Tudo Sobre o Festival de Cinema de Locarno 2021

Tudo Sobre o Festival de Cinema de Locarno 2021

Especial de abertura destrincha o festival ítalo-suíço e guia os leitores a nossa cobertura, que acontece diariamente, de hoje até 15 de agosto

Por Vitor Velloso

O Festival Internacional de Cinema de Locarno é um evento singular no calendário, sempre nos meses de agosto, cinematográfico da Europa. Uma breve passada em alguns dos vencedores do Leopardo de Ouro é o suficiente para mostrar que o Festival de Locarno não caminha de mãos dadas com alguns determinismos pragmáticos de outros grandes festivais europeus. Cannes e Berlim, por exemplo, são relativamente previsíveis se analisarmos a necessidade de determinados júris, ou alguém se surpreendeu com “The Square” e “120 Batimentos por segundo” no ano em que Almodóvar presidiu o júri?

Locarno segue outro pensamento. Não esnobou “Terra em Transe” em 1967 e não mantém uma linha de premiação que prioriza as obras nacionais. Os últimos três premiados já dão a noção da diversidade: “Vitalina Varela” (2019) de Portugal, “O Sonho de Uma Casa” (2018) de Singapura, “Mrs. Fang” de China, França e Alemanha (2017). Fica claro que a escolha não segue um consenso do que o cinema europeu vem mostrando nos últimos anos, pelo contrário, costuma montar uma programação que foge os grilhões de um mercado que se repete insistentemente em uma atitude de retroalimentação.

O Festival acontece na cidade ítalo-suíça de Locarno, bem no coração da Europa, de 04 a 14 de Agosto, em inglês e italiano. Banhada pelo lago Maggiore, a cidade faz parte do que é conhecida como a Suíça italiana, região sul do país, chamada de Ticino.

Agora, em 2021, com a proposta híbrida do festival (com uma parte da programação disponível on-demand), a curadoria mostra novamente que encontra facilmente um meio termo entre algumas oportunidades de exibição e um termômetro de distribuição. O longa de abertura, “Beckett”, de Ferdinando Cito Filomarino receberá distribuição mundial pela Netflix e promete alguns holofotes imediatos para o evento. O próprio “Free Guy – Assumindo o Controle” de Shawn Levy também é uma escolha midiática que concentra uma certa atenção para exibir um filme bastante aguardado. A exibição de clássicos como “Fogo Contra Fogo” (1995) de Michael Mann, “Animal House” (1978) de John Landis e “Exterminador do Futuro” (1984) de James Cameron também compõem parte da programação.

Por outro lado, algumas exibições inéditas e aguardadas pelo público como “Vortex” de Gaspar Noé (“Irreversível” e “Clímax”), “Paradis sale” de Bertrand Mandico (“Os Garotos Selvagens”), “Al Naher” de Ghassan Salhab (“Beirute Fantasma”), “I Giganti” de Bonifacio Angius (“Perfidia”), “Jiao ma tang hui” de Qiu Jiongjiong, “Luzifer” de Peter Brunner, “Les démons de Dorothy” de Alexis Langlois, “Zeros and Ones” de Abel Ferrara (“Vício Frenético” e “Tommaso”), “Petite Solange” de Axelle Roppert, entre outras exibições internacionais que estão marcadas na agenda de quem vai acompanhar o evento.

A Máquina Infernal
Still do filme “A Máquina Infernal” do realizador brasileiro Francis Vogner dos Reis

E o Brasil está na competição internacional Pardi di Domani com os curtas “A Máquina Infernal” de Francis Vogner dos Reis e “Fantasma Neon” de Leonardo Martinelli (“Copacabana Madureira” e “O Prazer de Matar Insetos”).

Como a cobertura do Festival de Cinema de Locarno será realizada à distância, as críticas serão feitas de acordo com a liberação das exibições para a imprensa (respeitando logicamente todos os embargos), já que não haverá cabines de imprensa online. Desta forma, alguns filmes ficarão de fora da cobertura por conta de uma não-liberação do próprio festival. As sessões para a imprensa, de forma remota, serão disponibilizadas de acordo com suas exibições presenciais, após um período de tempo estabelecido pelo próprio festival. A Competição Principal, Concorso Internazionale, estará disponível, de acordo com as exibições de cada longa-metragem, a partir do dia 06 de Agosto.

A presente edição do Festival tenta ser mais acessível nesse formato híbrido. O evento presencial possui a missão de levar as pessoas novamente às exibições coletivas. As Mostras são divididas em:

After Blue (Paradis sale)
Still do filme: “After Blue (Paradis sale)” (França) de Bertrand Mandico

CONCORSO INTERNAZIONALE

“Estreias mundiais que competem à Pardo D’oro. Apresentando autores consagrados ao lado do prazer da descoberta, da narrativa e da inovação, o Concorso Internazionale é um lugar aberto e inclusivo, que visa marcar os novos territórios da arte cinematográfica. É aqui que convergem as melhores formas de cinema contemporâneo, de acordo com a história e tradição do Festival de Cinema de Locarno.”

