Tudo sobre o CineOP 2020

Em ambiente virtual, sessões de filmes da 15a CineOP mantêm estrutura e perfil dos espaços de exibição de Ouro Preto

Por Redação (baseado no release oficial)

A 15a Mostra de Cinema de Ouro Preto tem em sua edição 2020 um formato totalmente virtual e gratuito, entre os dias 3 e 7 de setembro e mantém o formato do evento como sempre acontece na cidade histórica mineira, em recortes do Cine Vila Rica, Cine-Praça e Cine-Teatro. Nosso site fará a cobertura integral pelo olhar atento do vertenteiro Vitor Velloso, com críticas dos filmes e matérias sobre os detalhes.

Nossa cobertura da 15a CineOP já começou. Confira AQUI!

Realizada em ambiente virtual devido a pandemia, a 15a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto conta com vasta programação gratuita, incluindo 102 filmes (14 longas, 12 médias e 76 curtas), de 15 estados (AL, BA, CE, DF, ES, GO, MG, MS, PE, PR, RJ, RN, RS, SC e SP) e dois países (Brasil e Argentina), divididos em 33 sessões. Pela ausência dos encontros presenciais, as sessões vão acontecer no site cineop.com.br, mas a produção da mostra se preocupou em reproduzir a estrutura do evento, com cada temática (Histórica, Preservação e Educação) contando com uma grade de filmes acompanhada de debates, comentários e outras atividades complementares que enriquecem a experiência de participar da CineOP, mesmo à distância. Confira a seguir a estrutura das mostras.

MOSTRA HISTÓRICA

A televisão completa 70 anos de transmissão no Brasil, e a CineOP vai refletir de que maneira um veículo de comunicação de massa efêmero e dispersivo teve, ao longo do período, momentos de invenção e ousadia que permanecem referenciais no audiovisual. O recorte feito pelo curador Francis Vogner dos Reis atravessa os últimos 40 anos com objetivo de pensar parte da intrincada trama que nos trouxe até este momento político, social e midiático em que estamos.

Assim, o destaque é de programas e iniciativas que quebraram a linguagem mais convencional trabalhada pela TV nesses anos todos. Produções feitas para consumo doméstico que, de tão singulares, hoje soam como criações modernas e de vanguarda. Um caso forte é a atuação de cineastas com trajetórias importantes na televisão no fim dos anos 1970 e início dos 80, em especial no “Globo Repórter” entre 1975 e 1979. A CineOP vai resgatar duas reportagens dessa época que se tornaram marcos: “Theodorico, o Imperador do Sertão” (1978), de Eduardo Coutinho; e “Wilsinho Galiléia” (1978), de João Batista de Andrade.

Outro exemplar diretamente dos canais abertos, “Os Arara” (1980-81) seria um documentário para a TV Bandeirantes, mas o diretor Andrea Tonacci se desentendeu com a emissora. O projeto permaneceu e se tornou referencial na abordagem de comunidades e vivências indígenas e no impacto da Transmazônica em grupos isolados.

Destaque especial da Mostra Histórica em 2020, a TVDO foi iniciativa de um coletivo de São Paulo que apostou na radicalidade estética, em sua condição de vídeo, na suspensão de fronteiras entre arte, comunicação, cinema e poesia, na metalinguagem e no humor corrosivo e disruptivo. Os vídeos selecionados para o espectador da CineOP conhecer a TVDO são: “Mocidade Independente” (1982), episódio de programa para a TV Bandeirantes; “Quem Kiss Teve” (1983), piloto de um programa que não foi continuado; “Avesso Festa Baile” (1984), episódio de programa da TV Cultura proibido de ser exibido na época; e “Heróis 2” (2003), um de seus últimos e mais significativos trabalhos e que integra um projeto iniciado ainda em 1987.

Avenida Brasilia Formosa

A ABVP (Associação Brasileira de Vídeo Popular) chegou a agregar 250 organizações, entre elas a TV Viva, de Olinda, e a TV Maxambomba, do Rio de Janeiro, que estarão com trabalhos em exibição na Mostra. A TV Viva retratava a realidade cotidiana dos bairros de Olinda, exibindo esses trabalhos em telões que circulavam por Recife. Os vídeos na CineOP são “Amigo Urso” (1985), que faz humor com a pergunta “todo brasileiro é corno?”, questionada ao acaso pelas ruas; e “Brasilino” (1985), no qual dois repórteres conversam, de maneira irreverente, com várias pessoas questionadas sobre os rumos do Brasil no pós-ditadura.

Por sua vez, a TV Maxambomba, na Baixada Fluminense, fomentou o projeto de TV comunitária ao mobilizar os moradores da região a produzirem vídeos tratando do cotidiano e de suas questões, com intuito de serem exibidos em praças públicas de 40 bairros. “Eleições Lindomar Ribeiro” (1990) e “Um Preto Velho Chamado Catoni” (1998), com suas provocações na política e na sociedade, trafegando entre a realidade e a ficção, são exemplos do tipo de produção que a Maxambomba realizava.

Já os filmes “TV Cubo 1 e 2” (1986 e 1987), de Marcelo Masagão, é a gravação de uma transmissão de TV pirata, e foi ao ar pelo da zona Oeste da cidade de São Paulo, que antes tinha feito interferências em canais convencionais como a TV Cultura e o SBT com um recado aos “tele humanos”. O experimento é original e sucede a experiência de Masagão na rádio anarquista Xilique no ano anterior.

Ainda integram a Mostra Histórica Avenida Brasilia Formosa” (2010), de Gabriel Mascaro; “Olho de Gato Perdido” (2009), de Vitor Graize; e “A Luta do Povo” (1980), de Renato Tapajós.

MOSTRA CONTEMPORÂNEA

Nos longas e médias-metragens, com curadoria de Francis Vogner dos Reis, a CineOP chama atenção para a produção contemporânea brasileira que, de alguma forma, dialoga com o passado para reconfigurar questões do presente. Seja pelo documento, pela memória, pelo autoquestionamento ou pela reflexão de como materiais afetivos ou concretos ainda nos servem.

Inserido nas sessões Cine Vila Rica, Cadê Edson?, de Dacia Ibiapina, fala não só de um ataque da Polícia Militar a uma ocupação em Brasília, mas principalmente à maneira como a grande mídia (que, ao seu modo, constrói um tipo de memória do imaginário), trata esse tipo de situação. “Seres, Coisas, Lugares”, de Suzana Macedo, parte da literatura de Guimarães Rosa, em especial o conto “O recado do morro”, para buscar a realidade que o inspirou, tratando, assim de uma memória que está nas letras. Os Olhos na Mata e o Gosto na Água”, de Luciana Mazeto e Vinícius Lopes trazem para a tela as história de um passado distante em uma pequena comunidade no Sul do Brasil. A Jangada de Welles, de Firmino Holanda e Petrus Cariry, retoma a estada do cineasta Orson Welles no Brasil do começo dos anos 1940, mesclado a memórias do Estado Novo e da luta de jangadeiros por direitos trabalhistas.

Ainda que sem as sessões na Praça Tiradentes, em Ouro Preto, a CineOP mantém o Cine-Praça, mesmo que virtualmente, com filmes de temas e abordagens com diálogo imediato com o público. “Dorivando Saravá – O Preto que Virou Mar”, de Henrique Dantas, aborda conceitos da vida e obra de Dorival Caymmi através de poéticas praieiras concebidas a partir dos seus trabalhos de pintura e composição. Banquete Coutinho, de Josafá Veloso, parte de um encontro filmado com o diretor Eduardo Coutinho em 2012 e vasto material de arquivo para retratar as inquietações do realizador, que morreu dois anos depois. Também em pré-estreia, “O Filme da Minha Vida”, de Alvarina Souza Silva, a cineasta retoma a própria vida e trajetória para pensar a situação de crise do audiovisual no atual governo federal . Já o longa “José Aparecido De Oliveira – O Maior Mineiro do Mundo”, de Mário Lúcio Brandão Filho, Gustavo Brandão, documenta a trajetória do jornalista, deputado federal, secretário de Estado, ministro de Estado, governador e embaixador José Aparecido de Oliveira. “Helen”, de André Meirelles Colazzo, apresentam o cotidiano e desejos juvenis.

Na Mostra Contemporânea de curtas-metragens, com curadoria de Camila Vieira, a seleção de 11 títulos se espalha também pelos recortes do Cine-Praça, Cine-Teatro e Cine Vila Rica e abrange diferentes modos de manifestações de processos histórico-sociais nas imagens cinematográficas e suas relações entre passado e presente. Alguns realizadores fabulam narrativas que podem assimilar ou recusar as contradições do presente, outros buscam resgatar vestígios do passado pela manipulação de imagens de arquivo.

