festival de Berlim 2020.

MOSTRA GERAÇÃO

Alice Junior

ALICE JUNIOR foi assistido por nossa vertenteira Roberta Mathias, durante o Festival do Rio 2019 e pontuou que “A sexualidade apresentada no filme é plural. Sem julgamentos, são apresentados, além da personagem trans, personagens gays e bis. É claro que se trata de representatividade. Mas se trata também de liberdade. Conceito tão caro que perseguimos desde a Modernidade e não conseguimos alcançar. Em um momento no qual ele parece um tanto mais distante, talvez “Alice Junior” tenha me feito crer em uma geração futura que avance um pouco mais em relação a determinadas direções: à liberdade, à Alice e à liberdade de Alice”. Confira a crítica completa do filme AQUI! Festival de Berlim 2020.

Irmã filmeIRMÃ é o primeiro longa escrito e dirigido por Luciana Mazeto e Vinícius Lopes, produzido pela Pátio Vazio e Jaqueline Beltrame. O filme foi rodado em 2017 nos municípios de Porto Alegre, Novo Hamburgo, Maquiné, Gravataí e Mata, todos no Rio Grande do Sul. O longa-metragem conta a história de que quando a doença de sua mãe se agrava, Ana e Julia viajam ao interior do Rio Grande do Sul em busca de seu pai. No caminho: fantasmas, superpoderes e dinossauros. O filme terá sua estreia mundial na Generation 14plus, da 70ª Berlinale, em 2020.

Meu Nome e Bagda

MEU NOME É BAGDÁ, de Caru Alves de Souza (de “De Menor“) conta a história de Bagdá, uma skatista de 17 anos que mora na Freguesia do Ó, bairro da classe trabalhadora da cidade de São Paulo. Bagdá passa muito tempo com um grupo de amigos skatistas do sexo masculino e com a família e com os amigos da mãe. Juntas, as mulheres ao seu redor formam uma rede de pessoas que estão fora do comum. Quando Bagdá conhece um grupo de mulheres skatistas, sua vida repentinamente altera o círculo e a expansão do perceber além das fronteiras. A diretora enviou uma nota no Press Kit oficial: “Meu nome é Bagdá” surgiu do nosso desejo de trabalhar com histórias e com as situações vividas todos os dias por personagens de um bairro da classe trabalhadora nos arredores da São Paulo, buscando a poesia que existe em situações prosaicas. Também procuramos fazer um filme com personagens femininas fortes e incomuns que, pelos laços promovidos entre elas, criaram ilhas de amor e carinho em um mundo que é frequentemente hostil. Para isso, empregamos várias estratégias”. Festival de Berlim 2020.

Rã Curta

, de Ana Flavia Cavalcanti e Julia Zakia . Curta-metragem 15 min. São Paulo. Val e suas duas filhas vivem numa casa de 16 metros quadrados. Certa madrugada, mãe e filhas são subitamente acordadas com palmas e alguém chamando por Val no portão. A voz é de Neném Preto, amigo de Val e dono do mercadinho. Festival de Berlim 2020.

MOSTRA PANORAMA

CIDADE PÁSSARO, de Matias Mariani (de “A vida privada dos hipopótamos“). Amadi procura seu irmão Ikenna na cidade de São Paulo. Aos poucos percebe que o supostamente bem sucedido professor de matemática alimentou sua família nigeiana com uma narrativa imaginária de sua vida no Brasil, ocultando a dura verdade que Amadi descobre lentamente em sua missão pela submundo da cidade. Festival de Berlim 2020.

O Reflexo do Lago

O REFLEXO DO LAGO, de Fernando Segtowick, diretor estreante em um longa-metragem. O filme, em preto e  branco, discute o impacto ambiental e social do desmatamento no Brasil, apresentando uma observação da vida dos moradores de Tucuruí, uma região ao lado da Amazônia que, no entanto, foi severamente impactada pela construção de uma usina hidrelétrica. Nas águas escuras, os restos de árvores mortas servem como um lembrete sombrio de ecossistemas há muito perdidos. E, no entanto, o rio ainda flui, como trabalhadores e suas famílias. É sobre aqueles que vivem ao lado do rio Caraipé, mantendo dignidades e otimismos silenciosos, bem como um vínculo entre gerações. Enquanto o residentes mais velhos refletem sobre o curso de suas vidas, seus filhos permanecem cautelosos sobre o futuro. Enquanto isso, a geração mais jovem ainda encontra liberdade e emoção em um ambiente abrasador. Segtowick busca desmistificar a paisagem com sua  fotografia monocromática, testemunhando a alegria de orar, amar, cantar e prosperar, fotografar com um estilo natural que combina perfeitamente terra e água, natureza e humanidade, o pessoal e o político. “O Reflexo do Lago” é um testemunho paciente de resistência, bem como um documento impressionante de um ambiente em crise. Festival de Berlim 2020.