Jurados: Presidente – Eliza Hittman (cineasta). Membros: Kevin Jerome Everson (Artista e Cineasta), Philippe Lacôte (Diretor), Leonor Silveira (Atriz), Isabella Ferrari (Atriz). A seleção oficial:

– “Paradis sale” (França) de Bertrand Mandico
– “Al Naher” (Líbano, França, Alemanha, Qatar) de Ghassan Salhab
– “Espíritu Sagrado” (Espanha, Franla, Turquia) de Chema García Ibarra
– “Gerda” (Rússia) de Natalya Kudryashova
– “I Giganti” (Itália) de Bonifacio Angius
– “Jiao Ma Tang Hui” (Hong Kong, França) de QIU Jiongjiong
– “Juju Stories (Nigéria, França) de C.J. “Fiery” Obasi, Abba T.Makama, Michael Omonua
– “La Place D’une Autre” (França) de Aurélia Georges
– “Leynilöga” (Islândia) de Hannes Þór Halldórsson
– “Luzifer” (Austria) de Peter Brunner
– “Medea” (Rússia) de Alexander Zeldovich
– “Nebesa”(Sérvia, Alemanha, Macedônia do Norte, Eslovênia, Croácia, Montenegro, Borsnia-Herzegovina) de Srdjan Dragojević
– “Petite Solange” (França) de Axelle Ropert
– “Seperti Dendam, Rindu harus Dibayar Tuntas” (Indonésia, Singapura, Alemanha) de Edwin
– “Sis Dies Corrents” (Espanha) de Neus Ballús
– “Soul of a Beast” (Suíça) de Lorenz Merz
– “Zeros and ones” (Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos) de Abel Ferrara

Niemand ist bei den Kälbern
Still do filme “Niemand Ist Bei Den Kälbern” (Alemanha) de Sabrina Sarabi

CONCORSO CINEASTI DEL PRESENTE 

A mostra visa focar nos primeiros e/ou segundos longas-metragens de cineastas emergentes. Além do tradicional Pardo d’Oro e do prêmio direção, esse ano haverá um prêmio para melhor ator e atriz. Jurados: Agathe Binitzer (Atriz), Mattie Do (Diretora), Vanja Kaludjercic (Diretora de festival). Os filmes:

– “Actual People” (Estados Unidos) de Kit Zauhar
– “Agia Emi” (Grécia, França, Estados Unidos) de Araceli Lemos
– “Amansa Tiafi” (Gana) de Kofi Ofosu-Yeboah
– “Brotherhood” (República Tcheca, Itália) de Francesco Montagner
– “Bu Yao Zai Jian A, Yu Hua Tang” (China) de NIU Xiaoyu
– “Il Legionario” (Itália, França) de Hleb Papou
– “Kun Maupay Man it Panahon” (Filipinas, França, Singapura, Indonésia, Alemanha, Catar) de Carlo Francisco Manatad
– “L’eté L’éternité” (França) de Émilie Aussel
– “Mis Hermanos Sueñan Despiertos” (Chile) de Claudia Huaiquimilla
– “Mostro” (México) de José Pablo Escamilla
– “Niemand Ist Bei Den Kälbern” (Alemanha) de Sabrina Sarabi
– “Shankar’s Fairies” (Índia) de Irfana Majumdar
– “Streams” (Tunísia, Luxemburgo, França) de Mehdi Hmili
– “Wet Sand” (Suíça, Geórgia) de Elene Naveriani
– “Zahorí” (Suíça, Argentina, Chile, França) de Marí Alessandrini

Fantasma Neon (Neon Phantom)
Still do filme “Fantasma Neon (Neon Phantom)” (Brasil), de Leonardo Martinelli

PARDI DI DOMANI

Curtas e médias metragens com experimentação expressiva e poesia formal inovadora. Pardi di domani: Concorso internazionale. Com trabalhos de diretores emergentes de todo o globo.

– A Máquina Infernal de Francis Vogner Dos Reis (Brasil)
– And then they burn the sea de Majid Al-Remaihi (Qatar)
– Atrapaluz de Kim Torres (Costa Rica, México)
– Dong Dong de Sheng Dan Jie de Fengrui Zhang (China, EUA)
– Fantasma Neon de Leonardo Martinelli (Brasil)
– First Time [The Time of all but sunset] de Nicolaas Schmidt (Alemanha)
– Giochi de Simone Bozzelli (Itália)
– Imuhira de Myriam Uwiragiye Birara (Ruanda)
– In Flow of Words de Eliane Esther Bots (Alemanha)
– Layl de Ahmad Saleh – (Alemanha, Qatar, Palestina, Jordânia)
– Les Démons de Dorothy de Alexis Langlois (França)
– Love, Dad de Diana Cam Van Nguyen (República Tcheca, Eslováquia)
– Mask de Nava Rezvani (Irã)
– Dad’s Sneakers de Olha Zhurba (Ucrânia)
– Somleng Reatrey de Chanrado SOK, Kongkea VANN (Camboja)
– SQUISH! de Tulapop Saenjaroen (Tailândia, Singapura)
– Steak House de Špela Čadež (Eslovênia, França, Alemanha)
– Strawberry Cheesecake de Siyou Tan (Singapura)
– The Sunset Special de Nicolas Gebbe (Alemanha)
– Yi Yi de Giselle Lin (Singapura)