As Constituintes de 88

No Cine-Praça, filmes como As Constituintes de 88, de Gregory Baltz, ou “A Viagem de Seu Arlindo”, resgatam imagens e imaginários de tempos da história nacional ou da intimidade de personagens retratados para ressignificar seus próprios sentidos. “Dona Cila, Não me Espere para o Jantar”, de Carlos Segundo, foi feito no contexto da pandemia e reflete sobre o isolamento social pela chave da ficção científica. Por sua vez, “Mãtãnãg, a Encantada”, de Shawara Maxakali e Charles Bicalho, retrata rituais Maxakali através da animação.

Na sessão Cine Vila Rica, “Acabaram-se os Otários”, de Rafael de Luna e Reinaldo Cardenuto, e “Extratos”, de Sinai Sganzerla, se utilizam de fotografias e documentos para reconstituírem memórias audiovisuais de filmes e figuras importantes do meio. Questões da negritude e da memória negra aparecem em “E no Rumo do meu Sangue”, de Gabriel Borges, e A Morte Branca do Feiticeiro Negro, de Rodrigo Ribeiro.

Por fim, os curtas do Cine-Teatro trabalham a abordagem de comunidades e culturas singulares representadas sobre outras possibilidades de olhar, casos de “A Fome de Lázaro”, de Diego Benevides, sobre as celebrações a São Lázaro, na Paraíba; “Abdução”, de Marcelo Lin, que retrata um morador da comunidade Aglomerado da Serra, na periferia de Belo Horizonte; e “Relatos Tecnopobres”, de João Batista Silva, que segue, como se num documentário, as ações dos guerrilheiros de uma comunidade subterrânea contra forças de repressão cyberburguesa.

Em parceria com a TV UFOP, a 15a Mostra de Cinema de Ouro Preto – CineOP apresenta duas sessões de curtas-metragens brasileiros realizados em universidades, escolas de cinema ou núcleos de formação em audiovisual, que serão apresentados exclusivamente na TV UFOP.

MOSTRA PRESERVAÇÃO

Dedicada a filmes do passado, a mostra da Temática Preservação de 2020 vai exibir a versão recém-restaurada de “Pixote, A Lei do mais Fraco” (1980), de Hector Babenco. A restauração foi viabilizada pelo World Cinema Project, que já recuperou 41 filmes de 25 países. “Pixote” é o segundo brasileiro trabalhado pela entidade, organização sem fins lucrativos fundada em 1990 por Martin Scorsese. O primeiro foi “Limite” (1930), de Mário Peixoto.

A sessão de curtas-metragens da Mostra Preservação foi preparada pela ABPA (Associação Brasileira de Preservação Audiovisual), com filmes das décadas de 1950 a 80 digitalizados em arquivos, cinematecas e iniciativas diversas, de forma a difundir e conscientizar o público sobre o patrimônio audiovisual brasileiro. E a mostra se completa com a exibição de “Fotografação”, de Lauro Escorel, ensaio sobre a percepção imagética e a importância da fotografia ao longo de mais de um século.

MOSTRA EDUCAÇÃO

Na primeira sessão do recorte de filmes da Temática Educação, serão apresentados trabalhos audiovisuais que se relacionam com a pandemia: isolamentos, encontros e desvios possíveis, efeitos do afastamento nas relações sociais e de aprendizado, pela onipresença do vídeo como janela de comunicação e pelas necessidades de outros tipos de afetos.

Adultos, jovens e crianças, professores e cineastas, diante do ambiente mais cotidiano possível, registraram jardins, hábitos, parentes e inquietações, ora como um documento audiovisual e histórico da pandemia, ora como um gesto de cinema brincante. Serão 3 sessões com 11 trabalhos selecionados especialmente para a CineOP e comentados e discutidos ao vivo a partir dessas perspectivas.

Outra série, são os 37 curtas-metragens produzidos no Brasil por educadores, estudantes e cineastas no contexto escolar e espaços não-formais de ensino, que serão também exibidos e comentados. Por fim, acontece a sessão de médias-metragens do projeto Nehemongueta Kunhã Mbaraete, que consiste na troca de vídeo-cartas entre as professoras e suas experiências pessoais da perspectiva indígena e não-indígena.

CINE-ESCOLA E MOSTRINHA

Mesmo com o distanciamento social e as sessões em ambiente virtual, o Cine-Escola segue no objetivo de formação de novos públicos e olhares para o cinema brasileiro. As sessões contêm curtas adequados para cada uma das faixas etárias montadas na seleção: entre 5 e 7 anos; de 8 a 10 anos; entre 11 e 13 anos; e a partir de 14 anos, faixa inclusive que contará com o longa-metragem “Meu Nome é Daniel”, de Daniel Gonçalves, sobre o cotidiano do cineasta, portador de deficiência.

