Tudo sobre o Festival Volta ao Mundo: Coreia do Sul

Seleção sintetiza a história recente do cinema sul-coreano

Por Ciro Araujo

Acontece a partir do dia 16 até 30 de setembro mais um festival da plataforma do Petra Belas Artes À La Carte. Dessa vez, em parceria com o Centro Cultural Coreano no Brasil, o tema será “Volta ao Mundo: Coreia do Sul” e reunirá uma curadoria de sete filmes de décadas distintas que definem o cinema coreano.

A seleção terá como homenagem a obra prima “Bala sem Rumo” de Yoo Hyun-Mok, restaurado digitalmente em 2014 pela Korean Film Archive (KOFA). Rodado numa Seul pós-guerra através de personagens típicos, teve a sua primeira exibição mal recebida no seu país e logo após suspenso pelo regime militar até seu relançamento no Festival Internacional de São Francisco, em 1963. A estética realista emprestada dos italianos e sua reflexão poética daquela sociedade que vivia a necessidade própria de autodefesa captura exatamente o espírito da nação sul-coreana que ainda procurava sua própria soberania. Yoo Hyun-Mok teria novos embates com o militarismo governamental entre os anos 60 e 70.

Obaltan
Cena do filme “Bala sem Rumo”, de Yu Hyun-mok

Entre mais clássicos, o longa póstumo do diretor Lee Man-hee, “O Caminho para Sampo” de 1975. Com uma trama que gira entorno da temática trabalhista, dialoga com a história do cineasta: a carreira durou 14 anos, uma média entre três e quatro filmes por ano e desmaiou montando este último, já sabendo de sua condição debilitada de saúde.

Dos mais recentes, a incrível safra de thrillers eróticos da Coreia do Sul se faz presente em “A Empregada” de Im Sang-soo, filme que concorreu à Palma de Ouro em 2010 pelo Festival de Cannes. A quem se interessar, do mesmo diretor – porém fora dos filmes escolhidos – fica a recomendação de outro competidor de Cannes do mesmo diretor e gênero: “The Taste of Money”, de 2012. Ainda no festival, dois outros filmes com teor erótico estão presentes, “Amora”, de Na Do-Hyang e “Paju”, da diretora Park Chan-ok.

A Empregada
Cena do filme “A Empregada”, de Im Sang-Soo – Leia a crítica aqui

A comédia sul-coreana também é sistemática no país. Um pseudo-documentário sobre ego e estrelismo, “Atrizes” de E J-young brinca com a Vogue na base do improviso para tentar representar uma caricatura, também como síntese, de ser atriz na Coreia do Sul. Estrela nele a incrível Youn Yuh-jung, colaboradora de alguns filmes de Hong Sang-soo como em “Certo Agora, Errado Antes” e atriz do recente “Minari: Em Busca da Felicidade“. Também atuando como avó em outro filme cujo nome é de uma planta, o também selecionado “Canola”. Uma separação traumática que procura, de forma gentil, alguma felicidade dentro de período de dificuldade e tristeza profunda.

CONHEÇA OS FILMES SELECIONADOS

Canola
Cena do filme “Canola”, de Yoon Hong-seung

BALA SEM RUMO

(Obaltan, 1961, Coreia do Sul, 110 minutos, de Yu Hyun-mok)

Um contador pressionado, seu irmão veterano de guerra e sua família disfuncional lutam para se integrarem à sociedade coreana do pós-guerra.

O CAMINHO PARA SAMPO

(Sampoganeun gil, 1975, Coreia do Sul, 95 minutos, de Lee Man-hee)

O jovem trabalhador da construção civil Young-dal conhece um homem de meia-idade chamado Jeong, que está voltando para Sampo, sua cidade natal, depois de cumprir pena na prisão e vagar de um canteiro de obras para outro. Já se passaram dez anos desde que ele esteve em Sampo pela última vez. Em um restaurante, os dois conhecem Baek-hwa, uma hostess de bar em fuga, e os três começam sua jornada juntos. O homem mais jovem e a garota, que discutiam constantemente no início, logo se apegam um ao outro, e o trio viaja para a estação de trem, cada um relembrando seu passado enquanto caminham.

AMORA

(Ppong, 1985, Coreia do Sul, 114 minutos, de Lee Doo-yong)

Sam bo é um jogador que vive sem se preocupar com a forma como sua esposa administrará sua casa sem que ele ganhe dinheiro. Para conseguir comida e provisões, sua esposa An-hyeob dorme com vários mercadores na aldeia. Um dos poucos homens com quem ela não dorme, um servo lascivo chamado Sam-dol, decide revelar suas atividades ao marido como vingança.

ATRIZES

(Yeobaeudeul, 2009 Coreia do Sul, 104 minutos, de Lee Jae-yong)

Quando seis famosas atrizes sul-coreanas se reúnem para uma sessão de fotos da Vogue, seus egos de estrelas colidem, uma vez que estão acostumadas a serem o centro das atenções, e agora devem dividir os holofotes. O diretor Lee Je-yong disseca o mundo do entretenimento sul-coreano neste falso documentário, permitindo que atrizes reais representem versões fictícias de si mesmas.

PAJU

(Paju, 2009, Coreia do Sul, 110 minutos, de Park Chan-ok)

Choi Eun-mo, de 15 anos, se apaixona pelo futuro marido da sua irmã mais velha, um professor sete anos mais velho que ela. Um dia, sua irmã morre em um acidente e Eun-mo começa a viver com o cunhado viúvo. Mas a garota começa a desconfiar que seu amado pode estar envolvido na morte da irmã dela, sem imaginar que, na verdade, ele a está protegendo de algo ainda mais terrível.

A EMPREGADA

(Hanyeo, 2010, Coreia do Sul, 107 minutos, de Im Sang-soo)

A jovem Lee Eun-yi é recrutada por uma governanta de aristocratas coreanos para trabalhar como babá e empregada. No luxuoso ambiente moram o executivo Hoon, sua esposa Hae-ra, que está grávida de gêmeos, e sua filha pequena, Nami. A moça é recebida respeitosamente e logo se adapta ao local. Até que um dia, quando viaja com a família para cuidar da filhinha do casal, o patrão resolve visitá-la em plena madrugada. Eles passam a manter um caso, que logo é descoberto pelas demais mulheres da casa.

CANOLA

(Gyechun Halmang, 2016, Coreia do Sul, 117 minutos, de Yoon Hong-seung)

Doze anos após terem se perdido uma da outra em um mercado, avó e neta se reencontram. Mas as coisas não são mais tão boas e perfeitas, como eram antes da traumática separação.


SERVIÇO

Volta ao Mundo: Coreia do Sul
Data: 16 a 30 de setembro
Onde: Belas Artes À La Carte
Valor: Disponível para assinantes: R$ 9,90 (mensal) ou R$ 108,90
(anual)

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