Os 10 filmes mais homofóbicos da História do Cinema

Por Pedro Guedes

A tendência da Humanidade é sempre caminhar para a frente, evoluindo em vez de regredir. No entanto, de tempos em tempos aparece um grupo de pessoas que se esforçam ao máximo para impedir esta evolução – o que elas não sabem, porém, é que jamais conseguirão esta proeza. O máximo que farão é atrasar a evolução por alguns anos, mas impedi-la… não. Dito isso, uma das formas de preconceito que mais vêm se manifestando hoje em dia é a homofobia, que infelizmente segue servindo como chamariz para levar pessoas absolutamente inexperientes ao poder (não citarei nomes, ok?). Assim, como o foco do Vertentes do Cinema é… Cinema (duh!), vamos relembrar alguns títulos que merecem ser utilizados como contra-exemplos para uma sociedade que pretende evoluir: hoje, listaremos aqui 10 filmes reconhecidamente homofóbicos que possam alertar a você, leitor(a), de como a intolerância e/ou a ignorância precisam ser relegadas ao passado de nossa História. Antes, um aviso: nem todos os filmes citados são realmente os mais homofóbicos já feitos no Cinema, mas… todos são contra-exemplos, no mínimo.

10º Lugar: Amigos para Sempre

(The Upside, de Neil Burger, 2019, comédia, 2h06)

No francês “Intocáveis”, de 2011, a personagem de Audrey Fleurot é declaradamente lésbica. Na refilmagem norte-americana “Amigos para Sempre”, a personagem de Nicole Kidman (que assume o papel originalmente ocupado por Fleurot) é reduzida a – spoiler! – par romântico de Bryan Cranston. O filme em si nem é tão ruim assim, mas este detalhe específico é meio condenável, não?

9º Lugar: Bohemian Rhapsody

(de Bryan Singer, 2018, Biografia/Musical, 2h15)

Ok, o filme traz como protagonista um cantor bissexual. Até aí, tudo bem – quanto mais LGBTs protagonizando superproduções, melhor. O problema é que o filme esconde isso ao máximo possível e, ainda por cima, pinta a bissexualidade de Freddie Mercury como algo que levou sua vida/carreira ao declínio! (Não é à toa que alguns preconceituosos de plantão na Internet passaram a dizer que “Freddie Mercury teria sobrevivido se tivesse ficado com Mary Austin (sua ex-esposa)” após assistirem ao filme, o que não faz o menor sentido.) Além disso, os poucos momentos em que vemos a sexualidade de Mercury vir à tona são ofensivamente caricatos, artificiais e novelescos.

8º Lugar: Crocodilo Dundee

(de Peter Faiman, 1886, comédoa/aventura, 1h35)

Vamos deixar uma coisa bem clara: eu adoro “Crocodilo Dundee”. Que eu me lembre, é um filme bacana (faz anos que não o revejo). Mas a cena em que o protagonista entra num bar, se depara com um travesti, mete a mão em seus genitais e diz “É um homem!” para todos que estavam ali presentes é, no mínimo, complicada.

7º Lugar: O Durão

(Get Hard, de Etan Cohen 2015, comédia, 1h40)

Quando um monte de pessoas acusaram Kevin Hart de homofobia no final do ano passado, algumas delas se lembraram de um filme chamado “O Durão”, que, lançado em 2015 (direto para DVD) e trazendo Hart e Will Ferrell no elenco, girava em torno de um personagem que era preso e, ao chegar no cárcere, conhecia um cara que lhe ensinava muito sobre ele mesmo. No meio destes “ensinamentos”, há piadinhas envolvendo homossexualidade, estupro e até um momento onde um personagem finge gostar de sexo oral. Difícil, né?

6º Lugar: Socorro, Virei uma Garota!

(de Leandro Neri, 2019, comédia, 1h50)

Comedinha brasileira lançada há pouco mais de um mês nos cinemas, “Socorro, Virei uma Garota!” é de uma covardia tão grande… O filme se diz progressista e pró-direitos LGBT, mas passa 90% da projeção fazendo piadinhas homofóbicas e, quando duas mulheres se descobrem apaixonadas e finalmente estão prestes a se beijar (o que seria, por si só, um ato corajoso), o diretor Leandro Neri decide cortar e não mostrar o beijo. (Talvez não por vontade própria, mas por ter sido obrigado por um produtor que não queria mostrar beijo homoafetivo… sei lá – e não interessa.) Por quê? Por medo. Uma escolha de mise-en-scène pode dizer muito sobre a índole de um projeto.

5º Lugar: Eddie Murphy Delirious

(de Bruce Gowers, 1983, Comédia/Filme-concerto, 1h 10m)

Eddie Murphy é um comediante talentoso, não sendo surpresa que uma geração inteira tenha se inspirado em seu bom humor. Mas em seu especial de stand-up “Delirious”, de 1983, Murphy começou a discutir um de seus especiais anteriores, “Raw”, e emprega uma série de palavras pejorativas para se referir aos homossexuais, usando especialmente a palavra “faggot” (ou “viado)” no meio de suas frases. Anos depois, no entanto, Murphy se desculpou publicamente por suas falas.

4º Lugar: Crô – O Filme

(de Bruno Barreto, 2013, 1h40, comédia)

Crô é um personagem criado por Agnaldo Silva para a novela “Fina Estampa”, de 2011. Trata-se de um mordomo claramente homossexual (vivido por Marcelo Serrado) que esconde isso a todo custo, mesmo com seus trejeitos estereotipados. Dois anos após o fim da novela, a Globo resolveu dedicar um filme inteiro a Crô. Sim, um spin-off. Na trama, Crô tenta construir uma vida independente, mas percebe que só será bem-sucedido se namorar/casar com uma mulher. Vocês já entenderam para onde estamos indo…

3º Lugar: Triunfo da Vontade

(Triumph des Willens, de Leni Riefenstahl, documentário, 1935, 1h46)

Na verdade, “Triunfo da Vontade”, de Leni Riefenstahl, não lida diretamente com a homossexualidade, mas… o filme é uma propaganda nazista; o nazismo perseguia homossexuais; então… vou incluí-lo nessa lista. Digamos que entrou por tabela. O Youtube chegou a proibir o filme em seu catálogo.

2º Lugar: The Burning Hell

(The Burning Hell, de Ron Ormond, 1974, 58 minutos)

Dirigido por Ron Ormond, “The Burning Hell” é um média-metragem de 58 minutos que servia basicamente como peça publicitária cristã, trazendo o pastor Estus W. Pirkle pregando a respeito do Inferno e condenando as atitudes dos “pecadores”. Polêmico por natureza, é verdade, mas quando o filme resolve tocar no assunto da homossexualidade, aí é um “Deus nos acuda!” (trocadilho intencional).

1º Lugar: Chained Girls

(Chained Girls, de Joseph P. Mawra, 1965, Exploitation/Documentário, 1h 5m)

O filme propõe um estudo antropológico por dentro do universo das lésbicas, querendo levar ao espectador a realidade de quem se identifica no primeiro “L” de LGBT. Em teoria, poderia funcionar como um bom exercício antropológico – na prática, o diretor Joseph P. Mawra cria apenas um filminho preconceituoso que, através da câmera escondida, pinta a imagem da mulher lésbica de maneira tremendamente questionável. Urgh!

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