CineOP 2020 | TV, Pós-TV e outras telas

O debate da 15a Mostra CineOP contou com a presença de Christine Mello, Gabriel Priolli e Petra Costa

Por Vitor Velloso

No segundo debate do dia, a temática “TV, Pós-TV e outras telas” contou com a presença de Christine Mello – crítica, curadora e pesquisadora | SP, Gabriel Priolli – jornalista, diretor de televisão e educador |SP, Petra Costa – cineasta | SP e a mediação de Francis Vogner dos Reis – curador Temática Histórica | SP. 

Dentro da perspectiva apresentada por Francis, o debate gostaria de incluir a discussão da TV na temática-maior “Cinema de todas as telas”. Assim passadas as exposições do que seriam esses termos presentes no título, em especial, “Pós-TV”, a conversa se iniciou.

Francis explica que o termo vem de uma ideia de transmissão ao vivo, cunhados entre a Mídia Ninja e o Fora de Eixo durante as manifestações de 2013, que foge à lógica da TV tradicional e é mais veloz que a mesma. É possível relativizar o termo em si, pois me parece algo bastante categorizante e determinista, utilizar o prefixo “pós” para falar de tudo que é contemporâneo e foge à uma padronização mais academicista dos termos anteriormente utilizados. Assim, a fragilidade está diretamente ligada à propriedade linguística impregnada aqui, uma tendência de descolamento da realidade. 

O mesmo determinismo fica mais evidente ao categorizar “Democracia em Vertigem” como “documentário de intervenção”. Intervenção do que? Da política? Ora, não sejamos tão ingênuos. “Intervenção” é uma nomenclatura pouco apropriada para o filme de Petra costa. E aqui, devo dizer que isso não cria qualquer tipo de antagonismo entre minha opinião e a de Francis, que tenho particular apreço, apenas me pareceu pouco apropriado algumas dessas colocações.

A pergunta do mesmo, direcionada à Gabriel Priolli, bastante pertinente, girava em torno da questão “A TV (tradicional) vai acabar?”. Gabriel disse que tão cedo essa mídia mais corporativa irá acabar, apenas é contraposta por outras vertentes midiáticas que surgem, como o YouTube. Que pode ter o mesmo número de público ou maior, mas não anula a existência da outra, até por uma questão das características de quem as consome, a segunda majoritariamente consumida pelos jovens. 

Christine fala que essas novas formas “tem uma força de promover, organizar uma comunidade”. A partir daí entra com uma ideia própria dos movimentos políticos que se utilizam dessa propriedade para agregar suas ideologias, como o neofascismo (esse termo também pode ser discutido, mas aqui não é espaço para tal. Ou seja, um extremismo, em diálogo explícito com parte de suas obras, dessas linguagens que acabam gerando um movimento pouco honesto e bastante violento. 

Por fim, no CineOP 2020 | TV, Pós-TV e outras telas Petra Costa comenta um pouco sobre sua percepção de como as manifestações de 2013 foram deturpada em sua gênese e ocupadas por reacionários e pessoas pedindo a volta da ditadura. Comenta também sobre um podcast do The New York Times, “The Habbit Hole” (que desconheço). Aqui, fica claro aqui que escrevo na crítica de seu último filme, a influência de um pensamento particular de uma burguesia que herda um tradicionalismo tacanho. Mas sua indicação possui base no debate, pois aparentemente o podcast falou recentemente de como o “fascismo” utiliza-se desses meios para que suas ideias sejam disseminadas. 

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