Os Vencedores do 66º Festival de Cannes

Por Fabricio Duque
(Durante o Festival de Cannes 2013)

 

O 66º Festival de Cannes 2013 chega ao final, com um saldo positivo ao Vertentes do Cinema. Com todos os filmes vistos da Competição Oficial (foram vinte) e mais alguns outros, incluindo coletivas de imprensa e afins. Analisando a premiação deste ano, percebemos uma tendência a tentar transformar Cannes em uma nova Hollywood. Talvez impulsionado pelo presidente do Júri, Steven Spielberg, que é americano. Não tenho nada contra o cinema vindo dos Estados Unidos, mas sim a qualidade cinematográfica. Se conhecermos os princípios da Cinefilia Francesa, detectaremos que o Cinema Americano não era bem visto, odiado até. Era sinônimo de enlatado sem inteligência. Foi o cineasta da Nouvelle Vague e também crítico, François Truffaut, que batalhou por introduzir na França este gênero, como o maior exemplo, os filmes de Alfred Hitchcock. Assim, se já sabemos plenamente que um indivíduo social é dotado de subjetividades, o que dirá a mente de alguém que já tem a estrutura fílmica dos Estados Unidos como forma massificada de opinião. Vamos ser sinceros, Spielberg busca o comercial sempre, mesclando competentemente o lado emocional, mas é um cineasta hollywoodiano. Talvez, este preâmbulo explicativo ajude a entender as surpresas da noite.
A apresentadora da cerimônia foi a atriz francesa Audrey Tautou, tentando ser engraçada (como na festa do Oscar), mas de forma ingênua (meio “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”).

OS PREMIADOS DO FESTIVAL DE CANNES 2013

La Vie d'Adèle - Chapitres 1 et 2
LONGAS-METRAGENS
Palma de Ouro (Palme d’Or) – Três Prêmios Divididos
 
Apresentação da atriz de “Pulp Fiction”, Uma Thurman. “Cada um vai descobrir como La Doce Vita (de Frederico Fellini) é. O diretor ao ganhar não acreditou, nem as atrizes que choravam copiosamente igual crianças.
LA VIE D’ADÈLE – CHAPITRE 1 & 2 (Blue Is The Warmest Colour), ao diretor Abdellatif , Kechiche, à atriz Adèle Exarchopoulos e à atriz Léa Seydoux.


Grande Prêmio do Juri (Grand Prix)
 
Apresentação da atriz Kim Novak. Antes, foi apresentado uma cena do filme Vertigo, de Alfred Hitchcock.
INSIDE LLEWYN DAVIS, de Ethan e Joel Coen

Melhor Diretor

Apresentação do ator Forest Whitaker.
Amat Escalante, por “HELI

Prêmio do Júri

Apresentação de Rossy de Palma.
SOSHITE CHICHI NI NARU” (Tel Père, Tel Fils – Like Father, Like Son), de Kore-Eda Hirokazu

Melhor Roteiro

Jia Zhangke, por “TIAN ZHU DING” (A Touch Of Sin)

Melhor Atriz

Apresentação de Orlando Bloom.
Bérénice Bejo em “LE PASSÉ” (The Past), de Asghar Farhadi

Melhor Ator

Apresentação de Laetitia Casta. A atriz francesa lista os vencedores que ganharam nas edições anteriores. O diretor Payne recebe o Prêmio em nome do ator que não pode comparecer.
Bruce Dern em “NEBRASKA“, de Alexander Payne

O júri da CST decidiu atribuir o PRÊMIO VULCAIN DO ARTISTA TÉCNICO:

Antoine Heberlé, diretor de fotografia de “GRIGRIS“, realizado por Mahamat-Saleh HAROUN, pelo resultado notável de delicadeza e humildade, cujo único objetivo foi o de servir o filme, em condições que podemos imaginar difíceis.

UN CERTAIN REGARD

THE MISSING PICTURE,  de Rithy Panh
Prêmio do Juri
“OMAR”, de Hany Abu-Assad
Melhor Diretor
Alain Guiraudie, de “STRANGER BY THE LAKE
Prêmio Um Certo Talento
Para o conjunto dos atores de “LA JAULA DE ORO”, de Diego Quemada-Diez.
Prêmio Avenir
FRUITVALE STATION,  de Ryan Coogler
Carta de Thomas Vinterberg
“Caro Thierry, caro Gilles Jacob, caro Festival de Cannes,
Obrigado por nos ter dado a responsabilidade de escolher e celebrar filmes de uma seleção Un Certain Regard 2013 muito poderosa. É uma grande honra para nós, e a seleção foi extraordinária em muitos aspectos. Uma das mais belas coisas no cinema é criar momentos inesquecíveis – momentos que ficam conosco – como uma memória coletiva – como um espelho coletivo da nossa existência. Figuras de argila, beleza extrema, violência, felação homossexual, humilhação sistemática da natureza humana, as pernas de Léa Seydoux, Grandes imitações de Brando são as imagens únicas que nos acompanharão durante muito tempo.  Esta seleção foi intensamente não sentimental, e contudo poética. Foi política, extremamente original, por vezes perturbadora, variada e principalmente, frequentemente, inesquecível. Agradeço mais uma vez o Thierry, por partilhar estes belos exemplos do que há de melhor no cinema com todos nós.”
CURTAS-METRAGENS
 
Apresentado por Jane Campion (de “O Piano”) e o ator Mads Mads Mikkelsen.
Palme d’Or
“SAFE”, de Moon Byoung-gon
Menção Especial – Ex-aequo
“WHALE VALLEY”, de Gudmundur Arnar Gudmundsson
“37°4 S”, de Adriano Valerio
Camera D´Or
 
Apresentação da cineasta Agnès Varda e a atriz Zhang Ziyi.
“ILO ILO”, Anthony Chen, apresentado na Quinzena dos Realizadores. “É um filme de Cingapura. Foi levado em conta a inteligência dos cineastas”, disse a diretora jurada.
PALMARÉS
Jane Campion e o seu júri anunciam o palmarés da 16ª edição da Cinéfondation
Primeiro Prêmio
“NEEDLE”, de Anahita Ghazvinizadeh – The School of the Art Institute of Chicago, Estados Unidos
Segundo Prêmio
 
“WAITING FOR THE THAW” (En attendant le dégel), de Sarah Hirtt – INSAS, Bélgica
Terceiro Prêmio ex aequo
“ÎN ACVARIU” (In the Fishbowl), de Tudor Cristian Jurgiu – UNATC, Roménia
“PANDY” (Pandas), de Matúš Vizár – FAMU, República Checa
Os prêmios são acompanhados de uma dotação de 15.000 € para o primeiro lugar, 11.250 € para o segundo e 7500 € para o terceiro. O laureado do primeiro prêmio tem igualmente a garantia de que  seu primeiro longa-metragem será apresentado no Festival de Cannes.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *