Hellboy

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Uma monumental atrocidade

Por Vitor Velloso


Algumas coisas estão fadadas à desgraça e outras acabam falhando no processo. O novo “Hellboy” consegue ser as duas coisas. Uma mistura de “Anjos da Noite”, “Resident Evil”, “Van Helsing” e “Venom”, com uma adição de violência, o novo filme do anti-herói chega aos cinemas estragando os olhos dos espectadores.

Dirigido por Neil Marshall, o projeto inicia com um resumo que busca sintetizar em poucos minutos tudo que o público precisa saber antes de embarcar na narrativa, com uma narração canhestra, piadas deprimentes e um ritmo pseudo-frenético, mas que apenas se atropela e sabota, os cinco minutos iniciais já dão a noção geral do que se esperar pelo resto da projeção. Após sobreviver ao preto e branco sofrível e aos gritos de Milla Jovovich, interpretando Nimue, somos arremessados ao presente e iremos acompanhar o protagonista, agora na pele de David Harbour. Com uma estilização pouco convincente, somado à um diálogo patético de tão expositivo e genérico, a cena se encerra com uma piada envolvendo o “toque suave de Hellboy”, onde ele quebra o celular e diz: “Ai droga, de novo não”, o que era pra ser engraçado fez o público permanecer em silêncio, claro, e foi assim até o fim do filme. Uma sucessão de tentativas cômicas que terminavam em uma ausência de risos que é comparável à estrutura narrativa de Marshall, que além de inchada, por ter muito o que contar e um espaço de tempo curto, é extremamente confusa e não faz sentido da própria unidade que concebe.

Nem o entretenimento salva aqui, o excesso de violência tenta mascarar as falhas de produção. Efeitos visuais que ofendem a visão, em uma cena onde Hellboy enfrenta gigantes é especialmente visível. Diálogos datados que foram escritos por um adolescente de quinze anos. E uma estrutura tão falha, que busca arrebatar o maior número possível de elementos a fim de atravessar os erros, gerando mais, uma lógica que já se provou tenebrosa diversas vezes ao longo da história.

Os pequenos momentos de drama presentes na trama conseguem gerar estranhamento através da artificialidade com que é conduzido, não de maneira consciente, mas através de suas falhas assombrosas. Além do mais, nem o design de produção se salva, em momento menos frenéticos, vemos os chifres do protagonista se mexerem junto à maquiagem, uma falta de cuidado que apenas revela o apreço com o qual foi feito o filme. O produto que é realizado aqui é um reflexo bastante lúcido da indústria de pastiches estruturada em Hollywood. A consequência disso vemos nos lançamentos, uma imensidão de blockbusters terríveis, que copiam de outros bem sucedidos, realizando sua cópia de maneira descarada e canhestra.

É um tanto frustrante ter que reservar setecentas palavras pra isso aqui, certas coisas não merecem nem o benefício da crítica, pois são tão oportunistas e agem de má-fé com o público, que apenas deveriam cair no esquecimento e no limbo da obras com intenções medíocres que atingem o fundo da decadência cinematográfica. Ao mesmo tempo é válido ressaltar a incompetência dos responsáveis por “Hellboy”, que além de ignorar os acertos da indústria, se recusam a observar os erros, sendo capazes de repetir as falhas de “Esquadrão Suicida”, “Venom”, os equívocos de “Deadpool” e aplicar sanguinolência com o intuito de atingir uma estetização e uma característica mais própria, acreditando assim, tratar-se de uma marca registrada da obra, acontece que seus excessos não são suportados por nenhuma área do filme, então tudo desmorona.

Infelizmente “Hellboy” é um caso específico, contemporâneo, onde absolutamente tudo dá errado e não por falta de avisos, ou mesmo de dinheiro, mas uma tamanha incompetência e desleixo com aquilo que tem em mãos, sem buscar um filtro aos problemas. A máquina de produção Hollywoodiana deu um tiro no próprio pé, mas não vai aprender com os erros, pois a burrice precisa ser perpetuada, logo, irão errar de novo e de novo. A bilheteria irá mostrar aos produtores as consequências de suas decisões. O diretor terá tempo de repensar o que vem fazendo com a carreira nos últimos anos, ainda que nunca tenha surpreendido. E os atores, que nunca se destacaram, agora terão a chance de ver fãs irritados, mas Milla tá acostumada já.

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