A sessão Mostrinha vai ser composta pelo longa “Para’í”, de Vinicius Toro, que acompanha a história da menina guarani Pará, que mora com sua família na menor terra indígena do país. Uma história repleta de aventuras que vai emocionar pais e filhos.

Além da exibição de filmes – 101 produções (13 longas, 11 médias e 76 curtas) – debates, oficinas e masterclasses, a 15CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, que acontece de 3 a 7 de setembro de 2020, em formato online, promove, em parceria com o Sesc em Minas, uma programação artística intensa, gratuita e diversificada.

SESC CINE LIVES SHOWS

A agenda de atividades artísticas está intensa e inclui exposição online que celebra os 15 anos da Mostra, cinco lives shows e performance audiovisual inaugural, VJ’s que vão reunir no palco do Sesc Cine Live Show apresentações de bandas e artistas de destaque da cena mineira. As atrações poderão ser vistas no site oficial do evento – www.cineop.com.br e pelo canal do Sesc em Minas no Youtube, com retransmissão das lives nos dias 5, 6 e 7 de setembro.

Ainda no dia 3, a partir das 21h30, a live show Noite Festa do Cinema convida o público a participar de uma Homenagem a Rede Minas. No palco, três importantes nomes da cena mineira, que ganharam o mundo e se encontram para celebrar os 35 anos da Rede Minas. Túlio Mourão e Titane apresentam músicas que tocam em nossas feridas e também revelam a invencível esperança em dias melhores. No repertório, canções presentes no álbum “Paixão e Fé” e também de compositores como Lenine e Chico Cesar. A participação especial da noite é do ator, compositor, cantor e multi-instrumentista Maurício Tizumba, que traz sua voz, sua alegria e seus tambores.

Na noite de sexta-feira, 04 de setembro, às 21 horas, o Sesc Cine Live Show recebe a banda Graveola. Em vias de lançar seu novo disco “In Silence”, o grupo apresenta uma nova faceta aos que já acompanham seu trabalho. Se antes a banda fazia jus ao disco “Eu preciso de um liquidificador”, misturando todo tipo de sonoridade, no novo show a aposta é no respiro do silêncio, na singeleza de canções profundas, escancarando a maturidade sonora do grupo.

No sábado, 05 de setembro, a partir das 21 horas, é a vez de Lamparina e a Primavera animar a live show. A banda mineira, formada em 2017, vem de um caldeirão de influências que vão de Lenine e Nação Zumbi a Djavan e Parangolé. Tendo a cultura popular brasileira como norte e limites fluidos, o grupo mistura funk, forró, brega, maracatu e o que mais vier. Tudo nosso, tudo lindo. E o resultado é um caos harmônico, intenso, dançante e explosivo. Mas, especialmente, brasileiro. Lamparina e a Primavera é formada por Coto Delamarque (guitarra, syntetizador e vocal), Marina Miglio (vocal), Hugo Zschaber (vocal e percussão), Calvin Delamarque (baixo), Stenio Ribeiro (guitarra), Fabiano Carvalho (percussão e efeitos) e Thiago Groove (bateria).

Quem vai agitar o Sesc Cine Live Show da noite de domingo, 06 de setembro, às 21 horas, é o Bloco Pacato Cidadão. Criado em 2017, pelos músicos Guilherme Calke e Gustavo Maguá, o grupo tem como proposta homenagear e difundir a música de Minas Gerais levando em seu repertório os maiores clássicos das bandas Skank, Jota Quest, Tianastácia, Pato Fu e outros grandes nomes da música mineira.

E no encerramento da programação da 15a CineOP, o público poderá conferir na segunda-feira, 07 de setembro, a partir das 21 horas, a Live Show “Nada será como antes”, de Lô Borges. A apresentação presta homenagem a Bituca (Milton Nascimento), grande amigo e parceiro de longa estrada. Um tributo ao encontro que lançou as sementes do Clube da Esquina. No show, além de canções icônicas criadas em parceria pelos dois artistas, como “Clube da Esquina” e “Clube da Esquina nº 2”, Lô Borges (voz e violão) interpreta sucessos de sua própria autoria, como “Para Lennon e McCartney”, “Tudo Que Você Podia Ser” e “Quem sabe isso quer dizer amor” e canções marcantes como “Nada será como antes” , clássico do álbum “Clube da Esquina” de 1972. Lô Borges divide o palco com Henrique Matheus (guitarra e vocais) e um convidado muito especial: o irmão Telo Borges (teclados e voz).

