Star Wars: A Ascensão Skywalker

Despedida a la Lost

Por Vitor Velloso

Durante o Festival do Rio 2019

Após o deslize monumental de “Star Wars 8: Os Últimos Jedi”, a Disney precisava se recuperar com uma parcela dos fãs e da crítica, então agora no fim de 2019 a empresa decidiu lançar o fim da nova trilogia com a promessa de ser a conclusão da saga de Ren e Ray. A empresa multibilionária conseguiu se superar… lançou possivelmente o pior blockbuster do ano.

J.J Abrams assina a direção do novo filme “Star Wars: A Ascensão Skywalker”, que tem como ideia principal encerrar toda a trajetória criada anteriormente, ou seja, fechar todas as pontas desses anos de história. Abrams deve ser destacado no processo, pois além de soar desinteressante durante a projeção inteira, consegue promover o tédio e o fanservice até seu último estágio. Uma entrega em absoluto para o público gera um filme previsível do início ao fim, com frases de efeito prontas e uma narrativa que necessita correr para concretizar todas as cenas que os fãs buscam. 

Com uma trama que parece não fazer o menor sentido, saltando de um planeta ao outro em uma velocidade astronômica, o filme não se apega a nada, nem ao seu cânone, que apenas é reverenciado para arrancar aplausos dos fanáticos ali presentes. Personagens icônicos vão e voltam na história sem a menor consequência dramática, pois a preocupação geral do projeto é garantir a diversão do espectador assíduo pelo universo de discussão política canhestra, brigas de sabre de luz e filosofia barata acerca da “Força”.

Primeiramente, “Star Wars: A Ascensão Skywalker” chama atenção por sua falta de estrutura na forma, diversas sequências de perseguição termina em confusão mental e vertigem, já que a misancene (versão brasileira Herbert Richers que Glauber Rocha alfinetava) se torna um frame de um amálgama de cortes sucessivos durante a cena. Em seguida, temos a história, que parece pipocar por questões plásticas e dramáticas que agrada o grande público, mas não se preocupa em articular tais momentos dentro da narrativa.

Kylo Ren (Adam Driver) é o pior personagem da saga. Um vilão que serve de trampolim para a protagonista provar como a força é algo que necessita de estabilidade e controle emocional.

A imensa quantidade de frases de efeito, a previsibilidade dos cortes, transições e acontecimentos do filme, torna um desafio ficar até o fim da projeção, pois a cada cena diferente, este, que vos escreve, afundava na cadeira de um Odeon lotado na platéia Conselho Jedi. Soluções dramáticas que buscam simplificar ao máximo construções de romance ou intrigas entre os personagens.

“Star Wars: A Ascensão Skywalker” pode ser considerado como um episódio não autorizado de alguma novela mexicana contemporânea, onde tramas familiares contornam a obra. Tudo e todos estão ligados às famílias que compõem a história original. Além disso, os conflitos dos personagens são resolvidos em banho maria, enquanto o clichê se instala na tela, o público é obrigado a ver um compilado de cenas de ação absolutamente desnecessárias que estão ali apenas para cumprir uma lacuna implorada por parte dos fãs. Um bom exemplo disso é quando vislumbramos a Ray do lado negro da força.

O investimento massivo em nostalgia é a tônica da Hollywood contemporânea, “Star Wars” não foge disso, pelo contrário, parece incorporar toda e qualquer teoria dos fãs para seu longa, mas com o agravante de ser tedioso por sua obviedade. Os aplausos que seguiam cada reviravolta no roteiro, eram tão previsíveis quanto a infinitude de uma projeção que parecia se estender por quatro horas. J.J Abrams busca uma reverência à saga completa e esquece de olhar para o fim que pretende dar a ela, pois soa desinteressante do início ao fim.

As lágrimas e gritos ao longo da sessão reflete bem como a cultura nacional está contaminada pela norte-americana, pois era possível observar choros e soluços para um beijo canhestro que é forçado próximo ao fim da pior obra da Disney na década. Sintomático e preocupante, enxergar na platéia uma necessidade de catarse para fuga da realidade, comprova como já foi dito, seriamente, como o pior blockbuster do ano é mais importante que qualquer filme nacional para a grande maioria.

E quando me utilizo de tal adjetivo para descrição de “Star Wars: A Ascensão Skywalker”, não o faço por vaidade, mas absolutamente nada funciona aqui. A fotografia é blasé e conquista os olhos acostumados com outros filmes, a montagem é um caos à parte, Abrams faz o pior filme de sua carreira, todos os atores interpretam arquétipos flácidos de um texto escrito por um fã da saga, enquanto estava na quinta série. Os diálogos prontos e com frases de efeito em excesso, revelam o teor de entrega máxima ao público.

Onde nada funciona “Star Wars: A Ascensão Skywalker” comprova que a Disney é capaz de fazer qualquer obra e ainda assim ganhar rios de dinheiro e conquistar um público já condicionado a gostar com sua narrativa confusa, atuações frágeis (alerta de eufemismo), direção perdida e uma previsibilidade tão abrangente que é possível saber o plano seguinte à um corte. E se alguém disser que se surpreendeu vendo o filme, acredite, é a maior mentira da semana, pois até mesmo a maior virada de roteiro aqui presente, é visível nos primeiros quinze minutos.

Parabéns Mickey Mouse!

 

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    Excelente crítica. A mercadoria audiovisual hollywoodiana é cultuada como uma espécie de divindade pela massa alienada culturalmente aqui do Brasil. Qualquer lixo caído do céu é tratado como divino. Mas em si, não deixa de ser lixo.

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