Tudo Sobre a Mostra Fellini 2023 no Rio de Janeiro
Retrospectiva do realizador italiano traz 11 filmes de 06 a 12 de julho no Estação Net Botafogo
Por Fabricio Duque
Há algo na cinematografia de Federico Fellini: suas histórias sempre permanecerão atuais, porque seus sonhos nunca serão datados. A maestria do realizador italiano está na mais básica universalidade dos temas mundanos. Suas obras são pontos unidos, em conflitos equilibrados, que trazem as mais passionais emoções, ora histericamente externadas, ora silenciosamente introspectivas, envolto na estrutura neo-realista, em que o foco, propósito, ação e reação habitam na intimidade das existências humanas. Dessa forma, esses seres potencialmente sentimentais, além de corroborar a característica social dos italianos, que é viver o imoral (impulsos instintivos do mais intrínseco desejo humano) com a culpa submissa dos princípios mais conservadores (o seguimento das tradições e formalidades das ordens de Deus, como, por exemplo, família e religião).
Assistir a uma obra de Fellini é reencontrar nossa base mais genuína, mais rebelde, mais crua, mais orgânica, mais pura, com mais verdade e menos máscaras. Assistir a uma obra de Fellini é acessar o refúgio em que estão nossas memórias afetivas. Assistir a uma obra de Fellini é poder ter um descanso da necessidade constante e ininterrupta que temos de estar ativo e disponível o tempo todo para o outro, ota nos defendendo, ora nos afirmando e/ou ora exercendo nosso orgulho de superioridades. Fellini coloca todo mundo no mesmo nível, entre fantasia e imagens barrocas. Não há hierarquias sociais, porque o que conta na realidade é nossas particularidades mais genuínas: marcas, manias, limitações, vulnerabilidades e impotências. É por isso que o Cinema precisa festejar sempre esse “representante” cinematográfico do povo. De seus tipos, de suas prostitutas, de seus bêbados e de seus “boas-vidas”. Todos precisam sobreviver e encontram a sua maneira a melhor solução.
A última manifestação cinéfila foi um pouco antes da pandemia. Fellini nasceu em 20 de janeiro de 1920. E hoje, cento e três anos depois, chega ao Rio de Janeiro a Mostra Fellini, no Estação Net Botafogo. Se um ano antes esse produtor e diretor carioca lançou a exposição “Sonhos de Fellini” (leia aqui a matéria na íntegra), agora traz a retrospectiva Mostra Fellini com 11 filmes do mestre italiano, desta quinta-feira 06/07 até quarta-feira 12/07, que pelas palavras de Rodrigo Fonseca já virou “Estação Fellini”.
A curadoria da Mostra Fellini é de Adriana Rattes, Cavi Borges e Gabriel Carvalho. “Em uma semana, nós curadores, seguimos o intuito de realizar mostras retrospectivas dos grandes cineastas principalmente para que esta nova geração de jovens conheça esses mestres e ainda possa assistir aos filmes no telão gigante da sala do Estação Net Botafogo. E isso me inclui. Eu mesmo não vi essas obras no cinema, só em DVD. É uma oportunidade única”, disse Cavi Borges, ou o Sr. Cavideo para os que assistiram ao espetáculo, que ele produziu e dirigiu com a atriz Marcia do Valle, “Uma Peça Para Fellini” (leia mais aqui sobre a peça).
PROGRAMAÇÃO COMPLETA DA MOSTRA FELLINI 2023 NO RIO DE JANEIRO
QUINTA, 06/07
14h20 – NOITES DE CABÍRIA
16h40 – JULIETA DOS ESPÍRITOS
19h30 – ENSAIO DE ORQUESTRA
21h00 – 8 E MEIO
SEXTA, 07/07
14h00 – A ESTRADA DA VIDA
16h10 – OS PALHAÇOS
18h10 – AMARCORD
20h40 – A DOCE VIDA
SÁBADO, 08/07
13h30 – 8 E MEIO
16h10 – OS BOAS VIDAS
18h30 – JULIETA DOS ESPÍRITOS
21h20 – SATYRICON DE FELLINI
DOMINGO, 09/07
13h30 – A DOCE VIDA
16h50 – AMARCORD
19h10 – A ESTRADA DA VIDA
21h20 – NOITES DE CABÍRIA
SEGUNDA, 10/07
14h00 – A VOZ DA LUA
16h20 – OS PALHAÇOS
18h20 – SATYRICON DE FELLINI
TERÇA, 11/07
14h30 – ENSAIO DE ORQUESTRA
16h00 – OITO E MEIO
18h40 – NOITES DE CABÍRIA
21h00 – AMARCORD
QUARTA, 12/07
14h00 – SATYRICON DE FELLINI
16h30 – A VOZ DA LUA
18h50 – A ESTRADA DA VIDA
21h10 – OS BOAS VIDAS
SERVIÇO
Mostra Fellini
De 06 a 12 de julho
R$ 14,00 cada sessão
Ingressos disponíveis na bilheteria do cinema e no site INGRESSO.COM