Toy Story 2

Amigo, estou aqui!

Por Fabricio Duque

A continuação da saga animada “Toy Story” (leia aqui a crítica do primeiro) inicia-se dentro de um jogo de computador de Andy, o garotinho “dono” dos brinquedos, jogado pelo dinossauro que deseja vencer o arqui-inimigo de Buzz, Zurg, tendo o Quadrante Gama do Setor 4 como cenário, referenciando a “2001, uma odisséia no espaço”, de Stanley Kubrick. Em “Toy Story 2” aventuram-se novos presentes, novos medos, novos brinquedos, novos amigos. Desta vez, o Cabeça de Batata ganha uma esposa à altura, a Sra. Cabeça de Batata. “Brinquedos não duram para sempre”, diz-se sobre o rasga na roupa de Woody, o impedindo de acompanhar a criança ao acampamento de férias. A rejeição é o principal problema. Precisam ser os melhores, mesmo já definidos no que já são. A metáfora serve para ilustrar que cada um é o que é, e que precisa usar o máximo para continuar vivenciando plenamente as imitações pré-concebidas. “Você está quebrado, não quero mais brincar com você”, diz Andy. Novos temores são apresentados. A liquidação de brinquedos por 25 centavos e um colecionar que vê em Woody o item raro de sua coleção.

Em “Toy Story 2”, o “inimigo” da vez é externo. Ser o item acima é estar em uma caixa. E nada causa mais tristeza o fato da não existência de crianças. Brinquedos foram criados com o objetivo de realizar a felicidade dos pequenos humanos. Woody descobre que é famoso e uma “propriedade valiosa”. Tem até o seu próprio programa de televisão. Novos amigos: Jesse, a caubói, Bala no Alvo, o cavalo e o Mineiro, o tio fazendeiro. Eles serão vendidos ao Museu de Tokyo, Japão. O “preferido” do Andy não quer decepcioná-los, aceitando a proposta, mas em conflito por causa da sua essência e de seus antigos amigos. Buzz, Cabeça de Batata, Dinossauro e o Cão alargador partem em uma missão: salvar Woody. Na trajetória, encontram novos brinquedos. Uma festa de Barbies diversas. Referencia-se a “Guerra nas estrelas”. A narrativa de “Toy Story 2” cria no espectador a tensão e aflição do momento apresentado. E critica o sistema de bagagens dos aeroportos americanos, por causa do descaso e incompetência. Foi a primeira sequência de animação a faturar mais do que o filme original nas bilheterias. Conta ainda (conservando) com a direção de John Lasseter, que se junta com Ash Brannon e Lee Unkrich para divertir, emocionar e mostrar que crianças podem (e devem) sim ser estimuladas mentalmente.


Pixar Animation Studios é uma empresa de animação por computação gráfica (pertencente a The Walt Disney Company), localizada em Emeryville, Califórnia. Desenvolveu o software de renderização padrão da indústria, o RenderMan, usado para geração de imagens de realismo fotográfico de alta qualidade. Os softwares trabalham em um modo de baixa resolução para poder mostrar uma visão prévia do resultado. Quando o projeto está concluído, ou em qualquer momento que se queira fazer uma aferição de qual será o resultado final, faz-se a “renderização” (converter uma série de símbolos gráficos num arquivo visual) do trabalho. É necessário, entre outras coisas, definir um tipo de textura para os objetos existentes, sua cor, transparência e reflexão, localizar um ou mais pontos de iluminação e um ponto de vista sob o qual os objetos serão visualizados. Ao renderizar, o programa calcula a perspectiva do plano, as sombras e a luz dos objetos. A companhia foi comprada por Steve Jobs (co-fundador da Apple Inc.) por US$10 milhões. A Pixar cuidava de todos os aspectos de produção enquanto a Disney cuida de todos os aspectos da distribuição. Em 1995, depois do lançamento de “Toy Story”, ambas as companhias assinaram um contrato de 10 anos ou 5 filmes na qual as duas companhias dividem os custos de produção e lucros. Desde 2006, as empresas fundiram-se, tendo Steve como o maior acionista individual.

“Tudo é projetado, modelado, construído, filmado, como qualquer outro filme, só que, aqui, é virtualmente. Usamos as mesmas ferramentas, mas no computador. Então, arrumamos a locação, recebemos os atores, eles atuam”, diz a produtora Darla K. Anderson, que complementa “Tivemos muitas emoções, é muito pessoal para nós. Há oito anos, ninguém sabia se “Toy Story” daria certo ou que daria início a um segmento. A Pixar não existiria sem o filme. Quando começamos, devia haver umas 50 pessoas. Agora, tem 1,2 mil, no mínimo”. A animação marcou uma nova fase por transformar o roteiro tradicional dos filmes da Disney. Antes, a pureza e a fantasia prevaleciam. Hoje, os diálogos – e ações – perspicazes, de cotidiano e com quebra da carga sentimental de efeito ganharam espaço, chegando mais próximo à linguagem realista, humanizando personagens e convertendo simbolismos em imagens. Chamava atenção também o uso de marcas licenciadas de brinquedos, especialmente clássicos dos anos 80 como o Cabeça de Batata, Army Men, Traço Mágico e até a Barbie. As referências ao mundo pop e contemporâneo não ficaram de fora. Há de “2001 – uma odisséia no espaço” (de Stanley Kubrick) a “Guerra nas estrelas”. É conhecido por ser o primeiro longa metragem dos estúdios Pixar e também o primeiro da história totalmente feito por computação gráfica.

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