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Um Filme Bem Longe do Precipício

Por Fabricio Duque

“Fruitvale Station” foi exibido no Festival de Sundance deste ano, sendo ovacionado por crítica, juri e público, vencendo nas categorias principais de Grande Prêmio do Juri e Prêmio do Público. Em maio deste mesmo ano, foi apresentado na mostra competitiva Un Certain Regard, no Festival de Cannes. E de novo, agradou as três esferas: crítica, público e juri, ganhando o Prêmio Avenir. O filme, baseado em fatos reais, pelos registros da época em câmeras de celular, é a estreia do diretor americano Ryan Coogler. O longa-metragem de apenas oitenta minutos pode ser classificado como um exemplo de segregação racial política e contemporâneo, talvez uma homenagem moderna ao cineasta engajado Oscar Micheaux (visto que o nome do personagem principal é Oscar). A narrativa é tensa, densa, crua, direta e seca a fim de retratar as dificuldades na vida de um jovem negro de vinte e dois anos. Intercala-se dois períodos, tendo o ano novo como referência temporal. A câmera é usada próxima, intimista (do almoço de aniversário), detalhista, buscando a cumplicidade (quase interativa) do espectador, este que se sente parte integrante da trama apresentada (a cena fatídica do metrô). Conduz-se pela estrutura fílmica de “Preciosa”, de Lee Daniels; de “Indomável Sonhadora”, de Benh Zeitlin; e de “O Profeta”, de Jacques Audiard. A própria chamada do filme já indica o tom desesperançoso da vida: “Cada passo leva você mais perto do precipício”. É um filme sobre gerações, dores, consequências familiares e recomeços “utópicos” quando não se é da raça branca. O final mostra um protesto real (documental) de “personagens” reais envolvidos com a não ficção. Um filme que merece ser visto principalmente pelos atores:  Michael B. Jordan (“O Poder Sem Limites”), Melonie Diaz (“Rebobine, Por Favor”) e Octavia Spencer (de “Histórias Cruzadas”). 
Baseado em fatos reais, este drama conta a história de Oscar Grant (Michael B. Jordan), um jovem negro americano de 22 anos que vive um momento turbulento e trágico, no último dia do ano de 2008.

Por Francisco Carbone




Há muitos anos que vencer Sundance significa concorrer ao Oscar, e isso só se intensifica a cada ano. ‘Preciosa’, ‘Indomável Sonhadora’, e tantos outros já fizeram esse caminho, e chegou a vez da estreia de Ryan Coogler, que igual a maioria é um filme honesto, humano, correto e cheio de emoção; igual a maioria também será muito mais premiado e louvado do que merece… ou precisa. Na verdade se confunde muito a qualidade de uma produção americana com a quantidade de prêmios a qual ela concorre, quando tudo isso não passa de bobagem. Centenas de filmes passam anualmente por nos, tão bons, tão sinceros, e não precisam concorrer a nada para nos tocar, nos comover. Essa história ela de um rapaz que tenta criar sua pequena família mesmo tal jovem e tem sua vida completamente modificada a partir do réveillon de 2008 é real e comoveu não apenas os EUA, mas todo o mundo. O protagonista Michael B. Jordan é super competente e leva muito bem o protagonista, mas a experiente Octavia Spencer é quem faz a diferença como sua mãe, injetando delicadeza e serenidade num papel pequeno porém significativo. Uma estreia promissora e cheia de calor humano, numa história chocante sobre os horrorosos descaminhos que a louca sociedade em que vivemos parecemos estar a mercê hoje.

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