Vento Seco filme

VENTO SECO é dirigido por Daniel Nolasco (do documentário “Paulistas”). O vento seco e a baixa umidade do ar ressecam a pele dos moradores de Catalão. Sandro trabalha no departamento de recurso humanos da mineradora Coopebrás e faz sexo regularmente com seu colega de trabalho, Ricardo, no fim do expediente entre as árvores da floresta de eucalipto que cercam a mineradora. Nas quartas-feiras, antes do trabalho, Sandro nada na única piscina da cidade. Foi à beira da piscina que conheceu Maicon. Sandro deseja Maicon, mas seus olhares nunca se cruzaram. É mês de julho e a única paisagem verde em meio à vegetação morta do cerrado são as folhas verdes dos eucaliptos. Quando Maicon começa a trabalhar como segurança na Coopebrás, o desejo de Sandro por Maicon vira obsessão. Em uma quarta feira, enquanto nada no clube, Sandro descobre que Ricardo e Maicon estão tendo um caso. Quando os últimos ventos de julho balançam as folhas verdes dos eucaliptos, Sandro, com um punhal em mãos, segue os dois amantes floresta adentro. Festival de Berlim 2020.

Nardjes A

NARDJES A, de Karim Aïnouz (de “Praia do Futuro“, “Aeroporto Central“, “A Vida Invisível“). 1h21. Argélia, França, Brasil, Alemanha, Qatar.  8 de março de 2019, Dia Internacional da Mulher e terceira sexta-feira consecutiva em que a cidade de Argel abriga uma mobilização maciça contra a candidatura de Abdelaziz Bouteflika por seu quinto mandato presidencial. Esta data também é o ponto de partida deste documentário. Segue-se um dia na vida de Nardjes, uma jovem argelina que encontra nos protestos exigindo a renúncia de seu presidente também um espaço para reivindicar o que lhe havia sido prometido e roubado – seu futuro. São 65 anos que separam os protestos de 2019 das lutas de independência da Argélia, nas quais sua própria família sofreu tanto. Feridas que Nardjes carrega com ela hoje. Sob a visão de liberdade e democracia, três gerações estão relacionadas no tempo. Festival de Berlim 2020.

Un Crimen en Comun

UN CRIMEN EN COMÚN, de Francisco Márquez, diretor que também é roteirista junto com Tomás Downey. No elenco, Elisa Carricajo, Letícia Sabatella e Fernando Alves Pinto. 90 minutos. Cecilia (38) é professora de sociologia na Universidade. Uma madrugada de tempestade, Kevin (15), filho de sua empregada, bate à porta de sua casa em desespero. Ela, assustada, não abre. No dia seguinte, o corpo de Franco aparece no rio, morto pela polícia. Cecilia começa a ser perseguida pelo fantasma do jovem. Perturbado pela culpa consegue se libertar dele, mas agora, o fantasma parece ser ela. Festival de Berlim 2020.

MOSTRA FORUM

Luz nos Trópicos

LUZ NOS TRÓPICOS, de Paula Gaitán (de “A Noite“, “Exilados no Vulcão“, “É Rocha e Rio, Negro Léo”. Filmado em NY, Xingu, Pantanal e Chapada dos Guimarães. Sexto longa-metragem da realizadora. Com Clara Choveux, Carloto Cota, Arrigo Barnabé, Maira Senise, Bege Muniz. “Luz nos Trópicos” apresenta a forma como a relação com a luz e a geografia brasileiras abrem espaço para novas experiências visuais e sensoriais, mostrando isso através da história do inventor francês Hercule Florence – artista que veio ao Brasil como membro da Expedição Langsdorff, trazendo consigo uma tradição pictórica europeia e, aqui chegando, teve sua percepção totalmente transformada. Festival de Berlim 2020.Vil, ma

VIL, MÁ, de Gustavo Vinagre (de “A Rosa Azul de Novalis“, ​”Lembro Mais dos Corvos“). Uma produção da Carneiro Verde e Avoa. O cartaz foi feito pelo Gabriel Pessoto e pelo João Marcos de Almeida. 

 cargocollective.com Chico ventana también quisiera tener un submarino

CHICO VENTANA TAMBIÉN QUISIERA TENER UN SUBMARINO, de Alex Piperno. Com Daniel Quiroga e Inés Bortagaray. Uruguai. 11o minutos. A bordo de um navio de cruzeiro que atravessa o sul da América Latina, um jovem marinheiro descobre um corredor que misteriosamente leva a um apartamento em Montevidéu. Enquanto isso, a milhares de quilômetros de distância, nos arredores de uma pequena cidade rural nas Filipinas, um grupo de camponeses parece ter encontrado um antigo armazém abandonado na largura do vale, ao qual atribuíram causas sobrenaturais. Festival de Berlim 2020.

