CineOP 2019 | Curtas Mostra Contemporânea

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Curtas Mostra Contemporânea

Por Vitor Velloso

Durante a Mostra CineOP 2019

A Mostra Contemporânea, com curadoria de Camila Vieira, selecionou curtas-metragens com relação direta à proposta da Mostra. A sessão abaixo ocorreu no domingo, dia 9, penúltimo dia da Cine OP.

“Plano Controle”, de Juliana Antunes, possui um ponto de partida interessante, trabalhar um determinado anacronismo tecnocrata, que permite uma ligação direta, contemporânea, com o século XX. Dessa forma, ela monta sua proposta com contornos bastante claros, inclusive em seus breves comentários políticos, em sua maioria, carregados de humor. Esteticamente, é um filme versátil, que a princípio, muda seu material de produção com constância, logo, suas texturas irão depender de que época estamos assistindo, já que trata-se de um curta que envolve viagem no tempo. Porém, além das referências divertidas e alguns diálogos inusitados, a maior parte deles são excessivamente expositivos e algumas atuações comprometem a solidez da obra. Mas, sem dúvida, é um projeto que chama atenção.

“Estamos sendo”, de clarYssa, é um curta experimental em sua forma e que tensiona seu conteúdo através da linguagem formalista. Se estrutura de maneira engajada em gerar fricção entre os limites do cinema convencional, ainda que formalista, e a vídeo-arte. É competente em flexionar alguns comentários políticos à uma simplicidade na “misancene”, excluíndo a própria ideia de uma, trabalhando apenas o fora de quadro, mas sendo incisivo ao incluir. É um curta peculiar, que diz tanto quanto mostra.

“Bicha-Bomba”, de Renan de Cillo, é uma situação à parte, pelo menos três pessoas comentaram sobre o embrulho de estômago que sentiu durante a exibição. Contar a sinopse pode acabar estragando parte da experiência. Mas o trabalho de andar entre a ficção e a realidade, através de seus quadros, causa um estranhamento imediato, pois a violência que está sempre implícita torna-se vulgar pela sua ausência.

“Imaginário”, de Cristiano Burlan, foi uma grande surpresa, pois o diretor assume duas características que possuem força na nossa cultura e cinematografia, rádio e arquivo. Burlan vai construir um imaginário bastante visceral da ofensiva antidemocrática, militar, de 64. E nesse sentido ele acaba conseguindo um feito bem interessante, pois se despe de responsabilidades quanto alguns fetiches morais da discussão e permite o espectador embarcar em algo que não possui solução, já é memória e será construído no “Imaginário”.

“Sabá”, de Sérgio de Carvalho, irá seguir os rastros do último longa do diretor, “Empate”, tão eficiente quanto, “Sabá” se apresenta como um projeto que reflete a condição dos seringueiros brasileiros, atualmente, utilizando o homem do título como referência. Em um dos momentos mais interessantes do filme, somos pegos de surpresa em uma questão pouco pragmática, bastante complexa mas necessária, uma reflexão sobre a noção de moral e lugar de ação em uma sociedade que está à margem das preocupações sociais do Estado, pelo contrário, o mesmo assumiu que tais famílias são inimigas, utilizando os latifundiários como jogo central. E este lampejo que temos durante a projeção, é bastante singular, pois as noções da cidade acabam sendo questionadas pela realidade de um lugar que essa discussão antropológica, desconhece. Sérgio de Carvalho novamente mantendo presença.

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