Um dos principais palcos culturais de Belo Horizonte, o grande teatro do Grande Teatro do Sesc Palladium, será o cenário das lives shows, que são gratuitas e disponíveis para todos através do site do evento www.cineop.com.br e pelo canal do Youtube do Sesc em Minas.

“Nesta versão online da Mostra, o Sesc Cine Live Show será também o palco da continuidade do diálogo entre os músicos locais e artistas de outros lugares, reforçando a importância do intercâmbio e da circulação do trabalho desses profissionais. Na virtualidade, ainda perseguimos este encontro, apostando na arena ampliada das redes mundiais de informação. Trazer os artistas para levá-los para as casas desses vizinhos e daqueles estranhos. Sem deixar de ser Ouro Preto, a Mostra o será em qualquer lugar. As molduras das janelas históricas se abrindo nas telas dos aplicativos aqui e lá”, destaca Janaína Cunha, Gerente de Cultura do Sesc em Minas.

PERFORMANCE AUDIOVISUAL

Concebida para abrir a temporada audiovisual da 15ª CineOP, apresentar ao público a programação e o conceito do evento com arte, música, imagens e movimento, no âmbito das três temáticas centrais desta edição: Temática Preservação: Patrimônio Audiovisual: Acervos em Risco e Novas Formas de Difusão, Temática Histórica: Televisão o que foi, o que é e o que pode ser, Temática Educação: Telas e Janelas, tempo de cuidado, delicadeza e contato.

A direção é do artista audiovisual e poeta, Chico de Paula e da ativista, atriz e produtora cultural, Grazi Medrado; a trilha é do Barulhista e participações especiais de Sérgio Pererê, Mayi Mota, Eda Costa e Eduardo Moreira e Marcelino Xibil Ramos A performance audiovisual abre a programação oficial e poderá ser vista no dia 3 de setembro, quinta-feira, às 20 horas, no site www.cineop.com.br

EXPOSIÇÃO CINEOP 15 ANOS

A exposição virtual CineOP 15 anos tem como objetivo contar a história dessa Mostra cheia de riquezas visuais em apenas 30 imagens. Pretende expressar de forma imagética a representatividade de um evento tão complexo, com projeções na Praça, nos cinemas da cidade, os diversos seminários e oficinas, além de shows e outras atividades de interação com o público.

As imagens selecionadas pelo fotógrafo Leo Lara revelam toda a essência e as nuances de um festival dedicado ao Cinema. Muitas experiências, muitas câmeras, muitas lentes, muita imaginação e suor para buscar o melhor resultado do trabalho de uma equipe de fotógrafos e assistentes, que além da excelência e do profissionalismo, tem em comum um espírito de união e propósito em destacar e revelar todo o esforço da produção.

Exibir a Mostra de Cinema em Ouro Preto por meio de fotos é tratar de história, é contar as inúmeras vezes em que a cidade histórica foi palco desse evento marcante para os amantes da arte, da expressão e do argumento. Além de um lugar para discussão das temáticas relevantes do cinema, a CineOP é também um refúgio para encontros e lembranças de todos que já passaram por ali. Não bastasse isso a cidade foi palco de formação de muitos cineastas, produtores, educadores entre outras profissões afins. E também de diversão e manifestação da diversidade.

“Ao longo destes anos venho aprimorando a forma de fotografar esse evento tão dinâmico e envolvente. Foram 15 anos fotografando todas as complexidades do evento que tem em seu cerne o cuidado em realizar uma mostra nas ruas e nos cinemas da cidade. A riqueza destas imagens está na representação efetiva do valor humano, da capacidade de todos nós, de nos reinventarmos, de sermos o que queremos ser. De amar a liberdade e promover o próximo. Convido a todos para navegarem por lá para terem uma ideia mais abrangente da grandeza dessa e das outras das Mostras de Cinema. Viva o Cinema brasileiro, viva a CineOP”, afirma Leo Lara – coordenador de fotografia da Mostra de Cinema de Tiradentes, CineBH, e CineOP desde as suas primeiras edições.

A exposição virtual CineOP 15 anos é uma seleção de registros fotográficos realizados anualmente pela Equipe de Fotografia e será projetada na tela das Lives Shows, terá uma versão para o site e catálogo do evento.

MESAS TEMÁTICAS

Em sua 15a edição, a ser realizada entre 3 e 7 de setembro, a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto adota a temática central “Cinema de Todas as Telas”, que vai permear as exibições e discussões ao longo da programação. Dedicada a refletir o cinema como patrimônio, a mostra tem em seus eixos as Temáticas Preservação, História e Educação que além da exibição de filmes promove debates, estudos de caso, diálogos e encontros de cinema com participação de profissionais brasileiros e internacionais.

A programação tem início às 20 horas do dia 3 de setembro, quinta-feira, com o Debate Inaugural “Cinema de Todas as Telas”, que marca a abertura oficial do Seminário, do 15º Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros e do Encontro da Educação: XII Fórum da Rede Kino. Na mesa, o filósofo Ailton Krenak (destaque da Temática Educação) e o roteirista e diretor de cinema, TV e Realidade Virtual Tadeu Jungle (integrante da TVDO, destaque da Temática Histórica) vão conversar sobre este momento em que vivemos, em que a televisão completa 70 anos no Brasil, sendo ainda o maior meio de comunicação no país em contraste com a busca pela convergência com plataformas digitais, que neste momento de isolamento também servem ao teatro, à música e ao cinema. A mediação fica a cargo dos curadores Francis Vogner dos Reis e Clarisse Alvarenga.

ENCONTRO NACIONAL DE ARQUIVOS E ACERVOS AUDIOVISUAIS BRASILEIROS

Na Temática Preservação, a dupla de curadores José Quental Ines Aisengart Menezes propôs o conceito de “Patrimônio Audiovisual: Acervos em risco e novas formas de difusão”, tendo por eixo a produção televisiva como elemento central na formação cultural da sociedade brasileira. Os Encontros de Arquivos vão reunir dezenas de profissionais do setor para discutirem o assunto e também as perspectivas diante das atuais dificuldades impostas pelo poder público.

O tema estará no centro da mesa “A preservação na televisão brasileiro: desafios e acesso”, que vai debater como as emissoras de TV do país vêm gerenciando seus acervos e como a preservação, em diferentes níveis, participam do fluxo de trabalho dessas empresas. Participam Adriano Medeiros (cineasta e professor da UFOP), Luciana Savaget (jornalista, editora chefe do Arquivo N na Globonews), Paula Saldanha (jornalista, ambientalista e presidente do Instituto Paula Saldanha) e Zico Goes (diretor de desenvolvimento Canais FOX).

As preocupações com a preservação no digital estarão no centro do debate “A atuação dos arquivos brasileiros no mundo digital”, com Adauto Cândido Soares (coordenador de Comunicação e Informação da UNESCO), Ana Farache (coordenadora do cinema e da Cinemateca Pernambucana da Fundação Joaquim Nabuco), Carolina Alves (coordenadora do Programa de Arquivos Pessoais do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas) e Felipe Rocha (coordenador de acervo – Museu da Pessoa). A pandemia evidenciou a vulnerabilidade do patrimônio audiovisual brasileiro digital, tanto para sua difusão quanto para preservação. A mesa vai levantar quais são as ações de disponibilização de filmes e documentos audiovisuais nas redes nesse momento, os requisitos de infraestrutura e corpo técnico e as implicações legais e éticas para uma difusão mais ampla e de qualidade de conteúdo na internet.

Instituições e iniciativas internacionais de preservação de acervos também ganham mesas de conversa na Temática Preservação da CineOP. Mais uma vez haverá a exposição da FIAF (Federação Internacional de Arquivos de Filmes), entidade criada em 1938 e atualmente reunindo 171 arquivos e cinematecas do mundo todo. Christophe Dupin, administrador sênior da FIAF, vai falar sobre as formas de atuação da Federação num contexto de inédita crise mundial.

Por sua vez, a Cinemateca Portuguesa será representada por Tiago Baptista, diretor do Arquivo Nacional das Imagens em Movimento e do Centro de Conservação da Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema. Ele vai compartilhar suas reflexões sobre as ações da instituição no mundo digital e os impactos da pandemia em seu funcionamento.

Pelo Brasil, a Cinemateca Brasileira, diante da maior crise na sua história, vai ter uma mesa inteiramente dedicada à sua atual dramática situação. Participam Carlos Augusto Calil (ex-diretor executivo da Cinemateca), Débora Butruce (preservadora audiovisual e vice-presidente da ABPA) e Fabiana Ferreira (Instituto Brasileiro de Museus/Ministério do Turismo).

Mais uma presença internacional nos Encontros de Arquivo será de Paula Félix Didier, diretora do Museo del Cine Pablo Ducros Hicken, na Argentina. Ela vai falar sobre sua experiência na instituição e as perspectivas de um espaço considerado de excelência no campo do patrimônio audiovisual por conta de seu acervo e das estratégias expositivas.

