Toy Story – Um Mundo de Aventuras

Para o infinito e além da amizade

Por Fabricio Duque

O universo infantil de memórias é diretriz à trama que se deseja transpassar. Os brinquedos sabem de suas funções “profissionais”, que é a de estar disponível e presente sempre que a criança precisar (brincar). Eles foram criados com esse objetivo. Aos olhos dos pequenos, eles estão vivos. Sozinhos, permanecem animados, vivenciando o próprio mundo o qual convivem. “Olha, sou um Picasso”, “Não entendi”, “Sai daí seu sem cultura”, um dos diálogos iniciais que demonstram a inteligência do roteiro. “Toy Story” é um filme para crianças espertas, quase na mesma linha da linguagem dos adultos. Estes revivem o passado puro e divertido. Os outros experimentam aventuras e mistérios. Andy é o garoto “dono” desses seres personificados. As angústias e os anseios deles são reais. A cada ano, sofrem com o aniversário e o Natal. O medo da substituição por um brinquedo melhor torna-se humano e plausível. “Toy Story” aborda os valores intrínsecos e necessários ao crescimento positivo do próprio ser. A amizade é o principio social mais importante.

A fidelidade também. “Um bom soldado nunca deixa outro para atrás”, diz-se. O ensinamento realista funciona como extensão da criação dos pais. Há crítica ao mal e ao errado, mas sem o clichê da chamar a atenção todo instante. Um novo brinquedo, uma “ameaça” é introduzida. O “Patrulheiro espacial” Buzz Lightyear, que acredita na condição que se encontra. “Ao infinito e além”, reitera-se. A chegada causa ciúmes em Woody, um caubói, que se considera o preferido de seu “dono”. A ingenuidade o faz acarretar aventuras e reviravoltas, precisando vence-las a fim de consertar o erro e crescer como pessoa. Os sentimentos são os mesmos para todos: humanos e brinquedos. Quando a decepção acontece, o estágio depressivo é gerado. Eles precisam transpassar limitações para que assim possam ajudar mutuamente. Protegem-se pelo carinho e pela culpa. Estreia de John Lasseter como diretor. Cada frame de “Toy Story” levou de 4 a 13 horas para ser feito, dependendo da complexidade da cena em questão. Orçamento estimado de US$ 30 milhões.


A Pixar Animation Studios é uma empresa de animação por computação gráfica (pertencente a The Walt Disney Company), localizada em Emeryville, Califórnia. Desenvolveu o software de renderização padrão da indústria, o RenderMan, usado para geração de imagens de realismo fotográfico de alta qualidade. Os softwares trabalham em um modo de baixa resolução para poder mostrar uma visão prévia do resultado. Quando o projeto está concluído, ou em qualquer momento que se queira fazer uma aferição de qual será o resultado final, faz-se a “renderização” (converter uma série de símbolos gráficos num arquivo visual) do trabalho. É necessário, entre outras coisas, definir um tipo de textura para os objetos existentes, sua cor, transparência e reflexão, localizar um ou mais pontos de iluminação e um ponto de vista sob o qual os objetos serão visualizados. Ao renderizar, o programa calcula a perspectiva do plano, as sombras e a luz dos objetos. A companhia foi comprada por Steve Jobs (co-fundador da Apple Inc.) por US$10 milhões. A Pixar cuidava de todos os aspectos de produção enquanto a Disney cuida de todos os aspectos da distribuição. Em 1995, depois do lançamento de “Toy Story”, ambas as companhias assinaram um contrato de 10 anos ou 5 filmes na qual as duas companhias dividem os custos de produção e lucros. Desde 2006, as empresas fundiram-se, tendo Steve como o maior acionista individual.

“Tudo é projetado, modelado, construído, filmado, como qualquer outro filme, só que, aqui, é virtualmente. Usamos as mesmas ferramentas, mas no computador. Então, arrumamos a locação, recebemos os atores, eles atuam”, diz a produtora Darla K. Anderson, que complementa “Tivemos muitas emoções, é muito pessoal para nós. Há oito anos, ninguém sabia se “Toy Story” daria certo ou que daria início a um segmento. A Pixar não existiria sem o filme. Quando começamos, devia haver umas 50 pessoas. Agora, tem 1,2 mil, no mínimo”. A animação marcou uma nova fase por transformar o roteiro tradicional dos filmes da Disney. Antes, a pureza e a fantasia prevaleciam. Hoje, os diálogos – e ações – perspicazes, de cotidiano e com quebra da carga sentimental de efeito ganharam espaço, chegando mais próximo à linguagem realista, humanizando personagens e convertendo simbolismos em imagens. Chamava atenção também o uso de marcas licenciadas de brinquedos, especialmente clássicos dos anos 80 como o Cabeça de Batata, Army Men, Traço Mágico e até a Barbie. As referências ao mundo pop e contemporâneo não ficaram de fora. Há de “2001 – uma odisséia no espaço” (de Stanley Kubrick) a “Guerra nas estrelas”. É conhecido por ser o primeiro longa metragem dos estúdios Pixar e também o primeiro da história totalmente feito por computação gráfica.

Trailer

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