Playmobil – O Filme

Legos em ação

Por Vitor Velloso

Seguindo a onda de ganhar dinheiro levando às telonas franquias de brinquedo, Hollywood chega com o novo lançamento Ctrl C + Ctrl V de todos os outros projetos “Playmobil – O filme” segue a cartilha máxima da indústria e mostra como criatividade no grande mercado norte-americano é uma questão rara.

Dirigido por Lino DiSalvo, o filme busca o entretenimento através das pequena referências que trabalha em sua estrutura. Buscando uma narrativa que agrade as crianças e os pais, a zona de conforto é parte do processo, tudo se mantém em uma linha previsível até o fim. 

Ainda que seja parcialmente divertido para seu público alvo, nada aqui funciona. O humor é frágil e clichê, a animação cria um esforço para deixar o visual agradável, mas consegue apenas uma cópia descarada de “Lego”. A tentativa de emular o sentimento do outro longa vai por água abaixo, pois “Playmobil” parece não compreender o que faz um filme essencialmente divertido, apelando para a construção frágil de uma nostalgia que não possui lugar. Além disso, quando força uma apresentação musical, falha em ser estimulante enquanto audiovisual. 

Anya Taylor-Joy se esforça em seu trabalho de dublagem e merece ser mencionada, pois busca uma característica própria na voz de sua personagem, Marla. Mas ainda que seja carismática e consiga minimizar a tediosa experiência durante a projeção, não sustenta as quase uma hora e quarenta do filme.

Infelizmente “Playmobil” é uma cópia de tudo aquilo que vem sendo produzido ao longo da década, em especial “Lego”. E se este é especial por conseguir lidar com a fantasia com uma proposição de diversão e catarse direta com o espectador, “Play” parece sustentar todos seus argumentos em vendas de brinquedo. Essa constante necessidade de afirmação diante do produto, com uma trama que possui exatamente as mesmas questões dramáticas e utiliza como recurso cômico um espião, na falta do Batman, transforma o longa em algo pueril e esquecível. 

Com a certeza que os adjetivos são aplicados sem injustiça, o fã se vê órfão da catarse que almejava ao entrar no cinema e sai buscando razões para gostar. Mas não encontra. E se a montagem conseguisse criar uma dinâmica que funcionasse com a progressão do tempo, teríamos algo mais palpável, porém a velocidade que é implicada aqui, não condiz com a narrativa que se cria, dando a sensação contínua de fragilidade, que somado ao trabalho de DiSalvo, a desordem impera. Suas escolhas levam à uma falta de fluidez brutal, pois não consegue ser instigante na abordagem. A própria questão da universalização epocal que faz parte da história, é mal aproveitada, pois não administra as relações entre elas, sendo ligadas através de uma busca que parece perder o foco a todo momento. 

Algo que deve ser levado em consideração em “Playmobil – O filme” é a busca por uma proposta que compreenda os diferentes (quase divergentes) caminhos dos gêneros na trama, ainda que utilize isso como muleta em diversas ocasiões, principalmente no humor. Ao menos entende que são trilhas necessárias em um projeto como este. A constante perseguição a determinados padrões contemporâneos leva o filme à correr em uma direção que em quase nada lhe acrescenta, pelo contrário, demonstra a situação desta indústria de cifras e glamour. Realocando seus esforços em um limbo de comicidade canhestro, pois não acredita no que diz e essa falta de organicidade no projeto, acaba com todas as intenções iniciais, já que sustenta um rigor financeiro bastante claro enquanto não percebe o público desistindo do produto.

Qualquer tipo de ataque mais direto à tudo que “Playmobil – O Filme” representa para a indústria norte-americana, entra em um ciclo vicioso dos mais discutidos neste site, sobre a dominação das telas a partir do produto de gatilho fácil. 

O maior erro do filme é não entender que em alguns casos basta ser genuíno para que se conquiste o público, acertar o tempo das piadas é uma conquista além das intenções iniciais. Se a cópia lavada de “Lego” não indica uma verve própria, não pode esperar que seu espectador acredite na falácia de uma animação que parece vir pra responder a concorrente, mas acaba surfando na onda da mesma.

 

 

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