Nas exibições de filmes, o estudo de caso da Mostra Preservação em 2020 será “Pixote, a Lei do Mais Fraco” (Hector Babenco, 1981), que será mostrado em sua versão restaurada e depois debatido, inclusive sobre como se deu a revitalização do filme, numa mesa com a participação de Myra Babenco (diretora da HB Filmes), Patrícia De Filippi (restauradora) e Roberto Gervitz (cineasta).

ENCONTRO DA EDUCAÇÃO: XII FÓRUM DA REDE KINO

No XII Fórum da Rede Kino: Rede Latino-americana de Educação, Cinema e Audiovisual, que anualmente reúne na CineOP educadores do país inteiro para discutir e apresentar metodologias de ensino através do audiovisual, os formatos remotos de aprendizado estarão em pauta, sob o tema “Telas e Janelas: Tempo de cuidado, delicadeza e contato”, proposto pelas curadoras Adriana Fresquet Clarisse Alvarenga.

No encontro “TV, rádio e vídeo na educação”Marília Franco (professora), Marcus Tavares (gerente de formação, TV Escola, RJ) e Renata Tupinambá (Rádio Yandê) conversam sobre as trajetórias dessas três redes educativas no Brasil, com suas características singulares e seus objetivos.

Por sua vez, a mesa “Mídia nas aldeias” reúne Graciela Guarani (professora e cineasta, PE), Michele Kaiowá (professora e cineasta, MS), Patrícia Ferreira Pará Yxapy (professora e cineasta, RS) e Sophia Pinheiro (cineasta, GO) para discutir o uso dos dispositivos móveis no cotidiano da pandemia para cineastas e educadores e a elaboração de canais de diálogo afetivo em meio ao isolamento social, inclusive nas aldeias Guarani. Essa mesa tem relação direta com a sessão de médias-metragens do projeto Nehemongueta Kunhã Mbaraete, que consiste na troca de vídeo-cartas entre as professoras e suas experiências pessoais da perspectiva indígena e não-indígena.

Os Encontros da Educação contam ainda com a exibição de projetos audiovisuais educativos que vinculam telas e janelas para ver o mundo em tempo da quarentena. São 3 sessões com 11 trabalhos selecionados especialmente para a CineOP e comentados e discutidos ao vivo. Outra série, são os 37 curtas-metragens produzidos no Brasil por educadores, estudantes e cineastas no contexto escolar e espaços não-formais de ensino, que serão também exibidos e comentados.

A tradicional mesa “Um plano de cinema, um plano de aula”, que acontece todo ano com convidados distintos, tem em 2020 a cineasta Cristina Amaral e a professora Licinia Correa para aproximarem as experiências de cada uma no trabalho com filmes e com educação.

Nos destaques internacionais, a masterclass de Carlos Skliar (investigador principal do Instituto de Investigaciones Sociales de América Latina, Argentina) vai tratar de “Cinema e educação: tempo de delicadeza”. Skliar discute o que ele chama de “pedagogia da fragilidade” e seus impactos em tempos complexos e delicados como este em que estamos inseridos com a pandemia.

Outra presença internacional é a de Inés Dussel, pesquisadora e professora do Departamento de Investigaciones Educativas DIE-CINVESTAV, no México. Sua masterclass será “As telas nas pedagogias da pandemia, para tratar de como pensar formas de produção colaborativa de conhecimentos usando plataformas e redes cada vez mais controladas pelo capitalismo de vigilância.

DEBATES TEMÁTICA HISTÓRICA

Na Temática Histórica, o curador Francis Vogner dos Reis apresenta Televisão: O que foi, o que é e o que ainda pode ser”, como eixo central das discussões. No ano que a TV brasileira completa 70 anos, a proposta é refletir sobre formas de disputar esse território do audiovisual e seu modelo ainda forte e hegemônico, tanto no que diz respeito à produção e ao direito à informação, à expressão do imaginário e da representatividade comunitária e regional, quanto em relação à educação (como as TVs públicas, fortes mundo afora), à abertura a novas experimentações com a tecnologia audiovisual e à difusão livre e diversa de nossos bens culturais.

No debate “TV, Pós-TV e Outras Telas”, a pesquisadora Christine Mello, o jornalista e diretor de televisão Gabriel Priolli e a cineasta Petra Costa, discutem sobre as mudanças na televisão nos últimos 40 anos, as convergências com o cinema e outras artes, até as tecnologias atuais que podem mudar o modo de difusão de comunicação, arte e entretenimento. O encontro acontece às 12 horas, do dia 4 de setembro, sexta.

