Monster Hunter

W. S é um legado?

Por Vitor Velloso

Paul W.S Anderson é uma figura adorada por uns, odiada por outros, que chega agora aos cinemas com seu novo projeto, “Monster Hunter”. O diretor é conhecido por seu cinema de gênero, com alguns (muitos) exageros e uma vulgarização em torno da ação e dos movimentos espalhafatosos à dominar as telas do mundo.

Não à toa, os maiores defensores do marmanjo, são os “vulgares”, “pós-vulgares” e os conhecidos dos ditos cujos. Ou seja, toda a teoria da conspiração Illuminati que a internet pode guardar. Claro que não se trata de um movimento, mas de uma maneira de pensar determinadas questões, que acabam entrelaçando nas particularidades de determinismo específicos. Porém, as lendas são capazes de criar uma dissertação longa para defender o valor do moço. O problema não reside aí, assim como Shyamalan é outro Deus do Olimpo, a questão é que não há um debate de como essa fórmula acaba expondo a toxicidade do aparato industrial.

“Monster Hunter” é de um ufanismo imperialista bisonho. Entre as canções do exército, as pessoas mais “fodonas” do universo e uma espécie de tentativa de reconciliação Ocidente x Oriente. O barato surge tanto da adaptação norte-americana com a franquia original, quanto entre personagens centrais da obra, que são sustentados em cenas de diálogos expositivos e sem comunicabilidade, além de uma clara bestialização do homem asiático. Esse reconhecimento primitivo naquilo que não é da “terra da prosperidade” é de uma chatice tremenda e gera uma preguiça assustadora. Pois não é apenas o cinema de W. S que repete esse estereótipo preguiçoso na narrativa, ele apenas reproduz uma falta de versatilidade em converter “relações dramáticas” em algo minimamente não-ufanista. E aqui, deve ser compreendido que essa “superioridade” só existe por uma tentativa de exposição dessa relação.

Se tomarmos outros exemplos do cinema imperialista, como John Wick, ou qualquer virilidade da ação, que descarta um exercício dramático, vê-se que o descarte é consciente e que não prejudica o andamento, pelo contrário, faz com que a única resolução possível para a narrativa e cada cena, é a matança generalizada. Lógico que esse fetiche por violência é uma questão já antiga, ao menos não há essa tentativa de reconciliação (do câmbio) com o Oriente.

“Monster Hunter” é tudo aquilo que o trailer mostra: Monstros, espadas, gente dando pirueta, tiro, elemento X e tudo que há de bom. Mas o barato é de uma chatice impressionante, nada acontece, tudo ocorre de maneira inócua, lenta. As cenas de ação que deveriam ser minimamente divertidas, são as coisas mais enfadonhas possíveis. Os diálogos dão preguiça. E existe um excesso de cenas onde nada ocorre e o que era para ser aquele entretenimento bacanudo que ao menos faz o tempo passar rápido, se torna um massacre de quadril por quase 2 horas, onde vemos a Jovovich dar pirueta, fazer caretas e correr de escorpião.

O W.S faz tudo que podemos esperar dele, sem mudanças, reprisa o imperialismo no gênero, cria um bocado de cenas engraçadas pela tosquice, trabalha com o pior CGI do mercado e encerra a projeção com as cenas mais grotescas do ano. Caso o leitor esteja do lado da pirotecnia industrial e se divirta com o barato vulgar, pode achar o maior deleite do momento, mas terá que ter paciência para a chegada da ação. Pouca coisa acontece, o negócio não flui e o espectador deve decidir entre a soneca ou Jovovich ensinando os produtos civilizatórios norte-americanos e projetando o bom e velho imperialismo fantasiado de globalização.

São poucas coisas que podem animar neste início de 2021, “Monster Hunter” definitivamente não é uma delas, mas pode ser uma fuga da realidade diante de monstros piores que ocupam o planalto nacional. Aos que decidirem se aventurar por aqui, boa sorte com os minutos finais e uma possível franquia por vir. É um novo Resident Evil? Só o tempo dirá, por enquanto teremos que esperar os resultados de bilheteria, mas acho difícil ir tão longe quanto os zumbis.

Trailer

  • Eu deixei a sala do cinema com uma hora de exibição incluindo os “trailers” e propagandas da limpeza dos cinemas contra a Covid. É gente! Que
    Filme chato, sem história, só insetos e tiros que não vão a lugar nenhum. Fui ver mais por causa
    da Mila, mas nem isto está mais valendo o ingresso pago.

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