10 Altos e Baixos de Sylvester Stallone

Por Jorge Cruz

O quinto filme da franquia Rambo chega aos cinemas na próxima quinta-feira cercado de expectativas. Sem concorrentes avassaladores na primeiras duas semanas em cartaz, Sylvester Stallone tem a oportunidade de fazer mais um blockbuster em sua carreira.

O Vertentes do Cinema fez um levantamento dos 45 principais lançamentos da carreira do ator e encontrou poucos fracassos, de fato, na lista. Apenas sete deles (ou 15%) renderam nos cinemas menos do que seu orçamento. Dos 38 que deram lucro, apenas 10 dependeram das bilheterias de fora dos Estados Unidos para isso. Porém, a carreira de Sly é marcado por altos e baixos, que vão além da frieza dos números. Separamos cinco produções que se destacaram positivamente e outras cinco que decepcionaram os homens da mala de Hollywood

OS CINCO FRACASSOS

5º Lugar: Para! Senão Mamãe Atira! (Stop! Or My Mom Will Shoot, 1992)

Hollywood sempre gostou de fazer a ponte entre atores que se destacavam em filmes de ação para levá-los a papéis constrangedores em comédias duvidosas. Talvez como uma forma de ampliar seu público, é difícil não lembrar de alguma besteira que Arnold Schwarzenegger, Vin Diesel ou Dwayne “The Rock” Johnson tenham sido submetidos. Com Sylvester Stallone não foi diferente. Em 1991, por exemplo, foram torrados 35 milhões de dólares para Oscar – Minha Filha que Casar ser levado aos cinemas. Com uma bilheteria de pouco mais de 20 milhões, a produção terminou o ano como o 57º lugar no ranking, atrás de “concorrentes” como O Pestinha 2 e Viva! A Babá Morreu (comédias bem melhores, por sinal). A lição não foi aprendida e, no ano seguinte, aumentou-se a aposta para 45 milhões de dólares para que Stallone estrelasse Pare! Senão Mamãe Atira. Vejam os números:

Orçamento: US$ 45 milhões

Bilheteria EUA: US$ 28 milhões (0.6x o orçamento)

Bilheteria outros países: US$ 42 milhões (0.9x o orçamento)

Total: US$ 70 milhões (1.5x o orçamento)

Fato é que o filme se pagou, mas contando no mercado internacional com o prestígio de um astro que acabava de passar por uma década de dominação de mercado. Depois disso, ficou mais difícil convencer estúdios a investirem em comédias com o ator.

4º Lugar: O Juiz (Judge Dredd, 1995)

O ano de 1995 foi difícil para a carreira de Stallone. Depois de O Demolidor (1993) e O Especialista (1994), ele viu seus dois lançamentos irem bem abaixo do esperado. Assassinos, co-estrelado por Antonio Banderas, custou 50 milhões de dólares e arrecadou apenas 30 nos Estados Unidos, se salvando com os 83 milhões feitos ao redor do mundo. Mas a grande tragédia daquele ano foi O Juiz, nosso quarto colocado, até por ter custado quase o dobro:

Orçamento: US$ 90 milhões

Bilheteria EUA: US$ 34 milhões (0.37x o orçamento)

Bilheteria outros países: US$ 78 milhões (0.87x o orçamento)

Total: US$ 113 milhões (1.25x o orçamento)

Mesmo com toda essa grana investida, o longa-metragem não foi sequer uma das cinquenta maiores bilheterias do ano em seu país de origem. Ficou atrás de filmes como o despretensioso lançamento da Disney Pateta – O Filme e A Força em Alerta 2. Ou seja, em 1995 Steven Seagal fez mais dinheiro que Stallone!

A alta aposta e a dificuldade da produção sequer se pagar, teria consequência. Ainda sem reflexo deste fracasso, Daylight, lançado no ano seguinte, teria orçamento igual ao de O Juiz. Iria tão mal quanto nos Estados Unidos, arrecadando 33 milhões, mas faria 126 ao redor do mundo, configurando um prejuízo menor. Depois disso, seria mais difícil para Sly conseguir projetos desta monta por um tempo, o que aconteceria apenas na década seguinte.

3º lugar: D-Tox (Eye See You, 2002)

Talvez a produção mais conturbada da carreira de Stallone, D-Tox teve um orçamento gigante, porém mal foi lançado nos cinemas. Primeiro se assuste com os números:

Orçamento: US$ 55 milhões

Bilheteria EUA: US$ 79 mil (0.015x o orçamento)

Bilheteria outros países: US$ 6,3 milhões (0.1x o orçamento)

Total: US$ 6,4 milhões (0.1x o orçamento)

Para entender como um filme que custou 55 milhões de dólares arrecadou menos de cem mil nos cinemas norte-americanos é preciso se socorrer às notas de produção. Filmado em 1999, a história registra diferenças criativas entre o diretor Jim Gillespie (Eu sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado, 1997) e o estúdio Universal, o que fez com que a empresa tenha arquivado temporariamente o longa-metragem. Algumas refilmagens começaram a ser feitas sob a supervisão de Ron Howard, até que decidiram levar a fita finalmente aos testes de plateia. Só que os resultados foram catastróficos, com as pessoas odiando o filme, mesmo após várias alterações.

Até que em 2002 a Universal decide tirar um pouco do prejuízo no mercado internacional e lançando D-Tox limitadamente nos Estados Unidos em apenas 78 salas. Isso fez com que a produção terminasse na vergonhosa 363ª posição entre as maiores bilheterias daquele ano.

Só que o lançamento limitado não pode ser desculpa. Para efeito comparativo, Penalidade Máxima, refilmagem britânica de Golpe Baixo (1974), foi lançado naquele ano em apenas uma sala e faturou 92 mil dólares! Já o dinamarquês Italiano para Principiantes, representante do país no Oscar do ano anterior, teve lançamento parecido com D-Tox (39 salas, faturando 4,5 milhões de dólares e terminando o ano na 176ª posição). Ou seja, um fracasso na carreira de Stallone sob todos os aspectos.

Vale mencionar Shade – Nos Bastidores do Jogo que em 2004 foi lançado em apenas seis salas e arrecadou 25 mil dólares. O problema é que o filme custou 10 milhões.

2º lugar: O Implacável (Get Carter, 2000)

Muitos falam do fracasso A Bruxa de Blair: O Livro das Sombras no ano 2000, mas, vejam só, sua bilheteria conseguiu ser maior do que O Implacável, refilmagem do longa-metragem britânico de 1971, que trazia Michael Caine no papel principal. No mesmo ano em que Schwarzenegger fez a Sony torrar 82 milhões de dólares em O Sexto Dia para devolver apenas 34 nas bilheterias norte-americanas, a Warner foi mais “modesta” com Sly. Só que o resultado foi ainda pior:

Orçamento: US$ 64 milhões

Bilheteria EUA: US$ 15 milhões (0.2x o orçamento)

Bilheteria outros países: US$ 4 milhões (0.05x o orçamento)

Total: US$ 19 milhões (0.3x o orçamento)

Se levarmos em conta que o 3º lugar, D-Tox, foi um lançamento limitado, esse foi o pior resultado da carreira do astro na relação Custo x Benefício.

O mais impressionante é que o filme foi lançado em mais de 2.300 salas e foi apenas a 119ª bilheteria do ano. A exibição de um espetáculo do Cirque du Soleil, por exemplo, ocupou 22 salas em 2000 e faturou 15,6 milhões! A Warner estava perdida no período, torrando dinheiro com produções como A Isca, Plantera Vermelho e A Reconquista que naufragaram no circuito. Ironicamente, Mar em Fúria foi a exceção.

No ano seguinte, um bruxinho com um raio na testa ia tirar a Warner do limbo no final do ano. Mas antes disso ainda havia espaço para o nosso primeiro colocado, aquele que sepultaria de vez a chance de Stallone conseguir grandes orçamentos por um bom tempo.

1º Lugar: Alta Velocidade (Driven, 2001)

Os executivos da Warner jogaram gasolina no incêndio ao dedicar 94 milhões de dólares em um filme sobre um esporte que não rendia sucessos de bilheteria desde Dias de Trovão (1990). Esse foi o maior orçamento da carreira de Stallone até então e seria superado apenas em 2012 quando Os Mercenários 2 custaria apenas seis milhões de dólares a mais. Os números falam por si:

Orçamento: US$ 94 milhões

Bilheteria EUA: US$ 32 milhões (0.35x o orçamento)

Bilheteria outros países: US$ 22 milhões (0.25x o orçamento)

Total: US$ 54 milhões (0.6x o orçamento)

Além da loucura de jogar tanto dinheiro pela descarga, Alta Velocidade ainda sofreu pela falta de apelo com o mercado internacional, já que abordava a Fórmula Indy, categoria do automobilismo popular apenas nos Estados Unidos.

Stallone teria um game over depois de uma década inteira de fracassos, trazidas aqui na primeira metade da lista. Ele reencontraria o caminho do sucesso em 2006, ao revisitar seu personagem mais popular. Bom gancho para virar a chave e falar da parte boa da carreira do astro.

OS CINCO SUCESSOS

5º Lugar: Risco Total (Cliffhanger, 1993)

Na tirolesa de emoções que foi o início dos anos 1990 para Sly, Risco Total merece destaque positivo. Depois de afundar as franquias Rambo em 1988 e Rocky em 1990 e fazer as duas comédias equivocadas que abriram nossa lista anterior, parecia que o caldo de puxador de bilheteria do ator ia desandar. Só que esse filme fez uma excelente carreira e foi a décima maior bilheteria norte-americana de 1993:

Orçamento: US$ 70 milhões

Bilheteria EUA: US$ 84 milhões (1.2x o orçamento)

Bilheteria outros países: US$ 171 milhões (2.45x o orçamento)

Total: US$ 255 milhões (3.65x o orçamento)

Até hoje essa produção é uma das grandes relações custo x benefício da carreira de Stallone, superando sucessos como Os Mercenários, por exemplo.

4º Lugar: Rota de Fuga (Escape Plan, 2013)

A união de Stallone e Schwarzenegger não foi nada bem nas bilheterias dos Estados Unidos, mas está na lista porque registrou que o mercado internacional ainda encontra espaço para amar esses veteranos. De quebra, ainda provou que o diretor sueco Mikael Håfström consegue fazer limonada com milhões de limões pelo menos uma vez na vida:

Orçamento: US$ 54 milhões

Bilheteria EUA: US$ 25 milhões (0.46x o orçamento)

Bilheteria outros países: US$ 112 milhões (2.07x o orçamento)

Total: US$ 137 milhões (2.53x o orçamento)

Um caso raro de bilheteria que concentrou mais de 80% dos números no mercado internacional, garantiu continuação e rendeu sobrevida à carreira dos envolvidos no projeto. Sly partiria dali para a renovação da franquia Rocky, com os dois filmes sobre Adonis Johnson, o filho de Apollo Creed.

3º Lugar: Rambo 2: A Missão (Rambo: First Blood Part II, 1985)

Se 1995 foi o ano trágico da carreira de Sylvester Stallone, onde tudo começou a desandar, em 1985 ele consolidou sua carreira e colheu os frutos do sucesso como nunca. O grande símbolo de tudo isso foi Rambo 2: A Missão, com menção mais que especial a Rocky 4, do mesmo ano:

Orçamento: US$ 44 milhões

Bilheteria EUA: US$ 150 milhões (3.4x o orçamento)

Bilheteria outros países: US$ 150 milhões (3.4x o orçamento)

Total: US$ 300 milhões (6.8x o orçamento)

O filme foi a segunda maior bilheteria naquele ano nos Estados Unidos, perdendo apenas para De Volta para o Futuro. Para se ter uma ideia da dimensão do ator na época, seus dois filmes foram os únicos a estrearem em mais de duas mil salas em 1985.

Rocky 4 foi a terceira maior bilheteria nos Estados Unidos, com 127 milhões. O melhor desempenho ao redor do mundo fez o filme igualar os 300 milhões de bilheteria de Rambo, uma disputa que teve um vencedor duplamente feliz: Stallone.

Na relação custo x benefício, aliás, o quarto filme da franquia do boxeador supera o do boina-verde: ao custo de 31 milhões, faturou 9.6x seu orçamento. E se falarmos que esse, até então, tinha sido o PIOR desempenho de Balboa? Você vai entender porque optamos por prestigiar Rambo com o terceiro colocado e deixar Rocky reinar sozinho mais a frente.