No domingo, dia 6 de setembro, às 12 horas, o tema em discussão é “Cinema, Televisão e Comunicação Popular”. Com a participação de Luara Dal Chiavon, da Brigada de Audiovisual Eduardo Coutinho – MST; Paulo Alcoforado, consultor para empresas da economia criativa, ex-diretor da Ancine e ex-coordenador executivo dos Programas DOCTV no Brasil e no exterior; e Valter Filé, professor e ex-coordenador da TV Maxambomba, a mesa pretende discutir a experiência das TVs comunitárias e iniciativas para o cinema importantes na televisão nas últimas décadas, avaliando os desafios políticos para a efetivação do direito à informação e a necessidade de disputa com a mídia tradicional do imaginário do grande público.

ENCONTROS DE CINEMA – RODAS DE CONVERSA

As rodas de conversa representam uma parte fundamental da programação da CineOP, pois permitem ainda mais interação entre o público e os cineastas convidados. Nesta 15a edição, serão realizadas quatro Encontros de Cinema – Rodas de Conversa com diretores sobre suas experiências e trajetórias. Os bate-papos poderão se acompanhados ao vivo pelo site da CineOP- www.cineop.com.br.

O primeiro Encontro de Cinema será na sexta-feira, dia 4 de setembro, às 18 horas, com o tema Imagens na Contramão das Narrativas Mídiáticas. A Roda de Conversa abordará as experiências distintas de cineastas que tiveram na televisão campo de atuação ou objeto de crítica em suas obras, tendo como objetivo criar formas e discursos críticos que se distinguiram das narrativas oficias da comunicação das mídias corporativas. Participam do debate Dácia Ibiapina– diretora do filme Cadê Edson?|DF e João Batista de Andrade – diretor do filme Wilsinho Galiléia| SP. A mediação será de Francis Vogner dos Reis – curador Temática Histórica |SP.

No sábado, 5 de setembro, às 12 horas, o Percurso da Tvdo será o tema do Encontro de Cinema. A Roda de Conversa abordará a trajetória e as ideias da produtora independente Tvdo, que na década de 1980 realizou algumas das intervenções estéticas e narrativas mais inovadoras no vídeo brasileiro e na televisão aberta. Participam do bate-papo os integrantes da Tvdo, Ney Marcondes, Paulo Priolli, Pedro VieiraTadeu Jungle Walter Silveira. O encontro tem mediação de Marcelo Miranda – crítico de cinema |MG.

Ainda no sábado, às 18 horas, a Roda de Conversa discutirá as Diferentes Perspectivas da Criação de Personagens no Documentário. Partindo dos filmes Banquete CoutinhoSeres Coisas e Lugares As Constituintes de 88, o debate apresentará as diferentes elaborações de personagens no cinema documentário. Participam do bate-papo os cineastas Josafá Veloso, diretor do filme Banquete Coutinho; Suzana Macedo, diretor do filme Seres, Coisas e Lugares e Gregory Baltz, diretor do filme As Constituintes de 88. A mediação será de Camila Vieira – curadora – Mostra Curtas Contemporânea.

E no domingo, 6 de setembro, às 18 horas, o Encontro de Cinema abordará a Revisão, Reconstituição ou Reapropriação de Filmes Interrompidos ou Perdidos. A Roda de Conversa discute os filmes que integram a 15a Mostra de Cinema de Ouro Preto que fazem a revisão, reconstituição ou reapropriação de imagens de filmes que foram interrompidos ou tiveram boa parte do seu material perdido. Participam do bate-papo os cineastas Petrus Cariry, diretor do filme A Jangada de Welles; Vitor Graize, diretor do filme Olho de Gato Perdido Reinaldo Cardenuto, diretor do filme Acabaram-se os Otários. O encontro terá mediação de Camila Vieira – curadora Mostra Curtas Contemporânea.

Foto Beto Staino /Universo Producao.

SOBRE A 15ª CINEOP – MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO

Idealizada e realizada pela Universo Produção em edições anuais e consecutivas, a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto é uma mostra audiovisual que estrutura sua programação em três temáticas de atuação: preservação, história e educação. Chega a sua 15ª edição, de 3 a 7 de setembro de 2020, reafirmando o propósito de ser instrumento de reflexão e luta pela salvaguarda do patrimônio audiovisual brasileiro em diálogo com a educação e em intercâmbio com o mundo – centra o foco no cinema como patrimônio, na história, memória em interface com o cinema contemporâneo e ações educacionais.

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