Saiba o que aconteceu na Abertura da Mostra de Tiradentes 2021

A noite apresentou histórias de artesãos, shows e homenagem a Paula Gaitán

Por Vitor Velloso

A abertura da 24ª Mostra de Tiradentes 2021 (confira nossa cobertura aqui) não poderia ser diferente, buscou representar a história da cidade que cede anualmente o evento, falou do Brasil contemporâneo e suas dificuldades neste ano pandêmico, mas principalmente, de ancestralidade e criação.

Por conta da pandemia do novo coronavírus, este ano, Tiradentes está tendo uma exibição online, e claramente, uma cobertura virtual também. As temáticas citadas anteriormente, surgiram na Live feita pela Universo Produção, sempre reconstruindo um imaginário que envolve diretamente a cidade histórica, mas em especial tratando do que seria a criação, para abrir diálogo direto com a temática desta edição: Vertentes da Criação.

“Vertentes da criação não busca enquadrar, não procura dar respostas ou tecer conclusões mais categóricas sobre o cinema brasileiro contemporâneo. Mas indica o desejo de entender, de dar a ver, de botar na roda o que leva, guia e movimenta quando se cria imagens e sons.” , disse Francis Vogner dos Reis e Lila Foster.

Mas na abertura essa proposta de “criação”, ultrapassava o cinema e mirava o campo cultural em um espectro maior, dessa própria História, não enquanto tautologia, porém em perspectiva de um Brasil de esculturas e moldes. “Em cada ofício uma, invenção”

João Goulart, criador: Criar é não copiar. É colocar para fora, mas em uma madeira ou em uma pedra.

Essa noção da criação que ultrapassa os limites apenas do cinema, no caso da Mostra de Tiradentes 2021, norteou a abertura para uma materialidade não apenas dessa criação para um movimento de Brasil, mas para um aspecto econômico e cultural que se recusa a naturalidade, vindo de um aspecto particular dessa dialética possível. A pedra e/ou a madeira como molde para criação.

Com recortes de Tizumba e falas que permeiam essa relação direta com a materialidade, a abertura foi se encaminhando em direção à Homenagem de Paula Gaitán (confira aqui nosso especial sobre a realizadora), com a presença de seus filhos: Ava Rocha e Eryk Rocha, que já figuraram em momentos diferentes da Mostra de Tiradentes.

“Eu gosto muito dessa ideia de um cinema feito no perímetro, no espaço em que a gente habita, uma espécie de cinema que passou a ser acessível ao familiar, mas não ao familiar do ponto de vista da sensibilidade, da criação.”, disse Paula Gaitán.

“Paula é uma asa rara, no Brasil, na América Latina e no mundo. Como artista ela é uma inspiração constante e uma provocação constante em nossas vidas. Desde muito cedo.”, disse Eryk Rocha.

“Paula é uma das artistas que mais me influenciou. Ela está entre as grandes artistas que me influenciaram. E a influência dela está em mim até hoje”, disse Ava Rocha.

Nosso editor, Fabrício Duque, fez uma pergunta durante o bate-papo de inauguração da Mostra: Paula, o que te motiva mais a escolher o tema-história do filme? Qual a essência da escolha?

A pergunta foi selecionada e Paula responde assim:

“Eu acho que eu não trabalho muito com histórias, eu parto… às vezes de uma frase, de um conceito. E a partir disso eu vou prosseguindo, é um pouco de intuição e eu me alimento mais de estudos filosóficos, talvez. Menos de uma história, acho que um romance ele entra de uma maneira particular, mas eu não parto de história preestabelecidas. Tem muitas fontes de inspiração e eu vou avançando lentamente. Tateando territórios, até ir encontrando. É uma certa curiosidade.  Tem isso no Diário de Sintra, caminhos que levam a Sintra, talvez a lugar nenhum. Eu acho que essa frase que abre o filme Diário de Sintra, sobre a memória, a memória involuntária. Resume um pouco meu procedimento a nível da forma e da própria construção imagética e também da própria criação. De estar conectado dessa narrativa, digamos. História seria uma narrativa que talvez ela vai se entrelaçando. Eu achei bonito, quando esse escultor, ele olha a pedra. É exatamente essa mesma relação. Estou vendo um rosto nessa pedra, ele sente esse rosto nessa pedra. Esse estado bruto.”

O debate inaugural foi encaminhado ao seu fim, para dar lugar ao show de Arrigo Barnabé, mas essa conversa inicial deu o tom afetuoso para um momento tão difícil que o Brasil e o mundo enfrentam. A Mostra de Cinema de Tiradentes 2021 segue sua vasta programação e a cobertura do evento será feita diariamente aqui no site Vertentes do Cinema.

A noite também exibiu o novo filme de Paula Gaitán, “Ostinato”, sobre o processo criativo de Arrigo Barnabé. Leia aqui a crítica! 

ASSISTA AQUI A ÍNTEGRA DA ABERTURA

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