Lobos Solitários

Espanhol com título em inglês

Por Vitor Velloso

Cinema Virtual

Religaram a máquina de xerox! Chega no streaming brasileiro o filme que todo mundo já viu e ninguém sabe! “Lobos Solitários” de Sergi Arnau, o filme de prisão meia-bomba, que usa todos os estereótipos e clichês possíveis, mas claro… tem sangue e violência, tudo aquilo que a burguesia gosta de ver em projetos internacionalmente bem quistos. O que não é nem o caso aqui. 

O filme é um mistério na internet, só o Filme B possui catálogo do longa espanhol. Mas ainda assim, a internacionalização, o imperialismo cultural é funcional, e é nos quintos da América Latina, no mundo mágico de uma família mafiosa no planalto, num país chamado Eldorado, vulgo Brasil, que sai o último produto da copiadora. Tudo aqui é um barato que dá galo pra mercado, só que o amadorismo impediu a obra de ser vista, pois nada funciona. É facada no bucho, cenas no chuveiro (muitas), violência gratuita, corrupção, Estado desgraçado e discurso neoliberal com apoio de desmoralização das Instituições. É caos perfeito para a introdução no mercado brasileiro. 

Quando digo que nada funciona, a totalidade é essa mesmo. O filme tenta seguir a cartilha clássica, policiais são jogados na cadeia para resolver problema de seus chefes corruptos, há um assassinato, o abandono no xilindró e a violência corre solta. Aí entra toda uma estrutura que vai de traições e abusos, algo que já vimos em “Prison Break”, “Papillon”, até aquele motim clássico, onde a instituição colapsa e há a vigília da falta de segurança. O diretor, Sergi Arnau, não faz esforço algum para que sua obra se destaque, é o piloto automático. Alguns fades, cortes na cena de ação, o jogo básico de plano e contraplano, vilões que são tirados de cartoons e a receita tá pronta. É aí que, mesmo com clichês absolutos, o filme não consegue nem funcionar em sua narrativa, tão bagunçada que a proposta de tornar complexa a história, através de idas e vindas no tempo, revelando e desvelando, só complica o espectador de assistir o produto até o fim. 

Surpresa não há, pois a montagem é desorganizada a ponto de expor questões que são tratadas como verdadeiras surpresas em um momento seguinte. É difícil dar cabo de aguentar os “curtos” oitenta minutos de exibição. Outras obras como “John Wick”, assume o clichê como pano de fundo para a pirotecnia de mortes, “Lobos Solitários” não consegue fazer nem isso. Utiliza os clichês por incapacidade de articular uma narrativa particular, por entender seu projeto como uma adição de estereótipos dados, datados e arcaicos, exemplo disso é o vilão “Rei”, uma espécie de Lemmy Kilmister com obesidade mórbida. Cada personagem novo que aparece, ou é abandonado de supetão, ou vira escória pro banho de atrocidades cinematográficas que sucede sua aparição. A iluminação azul, que tenta emular uma seriedade, rapidamente destruída pela péssima atuação e pelos cortes afobados. Essa montagem que não se encontra na própria narrativa. Realmente, nada funciona. O amadorismo é tanto, que soa um projeto não-finalizado do ensino médio. Algum fã de rock, violência e filmes de cadeia, faz o filme com seus amigos.

Ou não. Porque a trilha sonora é um negócio de outro mundo. Surge um rap genérico, um pop ou outro, nada que se relaciona muito bem com a cena, pelo contrário, há um momento onde um dos protagonistas caminha para uma cela, na intenção de confrontar um personagem, e ao fundo escutamos uma música pop como Anitta, que é cortada abruptamente com a chegada dele no local. Todos esses momentos tornam a experiência de “Lobos Solitários” difícil. Pois não há respiros nos sucessivos deslizes que o produto comete, são aberrações somadas que apenas consolidam todo o emaranhado de clichês. A segunda metade, que deveria reforçar o tom imediato da história com suas revelações, acaba dando fim a qualquer expectativa, tola ou inocente, que o espectador poderia criar. Se debruçar em setecentas palavras para descrever a experiência do filme, é uma tarefa árdua. 

Em conclusão final, o longa possui um público alvo tão explícito que se torna vulgar, mas não é capaz nem de agradar os possíveis fãs do gênero, pois seu amadorismo e falta de compromisso consigo mesmo, impossibilita qualquer coisa.

Trailer

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