Mostra Preservação Canal Thomaz Farkas | Pílulas Críticas dos Curtas

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O sábado mineiro de Thomaz Farkas

Por Vitor Velloso

Durante a Mostra CineOP 2019

No sábado, dia 8, aqui no Cine OP ocorreu uma sessão com foco na preservação, exibindo parte dos filmes do Canal Thomaz Farkas, todos disponíveis na internet, sendo eles: “Jornal do Sertão” do Geraldo Sarno, “Paraíso, Juarez” do Thomaz Farkas, “Padre Cícero” de Paulo Gil Soares, Sérgio Muniz e Geraldo Sarno, “Feira da Banana” de Guido Araújo e “Um a Um” de Sérgio Muniz.

“Jornal do Sertão” de Sergio Muniz é um retrato concreto da cultura popular nordestina, abrindo ao focar sua estrutura em um músico especificamente, mas assumindo uma postura sociológica e partindo de um ponto pouco utilizado no cinema, a homogeneidade de todas essas histórias diante da câmera. Sérgio concebe seu filme compreendendo a necessidade de expressão dos músicos e poetas, porém com um tom pouco individual, assim, passeia pelo sertão mostrando parte da divulgação de suas obras, e como esse processo, apesar de ineficiente, é o único possível. Mas o ponto alto é o diretor permitir que as vozes desses artistas passe a ecoar pela sala de cinema sem interferência constante do documentário, então somos presenteados com diversas performances e de maneira totalmente instintiva, não à toa, vemos a câmera errar um dos cantores que está em uma apresentação. Essa proposta de cinema-verdade, que se intromete fisicamente e se permite o erro, já que é tudo sempre muito presente, é aqui aplicada com uma maestria ímpar. Sérgio Muniz realmente ensina o processo de permitir a obra dar vida a si.

“Paraíso, Juarez” de Thomaz Farkas, parte uma proposta bem diferente quase telejornalística, pois assume seu personagem Juarez Paraíso, pintor, como apresentador de sua própria obra, introduzindo ao documentário, e público, suas intenções artísticas, sendo bastante didático nesse processo. Mas formalmente o curta acaba caindo em um lugar comum se mantendo no lugar da informação. Ao menos a ligação direta com o desmonte cultural do atual governo mantém uma contemporaneidade latente na obra.

“Padre Cícero” de Paulo Gil Soares, Sérgio Muniz e Geraldo Sarno, parte de uma historicidade interessante, falando com a questão mitológica, quase iconoclasta, da imagem do Padre. Consegue ser honesto em trabalhar de um ponto de vista crítico o fanatismo promovido por sua figura, perpetuado pela população, e conciliar uma certa postura egóica de Cícero diante da concepção quase santificada do mesmo, por ele próprio (que manda construir uma estátua com seu rosto). Perde a oportunidade de trabalhar a reflexão pecaminosa de tal postura, orgulhosa, mas possui um foco diferenciado com o material que possui e desenha um arcabouço mais antropológico que tipicamente documental/analítico.

“Feira da Banana” de Guido Araújo promove outro olhar sistemático acerca de uma questão social, dessa vez a questão comercial e cultural que a Feira da Banana possui, trabalhando em estruturas diversas, ele acompanha o processo da extração até sua venda, usufruindo de um debate econômico que vai atingir o social com uma força implacável. Guido é habilidoso em compor com exímia precisão os impactos da feira na cidade. Um dos curtas mais sólidos da sessão.

“Um a Um” de Sérgio Muniz, vai contar a história das catadoras de café, que possuem uma carga de trabalho semi escravocrata e condições péssimas de trabalho, mas acaba indo por uma visão pouco ortodoxa, o que faz o filme ganhar dimensões louváveis, pois, reflete na visão do patrão e da trabalhadora um debate intenso das questões trabalhistas e sociais que são imprescindíveis aqui, tal exercício promove uma reflexão assombrosamente importante do papel que uma situação cultural e comercial, e como isso reflete diretamente nas relações interpessoais e de poderio naquele local. Com uma fotografia estonteante, o espectador assiste até a possível derrocada deste trabalho. Uma potência fílmica e política. Obra Prima

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