MOSTRA FORUM EXPANDED

Vaga Carne

VAGA CARNE, de Grace Passô e Ricardo Alves Junior. Nossa vertenteira Roberta Mathias pontuou: “Vaga Carne” é um filme experimental, sim! Um filme sobre dor, corpo, identidade e possibilidades de um corpo negro de divagar, meditar. De ter tempo para o “ócio criativo”, mas ainda assim doloroso, pois doloroso sempre é.  Seria ao corpo negro permitida a possibilidade de divagação? Seria ao corpo negro permitida a possibilidade de criar uma obra eminentemente experimental? Leia a crítica completa AQUI! 

(OUTROS) FUNDAMENTOS, de Aline Motta. 15 minutos. Última parte da trilogia que começou com “Pontes sobre Abismos”, depois com “Se o mar tivesse varandas” e terminou com “(Outros) Fundamentos”. Com imagens captadas em Lagos/Nigéria, Cachoeira/BA e Rio de Janeiro/RJ, este projeto pretende dar conta das conseqüências da jornada que a artista empreendeu em busca de suas raízes. Festival de Berlim 2020.

Apiyemiyeki

APIYEMIYEKI?, de Ana Vaz. 28 minutos. Apiyemiyekî traduz-se como “por quê?”. Ao escavar esse arquivo e dar vida a essa memória coletiva, Vaz traz o passado para esse presente, usando-o para interrogar e desestabilizar as estruturas pavimentadas da história. À medida que a imagem do rio retorna como uma presença vingativa para a estrada, essa memória coletiva demonstra a existência de uma compreensão fluida e flutuante da história – que reconhece a pergunta “por quê?”, trecho da revista Desistfilm. Festival de Berlim 2020.

 

JOGOS DIRIGIDOS, de Jonathan de Andrade. 57 min. O filme Jogos Dirigidos traz uma experiência de linguagem. Na comunidade de Várzea Queimada, povoado no Sertão do Piauí com cerca de 900 habitantes e um alto índice de surdos-mudos em sua população, o acesso à água e aos investimentos públicos é escasso, assim como a aprendizagem da Libras oficial. Ante todas essas dificuldades, a comunidade de surdos-mudos de Várzea Queimada criou a sua própria linguagem. O filme traz exercícios de corpo e de fala, improvisando palcos ao ar livre para depoimentos espontâneos de um grupo de 18 personagens, homens e mulheres do local. Os depoimentos, em sua maioria não traduzidos, são revisados fala a fala, ligando os gestos às palavras, sistematizando o léxico gestual de Várzea Queimada como se estivéssemos diante de um vídeo educativo que ensina uma nova língua, além do seu universo e questões próprias O filme é uma colaboração com Marcelo Rosenbaum e o Instituto A Gente Transforma e foi comissionado pelo Museu de Arte Contemporânea de Chicago. Festival de Berlim 2020.

Letter From A Guarani Woman In Search Of Her Land Without Evil,

LETTER FROM A GUARANI WOMAN IN SEARCH OF HER LAND WITHOUT EVIL (Carta de uma mulher guarani em procura de sua terra sem mal), de Patricia Ferreira. O Jeguatá define a jornada de vila em vila, atravessando rios e estradas de barco, ônibus ou caminhando em busca de um paraíso terrestre. Ele mapeia um território imaginário sem fronteiras ou domicílio fixo – transcendendo as demarcações coloniais do Brasil, Argentina, Paraguai e Bolívia: terras para onde os guaranis se movimentavam livremente antes da chegada dos europeus. O Jeguatá renova essa migração mística e política, fortalecendo as redes sociais, a cultura oral e a troca de alimentos e sementes que alimentam esse caminho espiritual em direção ao que é conhecido como Terra Sem Mal. Festival de Berlim 2020.

MOSTRA ENCOUNTERS

Los Conductos

LOS CONDUCTOS, de Camilo Restrepo. França, Colômbia, Brasil. 70 min. Depois de  curtas-metragens de sucesso (CILAOS e LA IMPRESSION DE UNA GUERRA, que receberam um prêmio em Locarno; LA BOUCHE, exibido durante La Quinzaine des Réalisateurs em 2017), Camilo Restrepo realiza seu primeiro longa-metragem, LOS CONDUCTOS, que segue um personagem que, depois de ter fugido, tem que enfrentar fantasmas de seu passado enquanto tenta retornar à sociedade. Festival de Berlim 2020.

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