Four Pills at Night
Still do filme: “Four Pills At Night ” (Suíça, Kosovo) de Leart Rama 

PARDI DI DOMANI: CONCORSO NAZIONALE

Compõe produções suíças. Os filmes:

– After a Room de Naomi Pacifique (Reino Unido, Holanda, Suíça)
– Cavales de Juliette Riccaboni (Suíça)
– Chute de Nora Longatti (Suíça)
– Dihya de Lucia Martinez Garcia (Suíça)
– Ding de Pascale Egli, Aurelio Ghirardelli (Suíça)
– Es Muss de Flavio Luca Marano, Jumana Issa (Suíça)
– Four Pills At Night de Leart Rama (Suíça, Kosovo)
– Mr. Pete & The Iron Horse de Kilian Vilim (Suíça)
– Real News de Luka Popadić (Suíça, Sérvia)
– The Life Underground de Loïc Hobi (Suíça)

Kazneni Udarac (Penalty Shot) de Rok Biček (Croácia, Eslovênia, Austria)
Still do filme: “Kazneni Udarac (Penalty Shot)” (Croácia, Eslovênia, Austria), de Rok Biček

PARDI DI DOMANI: CONCORSO CORTI D’AUTORE

Curtas-metragens de diretores consagrados. Jurados: Kamal Aljafari (Cineasta e Artista), Marie-Pierre Macia (Produtora), Adina Pintilie (Cineasta, artista e curadora). Os filmes:

– Caricaturana de Radu Jude (Romênia)
– Criatura de María Silvia Esteve (Suíça, Argentina)
– Dead Flash de Bertrand Mandico (França)
– Fou de Bassan de Yann Gonzalez (França)
– Happiness is a Journey de Ivete Lucas, Patrick Bresnan (Estônia, EUA)
– Hotel Royal de Salomé Lamas (Portugal)
– How do You Measure a Year? de Jay Rosenblatt (EUA)
– il Faut Fabriquer ses Cadeaux de Cyril Schäublin (Suíça)
– Kazneni Udarac (Penalty Shot) de Rok Biček (Croácia, Eslovênia, Austria)
– Se posso permetttermi de Marco Bellocchio (Itália)

Rampart
Still do filme “Rampart” (Sérvia), de Marko Grba Singh

FUORI CONCORSO

Filmes de cineastas já consagrados que estão fora da competição do Pardo D’oro. Reinvenção de gêneros, liberdade e descobrimento do cinema sem restrições.

– “Dal Pianeta Degli Umani” (Itália, Bélgica, França) de Giovanni Cioni
– “Il Mostro Della Cripta” (Itália) de Daniele Misischia
– “Mad God” (EUA) de Phil Tippett
– “Pathos Ethos logos” (Portugal) de Joaquim Pinto e Nuno Leonel
– “Rampart” (Sérvia) de Marko Grba Singh
– “The Sadness” (Taiwan) de Rob Jabbaz

Manta Ray
Still do filme “Manta Ray” (Tailândia, França e China, 2018), de Phuttiphong Aroonpheng

OPEN DOORS SCREENINGS

Se dedica a exibir uma seleção de longas-metragens e curtas de Laos, Tailândia, Camboja, Vietnã, Mianmar, Indonésia, Malásia, Filipinas e Mongólia. Os filmes:

– Aswang de Alyx Ayn Arumpac (Filipinas, França, Noruega, Alemanha, Qatar, Dinamarca) 2019
– Bor Mi Vanh Chark de Mattie Do (Laos, Espanha, Singapura) 2019
– Manta Ray de Phuttiphong Aroonpheng (Tailândia, França e China) 2018
– Money Has Four Legs de Maung Sun (Mianmar) 2020
– Nguoi Truyen Giong de Bui Kim Quy (Vietnã, Alemanha) 2014
– Od Ba Gegee de Bat-Amgalan Lkhagvajav, Ian Allardyce (Mongólia, Reino Unido) 2018
– Sekala Niskala de Kamila Andini (Indonésia) 2017
– The Story of Southern Islet de Keat Aun Chong (Malásia) 2020
– Young Love de Lomorpich Rithy (Camboja) 2019

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