2º Lugar: Cobra (Cobra, 1986)

Clássico absoluto do cinema de ação, Cobra é um dos pontos mais altos da carreira de Stallone. Isso porque é, de longe, a produção fora das franquias do astro que mais rendeu grana. Veja os números:

Orçamento: US$ 25 milhões

Bilheteria EUA: US$ 49 milhões (3.4x o orçamento)

Bilheteria outros países: US$ 111 milhões (3.4x o orçamento)

Total: US$ 160 milhões (6.8x o orçamento)

A Warner conseguiu levar o ator para seu time com esse projeto e, na esteira do mágico 1985, obteve a 15ª posição no ranking de maiores bilheterias do ano seguinte. Mesmo assim, não estamos falando de nenhum fenômeno, já que novamente Stallone foi o único a conseguir lançar um filme em mais de duas mil salas. Conta Comigo, o 13º colocado, por exemplo, saiu apenas em 848. Mesmo assim Cobra cumpriu seu objetivo e visto à distância é um sucesso inquestionável.

1º Lugar: Rocky (1976)

Entender Sly como fenômeno da cultura pop passa obrigatoriamente pela análise do quanto representou para o mercado cinematográfico a franquia Rocky. Fique primeiro com a mágica dos números do filme de origem:

Orçamento: US$ 1 milhão

Bilheteria EUA: US$ 117 milhões (117x o orçamento)

Bilheteria outros países: US$ 108 milhões (108x o orçamento)

Total: US$ 225 milhões (225x o orçamento)

Os bastidores do orçamento reduzido de Rocky e a luta de Stallone para levar adiante esse projeto é uma história que um dia ainda contaremos aqui no Vertentes. Arrecadar 225x o seu custo é um dos maiores casos de sucesso de Hollywood e dá início à construção de imagem desse ator como grande ímã de dinheiro daquele período. Para se ter uma ideia, é como se Vingadores: Ultimato, que custou 356 milhões de dólares tivesse arrecadado não 2.7 bilhões, mas sim 80 bilhões de dólares!

Voltando à realidade

Não devemos resumir a carreira de Stallone à franquia Rocky, mas suas produções são um ponto fora de uma sinuosa curva.  O segundo filme fez 28.5x seu orçamento (200 milhões a partir de 7); o terceiro 19.3x (270 milhões para 14) e o quarto, aquele que mencionamos no inesquecível ano de 1985, fez “apenas” 9.6x (300 milhões em 31).

Até mesmo Rocky V, que enterraria a franquia em 1990, rendeu 2.85x seu orçamento (120 milhões para 42). Mesmo assim, Stallone estava ficando muito caro para um personagem que não devolvia metade do esperado.

Quando em 2006 a carreira dele precisava ser reinventada, o astro tirou Balboa de sua estante e transformou 24 milhões de dólares em 155 (6.45x). Foi ali mais uma virada de página em sua trajetória, algo que ele não obteve com o retorno de Rambo em 2008 – e tenta novamente com o lançamento essa semana de Rambo 5: Até o Fim.

Creed vem seguindo o rumo de Rocky, mas em queda constante. O primeiro capítulo dessa franquia desmembrada rendeu 5x seu custo, enquanto o segundo foi 4.3x. No final das contas, o público seguirá pautando a carreira de Stallone, um ator totalmente dependente do quanto o mercado lhe compra. Tanto que Os Mercenários 4 foi confirmado apenas há algumas semanas. Se olharmos a frieza dos números, o terceiro filme da franquia rendeu 2.4x seu custo, abaixo de Rambo 3 (3x) e de Rocky 5 (2.85x) e perto da segunda morte da franquia do boina-verde, com os 2.2x da produção de 2008.

Vale mencionar que Guardiões da Galáxia Vol. 2 (2017) foi desconsiderado, já que não tem a marca da carreira de Sylvester Stallone. Mesmo assim, é importante mencionar que a produção é a maior bilheteria dentre os filmes em que ele atuou (864 milhões de dólares, quase o triplo dos 300 milhões de Rambo 2: A Missão e Rocky 4), além de ser o maior orçamento (200 milhões, o dobro de Os Mercenários 2). Só que não é um filme do Stallone!

Agora é esperar os números de Rambo 5: Até o Fim e jogar nessa gangorra de números positivos e negativos de Sly os resultados das próximas semanas!

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